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domingo, 19 de setembro de 2010

Ciganos. Parlamento e PS divididos no voto de condenação a França

O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto criticou o "silêncio inaceitável" do Parlamento "numa matéria desta gravidade"


Sousa Pinto foi o rosto da contestação socialista

O voto de condenação ao governo francês pela expulsão de cidadãos ciganos do país - apresentado pelo Bloco de Esquerda - provocou mal-estar dentro do Partido Socialista. Além disso, dividiu a Assembleia da República: foi rejeitado com os votos contra do PS, do PSD e do CDS-PP, mas 15 deputados socialistas e um social-democrata abstiveram-se. Alguns deputados do PS abandonaram mesmo o plenário na altura da votação. Só Bloco e PCP votaram a favor.

Além das abstenções na bancada do PS e de quatro declarações de voto, as divergências estenderam-se à equipa dirigente: o vice-presidente da bancada parlamentar, Sérgio Sousa Pinto, foi o único socialista a votar a favor e a vice-presidente Inês de Medeiros abandonou a sala. "A proposta do BE era imperfeita. Mas, entre a imperfeição da proposta e o silêncio, parece-me que o último é inaceitável numa matéria desta gravidade", afirmou o socialista à saída do plenário. "A França que eu amo não tem este tipo de atitudes. Respeito que há um inquérito em curso, mas não posso deixar de exprimir a minha inquietação e foi por questões de consciência que não votei", diz ao i Inês de Medeiros.

O líder parlamentar do partido, Francisco Assis, desvalorizou a contestação dos deputados: "A bancada tem regras claras. Excepção feita a questões de fundo, que têm a ver com o governo do país, os deputados podem exprimir as suas posições. Quando entendem que não têm condições para acompanhar a direcção da bancada do PS, não acompanham."

O voto de condenação do BE apelava à suspensão imediata do repatriamento dos ciganos, considerando tratar-se de uma violação dos tratados e da legislação comunitária. A deputada bloquista Helena Pinto condenou o "ataque aos direitos fundamentais" e o deputado comunista João Oliveira apelidou-o de "acto racista e xenófobo, que não pode senão merecer condenação das sociedades democráticas".

Há um inquérito a decorrer em França para averiguar a circular interna do governo que dava instruções para que o processo de expulsões privilegiasse a comunidade cigana. Os franceses garantem que são todos imigrantes ilegais, e essa foi a justificação do PS para votar contra: "Quando está a decorrer um inquérito, não acho bem que a Assembleia condene um Estado de direito democrático, como é o francês. Não estamos a falar de uma república pária ou de uma ditadura, mas de um grande Estado democrático", disse Assis.

Para Inês de Medeiros, a atitude francesa "fere os próprios princípios da Europa. Pode pôr em causa a política de imigração em toda a comunidade e levanta questões em termos de direitos humanos". No entanto, reconhece que "os votos no parlamento têm um lado solene e não podemos ser ligeiros".

Também o vice-presidente do parlamento, o socialista Vera Jardim, abandonou o plenário no momento da votação, alegando razões de consciência para não votar a proposta. O candidato presidencial Defensor Moura e o ex-secretário de Estado Eduardo Cabrita estiveram entre as abstenções. "É uma questão de direitos humanos que começa a mexer connosco", diz ao i a socialista Celeste Correia, que também se absteve. E acrescenta: "A proposta do Bloco está relativamente bem feita. O PS poderia ter votado a favor mas entendeu que era preciso esperar por outras conclusões."

