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sábado, 20 de novembro de 2010

20 manifestantes anti-NATO detidos, diz PSP

São cerca de 20 os manifestantes anti-NATO que foram identificados hoje de manhã pela polícia na avenida de Pádua, nas imediações do Parque das Nações, disse o porta-voz da PSP.


Manifestantes foram detidos pela PSP

São cerca de 20 os manifestantes anti-NATO que foram identificados hoje de manhã pela polícia na avenida de Pádua, nas imediações do Parque das Nações, disse à Lusa o porta-voz da PSP, Paulo Flor.

O porta-voz da PSP adiantou que os manifestantes estão a ser levados para instalações policiais e que só nas próximas horas é que se saberá se eles vão ou não ficar detidos.

Fonte da PSP no local afirmara à Lusa que tinham sido cerca de 40 os ativistas anti-NATO detidos pela PSP por desobediência à autoridade, na zona do Parque das Nações.

Os ativistas, provenientes de várias organizações anti-NATO, entre as quais a Clown Army e a PAGAN, manifestavam-se no cruzamento da avenida Infante D. Henrique com a avenida de Pádua.

Barulho com tambores

Os ativistas manifestaram-se com barulho, mas pacificamente, nas imediações do Parque das Nações, onde decorre a cimeira da NATO, num protesto que mobilizou outras tantas dezenas de elementos policiais.

Inicialmente, os ativistas concentraram-se em cima de um dos túneis, no cruzamento das duas avenidas, fazendo-se ouvir ao som de tambores e envergando uma faixa em que se lia "NATO Game Over".

Devido ao protesto, o trânsito esteve cortado neste cruzamento para carros e peões, o que motivou alguns protestos de transeuntes.

A 24ª cimeira da NATO prossegue hoje na Feira Internacional de Lisboa com a discussão do processo de transição no Afeganistão e a nova relação com a Rússia, com foco no escudo antimíssil europeu.

No primeiro dia dos trabalhos, os aliados aprovaram o novo conceito estratégico da organização, válido para os próximos 10 anos.

fonte: Expresso

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

NATO. Comprámos na Expo materiais para fazer uma bomba por 19 euros

O i comprou materiais que, combinados, poderiam servir para fazer várias bombas. Tudo dentro do perímetro de segurança


Carrinho de compras explosivo: uma botija de gás (1,99?), um litro de ácido (1,59?), acetona, água oxigenada, álcool, limpa canos, uma faca, pregos e acendalhas. Tudo por 19,01?

"Boa tarde, tem cartão Continente?", atira uma senhora simpática numa caixa do hipermercado do Centro Comercial Vasco da Gama. "Não, não temos", respondemos, duvidando logo à partida que o nosso cestinho de compras fosse elegível para os descontos "em talão". Passa uma caixa de pregos, outra de acendalhas, uma botija de gás em formato recarga. A senhora sugere um ar suspeito. Segue-se uma faca pequenina, mas que promete "corte de precisão" e um litro de ácido muriático. "O senhor ponha-se a pau que com tantos ácidos ainda pensam que vai fazer alguma bomba...", diz a caixa entre risos.

Nós não vamos. Mas o objectivo da reportagem é mesmo esse: a três dias do início da Cimeira da NATO, no coração do perímetro de segurança (ver mapa ao lado), é possível que alguém com expertise necessária e os mesmos 19,01 euros que o i gastou no hipermercado tenha acesso a produtos que, juntos, são mais do que suficientes para fazer uma bomba.

Esta reportagem não é um guia para fazer um engenho explosivo e por isso vários pormenores não serão divulgados - embora o Google indique o caminho. Fica o essencial: o centro comercial oferece todas as condições para se fazerem cocktails molotov, bombas de fumo e, mais preocupante, um explosivo químico chamado triperóxido de triacetona ou TATP, muito popular entre os militantes do Hamas e da Al-Qaeda.

A fórmula do TATP é conseguida à base de produtos banais, como a acetona, a água oxigenada e ácidos presentes em vários produtos de limpeza, como desentupidores de canos - tudo materiais a que tivemos acesso sem dificuldade no hipermercado. Foi este o explosivo utilizado pelo britânico Richard Reid, o "Shoe bomber", no voo que ligava Paris e Miami em 2001, e nos atentados de Londres de 7 de Julho de 2005.

