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domingo, 11 de março de 2012

Médicos dizem que Governo anda a matar cidadãos



Lisboa – O presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública considera que o impacto de algumas medidas políticas na área da Saúde poderão também ter contribuído para uma taxa de mortalidade acima da média.

Embora admita que a mortalidade nas pessoas idosas aumente nos próximos anos com as alterações demográficas, Mário Jorge Santos diz que poderá haver mais razões para além do frio e da gripe que justifiquem esta alta taxa de mortalidade.

Mário Jorge Santos lembra o «aumento brutal das taxas moderadoras», muito embora «reserve melhor opinião para um estudo mais aprofundado».

Constantino Sakellarides, que integra o Observatório Português de Sistemas de Saúde, diz que a falta de dinheiro também pode ajudar a explicar o actual pico de mortalidade.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cerca de 15% das novas infecções por VIH são crianças com menos de 15 anos





















Voluntários dão corpo ao símbolo da luta contra a sida em Taipé

Em 2010, cerca de 15% das novas infecções pelo vírus de imunodeficiência humana (VIH) em todo o mundo foram em crianças com menos de 15 anos, refere um relatório internacional divulgado, esta quarta-feira, véspera do Dia Mundial da Sida.

Apesar dos novos casos, perto de 390 mil, o valor é bastante inferior face ao pico registado entre 2002/2003, altura em que foram verificadas 560 mil novas infecções em crianças, segundo o relatório "2011-Global HIV/AIDS Response", da responsabilidade da ONUsida, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O documento, divulgado em Genebra, na véspera do Dia Mundial da Sida, que se assinala a 1 de Dezembro, constata que também houve uma diminuição significativa nos números totais.

No ano passado foram registadas um total de 2,7 milhões de novas infecções pelo VIH, o número mais baixo desde 1997 e uma redução de 21% em relação ao pico atingido nesse ano.

Desde 2001, a incidência anual do VIH caiu em 33 países, 22 deles localizados na África subsaariana. A região continua, no entanto, a suportar mais de dois terços (70% ou 1,9 milhões) das novas infecções.

Em outras regiões, a incidência está novamente a acelerar, como é o caso dos países da Europa de leste e da Ásia central, depois de uma diminuição nos primeiros anos de 2000, tal como estão a surgir novas infecções no Médio Oriente e no norte de África, refere o mesmo relatório.

No final de 2010, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com o VIH, o número mais elevado de sempre que, segundo os especialistas, se deve ao aumento da sobrevivência. Destes casos, mais de 3,4 milhões são crianças com idades inferiores a 15 anos.

A região do mundo mais afectada continua a ser a região da África subsaariana, onde se registam cerca de dois terços (68% ou 22,9 milhões) dos casos de pessoas infectadas com o VIH. Mais de metade (59%) das pessoas infectadas são mulheres.

Na região que inclui a América do norte e a Europa ocidental e central (onde está incluindo Portugal) viviam com o vírus 2,2 milhões de pessoas, mais 34% do que em 2001 (1,6 milhões). Mais de metade (cerca de 1,2 milhões) viviam nos Estados Unidos.

No mesmo ano, 1,8 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas com a sida, contra 1,9 milhões em 2009 e 2,2 milhões em 2005.

Apesar desta diminuição significativa, os níveis de mortalidade, entre 2001 e 2010, aumentaram 11 vezes na Europa de leste e na Ásia central e mais que duplicaram na Ásia oriental. No Médio Oriente e no norte África, as mortes relacionadas com a sida aumentaram 60% (de 22 mil para 35 mil).

No final do ano passado, o número de pessoas que tinham acesso a tratamento antiretroviral em países de baixo e médio rendimento, segundo os termos utilizados no relatório, atingia os 6,65 milhões, o que significa que este número aumentou 16 vezes nos últimos sete anos.

Com base nestes valores, o relatório indica que quase metade (47%) das pessoas que necessitam do tratamento tem acesso à terapia antiretroviral, mais 1,35 milhões (ou 39%) que em 2009.

No total, 7,4 milhões que viviam com o vírus VIH receberam terapia antiretroviral, incluindo aqueles que viviam em países desenvolvidos.

O relatório destaca ainda que, em 2010, quase 50% das grávidas que viviam com o vírus estavam a receber tratamento para prevenir a transmissão mãe-filho.

fonte: JN

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Portugueses gastam 7 millhões de euros por mês em antibióticos



Os portugueses gastam uma média de sete milhões de euros por mês em antibióticos, sendo Portugal o sexto país da Europa com maior consumo deste tipo de medicamentos, com alguns riscos para a saúde.

Segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), nos últimos cinco anos foram gastos, em média, por ano, mais de 100 milhões de euros em antibacterianos.

Os dados mais recentes, relativos a 2009, indicam que foram gastos pelos portugueses 93 milhões de euros em antibióticos, enquanto as comparticipações do Serviço Nacional de Saúde foram superiores a 62 milhões de euros. No total foram compradas mais de sete milhões de embalagens.

Os meses de Junho a Setembro foram os que tiveram gastos mais baixos e de Novembro a Março é quando mais se gasta.

O problema da resistência aos antibióticos foi escolhido pela Organização Mundial de Saúde para assinalar este ano o Dia Mundial da Saúde, que hoje se comemora.

O especialista José Artur Paiva recordou que Portugal é o sexto país europeu com mais elevado consumo de antimicrobianos.

«Estamos entre os países da Europa com uma taxa de consumo elevada. Quanto mais elevada for a utilização dos antibióticos mais as bactérias vão aprender a resistir a eles e mais difícil é tratar as infeções», alertou o médico, responsável pela urgência do Hospital de São João, no Porto.

A Direção-Geral da Saúde criou há alguns anos um Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos, com o objectivo de sensibilizar médicos e cidadãos para os riscos de uma má utilização destes remédios.

«Pretende-se sensibilizar ainda mais os médicos para uma utilização racional e tentando também reduzir o espectro do antibiótico a usar», referiu Artur Paiva.

É ainda importante diminuir a expectativa dos doentes, indicando que o antibiótico não serve para qualquer infeção e que tem os seus riscos.

«Ao tomar quando não é necessário estamos a selecionar dentro de nós bactérias cada vez mais resistentes e difíceis de tratar e podemos passar essas bactérias até às pessoas que vivem connosco», alertou.

