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segunda-feira, 13 de junho de 2011

A “rapariga feliz” de Damasco é um americano de 40 anos que vive na Escócia


Tom MacMaster

"Amina"

A misteriosa identidade da suposta blogger síria que captou os encantos dos media pelo mundo inteiro com o seu “A Gay Girl in Damascus”, e que fora dada como raptada na semana passada, foi revelada. Trata-se afinal de um norte-americano de 40 anos, que vive na Escócia.

Num post feito ontem no blogue, Tom MacMaster confessa toda a farsa, explicando ser um activista pró-democracia no Médio Oriente que está a estudar na Universidade de Edimburgo e não, como se fazia passar, a feminista lésbica de 35 anos, de Damasco, chamada Amina Abdallah Araf al Omari.

“Nunca pensei que captaria tanta atenção. Os acontecimentos [no Médio Oriente] estão a ser determinados por aqueles que os estão a viver, todos os dias. Apenas tentei trazê-los à luz para uma audiência ocidental”, justifica, asseverando ser “o único autor de todos os posts” feitos no blogue, que foi lançado em Fevereiro passado.

MacMaster insiste nesta “desculpa aos leitores” que “apesar da voz narrativa [do blogue] ser fictícia, os factos são verdadeiros e não enganadores sobre a situação no terreno ”. “Não creio que tenha magoado ninguém, creio que criei uma voz importante para questões sobre as quais tenho fortes opiniões e sentimentos. E espero que as pessoas dêem a mesma atenção às pessoas do Médio Oriente e às suas lutas neste ano de revoluções”.

Os relatos de "Amina" no blogue conquistaram corações pelo mundo inteiro, descrevendo aquilo que então dizia ser a experiência "feliz" a que assistia no seu país, onde o Presidente, Bashar al-Assad, enfrenta um movimento de contestação há já quase quatro meses. "Que altura fantástica para estar na Síria! Que tempo maravilhoso para ser árabe! Que momento extraordinário para estar viva! Quero ir para a rua dançar...", era dito num post datado de 24 de Março. Agora sabe-se que "Amina" não existe e que quem escrevia tais palavras de felicidade era o norte-americano Tom MacMaster

A sua confissão pública – que o diário britânico “The Guardian” confirmou através de um email enviado pela mulher de MacMaster – põe assim fim ao mistério que lançou a Internet em convulsão durante quase uma semana e se agudizou com os relatos, falsos, de que a sua suposta autora tinha sido raptada na noite de segunda-feira passada por três homens armados, quando ia encontrar-se com coordenadores do movimento de protesto na Síria ao regime do Presidente, Bashar al- Assad.

Muitas das reacções são agora de impulsiva fúria por parte daqueles que apoiaram a campanha da falsa Amina. De dentro da comunidade homossexual síria vêm mesmo críticas de que MacMaster não apenas pôs a segurança destas pessoas em risco, como prejudicou profundamente a sua causa.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Irão admite espionagem nuclear por parte do Ocidente


O Irão admitiu hoje que alguns funcionários das suas instalações nucleares foram abordados para espiar para o Ocidente e que vai aumentar a segurança e os benefícios para pôr termo à espionagem.

O vice-presidente e responsável pelo programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou numa entrevista à agência Fars que, "no passado (...) os países ocidentais entraram em contacto com especialistas da organização iraniana de energia atómica para os atrair e lhes propor melhores empregos e melhor educação no estrangeiro".

"Infelizmente, alguns funcionários da organização cederam a essas propostas", afirmou, frisando que as autoridades tomaram medidas para impedir que isso volte a acontecer.

Essas medidas incluem aumento de salários e melhoria de alojamento, assim como benefícios "na educação e nas obrigações militares dos filhos", segundo Salehi.

O mesmo responsável disse terem sido tomadas medidas para restringir o acesso à informações, designadamente sobre a compra de materiais a outros países.

Na semana passada, o Irão anunciou a detenção de várias pessoas por espionagem nuclear, sem dar pormenores.

Em Julho, Shaham Amiri, um cientista nuclear que o Irão diz ter sido raptado por agentes secretos norte-americanos, regressou ao país, afirmando que tinha decidido desertar em troca de uma oferta de 5 milhões de dólares da CIA, mas que mudou de ideias.

fonte: DN

sábado, 25 de setembro de 2010

Ahmadinejad culpa Estados Unidos pelo 11 de Setembro



Discursando não muito longe do Ground Zero - local onde se erguiam as Torres Gémeas -, Ahmadinejad não procurou o caminho da conciliação e acusou os Estados Unidos de terem «orquestrado o ataque de 11 de Setembro de 2001 para proteger o regime Sionista no Médio Oriente».