Mesmo com milhares de homens no terreno, as forças policiais não poderão fazer mais do que vigiar indivíduos suspeitos, como confessa ao i fonte das autoridades de segurança. "A atenção das forças de segurança deve incidir nos indivíduos sobre os quais há suspeitas de prática de acções violentas. Não vejo como é que se pode proibir as pessoas de vender esses materiais. É uma preocupação para a segurança? É. Um risco? Certamente", considera José Manuel Anes, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT). Anes lembra que alguns dos materiais comprados nesta reportagem são "utilizados em explosivos caseiros" e, por isso, não hesita em acrescentar mais umas linhas ao seu raciocínio: "Penso que as autoridades nacionais deverão reflectir sobre esta questão."

Ontem, a meio da tarde, o i seguiu em direcção ao Parque das Nações para testar as prometidas medidas de segurança. A entrada fez-se sem problemas, de carro pela porta da Avenida do Índico. Na nossa tentativa de compor uma lista de compras, uma coisa saltou logo à vista: o centro comercial abre um horizonte de possibilidades a grupos violentos.

Entrámos numa loja de desporto e começámos a compor o carrinho: pacotes de bolas de golfe, novas ou em segunda mão, desde 12 euros; um taco de basebol Wilson por 15 euros, já com luva e bola incluídos; bolas de bilhar (todas n.o 8) por 4,90 euros cada. Na prateleira ao lado, havia cotoveleiras, joelheiras e capacetes. Mais à frente, facas de campismo. "E dardos tem?", perguntámos a um funcionário. "Prefere ponta de ferro ou plástico?" A resposta é óbvia e, passado pouco tempo, lá estava um pacote de dardos de ferro por 4,90 euros. A lista continua, só com material que a polícia antimotim, por certo, não gostaria nada de ter pela frente.

Passámos para o hipermercado e enquanto abastecemos o carrinho com mais alguns ácidos e gases vimos várias famílias às compras - incluindo Liedson, com quem nos cruzámos no corredor das fraldas de bebé -, tranquilamente embaladas pela voz de Céline Dion em "So this is Christmas".

Nos dias 19 e 20, nem tudo pode ser assim tão calmo no Parque das Nações.

fonte: Jornal i

sábado, 23 de outubro de 2010

WikiLeaks: "a verdade" sobre tortura e mortes no Iraque


Os cerca de 400.000 documentos confidenciais do exército norte-americano divulgados pelo WikiLeaks revelam "a verdade" sobre a guerra do Iraque, declarou hoje o fundador do site Julian Assange, numa conferência de imprensa em Londres.

"A divulgação (de documentos sobre o Iraque) visa revelar a verdade", disse Assange no início da conferência, mantida em segredo até ao último momento.

O WikiLeaks divulgou na sexta-feira perto de 400.000 documentos do exército norte-americano no que constitui uma das "maiores fugas (de informação) de toda a história do exército norte-americano", segundo o "site".

"Em tempo de guerra, os ataques contra a verdade começam muito antes do início (do conflito) e continuam bastante tempo depois", disse Assange, numa referência ao segredo mantido pelo exército sobre os casos de tortura e o balanço de operações, assim como aos ataques do Pentágono e da NATO contra as fugas de informação de documentos confidenciais "que podem por em perigo a vida de soldados", segundo eles.

Nos documentos divulgados pelo WikiLeaks são mencionados nomeadamente "mais de 300 casos de tortura e de violência cometidos pelas forças da coligação sobre prisioneiros" e mais de um milhar de abusos por parte das forças iraquianas.

Segundo os documentos divulgados pelo WikiLeaks e citados pela Al-Jazira, o exército norte-americano "encobriu" casos de tortura de detidos pelas autoridades no Iraque, onde também centenas de civis foram mortos em barreiras de controlo dos aliados nas estradas.

Os documentos abarcam o período de 01 de Janeiro de 2004 a 31 de Dezembro de 2009, após a invasão norte-americana de Março de 2003 que derrubou o regime de Saddam Hussein.

Revelam que o conflito causou 109.032 mortos naquele período, 60 por cento dos quais civis, ou seja, 66.081 pessoas.