Os especialistas lembram ainda que a maioria das infecções são causadas por vírus, em que os antibióticos não atuam. A única pessoa capaz de fazer a avaliação da necessidade do antibiótico é o médico, daí que a auto-medicação seja totalmente desaconselhada.

Para os pais, é importante lembrar que caso se abuse dos antibióticos nas crianças se corre o risco de criar uma população «portadora de micróbios cada vez mais resistentes».

José Artur Paiva aconselha ainda os portugueses a devolverem na farmácia os antibióticos que sobrem depois da toma prescrita pelo médico: «Quando as sobras ficam em casa, há a tentação de tomar os comprimidos que sobraram quando surge novo episódio de infecção».

fonte: Sol

domingo, 3 de abril de 2011

A tuberculose continua a atacar



O país registou 2.372 casos novos, ou seja, 22.3 por cada cem mil habitantes, abaixo dos 24,1 de 2009. Existindo seis distritos a registar um aumento de novos casos de tuberculose e notando-se noutros um abrandamento no controlo da doença. As maiores dificuldades económicas e a falta de recursos humanos são as razões para esta tendência, sentida em Évora, Aveiro, Beja e Portalegre, referiu o coordenador do Plano Nacional de Luta contra a Tuberculose, da Direcção-Geral da Saúde. Fonseca Antunes calcula que “estes pressupostos vão ter efeito no controlo da doença”, apesar de se ter registado uma descida global de novos casos de tuberculose em 2010.

O 5º com mais casos

Portugal é o quinto país da União Europeia (UE) com mais casos novos de tuberculose, de acordo com o relatório “Controlo Global da Tuberculose 2010”, da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este documento refere que, em 2009, a taxa de incidência por cada cem mil habitantes era de 30 em Portugal, o que significa que apenas a Estónia, a Lituânia, a Letónia e a Bulgária tiveram mais casos desta doença na UE. Já o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias dava conta de 2.756 casos em Portugal, dos quais 2.565 eram novos. Por isso, o mesmo apontava para uma taxa de incidência de 24,1 casos, muito abaixo da referida pela OMS. Por essa razão, o presidente do Observatório reagiu a esta informação com estranheza: “por vezes, os dados que são enviados ainda não são os mais atualizados”, disse Artur Teles Araújo.

Incidência intermédia

Mesmo com os 24 por cada cem mil, “ainda estamos acima da meta definida pela OMS, que é de 20, o que nos vai tornar um país de baixa incidência”, referiu o presidente do Observatório.

Na região europeia da OMS, Portugal fica em 19º lugar numa lista de 53 países, mais ou menos os mesmos em termos de prevalência desta doença. Teles Araújo mencionou que “Portugal tem vindo a reduzir a sua incidência, mas tudo isso é sempre um processo demorado”. Na opinião do pneumologista, o grande problema de Portugal continua a ser o diagnóstico da doença. “Demoramos seis semanas, em média, até confirmar a doença, porque a análise ainda é demorada. Até lá, a pessoa pode ir contagiando outras”, alertou. “Neste momento, já há uma análise que confirma o diagnóstico em poucos dias. Já a usamos, mas ainda não é suficientemente generalizada”.


sábado, 16 de outubro de 2010

Saúde, Segurança Social, Defesa e Educação sofrem maiores cortes


Estes ministérios têm cortes nos orçamento superiores a dez por cento face ao valor estimado para este ano. O ministério da Saúde é o mais prejudicado

De acordo com o documento, o Ministério da Saúde lidera os cortes na despesa consolidada para 2011 com um decréscimo de 12,8 por cento, dos 9.818,88 para os 8.563 milhões de euros, o que será possível através das "medidas de contenção propostas, bem como aos ajustamentos decorrentes da aplicação de cativos, com especial relevo na dotação do Sistema Nacional de Saúde que sofreu uma redução de 6,4 por cento".

O Ministério da Educação é o segundo mais atingido com cortes no orçamento para 2011, que sofre um decréscimo de 11,2 por cento face à estimativa para este ano, para os 6.391,1 milhões de euros.

"A diminuição verificada no subsector do Estado resulta do efeito conjugado da aplicação das medidas generalizadas de redução de despesa, da poupança que se pretende atingir pela aplicação das cativações previstas na lei, bem como das medidas de política sectorial implementadas e a implementar", esclarece o documento.

O orçamento consolidado do Ministério da Defesa Nacional para 2011, de 2.145,1 milhões de euros, representa uma diminuição de 11,1 por cento, "devido às medidas de contenção da despesa em resultado da redução dos encargos com os salários e outros abonos".

O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social tem menos 10,4 por cento para gastar em 2011 face à estimativa para este ano, uma redução de 902,2 milhões de euros, o que reflecte ajustamento por aplicação dos cativos previstos na Lei do OE para 2011 e o impacto, em termos relativos, das medidas de contenção de despesa propostas, com especial incidência na redução das despesas com pessoal.

Os ministérios da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, dos Negócios Estrangeiros e da Justiça também vão ter cortes no Orçamento de 2011, de 3,2 por cento, 8,2 por cento e 5,6 por cento respectivamente, face aos valores estimados para este ano.

Gastos com subsídios de desemprego diminuem 6,9%

Os gastos com o subsídio de desemprego e apoio ao emprego vão diminuir 6,9 por cento no próximo ano, para 2.091,7 milhões de euros, face à execução estimada para 2010.

De acordo com o relatório de Orçamento do Estado hoje divulgado, a evolução das despesas com prestações sociais decorre das alterações das regras de atribuição das prestações, em vigor desde Julho.

Em relação ao abono de família, o Governo prevê para 2011 uma redução de 22,6 por cento da despesa,"contribuindo para tal, e além da própria não actualização dos valores do abono em 2010 e 2011, a eliminação do pagamento de abono nos 4.º e 5.º escalões, a eliminação do pagamento do adicional de abono a partir do 1.º escalão, a redução para metade do valor associado às bolsas escolares, a revogação do aumento extraordinário de 25 por cento ao 1.º e 2.º escalões fixados em 2008".

Rara esta redução contribuem também "as alterações decorrentes das novas regras de acesso a prestações sociais não contributivas (condição de recursos) e ao congelamento do valor nominal dos valores do abono em 2010 e 2011".