À direita, o deputado do CDS, Nuno Magalhães, afirmou que "nenhum cidadão pode prevalecer-se da livre circulação para cometer crimes" e que qualquer Estado da UE tem o direito de combater estas práticas. O deputado do PSD José Matos Correia reagiu com cautela: "Primeiro é preciso saber se há ou não violação das regras."

fonte: Jornal i

Deportação de ciganos continua a dividir a Europa e a criar tensões

Merkel nega declarações de Sarkozy e garante que a deportação de ciganos não está nos planos da Alemanha


A discussão sobre a expulsão de ciganos em países europeus deu origem a um dos dias mais tensos da reunião de cúpula da União Europeia. Nicolas Sarkozy e Durão Barroso tiveram uma acesa troca de palavras sobre a expulsão de centenas de pessoas de território francês: "Os gritos eram tão fortes que se ouviam na outra ponta do corredor", contou um diplomata europeu presente. Ontem, o caso ganhou nova força, com Sarkozy a anunciar que a Alemaha lhe iria seguir o exemplo, mas acabou por ser desmentido por Angela Merkel.

O presidente francês esclareceu depois a conversa com Barroso: "Expus francamente o que França pensa, embora continuemos a trabalhar com Durão Barroso, sem qualquer problema. No entanto, se alguém manteve a calma e se absteve de fazer comentários excessivos, esse alguém fui eu", explicou Sarkozy.

Durante a sessão de trabalho de quinta-feira, Sarkozy considerou que o país ficou "ferido" com as declarações da Comissão, que por intermédio da comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, relacionou as expulsões de ciganos às deportações do regime nazi. Essas declarações "foram profundamente ofensivas, e o meu dever como chefe de Estado é defender o país", insistiu posteriormente Sarkozy à imprensa.

Apoio europeu O presidente francês contou com o apoio dos restantes chefes de Estado que se mostraram igualmente chocados com as declarações de Reding. A chanceler alemã Angela Merkel chamou as declarações de Reding de "infelizes", o primeiro-ministro britânico, David Cameron, confessou-se "assombrado" e o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu à comissária que "contenha a sua força declarativa".

Alemanha Aproveitando o apoio dos restantes países, Sarkozy falou da especial solidariedade expressa pela chanceler alemã. "Merkel garantiu-me que dentro de poucas semanas, também a Alemanha vai começar a deportar ciganos", disse. Por sua vez, Angela Merkel já negou que tenha discutido o tema da deportação de ciganos com Sarkozy durante a cimeira da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, assegurou que as declarações de Sarkozy são fruto de um "mal-entendido".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner garante não estar ao corrente de uma conversa sobre a questão dos ciganos entre Nicolas Sarkozy e Angela Merkel. Questionado pela rádio Europe 1 sobre quem está a dizer a verdade, Bernard Kouchner respondeu: "A História o dirá. Eu não assisti [à suposta conversa] e estive lá o tempo todo".

Itália Por sua vez, Silvio Berlusconi já ofereceu o seu apoio incondicional a Sarkozy. De acordo com Roberto Maroni, ministro do Interior italiano, "a França pratica uma política de regresso voluntário. A Itália mostra-se plenamente de acordo, até porque fazemos o mesmo". Em Itália vivem 180 mil ciganos, dos quais 110 mil são imigrantes dos Balcãs. Segundo avança o jornal italiano "La Repubblica", foram realizadas 315 intervenções em acampamentos ilegais nos últimos três anos.

Também Espanha aplaudiu a medida levada a cabo por Sarkozy. "No que respeita à imigração, é importante a ordem e o controlo", lembrou o presidente do governo, José Rodrigues Zapatero.

fonte: Jornal i

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sarkozy e Barroso discutem expulsões


 Cimeira de Bruxelas foi marcada por violenta troca de palavras em torno das políticas francesas em relação aos ciganos

O Conselho Europeu de ontem, em Bruxelas, foi marcado por uma violenta discussão entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, em torno da expulsão de ciganos pela França. Segundo vários relatos, a troca de palavras foi muito dura, mostrando sérias divisões institucionais.

O encontro de líderes deveria ser dedicado a temas económicos, mas a questão da expulsão dos ciganos balcânicos (roma) de França tornou-se o tema central. A delegação francesa chegou a Bruxelas indignada com as declarações da comissária responsável pela justiça, a luxemburguesa Viviane Reding, que falara sobre o tema dois dias antes.