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o discurso do Presidente iraniano fez com que as delegações dos Estados Unidos e Grã-Bretanha deixassem a sala devido a comentários que os diplomatas descreveram como «repugnantes e delirantes», avança a edição online do The Guardian.

Ao falar perante representantes dos 192 países membros da ONU, o presidente do Irão disse existirem provas de que o governo norte-americano terá apoiado o ataque que chocou o mundo. Mencionou que entre os destroços das Twin Towers foram encontrados passaportes de homens com ligações a oficiais americanos, enquanto que de bombistas suicidas não foi encontrado qualquer vestígio.

Obama, que discursara antes, pediu ao Irão que cumprisse as suas obrigações internacionais e que confirmasse «as intenções pacíficas do seu programa nuclear».

fonte: Sol

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ahmadinejad ameaça guerra aos EUA


Presidente do Irão falou na sua própria língua, o farsi, mas tradução do discurso não foi ouvida

Mahmud Ahmadinejad não poupou os Estados Unidos no seu encontro com a imprensa americana em Nova Iorque, à margem da cimeira da ONU e garantiu mesmo que se a América atacar o Irão enfrentará uma guerra "sem limite". Momentos antes, o chefe de Estado iraniano teve menos sorte: ao falar na tribuna da ONU, aparentemente, razões técnicas impediram que os presentes ouvissem a tradução do seu discurso feito em farsi.

"Os Estados Unidos nunca conheceram uma guerra a sério e nunca saíram vitoriosos", disse o Presidente iraniano aos jornalistas americanos. Ahmadinejad adiantou que os EUA "não compreendem a que se assemelha uma guerra" que, sublinhou, "quando começa, não conhece limites".

Ao ser inquirido se considera como um acto de guerra se os EUA permitissem que aviões militares israelitas utilizassem o espaço aéreo do Iraque para bombardear as instalações nucleares iranianas, Ahmadinejad não evitou a questão. "Pensam que alguém atacaria o Irão? Eu não acredito realmente nisso. O regime sionista é uma entidade muito pequena no mapa, ao ponto de não aparecer como um facto real na nossa equação", afirmou.

Na opinião do Presidente iraniano, os EUA não devem imiscuir-se nos assuntos do seu país, nem nos do Médio Oriente. E sublinhou a disponibilidade do Irão para retomar as negociações sobre a questão nuclear.

Num encontro com personalidades e intelectuais islâmicos em Nova Iorque, Mahmud Ahmadinejad denunciou o que considera ser "uma campanha mediática anti-Irão. Infelizmente, o lema da guerra contra o terrorismo traduziu-se numa guerra contra os países muçulmanos".

Momentos antes, ao discursar na cimeira dos Objectivos do Milénio a decorrer na ONU, Ahmadinejad falou para si próprio uma vez que a tradução do seu discurso não foi audível. "Não há tradução", ouviu-se o Presidente afirmar. E, como relata a televisão Al--Jazeera, os problemas continuaram até que foi anunciado que os intérpretes "gostariam de declarar que estavam a ler um texto escrito que fora traduzido para inglês". E ... calaram-se. Ahmadinejad, porém, continuou a discursar. Mas o texto ficou no segredo dos deuses.

A presença do chefe do Estado iraniano em Nova Iorque - com quem o Presidente dos EUA, Barack Obama, não irá encontrar-se - obrigou a um reforço especial da segurança que alguns jornais não hesitaram em criticar.

fonte: DN

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Teerão suspende lapidação e revê pena


Autoridades judiciais estão a rever envolvimento de Ashtiani na morte do marido

As autoridades iranianas anunciaram ontem a suspensão da sentença que condenava Sakineh Mohammdi Ashtiani a morrer lapidada por cumplicidade no homicídio do marido e por adultério.

O anúncio foi feito por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano horas depois do Parlamento Europeu ter aprovado por unanimidade uma resolução pedindo a suspensão da execução de Ashtiani e de o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ter classificado como "bárbara" a pena aplicada à iraniana no discurso do "estado da União" de terça-feira em Estrasburgo.

