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sábado, 25 de setembro de 2010

Ahmadinejad culpa Estados Unidos pelo 11 de Setembro



Discursando não muito longe do Ground Zero - local onde se erguiam as Torres Gémeas -, Ahmadinejad não procurou o caminho da conciliação e acusou os Estados Unidos de terem «orquestrado o ataque de 11 de Setembro de 2001 para proteger o regime Sionista no Médio Oriente».

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, o discurso do Presidente iraniano fez com que as delegações dos Estados Unidos e Grã-Bretanha deixassem a sala devido a comentários que os diplomatas descreveram como «repugnantes e delirantes», avança a edição online do The Guardian.

Ao falar perante representantes dos 192 países membros da ONU, o presidente do Irão disse existirem provas de que o governo norte-americano terá apoiado o ataque que chocou o mundo. Mencionou que entre os destroços das Twin Towers foram encontrados passaportes de homens com ligações a oficiais americanos, enquanto que de bombistas suicidas não foi encontrado qualquer vestígio.

Obama, que discursara antes, pediu ao Irão que cumprisse as suas obrigações internacionais e que confirmasse «as intenções pacíficas do seu programa nuclear».

fonte: Sol

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pastores queimam Alcorão e incendeiam polémica


Apesar do pastor Terry Jones ter desistido da ideia, outros queimaram mesmo o livro sagrado dos muçulmanos

Parece estar longe do fim a polémica gerada pelo plano de uma igreja evangélica que pretendia queimar 200 exemplares do Alcorão. Apesar de o grupo de fiéis liderado pelo pastor Terry Jones ter decidido cancelar aquilo a que chamou de "dia internacional da queima do Alcorão", há quem considere que a iniciativa deveria ter sido concretizada.

Assim, nos estados de Tennessee, Kansas e Wyoming, apareceram várias pessoas que se propuseram a queimar o livro sagrado dos muçulmanos no nono aniversário dos ataques de 11 de Setembro. Um deles, o pastor Bob Old (à esquerda na foto) de Springfield, no Tennessee, explicou a sua atitude dizendo acreditar que os muçulmanos veneram "um deus falso".

"Têm um texto falso, um falso profeta e umas escrituras falsas", afirmou perante uma TV local, acompanhado por outro pastor, Danny Allen . A testemunhar a queima dos livros sagrados estiveram inúmeros órgãos de comunicação dos EUA. Também uma igreja no Kansas e um grupo do Wyoming, denominado "equipa de resposta à tirania", levaram a cabo actos semelhantes.

fonte: DN

domingo, 12 de setembro de 2010

Lembrando os heróis do voo 93


A terceira cerimónia decorreu em Shanksville, na Pensilvânia, onde caiu o quarto avião. Foi o atentado menos mortífero do 11 de Setembro, provocando a morte a 40 pessoas.

Durante algum tempo, não se soube o que acontecera ou se a queda do aparelho fazia parte da conspiração, mas apurou-se mais tarde, através das caixas negras, que os terroristas queriam lançar o avião sobre o Capitólio, em Washington, mas a sua intenção foi abortada pela intervenção enérgica dos passageiros.

O avião despenhou-se catastroficamente num campo agrícola da Pensilvânia.

Foi exactamente ali que ontem a primeira dama, Michelle Obama, acompanhada por Laura Bush, a mulher do anterior presidente, George W. Bush, prestou homenagem às vítimas do voo 93. Michelle Obama sublinhou a sua "admiração pelo heroísmo" dos passageiros que tentaram evitar o atentado e que procuraram tomar conta do Boeing 757 que os terroristas controlavam.

Esta foi a cerimónia mais simples das três e a menos marcada pela controvérsia religiosa, que em Nova Iorque atraiu a atenção do político holandês Geert Wilders.

fonte: DN

Tolerância religiosa longe do consenso

O Presidente Barack Obama fez a intervenção política mais significativa destas cerimónias do 11 de Setembro, com um discurso sobre a convivência religiosa e os valores da tolerância no país.

"Podem tentar provocar conflitos entre as nossas crenças", disse o Presidente, "mas enquanto americanos não estamos e não estaremos jamais em guerra com o Islão". Estas afirmações foram feitas durante a cerimónia que decorreu no Pentágono, junto ao local onde caiu um dos quatro aviões comerciais usados como mísseis nos atentados.

"Não foi uma religião que nos atacou naquele dia de Setembro. Foi a Al-Qaeda. Um grupo miserável de homens que perverteram a religião", acrescentou Obama. "Não vamos sacrificar as liberdades que apreciamos ou esconder--nos atrás de muros de suspeita e desconfiança".

Esta visão de tolerância religiosa está longe de ser consensual na América, onde muitas pessoas acreditam que o Presidente é de religião muçulmana. Comentadores e dirigentes da direita têm sublinhado a responsabilidade do Islão na violência política internacional.

fonte: DN

Solenidade seguida de manifestações

A cerimónia em Nova Iorque foi a mais emotiva e consistiu na leitura dos 2752 nomes das pessoas que morreram nos atentados contra o World Trade Center. O momento mais solene foi exactamente às 8.46 (13.46 em Lisboa), a hora em que o primeiro avião chocou com uma das torres. Um minuto de silêncio e o som dos sinos da cidade; depois outro minuto de silêncio, a coincidir com o momento em que o segundo avião embateu na segunda torre. Entre os dignitários, estava o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, mas também o presidente da câmara, Michael Bloomberg, que apoia o controverso centro comunitário e mesquita.

Este foi o tema que dividiu a multidão. Mal terminaram as cerimónias oficiais, formaram-se duas manifestações, uma a favor da mesquita e a outra contra. Um pequeno grupo de muçulmanos queimou uma bandeira americana, em protesto contra a intenção do pastor Terry Jones, da Flórida, de queimar o Alcorão.

No ground zero já decorrem os trabalhos de construção do novo complexo, atrasado vários anos devido a grandes discussões sobre o simbolismo do local e a melhor maneira de honrar os mortos.

fonte: DN

Desunidos a 11 de Setembro

Questões religiosas marcaram cerimónias do nono aniversário dos atentados realizados pela Al-Qaeda em 2001

Em três cerimónias separadas, os americanos lembraram ontem as vítimas dos atentados do 11 de Setembro de 2001. Este aniversário do ataque foi marcado por divisões políticas e religiosas, o que não acontecera antes. Estas feridas surgiram por causa dos protestos em torno do projecto de um centro cultural e mesquita a 200 metros da zona de impacto, o ground zero, em Nova Iorque, mas também devido à intenção de um pastor evangélico da Florida de queimar o Alcorão.

Num incidente inesperado, seis membros do movimento populista Tea Party (que está a abalar toda a direita americana) rasgaram páginas de exemplares do Alcorão. O acto foi feito em frente à Casa Branca e atraiu a curiosidade de alguns jornalistas e turistas. "A mentira de que o Islão é uma religião pacífica deve acabar", disse um dos activistas.