WikiLeaks vai divulgar 15 mil documentos sobre guerra no Afeganistão

Documentos divulgados pelo WikiLeaks não contêm "surpresas"

fonte: DN

terça-feira, 28 de setembro de 2010

CIA efectua ataques aéreos em grande escala contra zonas do Paquistão


A CIA está a efetuar ataques aéreos, em grande escala, contra zonas do Paquistão, fronteiriças com o Afeganistão, numa tentativa de frustrar eventuais atentados terroristas na Europa, segundo vários meios de comunicação social norte-americanos.

Este mês, a CIA efetuou pelo menos 20 ataques com aviões tele comandados que lançaram mísseis contra alegados alvos terroristas nas "zonas tribais" do noroeste do Paquistão, segundo os jornais New York Times e Wall Street Journal, bem como o canal de televisão CNN.

O aumento de ataques é uma resposta a informações sobre alegadas "conspirações" para perpetrar atentados terroristas no Reino Unido, França ou Alemanha, segundo "funcionários" da CIA contactados pelo Wall Street Journal e outros jornais.

"O objetivo de tudo isto é abortar as conspirações terroristas, que estejam na fase de desenvolvimento, e sejam quais forem os lugares onde pretendem efetuar” os ataques, disse segunda feira à CNN um "funcionário" da CIA que pediu para não ser nomeado.

Por sua vez, o New York Times refere que “os ataques são um reflexo da crescente frustração, tanto no Afeganistão como nos Estados Unidos, face à impressão de que o governo do Paquistão não foi suficientemente agressivo na retirada de militantes das suas bases, nas montanhas ocidentais do país”.

As atuais operações da CIA estão centradas na região do Norte do Waziristão, considerado um "refúgio" para al-Qaida e para talibãs.

O governo paquistanês protestou segunda feira formalmente pelos ataques que foram lançados domingo e segunda feira com helicópteros norte-americanos da NATO, a partir do Afeganistão, contra a zona fronteiriça do Paquistão, nos quais morreram mais de 50 pessoas.

fonte: Jornal i

sábado, 14 de agosto de 2010

Portugal vai alterar missão no Afeganistão mas mantém forças de segurança de apoio às locais


Portugal integra a missão da NATO no Afeganistão

Portugal vai alterar a sua força de missão no Afeganistão, com o envio de formadores e especialistas em logística, mas mantém as forças de apoio à segurança naquele país, disse hoje em Mafra o Chefe de Estado-Maior do Exército.

“Há realmente uma alteração da missão, mas Portugal vai render as forças que estão no terreno por forças com outras características para assegurar a segurança do Afeganistão”, afirmou o Chefe de Estado-Maior do Exército.

José Luís Pinto Ramalho, que falava à margem das comemorações do Dia da Arma de Infantaria e da Escola Prática de Infantaria em Mafra, esclareceu que “as forças de apoio às forças afegãs manter-se-ão no terreno”, apesar de algumas forças internacionais estarem de saída daquele país.

“A missão que o Exército tem é contribuir com uma força que tem simultaneamente a componente da protecção e de apoio e a componente da formação das forças afegãs”, explicou.

Pinto Ramalho acrescentou que as forças nacionais, algumas das quais vão ser rendidas em Outubro, vão ser compostas por “comandos e para-quedistas no que tem a ver com a protecção” e “especialistas em logística e formadores para apoiar as forças afegãs”.

Assim sendo, está previsto “o reforço da capacidade de instrução e formação do exército afegãos e menos o apoio à segurança” do país.

Portugal integra a missão da NATO no Afeganistão.

fonte: Público

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Holanda inaugura retirada da NATO do Afeganistão


Canadá, Polónia, Reino Unido e EUA também já discutem datas de saída.

A Holanda tornou-se ontem o primeiro país membro da NATO a retirar as suas tropas do Afeganistão, onde há nove anos os aliados combatem os talibãs e a Al-Qaeda.

Os holandeses saíram da província afegã de Uruzgan, onde passaram os últimos quatro anos, tendo transferido o controlo da mesma para os militares norte- -americanos e australianos.