No subsídio de doença, a previsão de despesa (calculada em 430,7 milhões de euros) evidencia um decréscimo de 2,7 por cento, em relação à execução provisória de 2010.

"O valor orçamentado para 2011 tem subjacente a continuação do esforço a nível de controlo das baixas médicas", segundo o relatório.

Neste sentido, "renova-se a meta de convocação, para verificação de incapacidade, de 100 por cento do total de baixas médicas com duração superior a 30 dias".

Já o complemento solidário para idosos atinge, em 2011, os 272,1 milhões de euros, um crescimento de 2,3 por cento face ao ano anterior.

Parlamento recebe menos 1,1% do que o estimado para 2010

A Assembleia da República vai receber 99,4 milhões de euros em 2011, menos 1,1 milhões de euros do que o valor estimado para 2010, de acordo com o Orçamento do Estado (OE) para 2011 entregue no Parlamento.

A quebra na despesa consolidada do Parlamento é, assim, de 1,1 por cento em relação ao estimado para 2010.

Segundo o documento, "no que respeita aos serviços com autonomia administrativa e financeira, a variação verificada entre os dois anos resulta do efeito combinado da integração, no ano de 2010, no Orçamento da Assembleia da República, dos saldos de gerência das subvenções estatais das campanhas eleitorais realizadas no ano de 2009 e do funcionamento próprio, com o efeito das medidas de contenção orçamental propostas para 2011".

Quanto à Presidência da República, o OE para 2011 prevê uma verba de 17,2 milhões de euros, menos 3,7 milhões do que a estimativa de execução de 2010.

Ambos os serviços que funcionam junto da Assembleia da República, o Serviço do Provedor de Justiça e Entidade Reguladora para a Comunicação Social, apresentam dotações orçamentais inferiores face ao estimado para o ano passado.

O Provedor de Justiça recebe 5,2 milhões de euros, enquanto o valor estimado do ano passado foi de 5,8 milhões de euros, ao passo que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social recebe 4,3 milhões euros, sendo o valor estimado do ano passado 4,5 milhões de euros.

Governo avança com empréstimo de manuais escolares e revisão de currículo e carga horária

O Governo vai lançar no próximo ano um programa de empréstimo de manuais escolares, a ser gerido pelas escolas, e reajustar o plano curricular e a carga horária, segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2011.

"Será ainda lançado um programa de empréstimo de manuais escolares, cuja gestão será assegurada por cada agrupamento de escolas, procurando-se, desta forma, optimizar a utilização de recursos já disponibilizados ao sistema", lê-se no documento hoje conhecido.

Fonte oficial do Ministério da Educação explicou à Lusa que se trata da regulamentação do artigo 29 da lei n.º47/2006, de 28 de Agosto, aprovada no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, que define que "no âmbito da sua autonomia e no quadro dos correspondentes projectos educativos, as escolas e os agrupamentos de escolas devem criar modalidades de empréstimo de manuais escolares e de outros recursos didáctico-pedagógicos".

De acordo com a proposta do Orçamento do Estado, no que se refere ao Ministério da Educação, é referida por diversas vezes a necessidade de assegurar uma "adequada optimização" dos recursos, "sem prejuízo da qualidade das aprendizagens e do ensino".

Assim, o Governo pretende em 2011, no âmbito desta optimização, reajustar o plano curricular e a carga horária, reafectar financiamentos e adequar os recursos humanos às necessidades educativas.

Ainda no âmbito da rede escolar, o Executivo pretende no próximo ano "desenvolver esforços" no sentido do alargamento do pré-escolar às crianças a partir dos três anos de idade.

No campo do programa Novas Oportunidades, pretende-se aumentar em mais dois anos e meio o nível médio de qualificação dos portugueses em idade activa.

Despesa com juros da dívida deverá crescer mais de mil milhões em 2011

O Governo espera um aumento de 20 por cento da factura com os juros da dívida pública no próximo ano, atingindo os 6,3 mil milhões de euros, mais mil milhões do que o previsto para 2010.

De acordo com o relatório da proposta, entregue apenas hoje na Assembleia da República, o Estado espera que esta rubrica tenha um crescimento de 20 por cento de 2010 para 2011, esperando no entanto que o valor estimado para 2010 seja inferior ao inicialmente orçamentado.

Para 2010, o Governo estimava que a despesa com juros ascendesse a 5,5 mil milhões de euros, esperando agora que esta se fique pelos 5,25 mil milhões de euros,

No próximo ano, a despesa respeitante apenas aos juros deverá crescer 1.050 milhões de euros, projectando-se que esta atinja assim os 6,3 mil milhões de euros.

Despesa consolidada da Justiça cai 5,6%, reflectindo medidas de contenção

A despesa consolidada do Ministério da Justiça (MJ) recua 5,6 por cento em 2011, para 1.536,6 milhões de euros, face à execução estimada para este ano, representando uma diminuição de 90,7 milhões de euros.

Segundo a proposta do Orçamento de Estado (OE) para 2011, esta diminuição tem "maior impacto" no subsector Estado, em virtude do peso relativo das despesas com pessoal no total da despesa, nas quais já se encontram reflectidas as medidas de contenção e austeridade nesta área.

Paralelamente, são esperadas neste subsector, devido a medidas legislativas, um aumento do produto da receita consignada ao MJ, permitindo maior recurso ao autofinanciamento.

A despesa consolidada é composta maioritariamente por despesas com pessoal e aquisição de bens e serviços, os quais representam mais de 91 por cento do total.

No quadro das despesas estão previstos 2.029,2 milhões de euros para o programa de Segurança e Ordem Pública, 131,7 milhões para a Investigação, 612,1 milhões para o Sistema Judiciário e 268,7 milhões para o Sistema Prisional, de Reinserção social e de Menores.

A despesas dos investimentos do plano ascende a 44,1 milhões de euros, mais 28,9 por cento, destacando-se o peso relativo do financiamento comunitário - cerca de 60 por cento do total deste agregado.

A despesa consolidada do subsector dos serviços e fundos autónomos aumenta 4,9 por cento em relação à estimativa para 2010, resultante dos investimentos a realizar na construção e reabilitação de edifícios para vários organismos e estabelecimentos prisionais (EP), da responsabilidade do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGIJ-IP).