Em Nova Iorque as cerimónias do 11 de Setembro decorreram sem incidentes, num parque próximo da zona de impacto, ao lado do local onde começa a erguer-se o futuro World Trade Center, que substituirá o anterior, destruído nos atentados. Milhares de familiares das quase 3 mil vítimas leram os nomes dos mortos e o vice-presidente Joe Biden declarou que "não estavam ali para chorar, mas para lembrar e reconstruir".

O discurso principal, de Barack Obama, foi feito na segunda cerimónia, junto ao Pentágono, em Washington. Obama prometeu que os EUA "jamais estarão em guerra com o Islão" e falou das recentes divisões (ver texto ao lado).

Em pano de fundo destas cerimónias, estava a controvérsia em relação ao projecto de um centro comunitário, cultural e mesquita, a Cordoba House, que uma fundação muçulmana liderada pelo imã Feisal Abdul Rauf pretende construir em Nova Iorque. Tem havido oposição ao projecto. Ontem, o New York Post publicava uma sondagem onde se verificava aumento do apoio entre os nova-iorquinos, embora a maioria dos inquiridos (51%) estivesse contra.

Um dos opositores à construção da mesquita foi o pastor cristão fundamentalista Terry Jones, que dirige uma igreja evangélica com meia centena de seguidores em Gainesville, na Flórida, e que até ao início desta semana era um completo desconhecido.

A sua ameaça de queimar o Alcorão a 11 de Setembro deu-lhe fama mundial. Nos países muçulmanos houve manifestações de protesto, algumas violentas, e a controvérsia só abrandou quando Jones prometeu não queimar o livro sagrado dos muçulmanos.

Jones tentou entretanto ligar a questão da queima do Alcorão ao projecto da mesquita do ground zero. Primeiro, afirmou que fizera uma acordo com Rauf, através de um intermediário, mas o imã de Nova Iorque desmentiu imediatamente a afirmação. Numa entrevista à NBC, o pastor explicou que apenas pretendia alertar para os "aspectos muito radicais e muito perigosos do Islão".

As cerimónias de ontem decorreram a poucas semanas de eleições intercalares, cuja campanha está a ser marcada por discussões invulgarmente ideológicas.

fonte: DN

sábado, 11 de setembro de 2010

Polícia fecha quarteirão Park Place no dia 11 de Setembro

Quarteirão que era epicentro do debate sobre o Islão em 2001 e que tem agora uma mesquita que vai dar lugar a um Centro Comunitário Islâmico vai ser fechado e policiado no dia em que passam 9 anos da tragédia do World Trade Center.

Park Place, em Nova Iorque

Park Place era apenas uma rua de Nova Iorque entalada entre duas artérias que conduzem ao World Trade Center; na véspera do 11 de Setembro , é o epicentro do debate sobre o Islão nos Estados Unidos.

No sábado, quando passarem nove anos sobre os atentados contra as Torres Gémeas, onde morreram 3.000 pessoas, a polícia irá fechar todo o quarteirão, por causa de um edifício sujo, antigo armazém de casacos, agora uma mesquita que deverá dar lugar a um Centro Comunitário Islâmico que está a dividir o país.

Dois polícias guardam a entrada da mesquita, impotentes quanto a um carro que passa a tarde a dar voltas ao quarteirão, pejado de cartazes coloridos a dizer "América arrepende-te" ou "o Islão não é uma verdadeira religião".

Manifestantes passam de carro na zona

À primeira abordagem o condutor recusa parar, mas volta passados três minutos e mais uma volta, e estende o seu cartão: "Ronald Brock, camiãodaverdadeEUA.com".

E porque é o Islão inaceitável? "Porque não aceitam Jesus como profeta", responde de dentro do carro o homem de boné e barbas brancas. E o profeta deles? "Não é Jesus", diz à Lusa antes de o semáforo abrir, e arrancar para mais uma volta.

"Isto é a América, vê-se de tudo", expira Kamal, segurança da mesquita.

Do lado de fora, passa uma carrinha com vidros escurecidos e a bandeira americana presa no "capot".

Crentes islâmicos passam para rezar

"Já tivemos um a passar aqui com um míssil montado no tejadilho", diz Kamal à Lusa, enquanto recebe com um "salaam aleikum" os crentes que usam o antigo armazém para rezar.

A imprensa pode entrar na sala de orações, mas não filmar ou interpelar os poucos que rezam, num oásis de penumbra e silêncio, constantemente quebrado pelo vozearia e buzinas da rua.

Noutros pontos do país, vários cultos islâmicos foram interrompidos nas últimas semanas por atos de vandalismo.

Um pouco acima na rua, há um muçulmano e a mulher a venderem fruta, e em frente a eles um pequeno ajuntamento de apoiantes da mesquita, dos quais Joshua Wiles, um professor de educação especial de 26 anos, é o mais enérgico.

"Não quero que intimidem [os muçulmanos], quero que fiquem aqui onde compraram o edifício, onde têm o direito de construir, onde a cidade apoiou esse direito", diz à Lusa.

Aproximação da data trouxe o ódio contra americanos muçulmanos

Este ano, afirma, o aproximar do 11 de setembro trouxe um "entristecedor ódio contra os americanos muçulmanos", muito devido às próximas eleições.

Atravessando a rua ao cimo de Park Place, encontra-se numa esquina um solitário manifestante anti-mesquita, segurando de braço erguido uma bandeira americana, que enverga estampada no boné e na t-shirt. Na outra mão segura um cartaz dizendo "Em Deus confiamos".

Thomas conta que, através de um agente reformado do FBI, tomou conhecimento da "agenda secreta" da Irmandade Islâmica: "Converter a América num estado islâmico."

Cita de cor primeira emenda da Constituição, sobre liberdade religiosa. Mas, diz, a lei fundamental proíbe também a apologia da violência e atentar contra o governo, o que está a ser planeado.

"Estou aqui para honrar a América, a Deus, e incentivar as pessoas a voltarem ao Deus dos pais fundadores [dos Estados Unidos], que liam as suas bíblias", afirma.

Khaled vende "Falafel" com vista para o "ground zero", onde ganha forma um novo arranha-céus no lugar que foi das torres gémeas. Há dez anos nos Estados Unidos, este muçulmano diz que nunca assistira a manifestações públicas contra a sua religião.

"A questão da mesquita fez com que muitos mostrassem que não gostam do Islão", diz à Lusa. "É possível que tenham estado a esconder-se".

fonte: Expresso

Atentados nos EUA foram há nove anos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu aos norte-americanos tolerância religiosa e lembrou que o inimigo do país é a al-Qaeda e não o Islão. Cumprem-se hoje nove anos sobre os atentados que mudaram Nova Iorque e o mundo.

Conferência de imprensa de Obama na Casa Branca

"Devemos evitar ficar uns contra os outros", declarou o presidente dos EUA, numa conferência de imprensa na Casa Branca, sexta-feira, véspera do nono aniversário dos atentados terroristas de 11 de Setembro contra as Torres Gémeas em Nova Iorque.