"A comunidade internacional e a NATO ajudam o Afeganistão a endireitar-se sobre as suas pernas. A Holanda assumiu as suas responsabilidades e bateu-se pela segurança e reconstrução do país", afirmou ontem o ainda ministro dos Negócios Estrangeiros holandês, Maxime Verhagen, em comunicado citado pela AFP.

A NATO queria que as tropas holandesas prolongassem por mais um ano a sua missão, mas divergências sobre o assunto levaram à queda do Governo. E à não renovação do mandato.

Esta não foi a primeira vez que a política externa provocou uma crise governamental na Holanda: em 2002, a equipa de Wim Kok, então primeiro-ministro do país, demitiu-se na sequência de um relatório que responsabilizava os capacetes-azuis holandeses pelo massacre no enclave de Srebrenica - onde morreram milhares de muçulmanos bósnios às mãos das forças sérvias bósnias.

A Holanda teve legislativas antecipadas há quase dois meses, mas até ao momento os vários partidos ainda não conseguiram chegar a acordo para formar uma nova coligação e governar.

No Afeganistão, onde chegou a ter um contingente de 1950 militares, 24 dos quais morreram, os holandeses gastaram 1,4 mil milhões de euros e duplicaram para 179 as escolas em Uruzgan. Além disso construíram uma estrada entre Tarin Kowt e Chora, as duas cidades mais povoadas daquela província afegã. E treinaram três mil soldados afegãos.

A seguir à Holanda, o próximo Estado membro da NATO a retirar-se de território afegão poderá ser o Canadá. O seu Governo anunciou a saída para 2011, mas ainda não precisou a data. Os EUA já fizeram saber que iniciarão a retirada dentro de um ano.

"Eu penso que é preciso reafirmar a mensagem que consiste em dizer que não deixaremos o Afeganistão em Julho de 2011. Numa primeira fase a retirada será limitada", disse Robert Gates, secretário da Defesa dos Estados Unidos, em declarações à ABC. O vice-presidente, Joe Biden, afirmara antes que apenas dois mil militares americanos seriam retirados inicialmente do Afeganistão.

A Polónia também anunciou que pretende sair em 2012 e o Reino Unido indicou que poderá retirar em 2014 ou 2015, antes das próximas eleições britânicas. Na conferência de doadores em Cabul, no mês passado, ficou estabelecido que até ao final de 2014 a polícia e o exército afegãos assumirão o controlo de todas as províncias do país - uma meta que será sem dúvida um grande desafio à liderança de Hamid Karzai, Presidente do Afeganistão.

À margem da cimeira da NATO, que vai decorrer em Lisboa nos dias 19 e 20 de Novembro, para definir o novo conceito estratégico da organização, irá realizar-se uma reunião sobre a Força Internacional de Segurança e Assistência da NATO. Isso mesmo anunciou o enviado do Governo português à conferência de Cabul, o secretário de Estado das Comunidades, António Braga.

fonte: DN

sábado, 31 de julho de 2010

WikiLeaks falha big bang mediático


Soldados americanos no terreno, na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão

A guerra não precisa das "revelações" do WikiLeaks para ser o pesadelo da NATO e de Obama. Se o site pôs em risco a vida de informadores afegãos, diz o seu fundador, a culpa é da Casa Branca, que não respondeu ao seu pedido de ajuda. A "maior fuga de informação da história militar" está a redundar em fiasco. Ao fim de dois dias saiu das primeiras páginas. Por Jorge Almeida Fernandes.

A operação do site WikiLeaks foi inédita pela sua escala - uma fuga de informação de mais de 90 mil documentos militares - e demonstra que a Internet pode mudar as regras do jogo da guerra, agravando a vulnerabilidade do "segredo militar". Foi um sucesso de propaganda para Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Era o esboço de uma revolução nos media, em que um site participativo ditava a sua lei de "transparência" a três jornais históricos. Mas, ao terceiro dia, o tema desapareceu das primeiras páginas. Terá sido um flop?

O WikiLeaks é uma organização peculiar. Especializada na divulgação de documentos confidenciais, é uma máquina "blindada" em termos de segurança informática e, refugiada em "paraísos informativos", não está sujeita a nenhum sistema legal. "É a primeira organização informativa do mundo sem Estado", anotou Jay Rosen, professor de Jornalismo em Nova Iorque. "Isto é novo. Tal como a Internet, o WikiLeaks não tem endereço territorial nem sede central."