Reagindo à divulgação de uma circular do Governo francês, documento onde os roma são referidos expressamente, Reding comparou as expulsões de ciganos às deportações do Governo de Vichy, na Segunda Guerra Mundial.

A França reagiu com indignação. Segundo o jornal Le Monde, Sarkozy terá dito, durante o almoço de trabalho dos líderes: "A Comissão feriu a França." E seguiram-se críticas do Presidente francês às quais Barroso respondeu, afirmando que eram "inaceitáveis" as discriminações contra minorias étnicas.

A discussão inédita entre um chefe do Estado e o presidente da Comissão foi aproveitada pelo presidente da UE, Herman Van Rompuy, que apelou às duas partes para que se respeitassem. Barroso e Rompuy estão envolvidos (também com Catherine Ashton, chefe da diplomacia) numa luta de poder pela definição das respectivas atribuições.

Sarkozy explicou mais tarde que nenhum dos dois dirigentes elevou a voz. "Se houve alguém que manteve a calma e que se absteve de fazer comentários excessivos, fui eu", disse o Presidente francês, referindo-se ao incidente. Depois, lembrou que tinha apoiado a eleição de Barroso e disse compreender que o presidente da Comissão mostrasse solidariedade com a comissária Reding. "Mas não permitirei que se insulte o meu país", garantiu.

O Conselho acabou por condenar a comissária, embora a França tenha aceite uma investigação da comissão. Viviane Reding ameaçara a França com um processo na justiça europeia por não cumprimento da legislação comunitária. Os líderes, incluindo o primeiro- -ministro José Sócrates, consideraram excessivo o comentário de Reding sobre as alegadas semelhanças históricas. O projecto de declaração comum sobre a questão dos ciganos foi abandonado.

fonte: DN

terça-feira, 14 de setembro de 2010

UE anuncia processo contra França por expulsão de ciganos


 A comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, criticou hoje fortemente, em conferência de imprensa, a política francesa de repatriamento de ciganos, à qual chamou uma "vergonha" e anunciou um processo contra a França.

Em causa está a divulgação pela imprensa de uma circular interna de 05 de Agosto, assinada pelo ministro francês da Administração Interna, Brice Hortefeux, na qual é referido que deve ser dada "prioridade" aos acampamentos de ciganos no processo de evacuação.

A comissária classificou ainda as expulsões de ciganos como uma "vergonha" e anunciou que vai pedir ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a abertura com urgência de um processo de infracção contra a França.

"Basta", exclamou Viviane Reading, que exigiu "explicações imediatas" do Governo de Paris, ao qual deixou ainda um aviso: "A minha paciência está a chegar ao limite."

A política francesa de deportação, nos últimos meses, de milhares de ciganos para a Roménia e a Bulgária tem sido criticada em várias instâncias.

Paris defendeu-se alegando que as expulsões tinham base legal e não se escudavam em motivações étnicas, o que Bruxelas considera ser contestado com a divulgação da referida circular.

fonte: DN

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Paris à ONU: Expulsões respeitam lei nacional e europeia


França defendeu-se hoje das críticas da ONU à política de expulsões de ciganos recusando qualquer estigmatização e afirmando que as medidas tomadas "se inscrevem estritamente no respeito das leis francesas e da legislação europeia".

"As autoridades francesas nunca estigmatizaram pessoas de uma minoria em função da sua origem. Não há um 'problema roma', mas alguns cidadãos europeus mais desfavorecidos que outros, que têm dificuldades de inserção e que merecem uma atenção particular", afirmou o embaixador francês junto da ONU em Genebra, Jean-Baptiste Mattéi.