"Farei tudo o que for possível enquanto presidente dos Estados Unidos para lembrar aos americanos que formamos uma nação sob o olhar de Deus e que chamamos Deus por nomes diferentes, mas continuamos a ser uma nação", afirmou.

"É de uma importância crucial que a esmagadora maioria dos norte-americanos continue fiel àquilo que há de melhor em nós: a aceitação da tolerância religiosa e uma ideia clara da identidade dos nossos inimigos", afirmou.

Os nossos inimigos são a al-Qaeda e os seus aliados que tentam matar-nos", apontou Barack Obama.

As declarações do presidente norte-americano são feitas numa semana em que a tensão aumentou na sequência da anunciada intenção de um pastor de um grupo religioso extremista da Florida de queimar exemplares do Corão a 11 de Setembro e no meio de uma polémica sobre a construção de uma mesquita nas imediações do local dos atentados de 2001 em Nova Iorque.

Queimar o Corão seria "um gesto destrutivo" e "completamente contrário aos valores da América", defendeu o Barack Obama.

fonte: JN

O pior dos tempos, o melhor dos tempos


Portugueses que estavam lá. Um actor, um médico, dois artistas plásticos. Três por acaso na cidade, o outro a viver lá. No meio da história, no momento zero de uma nova era, num cenário de filme catástrofe. Nove anos depois, aqueles dias ainda estremecem a voz.

O primeiro avião embate nas torres às 8.46 da manhã. Em Nova Iorque a fazer um curso no Lee Strasberg Institute e a residir num apartamento na rua 14, Ivo Canelas, 28 anos, está a dormir. Quando acorda, encontra na sala, a ver TV, a pessoa com quem divide a casa. "Vejo uma torre a arder. Estou cheio de sono e faço uma comparação parva com uma coisa que tinha acontecido na Rússia, na torre de uma televisão. E vem o segundo avião." Passam agora três minutos das nove. "Fui a correr ao terraço. Era um terceiro ou quarto andar, mas como era perto via-se tudo. Estava um dia lindo, muito claro, e o fumo ia todo para sul, para o lado do rio. Os telhados estavam cheios de gente a tirar fotos. Impressionante."

Á mesma hora, José Luís Barreto Guimarães, 34 anos, poeta e médico a fazer um estágio de cirurgia plástica reconstrutiva no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, acabou de acordar no seu T0 da rua 70 e tal e atende um telefonema de Portugal - "As pessoas começaram a ligar porque cá era hora do almoço e viram aquilo na TV - quanto se dá o embate do segundo avião. "Ver na televisão os aviões a bater cria uma sensação de inverosimilhança. Visto-me e saio para a rua. E aí passei do ver filme para o estar no filme. É uma experiência única. Tive claramente a noção de que aquele momento ia ser inscrito na história, que era uma coisa em grande. Senti estupefacção, fiquei atónito, e senti que o meu corpo físico, a minha pele, estava dentro daquele cenário: estar a descer a rua e ver homens, mulheres e crianças a correr na outra direcção, sentir o cheiro, o cogumelo lá ao fundo - era um cheiro a pó, pesado, era uma respiração difícil - e eu corria ao encontro de tentar ver qualquer coisa. Desci 10 quarteirões e depois vi que havia barreiras da polícia e por ser português, por não estar no meu elemento, senti que era melhor não tentar e desviei-me para o hospital." Com as cirurgias canceladas, os médicos ficam ali a ver TV até que alguém tem a ideia de se irem oferecer aos outros hospitais que estariam a receber feridos. Foram ao Cornell Medical Center, do outro lado da rua. "Havia imensos médicos mas poucos feridos. Houve uma incapacidade de ter uma noção real do desastre: falou-se de 10 mil vítimas e afinal foram duas mil e tal, o mayor Giuliani falou de três semanas para limpar os destroços e nem três anos chegaram. Mas no Cornell vi os piores queimados da minha vida. Bombeiros com mais de 90% do corpo queimado, sem hipóteses nenhumas. Foi uma angústia... Como médicos aprendemos a distanciar-nos. Mas aquelas pessoas tinham ido salvar outras. Há coisas que são tão dramáticas e tão sem solução, tão impressionantes que senti muito por elas."

Aquilo que até hoje guarda como cúmulo do horror é a imagem de pessoas a dar as mãos nas torres em chamas e a lançarem-se no vazio. Escreveu-o numa espécie - é o próprio que assim o qualifica - de "diário de guerra" intitulado O fim do Verão em Nova Iorque, mais tarde publicado na Grande Reportagem e republicado no seu blogue: "Acumulam-se os relatos e as histórias mais incríveis. Como a do casal que saltou de mãos dadas, para o vazio. O inferno deve ser isso: o mundo em redor a arder, uma hipótese de fuga, a procura desesperada de mais um minuto de vida. Escolher o suicídio e saltar para o vazio. Qualquer coisa deve ser melhor que o inferno puro."

Ali ao lado, Ivo saiu para a escola. "Aquilo vivido lá ganhou uma perspectiva... Se antes já era colonizado pela cultura americana, a partir dali não queria estar noutro sítio. Nunca tinha estado no meio de uma catástrofe, de uma guerra. Pensei: 'Eu, actor, acabou-se, isto não está para brincar aos actores. Tive acima de tudo vontade de ajudar. Uma coisa que me emocionou foi ver filas de gente à porta dos hospitais para doar sangue. Mas não podia sequer doar sangue, há uma série de coisas que tu como estrangeiro não podes fazer..." Em vez disso, nesse dia e nos seguintes, andou a carregar coisas. Um merceeiro queria recolher tudo o que tinha rua, por exemplo, e Ivo ajudava. E registava. "Fui para a rua, para o meio das pessoas, tinha de andar ali. Não conseguia telefonar para Portugal, não conseguia falar com ninguém, não havia telefones, ficou tudo cortado. Uma das coisas mais horríveis foi ver os médicos e enfermeiros à porta dos hospitais à espera de feridos e não vinha ninguém. E depois começaram a aparecer pessoas a pé, cobertas de pó, todas descontroladas..." Apareceram logo, também, as barreiras policiais. "Da rua 14 para baixo fecharam tudo, só se podia passar com cartão de residente e eu não tinha, foi complicado para sair e entrar em casa. Tinha de andar a tentar esgueirar-me entre os cordões de polícia. Era impossível aproximar-me das torres." Durante alguns dias, com a escola fechada, Ivo deambulou por uma cidade transfigurada. "Houve assim de repente uma espécie de regresso aos anos 60. Pessoas nos jardins a tocar viola, o Imagine do Lennon, posters de missing persons..." Uma atmosfera que define como de "força emocionada". "Era fácil passar na rua por uma pessoa que não conhecias de lado nenhum e abraçares-te a ela e chorares. United we stand, repetia-se por todo o lado. Eles são bons nisso, os americanos. De tantos filmes de heróis que viram têm o heroísmo inculcado, conseguem crescer para a ocasião." E ver o negócio. "Se não foi no próprio dia 11 foi logo no seguinte: começaram a aparecer vendedores por todo o lado com postais com as Twin Towers, a preços super inflacionados. Tipo, compre que já não há."