Entre os projetos de investimentos para 2011 está a ampliação das instalações da Directoria Nacional da Polícia Judiciária (9,2 milhões de euros), o Tribunal XXI (8 milhões), construção dos EP de Castelo Branco (5,9), Angra do Heroísmo (5,5) e Grândola (5,0).

A maior fatia (10,9) vai para a eliminação e simplificação de actos e processos/infraestrutura técnica, tendo sido mobilizado para adaptação e remodelação de instalações judiciais 4,6 milhões de euros.

Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas é extinta

A Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) será extinta e as suas atribuições serão integradas na Biblioteca Nacional, revela a proposta do Orçamento de Estado para 2011.

O documento revela uma lista de organismos do Estado a serem extintos e reestruturados, como forma de reduzir a despesa pública.

No setor da Cultura, a proposta do governo apresenta a extinção da DGLB, um organismo que foi criado para "assegurar a coordenação e a execução da política integrada do livro não escolar, das bibliotecas e da leitura".

Essas atribuições deverão ser integradas na Biblioteca Nacional.

No que toca a reestruturações, os teatros nacionais D. Maria II, em Lisboa, e São João, no Porto, ambos com o estatuto de entidades públicas empresariais, serão integrados na OPART.

A OPART é o Organismo de Produção Artística que até agora geria a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.

Despesa do Ministério das Obras Públicas aumenta 11,6%

A despesa prevista do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) vai aumentar 11,6 por cento em 2011 para 337,5 milhões de euros, face aos 302,5 milhões de euros estimados para este ano.

Segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2011 hoje divulgada, o subsector Estado regista um acréscimo na ordem dos 3,4 por cento para 133,7 milhões de euros e o subsector Serviços e Fundos Autónomos cresce 16,9 por cento para 277,8 milhões de euros.

"A despesa com maior peso no subsector Estado do MOPTC diz respeito a investimentos do Plano -- Financiamento Nacional - num total de 91,8 milhões de euros que agrega os investimentos associados aos diferentes tipos de transportes, bem como as respectivas infraestruturas", lê-se no documento.

Este total é repartido pelo o Gabinete de Planeamento, Estratégia e Relações Internacionais (37,8 milhões de euros), o Instituto da Mobilidade dos Transportes Terrestres - IMTT (17,2 milhões de euros) e o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos - IPTM (24,3 milhões de euros).

A despesa do subsector dos Serviços e Fundos Autónomos, por seu turno, aumenta 16,9 por cento, ascendendo a 277,8 milhões de euros, com o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) e a ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações a registarem as maiores subidas (37,5 por cento e 21,9 por cento, respectivamente).

No que respeita à política do MOPTC, o Governo refere que vai reavaliar o plano Portugal Logístico, que previa a construção de 11 plataformas logísticas.

Na alta velocidade ferroviária, as obras do troço Poceirão-Caia, da futura linha Lisboa-Madrid, deverão arrancar no primeiro trimestre de 2011, enquanto o concurso para o troço Lisboa-Poceirão, que foi anulado, será relançado "em tempo oportuno".

Ao nível do transporte ferroviário, a REFER - Rede Ferroviária Nacional terá de fazer uma "avaliação global da rede ferroviária" e apresentar propostas concretas até ao final do primeiro trimestre do próximo ano.

Também até ao final do primeiro trimestre, a CP deve apresentar ao Governo os estudos para a "eventual concessão da exploração dos serviços de transporte ferroviário de passageiros integrados nas unidades de negócio CP Lisboa e CP Porto".

Segundo o documento, o Governo deve ainda "dar início ao processo de negociação" da concessão atribuída à Metro Transportes do Sul para a totalidade da rede de metropolitano ligeiro da margem sul do Tejo.

Em relação ao novo aeroporto de Lisboa, em fase de Estudo de Impacto Ambiental, "prosseguir-se-á o processo com vista à sua contratação, concepção, construção, financiamento e exploração", enquanto no aeroporto da Portela vão continuar as obras de expansão.

O Orçamento do Estado da Presidência do Conselho de Ministros prevê uma verba de 45 milhões de euros para os Censos 2011, que incluem o XV Recenseamento Geral da População e o V Recenseamento Geral da Habitação.

O documento estabelece que "os Censos 2011 irão mobilizar um volume importante de recursos humanos e financeiros (orçado em 45 milhões de euros) que serão utilizados de forma rigorosa, através de um esforço de racionalização e de boa gestão dos recursos públicos, associado à introdução de novas tecnologias de informação e comunicação a nível dos suportes de recolha de dados, do modelo de organização e do tratamento da informação".

Recordando que o recenseamento geral da população se realiza em Portugal desde 1864, o documento sublinha que "a exaustividade da recolha e do tratamento dos dados dos Censos tornam estas operações uma fonte imprescindível e rigorosa para o conhecimento da realidade social e económica do País, a nível nacional, regional e local".

Os Censos 2011 "vão permitir a constituição de uma base de referência, indispensável para a extracção de amostras de suporte aos inquéritos realizados junto das famílias, no quadro do respectivo sistema de informação estatística", sublinha a proposta de lei orçamental entregue sexta-feira na Assembleia da República.

O Governo destaca que se pretende que os Censos 2011 "sejam os últimos a realizar em Portugal com recurso ao modelo censitário tradicional".

Para esse efeito, "os dados recolhidos ao longo da sua execução constituirão a base que permitirá, futuramente, efectuar a transição para um novo modelo censitário, menos pesado, dispendioso e capaz de disponibilizar informação com periodicidade mais curta do que a decenal", sublinha.

O relatório sublinha ainda que "o envolvimento e cooperação das autarquias locais são factores imprescindíveis" para o sucesso desta operação.

Cadastro predial em todo o país

O Governo quer dar "passos decisivos" no próximo ano para a cobertura do país com cadastro predial e pretende adoptar medidas que reforcem o arrendamento urbano, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2011 hoje divulgada.

De acordo com o documento, no próximo ano serão elaborados cadastros em sete concelhos e será operacionalizado o modelo de gestão da informação através do Sistema Nacional de Exploração e Gestão de Informação Cadastral.

Tem sido assumido por especialistas e pelo Governo que o cadastro predial português é deficitário por estar desactualizado e por só abranger metade do país.