O sucedido em Estrasburgo foi apenas a manifestação mais recente de um vasto movimento internacional contra a lapidação de Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte em 2006 por duplo adultério e cumplicidade no homicídio do marido.

Um aspecto deste movimento diplomático de solidariedade ocorreu ontem em Lisboa com os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Luxemburgo, Luís Amado e Jean Asselborn, a apelarem ao seu homólogo iraniano para impedir a execução de Ashtiani.

O caso desta iraniana suscitou uma importante mobilização internacional e uma série de iniciativas diplomáticas que levaram, num primeiro momento, Teerão a suspender a execução em Julho. Desde então, responsáveis iranianos indicam estar em revisão a sentença, dando a entender que a lapidação poderá ser substituída por outra forma de pena capital.

Esta possibilidade foi recordada pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Ramin Mehmanparast, que disse estar em "revisão" o envolvimento de Ashtiani no homicídio do seu marido, sucedido em 2005.

O advogado da iraniana, Javid Houtan Kian, tem referido nas últimas semanas que nunca surgiram no processo daquela quaisquer acusações ou factos envolvendo Ashtiani na morte do marido.

A primeira sentença de 2006 contemplava apenas a situação de relação ilícita com dois homens, facto posterior ao homicídio do marido, e pelo qual Ashtiani foi condenada a 99 vergastadas. Posteriormente, aquela acusação foi transformada em duplo adultério, crime pelo qual foi condenada à pena capital por lapidação.

fonte: DN

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sentença que condenava Ashtiani foi suspensa


Sakineh Mohamadi Ashtiani pode já não ser condenada à morte por lapidação. A sentença que a condenava foi suspensa pelas autoridades iranianas e vai ser revista, de acordo com um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão. Agora está a ser investigada a acusação de envolvimento na morte do marido para que seja emitida a sentença final.

A condenação foi criticada pela comunidade internacional e foi alvo de manifestações em todo o Mundo. Ainda hoje o Parlamento Europeu pediu o aumento das sanções europeias contra o Irão, exigindo o alargamento da lista existente de indivíduos e de organizações sujeitos à proibição de viajar para a UE e ao congelamento de activos, por forma a incluir os responsáveis pela violação dos direitos humanos, repressão e restrição da liberdade no Irão.

O Irão é, juntamente com o Afeganistão, a Somália, a Arábia Saudita, o Sudão e a Nigéria, um dos poucos países que continua a aplicar a condenação à morte por lapidação.

Sakineh Mohammadi Ashtiani foi acusada, em 2006, de ter tido duas relações íntimas fora do casamento após a morte do seu marido e foi condenada a uma sentença de 99 chicotadas.

Foi também acusada de cumplicidade no assassinato do seu marido e depois absolvida, antes de ser acusada de adultério durante o casamento e condenada à lapidação.

fonte: DN

Irão tem urânio enriquecido suficiente para fabricar duas bombas


Irão continua a violar as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) informou esta segunda-feira que o Irão produziu até agora 2.800 quilos de urânio pouco enriquecido, uma quantidade que os peritos consideram suficiente para construir entre duas e três bombas nucleares.

No seu mais recente relatório técnico sobre o Irão, a que a agência EFE teve acesso, a AIEA reitera a sua preocupação em relação às possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano.

O documento refere que o Irão continua a violar as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da própria AIEA.

Desde há anos que a ONU e a AIEA exigem que o Irão suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio, congele a construção de um reactor de água pesada e aplique um regime especial de inspeções.

"O Irão não tem dado a cooperação necessária para permitir (à AIEA) confirmar que todos os seus materiais se destinam a atividades pacíficas", refere no relatório o diretor-geral da agência, o japonês Yukiya Amano.

"É essencial que o Irão coopere nestes assuntos", acrescenta.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Presidente iraniano volta a colocar em causa a versão oficial do 11 de Setembro



O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a colocar em causa a versão oficial dos atentados do 11 de Setembro nos Estados Unidos e acusa as autoridades norte-americanas de a usarem como pretexto para intervirem no Afeganistão.

"Qualquer coisa foi produzida em Nova Iorque e ainda ninguém sabe quem foram os principais autores. Nenhuma parte independente foi autorizado a identificar os autores", disse Ahmadinejad num encontro com jornalistas, domingo à noite, no Qatar.

Depois dos atentados contra as torres gémeas do World Trade Center, que fizeram perto de três mil vítimas, "eles (norte-americanos) disseram que os terroristas estavam escondidos no Afeganistão, a NATO mobilizou todos os seus meios e atacou o país", acrescentou.