Em Washington Square, no hotel do mesmo nome, João Onofre, 25 anos, artista plástico, acorda naquele que é o dia mais importante da sua vida profissional: o da primeira exposição individual, ainda por cima numa galeria nova-iorquina. Está há uns dias na cidade, na noite anterior deitou-se muito tarde por causa da montagem das peças. É o telefonema da então namorada que lhe dá a notícia. Liga a TV. "Percebi que era ali ao lado. Levantei-me para sair e de repente oiço um barulho incrível, que estremeceu tudo. Parecia um bombardeamento, tudo trepidava. Eram caças a voar muito baixo. Na recepção do hotel ninguém sabia nada. Eram 10 e tal, na sexta avenidaestá tudo desgovernado. Carros para cima e para baixo, pessoas a correr, e aquela nuvem dantesca. Cheguei à galeria e do terraço tinha uma visão absolutamente sublime da catástrofe. Porque aquilo ao mesmo tempo era bonito, o cogumelo não parava de crescer, aquele marco da skyline de Nova Iorque de repente havia e não havia. Nunca lá tinha ido, estavam sempre a dizer-me que havia lá um bar muito divertido com uma vista fabulosa e nunca fui." Na galeria, sentiu o medo nas pessoas. E deu-se conta que, sem telefones e com as notícias daquele dia da imprensa americana "sem nada a ver", os jornais portugueses na net eram a melhor fonte de informação: "Lá nem se falava de mortos, aliás durante dias resistiram à contagem."Nem percebeu logo, confessa, que devia ser um atentado. "Quando cheguei à galeria tinha já caído o avião no Pentágono. Pensámos 'isto é estranho', mas só com o comunicado do Bush é que houve certeza." Medo? Por exemplo quando encontrou os GI na rua. " Um homem gigantesco, com um armamento gigantesco. Cena de BD: óculos escuros, sem simpatia nem cortesia com os cidadãos. A sensação de filme catástrofe: andar no meio da avenida a pé. Poucas lojas abertas, a corrida aos stocks. Já nem me lembro de onde jantei nessa noite, talvez em casa do galerista. Foi o resto da semana zombie... Só queria sair dali, mas não podia, os voos estavam cancelados, a ilha isolada." A exposição, claro, adiada. As galerias de Chelsea falaram umas com as outras e acertaram nova série de inaugurações, para dali a uma semana. Entretanto, assistir: "Não me aproximei das torres, aquilo estava tudo vedado e cheio de bombeiros. Mas no fim de semana seguinte aconteceu uma coisa horrorosa, que foi as pessoas virem ver aquilo. Havia engarrafamentos, com as autoridades a pedirem para ninguém ir. Transformou-se num espectáculo. E depois começou o mito do bombeiro herói e as bandeiras por todo o lado. Ao segundo ou terceiro dia massificou-se." Uma imagem muito forte, mais uma: "Os porta aviões parados no Hudson River - com aviões a jacto, helicópteros e um ar super ameaçador. A guerra importada para o centro da cidade. Faz-nos pensar que as coisas que se fazem no outro lado do mundo têm repercussões ao pé de nós - e que um americano cheio de cinza em cima no meio de uma catástrofe é exactamente igual a um iraquiano cheio de cinza em cima."

Cinza, pó, fumo. Quando Ivo finalmente conseguiu falar com Portugal, o vento mudou. "Foi uns quatro dias depois, o fumo virou para a ilha e ficaste no meio do fumo, que tinha um cheiro inexplicável. E aí as coisas complicaram-se em termos psicológicos e emocionais." Fechou-se em casa. "Fui à mercearia comprar bens essenciais: dois pacotes de massa e uma série de grades de cerveja. Era, imagine-se, o que eu na altura achei que era essencial. Viciei-me em TV. Ficava ali a beber e a fumar. Ao lado do sofá tinha um jarro daqueles de flores que enchi até acima de beatas. A insuportável Fox News a gritar 'War on America'. Telefonemas de amigos portugueses a dizer 'a América estava a pedi-las'. Caramba: posso ser contra muitas atitudes bélicas americanas mas ninguém está a pedir aquilo. O meu pai teve uma reacção muito forte. Mandou uma carta a um amigo americano a dizer 'Se for preciso vamos para a guerra'. Há ali uma zona emocional em que estás sedento de coisas más. E ao mesmo tempo começaram a surgir as teorias da conspiração. Deu-me uma náusea... Não tenho cabeça nem tempo suficiente para verificar todas as hipóteses."

Depois do alto e do baixo, a vida, outra vez. Foi possível ir à escola, voltar a descer até ao lugar onde fora o World Trade Center. "Os altares continuaram por muito mais tempo, eles têm tendência a mantê-los. E o Ground Zero ficou um buraco durante anos. Aproximei-me quando aquilo ficou organizado. Estava cheio de grades e de romarias. Depois, um ano depois, puseram lá aquelas luzes lindas que ainda hoje me emocionam. Devia ficar assim: a luz, a memória, indestrutível." Fast forward, nove anos depois: "É um tema que quando começo a falar dele e liga-me os botões todos, vem-te o estado de espírito... tenho de me travar. Não sei bem definir o que é. Há uma sensação de perda de qualquer coisa. Há uma tristeza, mas também uma coisa que é muito americana, siga, siga, para a frente, não pára. Eu não sei o que é humanidade, só se sabe o que é a humanidade quando estamos prestes a perdê-la. Mas quando vês aquela gente toda a querer ajudar, e viste também árabes a dizer 'não somos todos iguais'..."

"First chill, then stupor, then letting go". João Luís cita a poetisa americana Emily Dickinson, que usou como epígrafe num livro seu sobre a perda (a morte do pai), para falar do que sentiu naquele mês de Setembro há nove anos. "Primeiro o calafrio, depois o estupor, o torpor, depois a catarse. Acho que escrever foi isso, ajudou-me a expiar aquela dor. Entrei em processo de luto por aquelas pessoas." Com uma relação afectiva com Nova Iorque - o avô foi trabalhar como estivador num dos portos e foi aí que conseguiu o suporte financeiro para pôr o filho, pai de João Luís, a estudar medicina - sentiu o ataque como especialmente injusto: "Li nas listas de mortos nomes que eram quase de certeza de descendentes de portugueses. É uma cidade mística, inclusiva, que não merecia que lhe fizessem aquilo. E chorei, confesso. Talvez no final da primeira semana, há um momento em que os nova-iorquinos decidem numa noite sair todos à rua e acender velas. E lá fui eu. Não conhecia ninguém, estava no meio de simpáticos desconhecidos e houve um sentimento de comunhão... Fez-me lembrar aquele momento em 1999 em que Portugal inteiro parou por causa de Timor."