Em 2011, o Governo pretende ainda fomentar o arrendamento urbano, nomeadamente através da criação de seguros de renda e de uma bolsa de habitação.

Serão ainda estudadas medidas para melhorar a eficácia dos processos de resolução de litígios e de minimização de constrangimentos no âmbito do novo regime de arrendamento.

O desenvolvimento do projecto de uma nova lei do solo e a constituição de fundos de desenvolvimento urbano para financiar operações de reabilitação urbana são outras apostas para o próximo ano na área do ordenamento e política das cidades.

Governo vai criar taxa de gestão de resíduos para lixo reciclável

O Governo vai criar uma taxa de gestão de resíduos para o lixo reciclável de origem industrial, agrícola e hospitalar, à semelhança do que já acontece para os resíduos urbanos, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2011.

Segundo fonte oficial do Ministério do Ambiente, esta medida pretende criar um sistema semelhante ao que acontece com o lixo urbano: é cobrada uma taxa de gestão de resíduos que é agravada quando estão em causa produtos recicláveis.

Estas medidas visam penalizar o envio de resíduos para destinos como os aterros e favorecer a sua reciclagem, sendo que as taxas são cobradas às entidades responsáveis pelos sistemas de gestão dos resíduos.

Segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2011 hoje divulgada, o Ministério do Ambiente quer ainda criar condições para que as entidades gestoras de lixo eléctrico e electrónico passem a receber e gerir consumíveis informáticos, como toners de impressora ou cassetes de VHS.

Este tipo de resíduos já era tratado quando as entidades gestoras recebiam equipamento velho que integrava estes consumíveis. Mas agora pretende-se que as entidades tenham capacidade para os receber autonomamente, segundo explicou à agência Lusa fonte do Ministério do Ambiente.

Ainda na área dos resíduos, o Governo quer promover acções que incentivem à utilização de sacos reutilizáveis e ao consumo de água da torneira, medidas que pretendem minimizar o desperdício de plástico.

O texto da proposta de orçamento para o Ministério do Ambiente diz ainda que no próximo ano serão licenciadas as entidades gestoras da reciclagem de embalagens.

Na área da conservação da natureza, a proposta de orçamento para 2011 dá destaque à operacionalização do fundo que permitirá apoiar os primeiros projetos de conservação da biodiversidade.

Em 2011, o Ministério do Ambiente pretende ainda apresentar uma proposta de revisão da Lei de Bases do Ambiente e continuar a implementar o regime jurídico da responsabilidade por danos ambientais.

Na área dos recursos hídricos, o Governo promete avançar com o programa de requalificação das zonas fluviais, o Polis Rios, em moldes semelhantes ao Polis Litoral, com modelo de financiamento próprio.

Governo revê em alta em 1,3% crescimento do PIB para este ano

O Governo reviu em alta a sua projecção de crescimento da economia para 2010, de 0,7 para 1,3 por cento, beneficiando de uma evolução positiva da procura interna e das exportações.

De acordo com o relatório da proposta de Orçamento do Estado para 2011, o Governo espera agora que a economia portuguesa cresça 1,3 por cento em 2010, com um contributo positivo dos principais indicadores económicos.

A procura interna deverá terminar o ano a crescer 1,2 por cento, com o consumo privado a crescer 2 por cento e o consumo público a acompanhar com um crescimento de 1,9 por cento.

O executivo conta ainda que as exportações cresçam 8,6 por cento face ao ano passado, prevendo no entanto que as importações (cujo valor nominal tem uma dimensão superior) ainda cresçam 6,7 por cento.

Em valores negativos estará a evolução do investimento, que se espera que caia 2 por cento este ano.

A inflação esperada para este ano cifra-se nos 1,3 por cento.

Governo espera crescimento de 0,2% em 2011

O Governo espera que a economia cresça 0,2 por cento em 2011, baseando-se sobretudo no comportamento das exportações e projectando uma queda da procura interna de 2,5 por cento, com o consumo privado a cair 0,5 por cento e o consumo público 8,8 por cento.

De acordo com o relatório da proposta de Orçamento do Estado para 2011, que ficou disponível apenas hoje, as expectativas do Governo são revistas em baixa face à última previsão, que apontavam para um crescimento de 0,5 por cento em 2011 e são mais optimistas que as do Banco de Portugal e Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevêem a estagnação da economia portuguesa com um crescimento zero.

De notar que a previsão destes dois organismos não tiveram em conta as últimas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo e que entrarão em vigor no próximo ano.

Apesar do contributo negativo da procura interna, a beneficiar o crescimento económico deverá estar o aumento esperado de 7,3 por cento das exportações e uma queda de 1,7 por cento das importações. Para isso, o relatório refere que as exportações deverão aproveitar "o crescimento do comércio mundial", em que se espera "uma significativa recuperação das quotas de mercado".

Os restantes indicadores deverão dar um contributo negativo para a evolução do produto no próximo ano, principalmente a procura interna, um dos principais motores da economia portuguesa, que deverá cair 2,5 por cento.

Por seu lado, a quebra de todas as componentes da procura interna refletir-se-á, diz o documento, "na contracção das importações, contribuindo para uma redução do défice comercial e, consequentemente das necessidades de financiamento da economia em 2011".

O consumo privado estima-se que caia 0,5 por cento, o consumo público 8,8 por cento, o investimento 2,7 por cento.

O Governo estima ainda que a inflação cresça 2,2 por cento no próximo ano.

Relatório entregue na AR

O relatório do Orçamento do Estado para 2011 já foi hoje entregue na Assembleia da República, disse à Lusa fonte do gabinete dos Assuntos Parlamentares.

O relatório orçamental é o documento no qual o Governo explica o cenário macroeconómico e dados sobre a despesa e que não tinha sido entregue ontem a Jaime Gama.

O Governo deveria ter entregue este relatório em conjunto com a proposta de Orçamento do Estado para 2011 na sexta-feira.

No entanto, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, apresentou na sexta-feira ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, apenas um dos documentos, o que motivou protestos dos partidos políticos.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, apresentará oficialmente o Orçamento do Estado para 2011 numa conferência de imprensa marcada para as 15:00 de hoje.