O diplomata reagia à intervenção no Conselho de Direitos Humanos da ONU da Alta Comissária Navi Pillay, para quem a actual política francesa para os ciganos, que inclui o desmantelamento de acampamentos e expulsões do país, "só pode exacerbar o estigma dos ciganos e a extrema pobreza em que vivem".

O embaixador francês assegurou que "as medidas que foram adoptadas inscrevem-se estritamente no respeito das leis da República francesa e da legislação europeia".

"As instalações que foram desmanteladas eram ilegais e o seu desmantelamento foi feito com base em decisões adoptadas com total independência pelo poder judicial", insistiu.

Da mesma forma, acrescentou o embaixador, "para dar resposta ao estado de extrema precariedade económica que caracteriza a maioria destas pessoas, entre elas cidadãos búlgaros e romenos que se declaram de origem cigana, foi-lhes proposto o benefício de uma ajuda para um regresso humanitário, ou seja, para se reinstalarem no seu país de origem".

O representante de França junto das Nações Unidas em Genebra disse também que as autoridades francesas estão convencidas da necessidade de uma política que promova a integração social e económica dos ciganos e, "nesse espírito, trabalhar com os países de origem e com outros países da União Europeia".

A polémica sobre a integração das comunidades 'roma' foi suscitada pela nova política do governo francês de desmantelar acampamentos ilegais, expulsar ciganos ou promover o seu repatriamento a troco de dinheiro.

Desde finais de Julho, cerca de mil ciganos romenos e búlgaros foram repatriados e uma centena de acampamentos ilícitos desmantelados.

fonte: DN

Fidel afirma que Sarkozy "parece" estar louco


O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou na última das suas reflexões que "parece" que o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, está a ficar louco, supostamente devido à sua política de expulsão de ciganos romenos.

A reflexão de Castro, publicada no domingo no "site" Cubadebate, é dedicada à França, tanto pelas expulsões de ciganos como pelo seu poder nuclear, que consiste, segundo Fidel, em 300 bombas que só podem ser acionadas com chaves guardadas numa mala que está na posse do próprio Sarkozy.

"Suponhamos que Sarkozy de repente ficava louco, como parece ser que está a acontecer. Que faria nesse caso o Conselho de Segurança das Nações Unidas a Sarkozy e à sua mala?", pergunta Castro.

O ex-presidente, de 84 anos, muito activo desde que, em Julho, voltou à vida pública após quatro anos de doença e convalescença que o fizeram ceder o poder ao irmão Raúl, já provocou protestos em França quando, na sexta feira, qualificou de "Holocausto racial" a política do Governo francês relativamente aos ciganos.

Castro interroga-se sobre o que "acontecerá se a extrema direita francesa decidir obrigar Sarkozy a manter uma política racista em contradição com as normas da Comunidade Europeia" e acrescenta que o Conselho de Segurança da ONU deveria pronunciar-se tanto sobre esta questão como sobre o poderio nuclear francês.

Do mesmo modo, Fidel questiona se faz sentido moral e ético lançar um ataque contra o Irão por ter a "suposta intenção" de fabricar uma armas atómicas.

fonte: DN

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Resolução exige que França suspenda as expulsões de ciganos


O Parlamento Europeu aprovou uma resolução exigindo às autoridades francesas que "suspendam imediatamente todas as expulsões de ciganos".

No texto – proposto pelas bancadas de esquerda e aprovado por 337 votos – os eurodeputados declaram a sua “viva apreensão” com o comportamento de Paris e “de outros países” em relação aos ciganos e lamentam a “reacção tardia e limitada” da Comissão às expulsões. Sublinham ainda que “a retórica inflamada” que tem sido usada “confere credibilidade às declarações racistas e acções da extrema-direita”. A imprensa classificou a iniciativa do Parlamento Europeu um puxar de orelhas “seco” e “muito pouco habitual” a um dos países fundadores da União Europeia.