Ahmadinejd classificou de "mentira" a versão norte-americana dos atentados do 11 de setembro, mas os ataques foram rapidamente reivindicados pela rede terrorista Al-Qaida de Usama Bin-Laden, que se escondeu depois dos ataques nas zonas fronteiriças entre o Afeganistão e o Paquistão.

"Eles dizem que duas mil pessoas morreram nas torres gémeas, mas no Afeganistão mais de 110 mil pessoas foram mortas", disse o Presidente iraniano que fez uma curta visita a Doha no domingo à noite.

Washington e Teerão não têm relações diplomáticas desde o rapto de diplomatas norte-americanos na capital iraniana depois da revolução islâmica de 1979.

fonte: JN

sábado, 4 de setembro de 2010

Armas nucleares. Irão pode iniciar um efeito dominó perigoso

A ONU e os Estados Unidos temem que outros países do médio oriente imitem o avanço nuclear do Irão.

O Japão adoptou novas sanções contra o Irão

A proliferação nuclear é contagiosa e quase todos os governos e especialistas temem que se o Irão desenvolver armas nucleares os países vizinhos venham a seguir-lhe os passos. As Nações Unidas e o governo norte-americano são unânimes em querer combater o chamado "dominó nuclear". "Os governos de todo o mundo têm de perceber a real ameaça da proliferação de armas nucleares no Irão, porque, provavelmente, nos próximos dez ou 20 anos, outros dez países no Médio Oriente vão seguir o mesmo caminho", disse o ex-senador norte-americano Sam Nunn.

Contra este cenário de risco iminente, existe apenas um obstáculo: um registo histórico que não o suporta. 65 anos depois do início da era nuclear, apenas nove países desenvolveram armas nucleares. Além disso, passaram-se quase 20 anos entre a criação do primeiro Estado nuclear - os Estados Unidos, em 1945 - e o quinto, a China, em 1964. Índia, Israel, África do Sul, Paquistão e Coreia do Norte surgiram no 40 anos seguintes.

Quatro anos depois de a Coreia do Norte se ter tornado um país com armas nucleares, a Coreia do Sul e o Japão não parecem estar no caminho para seguir o exemplo: "Nesta fase é precipitado falar em dominó nuclear", garante Diogo Noivo. O investigador do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança explicou ao i que "em teoria é fácil recorrer a esse termo, mas na prática existem demasiados constrangimentos práticos que impedem a sua concretização". Esses obstáculos à proliferação passam pelo controlo internacional, nomeadamente dos Estados Unidos, sendo que a Coreia do Sul e o Japão contam com uma forte protecção norte-americana. Depois do teste nuclear da Coreia do Norte, em 2006, o então presidente George W. Bush assegurou imediatamente total protecção aos dois países vizinhos.

"Apesar desses países terem toda a tecnologia disponível e reunirem as condições para a transferir para outros países, há demasiados constrangimentos políticos que o impedem. Tem sido esse limite que mantém o controlo na proliferação nuclear", acrescenta Diogo Noivo.

Em relação ao Médio Oriente, grande parte dos especialistas acredita que o Irão está a entre um e três anos de de-senvolver uma bomba nuclear, comparado com os dez a 15 anos a que os países vizinhos estão de alcançar esse objectivo. Esse prazo dá mais oportunidade aos Estados Unidos de estabelecer pactos de segurança com os países que poderiam ficar tentados a desenvolver armamento nuclear em resposta à ameaça iraniana.

Em termos práticos, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, já falou da possibilidade de os Estados Unidos estenderem a sua defesa aos países do golfo Pérsico, capacitando-os de meios de defesa para confrontarem um possível Irão nuclear.

Para Diogo Noivo, apesar de todas as formas de negociação estarem já desgastadas, "insistir na aplicação de sanções e no apoio de movimentos reformistas é a solução". No entanto, o investigador alerta para a aprovação de sanções estratégicas, "que não afectem a população em geral, mantendo apenas intenções políticas".

Entretanto, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) pediu a Israel para aderir ao Tratado de Não Proliferação de armas nucleares e submeter as suas instalações a controlo internacional, indica um relatório divulgado ontem.