Nova iorquino desde 1998, a viver nos EUA desde 1989, o artista e designer gráfico Jorge Colombo, com 38 anos naquele dia, talvez já não se possa dizer um português no 11 de Setembro. Em vez de falar do que fez e por onde andou, prefere resumir as impressões e sentimentos. Fala da perda da inocência da cidade - e talvez da sua,dela cidadão, e da forma como se recompôs: "Bem, apesar de nem tudo ser perfeito - veja-se o caso corrente dos alarves de serviço a rejeitarem a mesquita." E fala da correspondência com outro momento fundamental da sua vida. "Nova Iorque logo após o 11 de Setembro recordou-me Lisboa logo após o 25 de Abril. Nem toda a gente teve ocasião de viver as duas coisas; eu vivi-as, e achei-as muito parecidas. Claro que num dos casos tratava-se de uma libertação, no outro de uma agressão. Em 1974 abraçavam-se soldados; em 2001 desenterravam-se migalhas de cadáveres. Mas o sentimento de estarmos todos juntos nisto, de sermos todos cidadãos comuns, em vez dum grupo de indivíduos isolados, era o mesmo. E as proliferação das bandeiras (antes de serem apropriadas pelo aparelho belicista) fazia-me pensar nos cravos de Abril: a mesmíssima forma abreviada de dizer que passámos todos pelo mesmo susto."

fonte: DN

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Imã defende mesquita polémica


A controvérsia em torno do pastor Terry Jones, da Dove World Outreach Center de Gainesville, colocou em segundo plano a polémica sobre um centro cultural islâmico demasiado próximo da zona de impacto do 11 de Setembro (ground zero) e que está a tocar num nervo da América, a questão da tolerância religiosa. Ontem, o líder deste projecto, o imã Feisal Abdul Rauf, publicou um texto no New York Times onde faz um apelo a que sejam reconhecidos os direitos dos muçulmanos americanos, avisando também para a forma como este caso está a ser visto no exterior.

O projecto do centro comunitário terá zonas de reza para diferentes religiões, avisou o imã Rauf, neste texto. Chamado Cordoba House, o projecto fica a dois quarteirões da zona de impacto, um facto que provocou intensa controvérsia, com a direita e familiares de vítimas do 11 de Setembro a contestarem a localização como "provocação" islâmica.

O projecto da comunidade muçulmana tem o apoio do presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, e do Presidente Barack Obama, que fez uma declaração sobre o tema que lhe valeu duras críticas de sectores republicanos.

Numa entrevista à CNN, o imã Feisal Abdul Rauf criticou a hipótese de se encontrar outra localização para o centro, que pretende usar um edifício degradado, de propriedade dos muçulmanos e que já é usado com fins religiosos.

Segundo Rauf, "se deixarmos este sítio, a história dirá que o radicalismo triunfou sobre a discussão". Na sua opinião, em todo o mundo muçulmano a opinião pública dirá que "o Islão foi atacado". Segundo o imã, "é preciso fazer alguma coisa que acabe com esta divisão".

fonte: DN

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pastor quer queimar Alcorão no dia 11 de Setembro



General Petraeus alertou que esta campanha pode pôr em perigo a vida dos militares americanos no Afeganistão.

O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, e o comandante das tropas internacionais no Afeganistão, David Petraeus, alertaram ontem para os perigos do projecto de uma igreja baptista americana de queimar em público o Alcorão. O grupo fundamentalista cristão Dove World Outreach Center, liderado pelo pastor Terry Jones, pretende queimar a 11 de Setembro, no aniversário dos atentados de Nova Iorque e Washington, um exemplar do livro sagrado dos muçulmanos.

O general Petraeus criticou ontem a iniciativa, dizendo que ela poderá colocar em perigo a vida de soldados americanos. "Estou muito inquieto com as repercussões possíveis da hipótese de queimarem um Alcorão", explicou o general, em comunicado. "É precisamente o género de acções que os talibãs usam e que poderá colocar problemas significativos."

O simples rumor da intenção de uma queima já provocou agitação em Cabul. Ontem, centenas de pessoas protestaram na capital afegã e chegaram a apedrejar veículos militares. Os manifestantes gritavam "morte à América" e alguns deles, citados pelas agências, diziam que a decisão de queimar o Alcorão partira dos EUA e "do Presidente americano".

A ideia de queimar o livro sagrado dos muçulmanos foi criticada por grupos islâmicos americanos e já motivou uma posição do porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, segundo o qual o auto-da-fé provocaria "sentimentos incontroláveis" em todo o Islão. "Aconselhamos os países ocidentais a impedirem a exploração da sua liberdade de expressão para insultar os livros santos", disse o mesmo porta-voz.

A notícia está entretanto a crescer nos países islâmicos. Na Indonésia, grupos radicais muçulmanos ameaçam lançar uma "guerra santa" se a iniciativa for concretizada. A minoria cristã local teme um surto de violência e um grupo de igrejas cristãs protestantes na Indonésia lançou um apelo a Barack Obama para que impeça a acção do pastor Terry Jones.

Mas Jones não parece ter a intenção de recuar. "O Islão e a Charia [lei islâmica] são responsáveis pelo 11 de Setembro", disse o pastor da Flórida. "É o momento dos cristãos, das igrejas e dos responsáveis políticos de dizerem 'Não', o islão e a Charia não são benvindos nos Estados Unidos." Terry Jones acusa ainda o Islão de ser "uma religião diabólica". O pastor tenciona queimar o Alcorão à porta da sua igreja, em Gainsville , a 500 quilómetros de Miami.

fonte: DN

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Queima do Corão prevista para 11 de Setembro


Durante três horas, na cidade de Gainesville, estado da Florida, membros de uma organização religiosa cristã irão assinalar o nono aniversário do 11/9 queimando exemplares do Corão.


Terry Jones presidirá a uma 'queima do Corão' no próximo sábado

O pastor Terry Jones confirmou hoje que, no próximo sábado, presidirá a uma 'queima do Corão' (o livro sagrado do Islão), um gesto para recordar o nono aniversário dos ataques terroristas do 11 de Setembro.

A Casa Branca avisa que a iniciativa, a realizar-se em Gainsville, Florida, pode pôr em risco a vida dos soldados americanos no Afeganistão. Perante os primeiros rumores da queima, centenas de pessoas manifestaram-se ontem em Cabul, entoando cânticos de "morte à América".

Contactado pelo Expresso, o gabinete do xerife do condado de Alachua revelou que a polícia realizará, no próximo sábado, uma "operação stop" a partir das 17h30 à entrada da propriedade onde se realiza o evento, que deverá durar três horas (das 18h e as 21h).

"Nazis"

Hoje de manhã, vários sinais com as inscrições "International Burn a Koran Day", anunciando o evento de sábado, estavam cobertos de tinta vermelha. "Nazis" lia-se em alguns deles.

O Expresso tentou entrevistar o pastor Terry Jones. Depois de vários adiamentos, a conversa ficou agendada para hoje à tarde.

No próximo sábado, a propósito do nono aniversário do 11 de Setembro, o Expresso publicará um trabalho sobre as mesquitas de Nova Iorque. Só em redor do "Ground Zero", em plena baixa de Manhattan, contam-se seis.