A operação foi cuidadosamente montada. A informação foi antecipadamente passada a três "jornais de papel" - The New York Times, The Guardian e o semanário Der Spiegel. Por que não colocaram a documentação em linha para que os media de todo o mundo a ela pudessem ter acesso?

Assange explicou há meses que a "transparência" passa pelas leis do mercado: "Acredita-se que quanto mais importante é um documento mais divulgado ele será. É absolutamente falso. Tem a ver com a oferta e a procura. Uma oferta fraca arrasta uma procura forte e é isto que tem valor. Quando difundimos uma coisa em todo o mundo, a oferta é infinita e, portanto, o valor aproxima-se do zero."

Os três jornais de referência serviram para caucionar a fuga e maximizar o seu impacto. E prestaram um serviço: reuniram especialistas para descodificar a linguagem, as siglas e o calão das comunicações militares. Em bruto, este tipo de documentação é ilegível.

Jornalismos

Cada jornal explorou a informação segundo a sua óptica. O NY Times sublinhou a duplicidade do Paquistão; o Guardian focou os relatórios sobre vítimas civis; o Spiegel realçou o encobrimento da difícil situação das tropas alemãs pelo Governo de Berlim. São três ópticas em consonância com as sensibilidades nacionais.

O título de primeira página do NY Times - Paquistão ajuda a insurreição no Afeganistão - mereceu uma ironia de Anne Applebaum, no (concorrente) Washington Post: será isto "notícia", quando o NY Times reportou e analisou, dezenas e dezenas de vezes, a cumplicidade entre os serviços secretos militares paquistaneses e os taliban?

Esta ironia liga-se ao paradoxo da fuga: os documentos não têm praticamente novidade. Mostram, disse um jornalista, que a guerra é um inferno e é suja, que as operações provocam mais vítimas civis do que a estatística oficial reconhece, que o Paquistão é dúplice, que o Governo de Cabul é corrupto, que há incompetência e desorientação entre os militares da força internacional. A fuga pretendia explorar o "efeito de massa" e os imensos detalhes inseridos em milhares de documentos.

Assange assume-se como um justiceiro, que "adora esmagar patifes", e qualifica a actividade do seu site como "bom jornalismo" e "um serviço de informação do povo". Quanto ao objectivo da operação, diz: "Há uma tendência para acabar com a guerra no Afeganistão. Esta informação não é isolada e provocará uma viragem política significativa."

O repórter italiano Gian Micalessin, que tem coberto a guerra afegã, denuncia o "bom jornalismo" do WikiLeaks. Na conferência de imprensa em Londres, na segunda-feira, Assange colocou a diferença entre boa e má informação "na autenticidade das fontes, capazes de transmitir uma indiscutível verdade". Ora, os 92 mil documentos são "informações" recolhidas no campo, ao mais baixo nível de intelligence. O equivalente a um relatório de polícia "no local do crime".

Resume Micalessin: "A procura da verdade - tanto no campo da intelligence como no do jornalismo - não se baseia apenas no acesso às fontes e aos documentos, mas também na capacidade de os analisar e construir uma trama capaz de fazer compreender o encadeamento dos acontecimentos e da estratégia." Fontes em bruto são matéria-prima, não informação.

O jornalismo, dizia-se outrora, é o primeiro rascunho da História.

A arte da fuga

As fugas de informação são o nervo do jornalismo político desde que a liberdade de imprensa se afirmou. Há pequenas e grandes fugas, as de revolta moral, as de ressentimento e as de intoxicação. E há fugas que marcam a História. Dois exemplos americanos clássicos são os "Pentagon Papers" e as revelações do "Garganta Funda" no caso Watergate.

Ao contrário dos documentos do Afeganistão, os "Pentagon Papers" eram um conjunto de análises e relatórios das mais elevadas fontes - Casa Branca, Pentágono, CIA... - que cobriam, em 7000 páginas, a intervenção americana na Indochina ao longo de 22 anos (1945-67). Os papéis foram laboriosamente fotocopiados por Daniel Ellsberg, um analista da Rand Corporation que participou na sua elaboração. Crítico da guerra no Vietname, Ellsberg passou-os ao NY Times, em 1971.