Japão O governo japonês adoptou ontem novas sanções contra o Irão, que prevêem o congelamento de bens relacionados com o programa nuclear de Teerão e um controlo mais rigoroso das transacções financeiras. A medida aprovada pelo gabinete do primeiro-ministro Naoto Kan inclui o congelamento de bens de 88 instituições, 15 bancos e 25 indivíduos, informou Hideaki Fujisawa, representante do Ministério do Comércio. Além disso, o executivo japonês impedirá que instituições financeiras do país abram escritórios no Irão, enquanto também veta instalação de filiais dos bancos iranianos no Japão.

Também os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia adoptaram recentemente um novo pacote de sanções contra o Irão. A União Europeia proíbe qualquer novo investimento, assistência técnica ou transferências tecnológicas, nomeadamente para a refinaria e a liquefacção do gás.

fonte: Jornal i

domingo, 29 de agosto de 2010

Teerão garante que ainda não decidiu sobre Ashtiani


Lisboa juntou-se às pressões internacionais para salvar vida de condenada a lapidação.

Sob intensa pressão internacional, o Irão anunciou que ainda não existe decisão definitiva sobre a execução de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte pelo crime de adultério. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que cem cidades de todo o mundo - incluindo Lisboa - se mobilizavam contra a anunciada lapidação da iraniana.

Segundo explicou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ramin, Meh-manparast, citado pela AFP, "este veredicto está a ser examinado e quando a justiça chegar a uma conclusão, esta será anunciada". Mehmanparast apelou a que não se usem casos judiciais com fins políticos.

Ashtiani foi condenada em 2006 à pena de morte por lapidação, por suposto adultério. Recebeu também uma pena de dez anos de prisão pela participação na morte do seu marido, onde participou um amante da condenada. Esta segunda condenação não implica a pena de morte devido ao perdão concedido pela família da vítima.

Esta é a questão jurídica, tal como existe oficialmente. No entanto, houve acusações de tortura da prisioneira, que viu o seu primeiro advogado exilar-se na Noruega por alegada perseguição policial. O caso motivou uma vasta mobilização da opinião pública em diferentes países, incluindo Portugal.

A mobilização política tem sido mais forte na Europa. A França enviou uma carta à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, pedindo uma posição dos 27 sobre o tema e, ontem, Ashton explicou que as suas preocupações eram idênticas às do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner. A UE deverá divulgar brevemente uma reprovação colectiva da lapidação.

A iminente lapidação de Ashtiani mobilizou ontem múltiplas organizações de direitos humanos e associações humanitárias. Em Paris, por exemplo, participaram 300 pessoas e os organizadores lembraram que mesmo que a lapidação seja suspensa, a iraniana de 43 anos está condenada à morte . Na embaixada iraniana foram entregues mensagens de intelectuais e de outros cidadãos a protestar contra a sentença.

Em Londres decorreu um protesto semelhante, com apelos a uma revisão do processo judicial. O Times contactou os advogados de Ashtiani, que pediram a continuação da pressão ocidental.

O protesto em Lisboa juntou cerca de duas centenas de pessoas no Largo de Camões. No pedestal da estátua ao autor d' Os Lusíadas, activistas dos direitos humanos leram trechos alusivos à situação de Sakineh, incluindo o artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante."

"Parem as execuções no Irão", lia-se - em inglês - num dos cartazes de protesto. Os eurodeputados Edite Estrela (PS) e Rui Tavares (BE), parlamentares socialistas como Inês Medeiros e Ana Catarina Mendes, o escritor José Manuel Mendes, a cineasta Raquel Freire, a historiadora Irene Pimentel, o sindicalista António Avelãs e o director-geral da Saúde, Francisco George, estiveram presentes. Os maiores aplausos ocorreram quando uma das activistas afirmou: "A lapidação é uma das formas mais bárbaras de crimes contra a humanidade."

fonte: DN

300 pessoas concentraram-se em Paris em defesa de iraniana condenada à morte por lapidação


Cerca de 300 pessoas concentraram-se hoje, em Paris, contra a decisão de condenar à morte por lapidação a iraniana Sakineh Ashtiani-Mohammadi, que tem suscitado uma mobilização crescente nos países ocidentais.

Figuras públicas, como o escritor Marek Halter, participaram na concentração organizada por uma associação de defesa dos direitos das mulheres e pelo Movimento pela Paz e Contra o Terrorismo.

Em Toulouse, no sudoeste de França, uma dezena de mulheres distribuiram planfletos condenando o apedrejamento e a "crueldade das leis religiosas".

O Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros reafirmou hoje que nenhuma decisão final está tomada sobre a lapidação de Sakineh Mohammadi-Ashtiani por adultério e morte, sublinhando que a aplicação da pena foi suspensa e que o veredicto está "em fase de análise".

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos e mãe de duas crianças, foi condenada em 2006 por ter tido "uma relação ilegal" com dois homens depois da morte do seu marido.

A condenação à morte por lapidação desta mãe de família suscitou uma forte emoção e uma mobilização crescente nos países ocidentais.

Os advogados de Sakineh afirmaram que esta não foi condenada à lapidação por participação na morte do marido, mas unicamente por adultério.

fonte: DN

sábado, 28 de agosto de 2010

Protestos em todo o mundo contra lapidação


Cem cidades, incluindo Lisboa, manifestam-se hoje contra a execução iminente da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani

Em cem cidades de todo o mundo, incluindo Lisboa, realizam-se hoje manifestações de protesto contra a intenção das autoridades iranianas de executar por lapidação uma mulher de 43 anos, Sakineh Mohammadi Ashtiani. Esta mãe de dois filhos foi condenada em 2006 por adultério, acusação à qual foi adicionada a de cumplicidade na morte do marido, após "confissão" obtida sob tortura.

As manifestações de protesto são organizadas pelo Comité Internacional contra as Execuções e realizam-se em países como Brasil, EUA ou Holanda, entre outros. Em Lisboa, a concentração decorrerá no Largo de Camões, a partir das 18.00.

Esta não é a única campanha em curso. O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, envolveu-se pessoalmente no destino de Ahstiani. Paris está a pressionar a União Europeia para obter uma declaração dos 27 a prometer sanções contra Teerão, no caso de a iraniana ser executada. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, enviou uma carta à alta representante da UE, Catherine Ashton, onde se pede para a união não se "resignar à barbárie". O ministro quer uma posição com medidas concretas, para lembrar aos iranianos que a sua atitude de isolamento terá um custo.

O caso de Ashtiani está a comover a opinião pública de todo o mundo e houve várias iniciativas diplomáticas para salvar-lhe a vida, nomeadamente uma oferta de asilo do Presidente brasileiro, Lula da Silva, que as autoridades iranianas rejeitaram.

Pelo contrário, a acusação foi reforçada, numa tentativa de suavizar o impacto no Ocidente. A lapidação não costuma ser noticiada no Irão e mesmo os activistas de direitos humanos não sabem quantas pessoas são executadas desta forma. Por isso, o caso de Ashtiani tem toda a aparência de constituir um exemplo do poder conservador para uma sociedade dividida.

A primeira condenação de Ashtiani, em 2006, foi por "relação ilícita com dois homens". A acusada foi submetida a castigo de 99 chicotadas, mas o caso não terminou. Um tribunal conservador reviu a sentença e condenou Ashtiani por "adultério enquanto casada", que as leis islâmicas em vigor punem com morte por lapidação. Quando se aproximava a execução foi acrescentada a acusação de cumplicidade no homicídio do marido, pela qual Ashtiani já tinha sido ilibada.

A lei iraniana pune severamente o adultério, mas a actual teimosia de Teerão poderá estar ligada à intenção de dar o exemplo. O regime conservador reprimiu com dureza manifestações de reformistas, na sequência das presidenciais do ano passado, e desafia a comunidade internacional com um programa nuclear que lhe valeu sanções. Também decorre um ataque cerrado à homossexualidade, com tortura de suspeitos e execuções.

A lei sobre adultério abrange homens e mulheres, mas as mulheres estão mais desprotegidas, pois há poligamia e são permitidos casamentos temporários, que os homens invocam para se proteger da lei imposta pela Revolução Islâmica de 1979. Há autoridades religiosas que contestam a lei.

fonte: DN

sábado, 21 de agosto de 2010

Irão abastece reactor da primeira central nuclear do país


As operações de carregamento do combustível no reactor da primeira central nuclear iraniana em Bouchehr (Sul) começaram hoje, anunciou a Organização iraniana de energia atómica (OIEA) em comunicado

«A operação de transferência do combustível nuclear para o reator foi realizada a 21 de agosto na presença do Vice-Presidente Ali Akbar Salehi, chefe da OIEA, e de Sergei Kiriyenko», chefe da agência nuclear russa, Rosatom, que dirigiu a construção da central, indicou o comunicado.