Desde Janeiro, França repatriou 8300 ciganos romenos e búlgaros, mais de mil só nos “voos especiais” das últimas semanas. Paris alega que o grosso dos repatriamentos são voluntários e conformes à lei comunitária. O ministro francês da Imigração, Eric Besson, viajou para a Roménia, a fim de exigir ao país que adopte um “plano nacional de emergência” para integrar os ciganos.

fonte: Público

sábado, 28 de agosto de 2010

Expulsão de ciganos é "novo holocausto"

As perseguições aos ciganos constituem "uma espécie de novo holocausto", disse em entrevista à agência de informação I.Media o arcebispo Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício para os emigrantes. 

Ao referir-se à decisão do Governo francês de proceder ao desmantelamento dos acampamentos e à repatriação dos ciganos, Marchetto assegurou: "Não posso alegrar-me com o sofrimento dessas pessoas, em particular quando se trata de pessoas débeis e pobres que são perseguidas, que também são vítimas de um 'holocausto' e vivem sempre escapando aos que as perseguem."

No domingo, quando rezava o Angelus no Vaticano, o Papa Bento XVI também apelou em francês ao respeito pela "legítima diversidade humana", numa referência ao repatriamento de ciganos decidida pelo Governo de Paris.

A questão dos ciganos será debatida na próxima terça-feira, em Bruxelas, pela Comissão Europeia, com ministros franceses. A reunião foi marcada depois de uma conversa telefónica, na quinta-feira, entre o primeiro-ministro francês, François Fillon, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Bruxelas quer avaliar se o repatriamento de ciganos para os países de origem, Roménia e Bulgária, está a ser feita no respeito pela lei comunitária.

fonte: DN

domingo, 22 de agosto de 2010

Portugal expulsou 425 imigrantes até Junho

O número de cidadãos estrangeiros expulsos do país quase duplicou em menos de dez anos. Alto Comissariado recorda as facilidades da lei


Desde o início da década, todos os anos são deportados cerca de 400 imigrantes ilegais, que têm assim de

Durante o primeiro semestre de 2010 foram executados 425 processos de expulsão de cidadãos estrangeiros. Fonte oficial do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) garantiu ao i que as razões do afastamento prendem-se "maioritariamente" com a situação de entrada ou permanência irregular. No entanto, alguns casos estão associados à prática de crime e por isso são de natureza judicial.

Os dados a que o i teve acesso revelam um ligeiro aumento comparativamente ao mesmo período de 2009 (420). No entanto, o relatório Imigração, Fronteiras e Asilo apresentado pelo SEF há cerca de dois meses, demonstra que desde 2000, o número de imigrantes deportados do país tem sofrido um aumento significativo. Em 2009 foram deportados 779 estrangeiros, mais 64 do que em 2007. Relativamente aos processos de expulsão instaurados a imigrantes ilegais - 2476 em 2009 -, o aumento foi de 26%, comparativamente com 2008.

Quanto às razões que motivaram a expulsão, no ano anterior, 423 casos prendem-se à situação irregular do imigrante, 167 afastamentos ocorreram no âmbito do processo de expulsão judicial e foram conduzidas 189 pessoas à fronteira para abandono do país.

Apesar de não ter sido possível contabilizar os motivos da expulsão deste semestre, o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, assegura que "a percentagem de imigrantes ligados à actividade criminosa é muito inferior à dos cidadãos nacionais". Sobre a legalização dos imigrantes, Susana Antunes, adjunta da alta comissária, sublinha que a "lei tem muitas facilidades", permitindo aos cidadãos estrangeiros permanecerem em Portugal sem muitos problemas. "Podem entrar com visto de turismo para três meses, muito comum entre os brasileiros. E depois entram no mercado de trabalho e facilmente conseguem a legalização, mas muitas vezes esquecem-se", explica.

As alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.o 4/2001, de 10 de Janeiro, vieram permitir a regularização de trabalhadores estrangeiros por conta de outrem, através da autorização de permanência. Após essa autorização, ao fim de cinco anos seria possível obter a autorização de residência.