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Relatório - Orçamento do Estado para 2011 em pdf 


fonte: DN

sábado, 9 de outubro de 2010

Dadoras de ovócitos vão receber até 628 euros e dadores de espermatozóides 42 euros

 

Especialistas afirmam que a doação de gâmetas corre o risco de se industrializar

O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) propôs o limite de 628 euros de compensação para as dadoras de ovócitos e de 42 euros para os dadores de esperma, existindo já clínicas a praticar estes valores.

Este organismo já havia defendido “a fixação de um limite máximo para o montante compensatório, diferenciado em função da natureza da dádiva”, mais elevado para a doação de ovócitos e menor no caso da doação de esperma, tendo em conta os diferentes transtornos das intervenções.

De acordo com a recomendação deste organismo, a doação de ovócitos deve ser compensada até ao máximo de “uma vez e meia o valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS)”, que actualmente se situa nos 419,22 euros, o que totaliza 628 euros.

No caso dos homens, esse máximo será de um décimo do valor do IAS, ou seja, 41,92 euros.

Este é o valor que vários centros que praticam técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) já estão a praticar, como na Ava Clinic, segundo reconheceu hoje Ana Sousa Ramos, bióloga e embriologista desta clínica.

Ana Sousa Ramos falava durante o 4º Congresso Português de Medicina da Reprodução, que decorre até sábado no Centro de Congressos de Lisboa.

A especialista recusa a ideia de que as dadoras têm apenas como objectivo da doação o dinheiro que recebem e reconheceu que a fixação de um tecto para as compensações veio “acabar com a competição”.

A esse propósito, lembrou que “as condições sócio económicas das dadoras não é baixa, ao contrário do que normalmente é afirmado”.

A intervenção de Ana Sousa Ramos seguiu-se à da advogada Vera Lúcia Raposo, do Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra, que se debruçou sobre “o lado menos bonito” da PMA.

A especialista em direito biomédico lembrou que, juridicamente, os gâmetas (ovócitos e espermatozoides) são “coisas” e coisas que “dão muito dinheiro”.

“Estamos perante uma indústria brutal. Isto é um comércio”, disse, defendendo a comercialização deste material genético, por considerar que “só desta forma existe uma real protecção”.


Apesar desta posição polémica, que não deixou indiferentes alguns dos participantes no congresso, Ana Lúcia Raposo alertou para alguns dos riscos que esta relação comercial pode desencadear.

“Quem paga quer escolher e quem pode escolher não vai optar pelo Corcunda de Notre Dame, quando pode ter o Brad Pitt”, disse, alertando para o “perigo real” de existirem “gâmetas de primeira e de segunda”, assim como “dadores de primeira e de segunda”.

fonte: Público

Ninguém sabe como aplicar a baixa do preço dos medicamentos

Farmácias e laboratórios consideram portaria do governo impossível de executar


As alterações devem acontecer a 15 de Outubro

Está instalada, mais uma vez, a confusão em torno da baixa de preços dos medicamentos. A uma semana de os remédios passarem a ser vendidos a menos 6%, as farmácias dizem que "não conseguem perceber" a portaria publicada pelo Ministério da Saúde e, até que o governo explique o que pretende, não vão actualizar as tabelas de preços porque não sabem como.

"Não sei, não consigo perceber a portaria e não faço ideia de como se vai pô-la em prática", refere o presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro, que já pediu para ser recebido pelos secretários de Estado que assinam o documento publicado quinta-feira em Diário da República. "É incompreensível", acusa.

Ao contrário das últimas baixas de preço, esta redução não se chama "redução", mas "dedução", numa manobra do governo para evitar que alguns medicamentos deixem de estar disponíveis no mercado nacional. O valor português funciona como referência para a marcação de preço em alguns países, como a Turquia. Por isso a opção para alguns empresas seria abandonar o mercado português para não serem prejudicadas globalmente com a descida decretada. Para evitar este efeito colateral, o ministério optou por manter o preço de venda ao público tal como existia e a redução de 6% é feita como se fosse "uma dedução" praticada à saída da fábrica. O preço de venda ao público mantém-se formalmente, laboratórios, grossistas e farmácias mantém a mesma margem de lucro, mas o medicamento é vendido 6% mais barato ao utente. Como? Nem a ANF percebe.

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) também está a analisar a portaria por não entender alguns dos seus contornos. Tal como está, é de aplicação duvidosa, consideram os laboratórios. Uma das dúvidas passa pela inexistência de um período de transição para escoar os medicamentos ao preço antigo, tal com ocorre sempre. Se este tempo não for dado, as farmácias arriscam--se a ter que vender ao novo preço (mais baixo) produtos que compraram ao preço antigo (mais caro). Outra das dúvidas tem a ver com os medicamentos que hoje já são vendidos a um valor 6% mais baixo que o preço máximo definido. Os laboratórios temem que estes medicamentos mais concorrenciais fiquem prejudicados porque são impedidos de subir de preço no futuro, mesmo quando há alternativas mais caras.

De fora destas reduções de 6% estão todos os medicamentos que não são comparticipados pelo Estado, ao contrário do que havia sido anunciado pelo governo.

O ministério não esteve ontem disponível para esclarecer estas questões. As alterações estão previstas para 15 de Outubro.

fonte: Jornal i

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Previsão para 2011 indica que mercado farmacêutico global vai crescer ainda mais


Os genéricos vão continuar a crescer 

Apesar da crise económica e dos cortes que vários governos estão a fazer na área do medicamento, o mercado farmacêutico a nível global deverá crescer entre cinco e sete por cento no próximo ano para os 880 mil milhões de dólares (632 mil milhões de euros). Os dados constam de um estudo da consultora IMS Health, que estima que em 2010 a subida tenha ficado entre os quatro e os cinco por cento.

Contudo, a previsão aponta para mais dificuldades para os medicamentos de marca, visto que muitas patentes vão expirar, apesar de haver alguma compensação através dos fármacos inovadores que serão introduzidos e que têm sempre um preço bastante superior. Mais de metade do crescimento será também protagonizado por economias emergentes, com a China como a terceira maior no mercado mundial.

“Enquanto o mercado global irá parecer recuperar ligeiramente em 2011, os constrangimentos subjacentes ao crescimento nos mercados dos países desenvolvidos são mais fortes do que nunca – incluindo o impacto de importantes patentes em final de prazo e de mecanismos de pagamento que limitarão consumo de medicamentos,” disse no estudo Murray Aitken, vice-presidente da IMS Health.

