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sábado, 23 de outubro de 2010

Senado francês aprova polémica lei de reformas


Governo conseguiu fazer aprovar o diploma e já desbloqueou uma das 12 refinarias, mas os sindicatos querem manter a pressão.

A lei das reformas foi ontem aprovada pelo Senado francês, por 177 votos a favor e 153 contra, depois de já ter passado na assembleia. As duas câmaras do Parlamento votam quarta-feira um documento final, com base num texto preparado por uma comissão conjunta. O Governo conseguiu acelerar os debates no Senado e quer sufocar o movimento de contestação nos próximos dias, aproveitando a impopularidade dos bloqueios de refinarias e as férias escolares.

Se o processo legislativo avançou mais depressa, a França parece mover-se cada vez mais devagar. Os sindicatos marcaram dois novos dias de protesto e o abastecimento das gasolineiras é precário, já que as 12 refinarias do país estão em greve. Uma em cada cinco estações de serviço mantém-se seca. O sindicato dos estudantes vai manter a pressão na próxima semana e já paralisou 185 dos 4300 liceus do país.

Ontem de manhã, as autoridades recorreram à força para desmobilizar os piquetes que bloqueavam uma grande refinaria nos arredores de Paris. O ministro da Energia, Jean-Louis Borloo, garantiu que tinham sido acedidos apenas stocks que estavam em depósito, mas sindicatos protestaram contra o que classificam de atropelo à lei da greve.

Um pouco por toda a França, piquetes bloqueiam os acessos às cidades ou recorrem a "operações caracol", entupindo as estradas em velocidade lenta. Uma sondagem sugeria que dois terços dos franceses apoiam o movimento grevista, mas mais de metade são contra os bloqueios.

A perturbação do abastecimento de combustíveis já levou o Presidente Nicolas Sarkozy a acusar os grevistas de terem feito "reféns a economia, as empresas e a vida quotidiana dos franceses". E os empresários estão preocupados com a falta de combustível, que poderá durar ainda alguns dias. As greves produziram gigantescas manifestações em várias cidades e a mobilização está a ser feita com uso extenso das redes sociais.

A polémica lei visa aumentar a idade mínima da reforma de 60 para 62 anos; e de 65 para 67 anos com pensão completa. Segundo os especialistas, e se o sistema ficar inalterado, o custo em 2018 será de 44 mil milhões de euros.

Mas há também contas políticas. Os partidos estão a posicionar-se para a campanha presidencial de 2012, que se adivinha dura. E, no interior do partido no poder (UMP), prepara-se a substituição do primeiro-ministro François Fillon, em princípio pelo preferido de Sarkozy, o ministro da Energia Borloo. Os protestos também se explicam pela baixa popularidade do Presidente e a impopularidade do ministro responsável pela lei, Eric Woerth, envolvido no escândalo L'Or"ral, que sugere financiamento ilegal de partidos.

fonte: DN

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sarkozy exige que Senado vote lei quase sem debate


Sindicatos agendam nova greve para quinta-feira e protestos a 6 de Novembro. Camionistas portugueses regressam sem problemas.

"É um insulto para o Senado!" e "a sanção chegou" foi a reacção de Jean-Pierre Bel, presidente do grupo do PS, face à exigência do Governo para que a Câmara Alta do Parlamento francês se pronuncie sobre o projecto de reformas por "voto único". Nicolas Sarkozy quer que o texto seja aprovado antes do fim da semana, quando têm início as férias de Todos-os-Santos, por um só voto do Senado enquanto assembleia. Entretanto, os sindicatos convocaram nova greve para quinta-feira, dia 28, e protestos para 6 de Novembro.

Eric Woerth, o ministro do Trabalho e o mensageiro da vontade de Sarkozy junto do Senado, explicou a este que "não se justifica mais 50 horas de debate". E sublinhou: "O debate não deve durar por durar." Para Woerth, o voto no Senado deve acontecer "talvez na sexta-feira [hoje] à tarde".

Previsto pelo artigo 44-3 da Constituição, o "voto único" neutraliza a liberdade dos senadores e não agrada ao presidente do Senado. Gérard Larcher afirmou várias vezes que o "debate iria até ao fim", ou seja, até serem discutidas todas as emendas propostas ao projecto de lei que aumenta a idade da reforma dos 60 para os 62 anos e, para receber a pensão completa, dos 65 para os 67 anos. Larcher sublinhou não gostar de "usar este tipo de procedimento".