Mais estrangeiros A população estrangeira em Portugal quadruplicou nas últimas duas décadas. Em 2009 foram contabilizados cerca de 454 mil estrangeiros no país. E, apesar do número de imigrantes expulsos ter praticamente duplicado na última década, Susana Antunes, considera pouco expressivo, elegendo "as questões burocráticas" como a principal barreira. "O imigrante normalmente trabalha muitas horas, acha que a burocracia é muita e também não há informação disponível", descreve. Os pedidos efectuados ao Centro Nacional de Apoio ao Imigrante prendem- -se sobretudo a dificuldades em "encontrar casa, acesso ao sistema de saúde e legalização".

As nacionalidades mais afectadas pelos processos de expulsão executados em 2009 foram a brasileira (350), seguindo-se a ucraniana (77), a cabo-verdiana (65) e a angolana (36). Venezuela e Marrocos, que nos anos anteriores foram dos países mais afectadas, saíram da lista. O Brasil também está no topo do ranking de cidadãos estrangeiros identificados em situação ilegal no país. No ano passado, foram detectados 2035 entre mais de 15 mil (13,43%), segue--se Guiné-Bissau (7,63%), Cabo Verde (3,74%) e China (6,3%).

fonte: Jornal i

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Oposição acusa Sarkozy de ocultar erros com "guerra à insegurança"


Partido do Presidente pretende deter até dois anos os pais de menores delinquentes.

Decidido a iniciar uma "guerra nacional contra a insegurança", o Governo francês voltou ontem a apresentar propostas que prometem ser polémicas. Depois de na sexta-feira o Presidente Nicolas Sarkozy ter anunciado que retirará a nacionalidade a delinquentes franceses de origem estrangeira que atentem contra as autoridades públicas, o seu ministro do Interior veio lançar mais achas para a fogueira. Brice Hortefeux defendeu em entrevista ao Le Parisien a extensão da medida a casos de excisão, tráfico de seres humanos e actos de delinquência grave.

O ministro do Interior não foi a única figura da União para um Movimento Popular (UMP) a pronunciar-se sobre o reforço das medidas de segurança. Éric Ciotti, secretário nacional do partido no poder, anunciou uma nova proposta de lei que irá estabelecer a responsabilidade penal dos pais de menores delinquentes que não respeitem as suas obrigações. Em declarações ao Journal du Dimanche, Ciotti defende que um pai ou uma mãe que não consiga obrigar o filho a cumprir a pena a que tenha sido condenado por delinquência deve ser condenado a uma pena de dois anos de prisão e a uma multa de 30 mil euros.

Estas duas propostas, às quais se juntam as apresentadas por Sarkozy no seu discurso de sexta- -feira em Grenoble - onde recentemente se registaram confrontos entre a polícia e habitantes, depois de os agentes terem abatido um jovem assaltante -, estarão inseridas num projecto de lei sobre segurança interna e imigração a ser apresentado em Setembro. Nessa sua intervenção, o Presidente estabeleceu uma relação directa entre segurança e imigração.

Perante estas propostas, a oposição socialista veio denunciar a "deriva anti-republicana" de Sarkozy. Num comunicado ontem divulgado pelos jornais franceses, a líder socialista Martine Aubry acusou o chefe do Governo de estar a pôr em causa "a França e os seus valores". Aubry recusou a "estigmatização dos estrangeiros, dos franceses descendentes de imigrantes e dos nómadas".

Segundo a líder socialista, "a dureza das palavras e a deriva das propostas da UMP só encontram paralelo no fracasso de Sarkozy em questões económicas e sociais". Para Aubry, não há dúvidas de que a direita está "assustada" com a perda de popularidade do Presidente. Abaixo dos 30% nas últimas sondagens, o Chefe do Estado arrisca falhar a reeleição nas presidenciais de 2012. Para Aubry, a direita está a "jogar com os medos dos franceses" para "ocultar os seus erros atrás desta fumaça".

fonte: DN

domingo, 1 de agosto de 2010

Paris endurece política de imigração e segurança


Presidente quer retirar a nacionalidade a delinquentes com "origem estrangeira".