O responsável informou, ainda, que é de esperar que “os mercados farmacêuticos emergentes prossigam a sua rápida expansão no próximo ano e continuem a ser poderosas fontes de crescimento, e também que vejam o potencial de diversas opções de tratamento significativas e inovadoras que estão a ser colocadas à disposição dos doentes em áreas como o melanoma metastático, a esclerose múltipla e a síndrome coronária aguda”.

Diferenças entre países

As previsões avançadas incluem todos os fármacos e têm em consideração as condições macroeconómicas, assim como o acesso dos doentes aos sistemas de saúde, os tratamentos disponíveis e os respectivos preços. No entanto são excluídos alguns descontos, sendo tido em conta apenas o preço base do laboratório.

No que diz respeito a diferenças entre países, as economias emergentes deverão crescer de 15 a 17 por cento, chegando aos 180 mil milhões de dólares (129, em euros). Só a China crescerá 25 a 27 por cento, o que representa mais de 50 mil milhões de dólares (36, em euros), sendo o terceiro “grande” a nível mundial. Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido, considerados os principais mercados a nível europeu, não devem ultrapassar os três por cento – valor semelhante ao do Canadá. Os Estados Unidos vão continuar a ser o maior mercado, com um crescimento de três a cinco por cento, o que corresponde a quase 330 mil milhões de euros (237 mil milhões de euros).

O relatório destaca a previsível expansão da quota de mercado nos medicamentos genéricos, para a qual contribui o expirar de muitas patentes. “Em 2011, espera-se que os produtos que registam vendas superiores a 30 mil milhões de dólares [22 mil milhões de euros] enfrentem a concorrência dos genéricos nos principais mercados desenvolvidos. (...) O impacto total dos doentes que se prevê virem a optar por alternativas genéricas destes produtos, a um preço inferior, ou por outras marcas das mesmas classes terapêuticas, deverá fazer-se sentir principalmente em 2012, tendo em conta os timings e a intensidade esperada por parte da concorrência entre os candidatos genéricos”, lê-se. O documento atribui ainda algumas descidas ou abrandamentos aos cortes que os governos vão fazer para equilibrar as contas, o que passa por descidas administrativas dos preços dos medicamentos e menos comparticipações.

Um “apertar de cinto” que deverá ser compensado pela “dinâmica de crescimento na área da terapêutica impulsionada por ciclo de inovação e por áreas de necessidades não satisfeitas”. O relatório especifica que, “em 2011, espera-se que a introdução e adopção de novos fármacos – um terço dos quais são produtos farmacêuticos de especialidade – venham preencher as necessidades ainda não satisfeitas dos doentes e alterar significativamente os paradigmas de tratamento em diversas áreas terapêuticas essenciais. Estes incluem opções de tratamento inovadoras para a prevenção do AVC, do melanoma, da esclerose múltipla, do cancro da mama e da hepatite C”.

Critérios

“A publicação Market Prognosis IMS é constituída por previsões baseadas em contributos de mercados estratégicos, e que constituem uma perspectiva dos assuntos económicos e políticos que afectam as indústrias farmacêuticas e da saúde em geral. Baseada numa avaliação dos principais acontecimentos que influenciam os mercados, a publicação Market Prognosis IMS constitui uma previsão ao nível do país, regional e global. O âmbito de cobertura deste relatório inclui 42 análises aprofundadas de países e mais de 220 previsões nacionais de topo, realizadas em 11 regiões em todo o mundo”, explica a publicação.
 
fonte: Público
 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Nobel para 'pai' de 4 milhões de bebés


"É justo e merecido. É uma descoberta que veio modificar o futuro de muitas gerações e, até, da humanidade." A reacção de João Silva Carvalho, presidente do colégio de ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos poderia ser subscrita pelos quatro milhões de pessoas que nasceram depois da descoberta da fertilização in vitro por Robert Edwards e Patrick Steptoe. Edwards, de 85 anos, foi ontem galardoado com o prémio Nobel da Medicina por uma descoberta resultante de mais de 20 anos de investigação e que, só em Portugal, ajuda mil casais por ano a ultrapassar as dificuldades em conceber um filho naturalmente.

Trinta e dois anos depois do nascimento do primeiro bebé- -proveta no Reino Unido, Louise Brown, o Comité Nobel do Instituto Karolinska, reunido em Estocolmo, decidiu atribuir o prémio ao investigador. Justificou-o por "ter desenvolvido um tratamento que permitiu tratar a esterilidade, que afecta uma vasta proporção da humanidade e mais de 10% dos casais em todo o mundo".

Apesar da saúde frágil, o professor reagiu com satisfação a esta recompensa. A mesma que Louise Brown e a mãe, Lesley, vieram ontem demonstrar a público através de uma carta escrita em conjunto: "A minha mãe e eu estamos muito contentes por um dos pioneiros da fertilização in vitro ter visto o seu mérito reconhecido. Temos grande afecto pelo Bob e estamos radiantes por o poder felicitar e à sua família", referem na carta, citada pela France-Presse.

Apenas o Vaticano criticou a escolha, justificando que o investigador é responsável por um mercado "que vendeu milhões de ovócitos". Sem Edwards não haveria no mundo congeladores cheios de embriões", afirmou Ignacio Carrasco de Paula, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, que lida com questões de ética e vida, citado pela agência Ansa.

João Silva Carvalho, especialista em medicina da reprodução, disse ao DN que veio resolver um problema e que já garante 2% a 3% dos nascimentos na Europa e 1% em Portugal. A partir desta técnica surgiram muitas outras no âmbito da procuração medicamente assistida", refere o médico.

O mentor da introdução desta técnica em Portugal, Pereira Coelho, que conheceu Edwards durante a sua estadia em Paris, disse ao DN que esta escolha "apenas pecou por ser tardia. Passaram trinta anos até que Edwards fosse reconhecido, bem como os antecessores que originaram esta descoberta", afirma. O médico foi para Paris em 1983, cinco anos depois de anunciada a descoberta, com o objectivo de "fazer um estágio de preparação para a tese de doutoramento, precisamente na área da FIV. A minha actividade de investigação começou precisamente com um simpósio em que Robert Edwards esteve presente e me foi apresentado. Era extremamente simpático e, por razões óbvias todos queriam falar com ele".