Eles permitiam dizer categoricamente que a "Administração Johnson mentiu sistematicamente não só ao público como ao Congresso sobre um assunto de transcendente interesse nacional". Teve grande impacto, porque o sentimento antiguerra já estava maduro. E o efeito foi reforçado quando Nixon tentou impedir a sua publicação, que feria a nova estratégia de alargar o conflito ao Laos e ao Camboja para negociar em posição de força.

Radical foi a eficácia do "Garganta Funda", que hoje se sabe ter sido Mark Felt, subdirector do FBI: gota a gota, foi desfiando informações que culminaram na demissão de Nixon, em 1974.

Ellsberg, que admira Assange, fez um paralelo entre os seus casos. Declarou numa entrevista que esta fuga de informação é a mais importante desde os "Pentagon Papers". Com uma diferença: "Tem uma escala muito mais larga e, graças à Internet, deu a volta ao mundo muito mais rapidamente."

Ellsberg pôde fazer a fuga, porque tinha sido inventada a fotocópia. Assange não só beneficia da Internet, como da vulnerabilidade da informação electrónica. É uma das razões de alarme do Pentágono, que fez da identificação do informador ou informadores do WikiLeaks "um objectivo estratégico". O problema é que todos os militares mobilizados no Afeganistão, os analistas do Pentágono e seus parceiros privados podem aceder, via Intranet, a este tipo de informação.

"A Web tornou-se uma ameaça para as nações em guerra, porque a informação secreta é decisiva para o sucesso ou o fracasso no conflito. Quem revele um segredo e o difunda numa escala gigantesca pode influenciar a guerra", anota o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

A guerra

A operação teve efeitos políticos. Na Europa, os sectores críticos da guerra subiram a pressão sobre os governos, exigindo a retirada do Afeganistão. Poderá ser este o efeito mais imediato. Em Washington, Obama enfrenta a pressão dos "pacifistas" democratas. Um ponto crítico é a nova quebra de confiança entre os EUA e o Paquistão. As revelações confirmam a ideia de atolamento e inutilidade da guerra, mas, ao contrário da previsão inicial de alguns analistas, não produziram um sobressalto dramático na opinião pública americana.

O fundamental está noutro plano: a guerra do Afeganistão não precisa do WikiLeaks para ser um pesadelo da NATO e dos americanos. Em Agosto de 2009, uma fuga de informação filtrada pelo Washington Post atribuía ao general Stanley McChrystal a afirmação de que os EUA só tinham 12 meses para inverter o curso da guerra. Que se passa um ano depois?

Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations e que foi conselheiro de Colin Powell na era Bush, assina na Newsweek um artigo intitulado: Não estamos a vencer. E não vale a pena. A estratégia da contra-insurreição não está a resultar, diz. E nenhuma das opções que Obama tem à disposição é agradável. Restará ao general Petraeus reduzir as operações e poupar a vida de soldados, aguardando uma aproximação aos taliban. "Quanto mais depressa aceitarmos que o Afeganistão não é um problema a resolver mas uma situação a gerir, tanto melhor."

Flop?

Na quinta-feira, Assange defendia-se de ter divulgado, na versão bruta colocada em linha, documentos com nomes de informadores afegãos, denúncia feita pelo jornal britânico The Times após investigação. Argumentou que tinha pedido à Casa Branca, na semana passada, que colaborasse com o site de modo "a minimizar a possibilidade de nomes de informadores serem divulgados". Não teve resposta!

O magazine Slate chama a atenção para o facto de, após dois dias de estrondo, o assunto ter desaparecido da primeira página do NY Times. "A rapidez com que a imprensa e os políticos normalizaram o material como "não notícia" indicia que Julian Assange, líder do WikiLeaks, se poderá ter equivocado no desejo de produzir o grande bang mediático." O segredo da gestão das fugas é administrá-las gota a gota. "Mas a estratégia gota a gota requer determinar o que é mais importante na história." A falta de novidade torna essa escolha problemática.

No seu blogue na Foreign Policy, Tom Ricks ironizou: "Os milhares de documentos lembram-me o que é ser repórter: imensas pessoas diferentes a contar coisas diferentes. Leva algum tempo a distinguir o lixo do ouro."