Esta operação, primeira etapa do carregamento do reator, faz, oficialmente, da central de Bouchehr uma instalação nuclear.

fonte: SOL

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Irão vai começar a construir nova central nuclear no próximo ano


O regime de Teerão deu aval ao início da construção de uma nova central de enriquecimento de urânio já a partir do primeiro trimestre de 2011, confirmou hoje o chefe da agência nuclear iraniana, Ali Akbar Salehi.

Citado na edição online da televisão estatal, Salehi indicou que as autoridades determinaram a localização “das duas novas centrais de enriquecimento [de urânio]” a serem construídas – uma delas a arrancar “antes do final do ano iraniano [20 de Março de 2011] ou início do próximo”.

Esta nova central será a terceira do país, a juntar-se às de Natanz (no centro do Irão), onde existem mais de 8.500 centrifugadoras do combustível nuclear, e de Fordoo (a Sul de Teerão), que se encontra actualmente em construção.

A actividade nuclear do Irão está sob atento escrutínio da comunidade internacional, que teme o desenvolvimento de armamento atómico por parte do regime ultraconservador de Teerão.

O país foi inclusive visado com novas sanções económicas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, a 9 de Junho passado, que exige ao Irão a suspensão de toda a actividade de enriquecimento de urânio.

fonte: Público

Médio Oriente teme efeito do embargo russo de trigo


Carência de cereais pode aumentar o preço do pão, o que provoca tensões sociais

As consequências nefastas dos fogos que assolaram a região de Moscovo vão muito para além das fronteiras russas: alcançam o Médio Oriente e o mercado internacional. Em causa, a decisão do primeiro-ministro Vladimir Putin de proibir a exportação de cereais até ao fim do ano, uma medida que entrou ontem em vigor e poderá prolongar-se até 2011, caso Moscovo o ache necessário.

Terceiro exportador mundial de trigo, cevada e centeio - entre outros cereiais - a Rússia é praticamente o "celeiro" do Médio Oriente, sendo o Egipto o seu principal comprador. Faltando os cereiais russos, o Cairo - como outras capitais da região - terá de se voltar para outros mercados, provavelmente os dos países da União Europeia, para dar resposta às necessidades das suas populações.

Analistas revelam que a decisão russa se prende com o desejo de evitar qualquer risco de conflitos sociais que ocorreriam caso se verificasse um aumento brutal do preço dos alimentos. Aliás, Putin não o escondeu quando, ao anunciar a medida, afirmou: "É preciso impedir a inflação dos preços e salvar também o gado russo" que teria de ser abatido em consequência do aumento do preço dos cereais no mercado interno.

Mas se Putin resolve os seus problemas internos com a proibição temporária das exportações, outros há que veem nela a ameaça de crise dentro das suas fronteiras. Tanto mais que a medida russa já provocou o aumento do preço dos cereais nos mercados internacionais, em especial no americano.

Uma das consequências desta "especulação" será o aumento do preço do pão, medida explosiva em países do Médio Oriente onde grande parte da população subsiste apenas com esse alimento.

O Egipto é um exemplo acabado dessa situação. Aumentar o preço do pão, quando um quinto dos seus 83 milhões de habitantes vive com menos de um dólar por dia - segundo dados das Nações Unidas -, é uma receita certa para o fantasma da fome e a eclosão de violentos conflitos sociais, uma situação que o Cairo quer evitar. Em 2007, quando o preço dos cereais triplicou nos mercados internacionais, o Egipto viu-se forçado a reduzir a quantidade do pão subsidiado. Em consequência, milhares de pessoas entraram em confronto enquanto esperavam junto às padarias públicas para conseguirem pão, várias pessoas morreram e o Presidente Hosni Mubarak utilizou os militares para acabar com o conflito.

"Não temos qualquer intenção de aumentar os preços dos artigos subsidiados", afirmou, há dias, o ministro da Solidariedade Social egípcio, Ali Moseilhi. Tendo em conta que 2011 é ano de eleições presidenciais, é de crer que o Governo tudo fará para não alterar o preço do pão ou arrisca-se a que o candidato do poder - Hosni Mubarak ou o seu filho Gamal - seja derrotado pelo homem forte da oposição, o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohammed elBaradei.

Entretanto, a Comissão Europeia revelou estar a seguir "atentamente" a evolução da situação dos mercados de cereais e garante estar pronta para, "se necessário", intervir com medidas apropriadas.