Mesquitas que na realidade não passam de exíguas caves, onde há várias décadas alguns dos muçulmanos da "Big Apple" reúnem-se para rezar.

Com a polémica em redor do megaprojecto do centro islâmico de Manhattan a vida desta comunidade degradou-se e o número de ameaças disparou. "De Nova Iorque ao Tennessee a intolerância religiosa aumentou", disse ao Expresso Salem Nayeem, o líder da da Mesquita Majid Manhattan, local a apenas dois quarteirões do "Ground Zero".

fonte: Expresso

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mesquita inflama Nova Iorque

Apoiantes e opositores trocam argumentos em manifestações de rua. 56% dos nova-iorquinos estão contra

A polémica em Nova Iorque passou das colunas dos jornais para as ruas. Dois grupos antagónicos enfrentaram-se na Baixa da cidade - muito próximo da zona de impacto, em Manhattan, onde estiveram implantadas as Torres Gémeas até 2001 - para entoarem palavras de ordem muito diferentes. Uns a favor, outros contra a prevista edificação de um centro islâmico de 13 andares a escassos dois quarteirões do local onde há nove anos ocorreu o brutal atentado do 11 de Setembro que provocou a morte de quase três mil pessoas.

"Não ao racismo", gritavam ao fim da tarde de sábado aqueles que apoiam o projecto em nome da liberdade religiosa garantida na Constituição norte-americana e reiterada há dias pelo Presidente Barack Obama, o que lhe valeu algumas críticas.

Um dos apoiantes, Ali Akram, de 39 anos, lembrou que o atentado da Al-Qaeda também matou vários muçulmanos em Nova Iorque. "Quem se opõe à mesquita opõe-se aos Estados Unidos", disse este médico, citado pela AP.

Opinião bem diversa foi expressa por Jim Riches, um bombeiro reformado que viu o filho morrer no dramático combate às labaredas nas Torres Gémeas: "Defendo a liberdade religiosa, mas a mesquita deve ser construída mais longe."

Não chegou a haver confrontos físicos: os manifestantes estavam à distância de algumas dezenas de metros, separados por barreiras policiais. Registaram-se apenas acesas trocas de palavras - prova evidente de que o tema suscita paixões acaloradas.

As mais recentes sondagens indicam que 56% dos habitantes de Nova Iorque se opõem à construção do centro islâmico - que, além de mesquita, contará com auditório, piscina e várias salas de reuniões - em nome do respeito pelas vítimas do terrorismo islâmico e dos seus familiares.

A nível nacional, a percentagem aumenta para 68%. E mesmo personalidades do Partido Democrata, nada suspeitas de islamofobia, já expressaram sérias dúvidas sobre a localização do projecto. É o caso do governador de Nova Iorque, David Paterson, que defende a implantação da mesquita num espaço que suscite "menos emoções". Já ontem, avançou com a proposta de aquisição pelo Estado de toda a área adjacente à zona de impacto num raio de três quilómetros - medida que vem ao encontro dos críticos. Também o presidente do Senado, Harry Reid, já apelou à mudança de planos em nome do bom senso.

Os mais destacados promotores do projecto - como o imã Feisal Abdul Rauf, antigo colaborador da Administração republicana de George W. Bush - garantem, no entanto, que este irá mesmo por diante, contra ventos e marés. Em nome da liberdade religiosa e da iniciativa privada - dois princípios basilares da vida americana.

fonte: DN

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Presidente nega apoio a mesquita no 'Ground Zero'

Obama suaviza declarações sobre centro islâmico em Manhattan. 68% dos americanos são contra. Em Novembro há eleições

A polémica foi tanta que Obama viu-se obrigado a esclarecer: "Neste país tratamos todos por igual, em conformidade com a lei, sem ter em conta raça ou religião. Não comentei e não comentarei nada sobre se acho ou não prudente autorizar uma mesquita ali", disse o Presidente dos Estados Unidos à margem do seu fim-de-semana de férias em Panama City.

No sábado fora noticiado que Obama defendera a construção de um centro cultural islâmico a dois quarteirões do Ground Zero, num jantar que deu na sexta-feira à noite, na Casa Branca, por ocasião da quebra do jejum que os muçulmanos fazem depois do pôr-do-sol durante o mês do Ramadão.

"Enquanto cidadão e Presidente creio que os muçulmanos têm o direito de praticar a sua religião como qualquer outra pessoa neste país. Isso inclui o direito a construir um local de culto em terrenos privados na baixa de Manhattan", afirmou o chefe do Estado, em referência à Casa de Córdoba, centro cultural islâmico planeado para muito perto da zona de impacto dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 contra as Torres Gémeas.

As declarações de apoio de Obama, que ele agora suavizou, receberam duras críticas dos sectores republicanos e das associações de vítimas do 11-S. "Barack Obama abandonou a América no mesmo lugar onde ela perdeu o seu coração há nove anos", disse Debra Burlingame, irmã de um dos pilotos mortos e porta-voz de diversas famílias.

O presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que foi eleito pelos republicanos mas agora é independente, também é favorável ao centro. A construção do mesmo esbarrou numa petição dos amigos do edifício centenário que ele substituir. Mas no dia 7 foi dada luz verde à demolição e à nova construção. Mas qual o problema para Obama? 68% dos americanos são contra o projecto e a 2 de Novembro há eleições intercalares (para renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado).

fonte: DN

domingo, 15 de agosto de 2010

Barack Obama defende mesquita

Associações de muçulmanos denunciam aumento da "islamofobia" na cidade e nos Estados Unidos

O Presidente americano pronunciou-se ontem sobre a construção de uma mesquita e centro cultural islâmico nas imediações da Zona de Impacto, local das Torres Gémeas destruídas pelos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Falando pela primeira vez sobre este projecto que está a suscitar uma onda de protestos, em especial entre os familiares das vítimas e os sectores republicanos, Barack Obama afirmou: "Enquanto cidadão e Presidente, creio que os muçulmanos têm direito de praticarem a sua religião como qualquer outra pessoa neste país. E isso inclui o direito a construir um local de culto em terrenos privados na baixa de Manhattan."

Obama reconheceu que "a dor e o sofrimento daqueles que perderam os seus entes queridos é inimaginável. Compreendo, pois, as emoções que esta questão provoca". O Presidente, que falava na Casa Branca durante um jantar de fim do jejum diário do Ramadão, o iftar, descreveu como "chão sagrado" a Zona de Impacto, acrescentando em seguida que "estamos nos EUA e, como tal, o nosso compromisso com a liberdade religiosa deve permanecer inabalável".

A intervenção de Obama originou duras críticas dos familiares das vítimas. A sua associação emitiu um comunicado em que acusa aquele "de declarar obsoleta a nossa memória do 11 de Setembro e sem valor o solo sagrado da Zona de Impacto".

"Assistimos estupefactos ao facto do Presidente menosprezar aquilo de que nós, americanos, devíamos estar orgulhosos: a nossa generosidade para com o outro no 11 de Setembro, o dia em que a dignidade humana triunfou sobre a perversidade."