O antigo hacker Julian Assange diz ter outras munições na manga. Aguardemos a próxima "bomba".

fonte: Público

Guerra aos talibãs custou cinco vezes PIB português


Congresso americano está cada vez mais dividido sobre o financiamento do esforço militar e a estratégia para o conflito.

A explosão de uma bomba artesanal, ontem, numa estrada da região de Delaram, província de Nimroz, sudoeste do Afeganistão, matou 25 pessoas e feriu com gravidade mais 20. Este ataque dos rebeldes ocorreu horas depois de o Congresso americano ter aprovado um reforço de 59 mil milhões de dólares (45 mil milhões de euros) para financiar o conflito, após uma discussão que mostrou crescentes divisões políticas.

O incidente de ontem em Delaram foi atribuído aos talibãs e, segundo o governador da província, Ghulam Azad, a bomba visava uma coluna de tropas internacionais. Os soldados da NATO ajudaram depois a retirar os feridos. Os talibãs, citados pela AFP, negaram envolvimento e culparam a NATO. Nimroz é uma região desértica a sul de Herat, onde se regista forte infiltração de rebeldes.

O conflito já tem nove anos e alguns políticos dos EUA começam a mostrar dúvidas sobre a estratégia. Com o reforço financeiro aprovado na terça-feira à noite em Washington, os custos desta guerra ultrapassaram pela primeira vez a marca de um bilião de dólares (mil milhões), o equivalente a cinco anos de PIB português ou a quase totalidade do défice orçamental americano deste ano.

A discussão do Congresso mostrou fortes divisões e chegou a ser votada uma resolução a favor da retirada de tropas americanas do Paquistão, proposta pelo representante democrata Dennis Kucinich (da ala esquerda do partido) e o libertário republicano Ron Paul. O documento teve apenas 38 votos a favor, mas o reforço financeiro teve 114 votos contra, sendo aprovado por 308 congressistas.

O debate foi marcado pelo caso Wikileaks, a divulgação de 90 mil documentos militares, e os dirigentes esforçaram-se por tranquilizar a opinião pública. O Presidente Obama afirmou estar preocupado com a publicação de "informação sensível" e que esta podia pôr em perigo pessoas no terreno, mas lembrou que não havia nos documentos nenhum assunto que não tivesse já sido discutido. O chefe do Estado-Maior, almirante Mike Mullen, explicou em Bagdad que os documentos "cobrem o período entre 2004 e 2009, e muito mudou" desde o ano passado.

fonte: DN

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pentágono já tem suspeito de fugas sobre a guerra


Obama diz que relatórios publicados na Wikileak apenas justificam a sua nova estratégia em relação ao conflito afegão.

O Pentágano abriu ontem um in quérito criminal às fugas de informação que colocaram à distância de um click aproximadamente 92 mil relatórios secretos norte-americanos sobre a guerra que os aliados travam contra os talibãs e a Al-Qaeda no Afeganistão. Estes mostram as contradições de um conflito que já leva nove anos e para o qual estão mobilizados 266 militares portugueses.

Bradely Manning, um militar norte-americano especializado em análise de informações, é para já o principal suspeito daquela que é maior fuga de informação da história militar dos EUA. "É uma personagem chave" no caso das fugas que foram publicadas no domingo pelo site Wikileaks, confirmou ontem o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, em declarações ao canal MSNBC.

O responsável recusou no entanto dar mais pormenores sobre o envolvimento de Manning na fuga para o Wikileak, um site que se dedica a revelar de forma anónima documentos que as autoridades dos países querem esconder da opinião pública. Foi criado há três anos por Julian Assage. Manning encontra-se detido numa prisão norte-americana no Koweit e foi acusado de violação do regulamento militar. Foi ele quem passou à Wikileak o vídeo que mostra um raide de um helicóptero dos Estados Unidos contra dois funcionários da Reuters em Bagdad em 2007. E como é que acabou por ser descoberto? Adrian Lamo, pirata informático, denunciou que ele tinha descarregado 260 mil documentos secretos e a seguir os enviara ao site.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que segundo os media já estava a par das filtrações para a imprensa há dias, afirmou ontem que as mesmas "não trazem nada de muito novo" e justificam a revisão de estratégia em relação ao conflito afegão que ele fez em Dezembro. Os relatórios agora divulgados dizem que os talibãs têm mísseis terra-ar e são apoiados por Irão e Paquistão, que os polícias afegãos extorquem dinheiro nos checkpoints para deixar passar camiões da NATO e desertam para o lado dos talibãs com material dado pelos aliados e que os aviões não tripulados americanos já mataram centena e meia de civis em bombardeamentos.

fonte: DN

terça-feira, 27 de julho de 2010

Revelada face oculta da guerra contra talibãs


EUA classificam como crime divulgação de milhares de relatórios confidenciais.