"Exportadora líquida" da ordem dos 12 a 20 milhões de toneladas de trigo, a UE, que apenas importava da Rússia uma ínfima parte (entre 0,3 e 0,8 milhões de toneladas), poderá ser um dos mercados privilegiados para os países afectados pela decisão de Moscovo.

fonte: DN

sábado, 14 de agosto de 2010

Condenada 'confessa' crime na TV


Entrevista em programa televisivo pode ser estratégia para legalizar execução de Ashtiani a qualquer momento.

O aparecimento de Sakineh Moh-ammadi Ashtiani num programa da televisão estatal iraniana, durante o qual confessa ter sido cúmplice na morte do marido e ter mantido relações extramatrimoniais, faz recear, como sublinham grupos de defesa de direitos humanos, que a sua execução esteja para breve. Ashtiani, de 43 anos e mãe de dois filhos, foi condenada em 2006 por "relações ilícitas" e está detida na prisão de Tabriz, no Noroeste do Irão.

O programa, que vai para o ar às 20.30 de quarta-feira, é de cariz político e, no caso do último, tinha como objectivo denunciar a "propaganda dos media ocidentais". Foi precisamente nesse programa que uma mulher - cujo chador negro cobria não só o corpo mas também o rosto, deixando apenas visível o nariz e um olho - foi apresentada como sendo Ashtiani. Durante a entrevista, as suas declarações foram feitas em turco e traduzidas em simultâneo para persa, tornando assim difícil confirmar a identificação da sua voz.

Durante o programa, a mulher que foi condenada à morte por lapidação - ou na forca, como alguns responsáveis iranianos afirmaram recentemente - por ter cometido adultério [acusação que Ashtiani negou no passado] assume que um homem que conhecera se ofereceu para matar o marido e que ela não o impediu de cometer o crime.

Para além destas declarações foi ainda lido, por uma voz feminina, um comunicado no qual Ashtiani se insurge contra o seu advogado Mohammad Mostafai, a quem culpa de ter tornado o caso conhecido a nível internacional.

O programa televisivo - ou melhor, a entrevista de Ashtiani - está a levantar sérias questões na imprensa internacional e nos grupos de defesa de direitos humanos. Os próprios advogados da iraniana sublinham o momento escolhido para a sua transmissão: quando se aguarda a resposta a um pedido de revisão do processo. E não escondem o receio de que se trate de uma estratagema das autoridades para avançar com a sua execução.

"Propaganda tóxica" foi como o Comité Internacional contra a Lapidação classificou a entrevista transmitida pela televisão iraniana, alertando que se trata de uma prática algo corrente no Irão para justificar as execuções.

Entretanto, o Brasil - pela voz de Celso Amorim, o ministro dos Negócios Estrangeiros - voltou a insistir com Teerão para que faça um gesto humanitário em relação ao caso de Sakineh Ashtiani, o que seria "positivo para a imagem do Irão no mundo", sublinha o chefe da diplomacia de Lula da Silva.

fonte: DN

Reactor nuclear de Busher vai funcionar já em Agosto


A entrada em funcionamento do reactor da central nuclear de Busher, no Irão, terá lugar a 21 de Agosto, informou hoje Serguei Novikov, porta-voz da Agência Atómica da Rússia (Rosatom).

Segundo Novikov, nesse dia, o combustível nuclear deverá ser transportado do centro de conservação para o reactor.

"A partir desse momento, será considerado uma instalação energética nuclear", frisou.

Esta notícia foi confirmada por Mahmud Jafari, alto funcionário iraniano, à agência noticiosa russa Interfax.

"Todos os trabalhos de instalação terminaram, os testes foram feitos e a central nuclear está pronta para entrar em funcionamento", declarou.

Na cerimónia irão participar Serguei Kirienko, director da Rosatom, e Ali Akbar Salihi, vice-presidente do Irão.

A construção dessa central foi iniciada em 1974 pelo consórcio alemão Kraftwerk Union A.G., que rompeu o contrato com o Irão em 1980, depois do Governo alemão aderir ao embargo norte-americano de fornecimento de maquinaria ao Irão.

A União Soviética retomou a construção dessa obra, que foi continuada pela Rússia.

Segundo Moscovo, a central nuclear foi edificada sob o controlo da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA) e respeita todas as normas internacionais e o regime de não proliferação de armas nucleares.

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

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