Perante as críticas, Obama procurou clarificar o sentido da sua intervenção, ao mesmo tempo que recusava pronunciar-se sobre a "sensatez" de edificar uma mesquita próxima da Zona de Impacto. "É essencial mantermos presente aquilo que somos como povo, ainda que confrontados com as mais difíceis questões, e não perdermos de vista o significado dos nossos valores", disse ontem na Flórida (ver fotolegenda).

Uma sondagem da CNN indicava que 70% dos americanos se opõem à construção da mesquita, sendo favoráveis 29%.

Existem mais de 100 mesquitas em Nova Iorque num total de 131 no estado. Este tem 19,5 milhões de habitantes, dos quais dois milhões professam o Islão.

Republicanos como Newt Gingrich ou Sarah Palin, considerados possíveis candidatos às presidenciais de 2012 têm sido veementes na condenação do projecto, que deve custar 80 milhões de euros.

O secretário de imprensa da Casa Branca explicou ao New York Times não ter sentido o Presidente pronunciar-se sobre a questão, enquanto esta estava em análise a nível municipal.

Segundo as associações muçulmanas nos EUA, a controvérsia está a incentivar um clima de "islamofobia". Esse clima é visível em Nova Iorque, onde são diários os protestos contra a mesquita. O mesmo clima está a estender-se a todos os EUA, com manifestações diante de mesquitas, e poderá agravar-se em Setembro, devido ao facto do final do mês do Ramadão coincidir com a data de 11 de Setembro.

fonte: DN

sábado, 14 de agosto de 2010

Obama apoia a construção de uma mesquita junto ao "Ground Zero" de Nova Iorque

World Trade Center uma semana após os atentados

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoiou uma controversa proposta para se construir uma mesquita e um centro islâmico nas proximidades do “Ground zero” de Nova Iorque, tendo dito ontem que “os muçulmanos têm o mesmo direito de praticar a sua religião que qualquer outra pessoa”.

Esse direito “inclui a construção de um local de culto e de um centro comunitário em propriedade privada da baixa Manhattan, de acordo com as leis locais”, sublinhou o Presidente durante um jantar com que se celebrou na Casa Branca o mês sagrado do Ramadão.

Estas observações foram já elogiadas pelo mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que na semana passada anunciara o seu apoio a esse projecto de um centro comunitário islâmico.

Bloomberg comparou o discurso de Barack Obama a uma carta que o Presidente George Washington escreveu em apoio de uma congregação judaica de Newport, no estado de Rhode Island. “As palavras do Presidente Obama evocaram a recordação feita por Washington de que a liberdade é para todos”, disse Bloomberg, descente de judeus russos e uma das pessoas mais ricas dos Estados Unidos.

“O President Obama está errado”, afirmou por seu turno o congressista republicano Peter King, de Nova Iorque, segundo o qual não é sensato erguer uma mesquita nas proximidades do local onde existiu o World Trade Center, destruído pelos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001.

fonte: Público

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Construção de mesquita perto do Ground Zero foi aprovada


Uma comissão de preservação do património da cidade norte-americana de Nova Iorque aprovou hoje a construção de uma mesquita controversa perto do Ground Zero, onde estavam as torres gémeas destruídas nos atentados de 11 de Setembro de 2001.

A comissão decidiu por unanimidade retirar da lista de monumentos históricos o edifício dos números 45 e 47 de Park Place, perto do Ground Zero, onde a mesquita deverá ser construída.

O imóvel, de 1850, alberga apenas uma loja de roupas que está já ao abandono.

"A comissão votou por nove votos, contra zero, para retirar o edifício" da lista, afirmou o seu presidente, Robert Tierney.

Quando os nove membros da comissão explicaram os motivos que levaram àquela decisão, a maioria das pessoas que assistia à reunião do organismo aplaudiu, mas outras gritaram "vergonha".

Uma mulher levantou uma placa onde se lia: "Não glorifiquem a morte de três mil pessoas. Não à mesquita do 11 de Setembro" e ainda "o Islão edifica mesquitas no local das suas conquistas".

A classificação do imóvel oitocentista podia ter impedido a sua demolição e, consequentemente, a construção da mesquita e de um centro islâmico, um projecto muito controverso, a poucos metros do Ground Zero.

A construção da mesquita deverá ser aprovada em maio pelo Conselho Municipal de Nova Iorque.

Além da mesquita, está também prevista a construção de campos desportivos, um teatro, restaurantes e, eventualmente, uma creche.

fonte: DN

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Investigação do 'Washington Post' revela América "secreta"


O diário 'The Washington Post' divulgou hoje mais de 2100 locais do país onde funcionam agências de espionagem e segurança, no terceiro e último artigo de uma investigação de dois anos intitulada "Top Secret America".

O artigo de hoje - a que os autores chamaram "The secrets next door" (Os segredos na porta ao lado) - é particularmente impressionante, sobretudo na sua versão online, em que se pode ver a concentração de agências de espionagem, segurança, operações clandestinas e as empresas consultoras de todo o sistema com uma concentração maior à volta da área metropolitana de Washington DC.

"Fort Meade, em Maryland, é a capital dos Estados Unidos secretos, uma geografia alternativa do país definida pela concentração das organizações mais secretas do governo e das empresas que trabalham com elas", lê-se no artigo.

Fort Meade, onde está a sede da agência de Segurança Nacional (NSA) "é o maior de uma dúzia de agrupamentos em todo o país que são os centros nervosos dos Estados Unidos secretos e dos seus 854 mil funcionários".

O mapa inclui a localização de 786 locais onde o Departamento da Defesa leva a cabo trabalhos de espionagem, inteligência e operações especiais, 535 do Departamento de Segurança Nacional e 449 da Oficina Federal de Investigações (FBI).

Além disto, estão também identificadas 234 localizações do Departamento de Justiça, 92 da Direcção de Controlo de Drogas, 36 da Agência Central de Inteligência (CIA), outras 34 de várias agências civis envolvidas na "segurança nacional" e 20 da própria NSA.

"Nos subúrbios de todo o país, os serviços de segurança fazem o seu trabalho de forma anónima", refere o jornal: "É um trabalho que não se vê mas o seu impacto, certamente, faz-se sentir".

Todos estes locais, prossegue a artigo, "são versões mais discretas das tradicionais cidades militares: dependem economicamente do orçamento federal e a sua função única define a sua cultura".

"A diferença é que as Forças Armadas não são uma cultura secreta. Nestes agrupamentos, a credencial digital é muitas vezes a única indicação do trabalho que tem uma pessoa. O trabalho não é discutido e os destacamentos também não", lê-se na investigação, cuja publicação termina hoje.

"A existência destes outros locais é tão pouco conhecida que a maioria das pessoas não se dá conta de que se aproxima, por exemplo, do epicentro de Fort Meade, embora os sistemas de orientação por satélite (GPS) nos seus automóveis comece a dar indicações incorrectas que levam o condutor para uma série de desvios porque o governo interfere em todos as orientações", explica o Washington Post.