Irão e Paquistão estão a colaborar com os talibãs na luta contra as forças da NATO no Afeganistão. Esta é uma das conclusões contidas nos 92 mil documentos militares secretos americanos, ontem lançados na Net pela organização WikiLeaks, e que constituem um diário do conflito desde Janeiro de 2004 a Dezembro de 2009. Os militares da força internacional, revelam ainda os textos em causa, terão provocado a morte a centenas de civis - pelo menos 195 - , muitas vezes durante operações que correram mal ou em acções de bombardeamento feitas por drones (aviões sem piloto) comandado, por satélite, a partir do Nevada.

A maior fuga de informação da história militar americana dá ainda conta de que os EUA ocultaram provas de que os talibãs têm ainda em seu poder mísseis Stinger e outros que têm utilizado para abater os helicópteros das forças da coligação. Estes mísseis foram fornecidos por Washington à resistência afegã - os mujaedine - que lutava contra a ocupação soviética nos anos 80. Também não foram dados a conhecer ao público os massacres feitos por talibãs de que levaram à morte de dois mil civis.

Teerão, de acordo com estes documentos, tem tido um papel significativo na ajuda aos talibãs. Dinheiro, armas, treino e refúgio têm sido facultados aos insurrectos, afirmam os textos que consideram estar o Irão a tentar alargar a sua influência no Afeganistão.

Mais grave, tendo em conta as relações Islamabad-Washington, é a forma como está a agir o Paquistão. Segundo os textos, enquanto recebia ajuda dos EUA, o Paquistão, nomeadamente através dos seus serviços secretos, colaborava activamente com os talibãs, organizando inclusive uma rede extremista para lutar contra os soldados americanos. Ussama ben Laden, o líder da Al-Qaeda, terá tido mesmo reuniões na cidade paquistanesa de Queta.

A imagem do Afeganistão também não surge muito bem nos documentos que foram enviados pela WikiLeaks aos jornais britânico The Guardian, americano The New York Times e à revista alemã Der Spiegel. O Pentágono gasta milhares de milhões de dólares a treinar forças afegãs - polícias e militares - que, afinal, se revelam brutais para com os civis, corruptas, ineficientes. Muitos acabam por roubar armas e carros e aliam--se aos talibãs. Muitos dos carros - as carrinhas de caixa aberta - têm sido usados em atentados contra as forças da coligação.

"Chocado" com a extensão das fugas de informação foi como o Presidente afegão Hamid Karzai reagiu ao saber da publicação dos documentos que, opinou, " na sua maioria não têm nada de novo".

Karzai, ontem, estava mais preocupado com a morte de 52 civis numa aldeia no Sul do país. O Presidente exigiu uma investigação para saber se se tratou de um ataque dos talibãs ou de mais um "erro" da NATO. Ao fim do dia, os responsáveis divergiam nas suas declarações: Karzai garantia ser da "NATO, o míssil que matou 52 civis inocentes, na sua maioria mulheres e crianças". O almirante Greg Smith, chefe da comunicação da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), rejeitava a acusação de Karzai e afirmava ser "infundada toda a especulação sobre perdas de civis" pela acção das tropas da coligação.

Entretanto, Washington, Londres e Berlim reagiram à publicação dos documentos sobre o conflito. Para os EUA trata-se de uma acção "irresponsável" e susceptível de "pôr em perigo a vida de americanos e dos nossos aliados e de ameaçar a segurança nacional" americana. A Alemanha exigiu a "investigação" de todas as revelações e o Reino Unido disse esperar que elas não "envenenem a atmosfera" no Afeganistão, onde estão 266 militares portugueses.

fonte: DN / Jornal i 

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

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