A exigência do "voto único", que faz ganhar tempo ao Governo, revela, afinal, que Sarkozy começa a sentir a pressão da rua. Ontem, os protestos de grevistas, alunos e estudantes sucederam-se em todo o país, alguns marcados por confrontos com a polícia. O bloqueio a refinarias, a depósitos de combustível, a portos e a aeroportos foi também uma realidade, apesar de o Presidente ter ordenado, há dois dias, que as forças de segurança lhe pusessem termo.

"Ao fazer reféns da economia, das empresas e do quotidiano dos franceses, vão destruir empregos", alertou ontem Sarkozy durante a sua deslocação a Bonneval, centro do país, onde manteve um encontro com presidentes de câmaras.

Os alertas de Sarkozy não estão, porém, a surtir qualquer efeito: os sindicatos convocaram para quinta-feira uma greve nacional acompanhada por manifestações, protestos que irão também ocorrer no dia 6 de Novembro.

As paralisações em França não estão a ter repercussões só no quotidiano dos nacionais mas também dos camionistas portugueses que tiveram e têm de se deslocar ao país de Nicolas Sarkozy.

António Lóios disse ontem ao DN estar "normalizada" a situação para os camionistas portugueses em França. O secretário-geral da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) confirmou que alguns viveram "situações menos fáceis mas ouviram os nossos apelos, seguiram- -nos e estão de regresso sem problemas". "Hoje [ontem] não se registou qualquer assalto, mas ontem mais seis camiões foram assaltados", adiantou António Lóios.

Nelson, de 34 anos, foi um dos camionistas portugueses apanhados pelos piquetes dos grevistas. "Uma das vezes foi perto de Limoges, ao fim de terça-feira. Estive duas horas na fila", conta. "Na quarta-feira, fui apanhado perto de Bordéus; foram quatro horas de espera", adianta Nelson, que há 14 anos faz viagens de longo curso, daí que tudo isto não seja novidade: "Há oito anos vivi uma situação muito pior perto de Lille."

fonte: DN

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Franceses na rua contra as políticas de Sarkozy


Mais de um milhão de pessoas desfilaram nas ruas de toda a França

Contam-se quatro greves gerais em França desde que Nicolas Sarkozy anunciou adiar a idade da reforma. Hoje, terça-feira, saíram à rua em protestos cerca de 1,12 milhões pessoas, diz o Ministério do Interior. Transportes foram os mais afectados pela paralisação.

A nova política das pensões prevê que a idade mínima para a reforma passe dos 60 para os 62 anos. A medida gerou uma onda de protestos entre a população, levando centenas de milhares de pessoas a manifestar-se em todo o país.

O Governo mantém, mesmo assim, a sua posição. Diz tratar-se de uma política “inevitável” para o futuro demográfico do país.

Hoje, a greve geral afectou, sobretudo, o sector dos transportes, com o cancelamento de centenas de voos. Cerca de 50% dos voos do Aeroporto Orly não ocorreram, devido à greve de controladores aéreos.

Os comboios que fazem ligações aos arredores de Paris funcionaram a 50%. Na capital, o metro circulou a 80% da sua capacidade.

Antes das oito horas, já as estradas da região estavam entupidas com filas intermináveis de veículos, devido à falta de transportes públicos.

Segundo dados governamentais, a adesão à greve no sector público – desde a saúde à educação – esteve sempre abaixo dos 30%. Por sua vez, os sindicatos falam em dois milhões em greve e em 190 manifestações distribuídas por várias cidades do país.

O dia escolhido para a paralisação não é aleatório: hoje foi retomado o debate parlamentar acerca da reforma das pensões.

Além de adiar a idade da reforma para os 62 anos, a nova política prevê que, para ter direito à reforma integral, os trabalhadores que não atingiram o tempo de contribuição exigido por lei terão que trabalhar até aos 67 anos e não até aos 65 actuais.

Segundo duas sondagens citadas pela BBC, 63% a 70% da população é contra a reforma. Sarkozy mantém-se firme. Mas o seu nível de popularidade vai caindo.

fonte: JN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

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