A investigação deste jornal norte-americano adianta ainda que à volta das instalações governamentais crescem as empresas privadas que conseguem contratos para trabalhar nos serviços de segurança: "Mais de 250 empresas, que equivalem a 13 por cento de todas as empresas dos Estados Unidos secretos, têm presença na área de Fort Meade."

O mapa interactivo, além dos agrupamentos mais notórios, mostra também as localizações de agências governamentais e empresas privadas relacionadas a que o diário chamou "a indústria de segurança nacional", em todos os estados do país.

fonte: DN 

terça-feira, 20 de julho de 2010

Segurança cresceu sem controlo após o 11 de Setembro


Os serviços de segurança norte-americanos criados depois dos atentados de 11 de Setembro tornaram-se tão extensos, secretos e complexos que é impossível averiguar com precisão a sua eficácia, concluiu uma grande investigação do jornal Washington Post.

Com o nome "Top Secret America", a investigação resulta de dois anos de trabalho em que participaram 20 jornalistas do prestigiado diário norte-americano, que esteve na origem do escândalo Watergate, que levou à demissão do presidente Richard Nixon, em 1974.

O inquérito afirma que, nove anos depois dos atentados que fizeram quase três mil mortos, "o mundo secreto que o governo criou [...] tornou-se tão vasto, difícil de manobrar e secreto que ninguém sabe quanto custa, quantas pessoas emprega, quantos programas existem nem quantos serviços diferentes efectuam as mesmas tarefas".

"Este artigo não mostra os serviços de inteligência tal como os conhecemos", reagiu David Gompert, director do National Intelligence, garantindo que as reformas feitas nos últimos anos permitiram "melhorar a qualidade e a quantidade de missões".

Ilustrado com vários gráficos, o trabalho do Washington Post vai ser publicado em três partes, tendo o primeiro capítulo - "Um mundo secreto que cresce sem controlo" - sido publicado na segunda feira. Os outros dois serão divulgados hoje e quarta feira.

O jornal garante que 1271 agências governamentais e 1931 empresas privadas, repartidas por 10 mil sítios nos Estados Unidos, trabalham sobre a inteligência, num dispositivo que emprega quase 854 mil pessoas, com acesso a informações secretas.

O Washington Post sublinha que a amplitude da burocracia resulta em redundâncias administrativas: 51 organizações federais situadas em 15 cidades diferentes fiscalizam a circulação de fundos de redes terroristas.

"Provavelmente, há redundâncias e problemas de organização", reconhece o Pentágono, sublinhando, no entanto, que "é preciso recordar que não houve nenhum atentado maior nos Estados Unidos desde o 11 de Setembro".

A grande máquina de inteligência norte-americana produz relatórios em tão grande número - cerca de 50 mil por ano -, que "muitos deles são simplesmente ignorados".

O jornal alega mesmo que, devido a estes erros, os serviços de inteligência norte-americanos não conseguiram antecipar o atentado num avião que fazia a ligação Amesterdão-Detroit no dia de Natal, nem a matança de Fort Hood, no Texas, que fez 13 mortos em Novembro.

A investigação do Washington Post está também disponível online, numa versão com vários gráficos (http://projects.washingtonpost.com/top-secret-america).

O jornal explica que, devido à natureza sensível do assunto, os responsáveis do governo norte-americano foram autorizados a aceder à investigação antes da sua publicação e que algumas informações foram retiradas.

fonte: DN

fonte 2: Jornal i

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pós 11/9. Governo Blair foi cúmplice na tortura de alegados terroristas

Exposição de documentos secretos revelam proximidade de Blair às "operações de capitulação" e tortura de suspeitos de terrorismo


Pouco depois dos ataques terroristas às Torres Gémeas, Martin Mubanga viaja do Afeganistão para a Zâmbia - e ter o carimbo afegão no passaporte no início da guerra ao terrorismo é sinónimo de problemas. Em 2002, Mubanga é detido numa operação conjunta das forças zambianas e americanas. É então que começa o pesadelo de um cidadão britânico a quem o seu governo virou literalmente as costas. "Em nenhuma circunstância Mubanga deverá regressar ao Reino Unido" ordena o gabinete do primeiro-ministro. Em Lusaca, os serviços consulares britânicos falam da "esquizofrenia política em Londres" e o ministério dos Negócios Estrangeiros frisa que Mubanga tem direito a assistência consular. Mas Londres lavou as mãos do assunto e Mubanga acaba por passar 33 meses em Guantânamo, Cuba. Esta é uma das histórias que a edição de ontem do "The Guardian" conta na sequência da divulgação de documentos secretos que revelam a cumplicidade do governo trabalhista de Tony Blair e das agências secretas britânicas na tortura de suspeitos de terrorismo no pós-11 de Setembro.

Hoje, Mubanga é um dos seis cidadãos britânicos que decidiram mover uma acção judicial contra os responsáveis pelos abusos. A tinta negra que cobre as dezenas de documentos que fazem parte do seu ficheiro não permitem tirar conclusões. Mas há outras coisas que se sabem. Mostrando uma desorientação clara relativamente à gestão dos casos de cidadãos britânicos - todos de origem muçulmana - detidos pelas forças americanas, o governo trabalhista "não apenas caminhou ombro a ombro com os Estados Unidos à medida que o país embarcava no seu programa de "capitulação" e tortura de suspeitos de terrorismo, como decidiu participar activamente nele" escreve o "Guardian".

Nos documentos apresentados durante o processo judicial, fica também claro que o "Foreign Office" decidiu, em Janeiro de 2002, qualificar a transferência de cidadãos britânicos do Afeganistão para Guantânamo como a "opção preferida." Ainda de acordo com o diário britânico, um dos documentos mostra a indiferença dos agentes do MI5 perante os claros problemas físicos de Omar Deghayes, britânico de origem líbia, durante um interrogatório numa base americana no Afeganistão.

No início do mês, o governo de coligação de conservadores e liberais chefiado pelo tory David Cameron, abriu um inquérito para investigar as acusações que apontam para a cumplicidade de oficiais britânicos com actos de tortura em solo internacional. "Acreditamos que é hora de resolver esse assunto de uma vez por todas", disse Cameron perante o parlamento, apresentando o final do ano como data indicativa para apresentação das conclusões da investigação. Um prazo que poderá ser largamente ultrapassado tendo em conta que o governo já identificou mais de 500 mil documentos considerados relevantes para o processo. Tony Blair ainda não mostrou disponibilidade para comparecer perante a comissão de inquérito, ao contrário de antigos ministros do seu governo. Jack Straw, David Blunkett, David Miliband e Alan Johnson - bem como os chefes das agências de informações MI5 e MI6 - já confirmaram que estão disponíveis para prestar depoimento no caso de serem chamados por sir Peter Gibson. Actual comissário dos Serviços Secretos, Gibson está a liderar o inquérito independente que parte da acusação partiu de seis antigos detidos que foram vítimas de tortura no Paquistão, Afeganistão e Marrocos.
 
fonte: Jornal i
 

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
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