O endurecimento da política de segurança de Nicolas Sarkozy está a provocar reacções negativas em França. O Presidente propôs privar da nacionalidade francesa todas "as pessoas de origem estrangeira" envolvidas em crimes contra a ordem pública. E um novo embaraço de acção policial está a passar nas televisões do mundo.

Ontem, a oposição não poupou palavras para denunciar o Presidente, cujas iniciativas foram consideradas "xenófobas". Os socialistas foram os mais críticos, denunciando o conceito de francês de origem estrangeira. "Não existem franceses desde há muito tempo e franceses desde há não tanto tempo", explicou um dirigente do PS, Jean-Jacques Urvoas.

O único elogio veio da Frente Nacional, cuja vice-presidente, Marine Le Pen, afirmou que as medidas contra delinquentes de origem estrangeira apenas confirmam as teses que o partido de extrema-direita defende há 30 anos.

No meio da chuva de críticas, as autoridades foram de novo postas em causa com a difusão de um vídeo onde se mostra a expulsão musculada de um grupo de activistas que ocupava ilegalmente um edifício em La Courneuve, subúrbio de Paris. As imagens mostram certa violência contra mulheres e crianças, incluindo uma manifestante que tem uma criança às costas e é arrastada pelos agentes, vendo-se nitidamente a criança a ficar debaixo da mulher.

A entidade que organizou a manifestação, Direito à Habitação (DAL) acusa a polícia de estar a agravar a violência. Neste incidente foram detidas 120 pessoas, libertadas pouco depois. Um aspecto parece evidente: o governo está a fazer uma aposta total nas medidas contra a delinquência e Sarkozy deverá usar o tema para recuperar nas sondagens.

Na sexta-feira, em Grenoble, Sarkozy fez um importante discurso sobre segurança e apresentou a proposta sobre nacionalidade francesa que instalou definitivamente a polémica: "A nacionalidade francesa deve poder ser retirada a todas as pessoas de origem estrangeira que tenham voluntariamente atentado contra a vida de um funcionário de polícia, de um militar ou de um gendarme ou de qualquer outra pessoa depositária da autoridade pública". Esta ideia será provavelmente transformada em lei já em Setembro.

No mesmo discurso, o Presidente prometeu lançar "uma guerra contra os traficantes e os vadios". Esta semana, o governo francês já anunciara a intenção de desmantelar em três meses metade dos acampamentos ciganos ilegais e expulsar os roms (ciganos balcânicos) envolvidos em delinquência. "Temos de pôr termo à implantação selvagem de acampamentos roms. Eles constituem zonas de não-direito que não podemos tolerar na França", disse ainda o presidente. A escolha de Grenoble para este discurso deve-se à ocorrência de graves incidentes naquela cidade, envolvendo membros da comunidade cigana.

A aposta política em torno do tema da segurança pode ser interpretado no âmbito das eleições presidenciais de 2012. Sarkozy tem caído fortemente nas sondagens e na direita francesa cresce o desafio colocado pela ala do antigo primeiro-ministro Dominique de Villepin. Alguns deputados da maioria vão organizar um grupo parlamentar paralelo e podem jun- tar-se ao partido de Villepin, que tem pontes para os centristas. E a segurança é importante para o eleitorado da extrema-direita, que Sarkozy sempre cativou. Mas a razão mais forte da iniciativa talvez seja a lembrança dos motins de 2005, onde Sarkozy, então ministro do Interior, estabeleceu a sua reputação de político que resolvia os problemas dos franceses menos privilegiados, os que mais sentiam a violência dos subúrbios.

fonte: DN

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