Em Portugal, foi criada a unidade pluridisciplinar de reprodução humana em 85, uma parceria entre a Faculdade de Medicina de Lisboa e o Instituto Gulbenkian da Ciência. "À terceira tentativa tivemos sucesso", refere. A 25 de Fevereiro de 1986 nascia Carlos Miguel Saleiro. O primeiro bebé-proveta em Portugal é actualmente jogador do Sporting. "A partir dele houve enormes progressos. Ao fim de oito tentativas já havia três grávidas", conta o médico.

fonte: DN

sábado, 2 de outubro de 2010

Depressão mata 1200 pessoas por ano em Portugal


"A depressão é o principal factor de risco para o suicídio", sendo "enormes" as consequências sociais e económicas 

A primeira campanha nacional integrada sobre depressão é lançada hoje, Dia Europeu da Depressão, e pretende alertar para a “dimensão emocional e física” de duma doença que pode ser responsável por mais de 1200 mortes por ano em Portugal.

Sob o mote “A Depressão dói. Mas pode deixar de doer”, a campanha, uma iniciativa da farmacêutica Lilly que conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, pretende falar sobre a depressão “numa perspectiva integrada, informar, esclarecer e desmistificar muitas dúvidas que ainda existem e modificar comportamentos e atitudes perante uma doença que tem uma dimensão emocional e física”.

A campanha será difundida através da televisão, da rádio, da imprensa, online, de cartazes em unidades de saúde e farmácias e de uma unidade móvel interactiva que irá percorrer várias cidades até ao início de Dezembro.

No camião, as pessoas poderão, através de conteúdos interactivos, perceber o que é a depressão, como se manifesta e quais os sintomas que lhe estão associados, o seu impacto no dia a dia dos doentes, visitar as regiões do cérebro envolvidas na depressão e responder a um autodiagnóstico que pode ser impresso para levar a um médico.

Depressão afecta um em cada cinco portugueses

A depressão afecta um em cada cinco portugueses e pode ser responsável por mais de 1200 mortes anualmente no país. As consequências económicas são “enormes”, estimando-se um custo anual de 118 milhões de euros na Europa, segundo o especialista em fármaco-economia Jorge Félix.

Segundo Jorge Félix, “a depressão é o principal factor de risco para o suicídio”, sendo “enormes” as suas consequências sociais e económicas.

Dados avançados à Lusa pela consultora IMS Health indicam que, entre Setembro de 2009 e Agosto de 2010, foram vendidas em Portugal 6,885 milhões de embalagens de anti-depressivos e estabilizadores de humor (mais quatro por cento em relação ao ano anterior), no valor de 117,1 milhões de euros, que se manteve igual.

Até Agosto de 2009 tinha havido uma descida de nove por cento do valor destes medicamentos face ao ano anterior.

Um estudo pioneiro realizado em Portugal em 1992 estimou que a depressão custaria à sociedade portuguesa cerca de 1227 milhões de euros. Deste valor, 80 por cento foi atribuído a custos indirectos (perda de produção por incapacidade temporária) e 17 por cento a custos directos (consumo de cuidados de saúde). Os custos associados ao suicídio foram estimados em cerca de três por cento do total.

fonte: Público

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Há medicamentos que vão ficar dez vezes mais caros


Impacto das novas regras faz disparar custos de alguns medicamentos. Preço vai desaparecer das embalagens.

Há medicamentos que já a partir desta sexta-feira vão passar a custar quase 11 vezes mais aos portugueses, mesmo com a descida dos preços em 6%. Consequência das alterações anunciadas há cerca de duas semanas pela ministra Ana Jorge, que implicam redução e mudanças nos escalões de comparticipação e no preço usado como referência para o apoio do Estado. Ontem ficou a saber-se que as embalagem vão também deixar de ter o preço marcado.

O caso do omeprazol, usado no tratamento das úlceras de estômago e um campeão de vendas, é emblemático. Actualmente, uma embalagem de 56 comprimidos de omeprazol (20 mg) custa aos doentes do regime geral 1,74 cêntimos. O preço de venda ao público da embalagem deste remédio, do qual são vendidas 300 mil embalagens por ano, é de 29,28 euros. Mas é comparticipado em 69% (valor calculado sobre o preço de referência do produto que, neste caso, é de 39,91 euros), o que significa que o Estado tem assumido o pagamento de 27,54 euros.

Mas na sexta-feira, quando entrarem em vigor as novas regras, a mesma embalagem vai ter um custo quase 11 vezes superior para o mesmo doente. Ele passará a pagar 18,84 euros, revelam os cálculos do impacto das medidas feitos por uma consultora a que o DN teve acesso. Isto porque o apoio do Estado diminuiu drasticamente, anulando o efeito da redução do preço em 6%. O escalão de comparticipação cai para os 37% e o preço base usado para calcular este apoio (preço de referência) diminuiu, passando de 39,91 euros para 23,47 euros.

Também uma embalagem de Pantoc 40mg, um antiácido e anti-ulceroso que vendeu num ano mais de 77 mil caixas, vai sofrer a mesma alteração do regime de comparticipação: passa de 69% para 37%. Isto significa que o utente em regime geral terá de pagar 40,79 euros em vez de 23,58 euros.

Mas há casos em que o aumento é pouco significativo, como é o do Nimed, usado para o tratamento da dor aguda, em que uma embalagem irá custar menos de cinco euros por causa de redução de preço de 6%. A partir de sexta-feira, o doente pagará mais por 1,56 cêntimos por caixa.

O Ministério da Saúde desvaloriza o impacto de subidas tão agravadas. "O omeprazol é uma das substâncias mais vendidas e também das mais antigas. E que mais medicamentos de marca e genéricos tem no mercado. O preço dos genéricos mais baratos apenas será afectado em cerca de um euro, por isso o doente tem sempre essa opção", garante fonte do gabinete de Ana Jorge.

Ainda à espera de luz verde de Cavaco Silva está a decisão do ministério de acabar com a obrigatoriedade de as embalagens terem o preço marcado.

A medida evita que milhares de medicamentos tenham de voltar às farmacêuticas para serem remarcados até sexta-feira. O mais provável é que, tal como aconteceu com o aumento do IVA, o novo preço venha na factura, independentemente do valor que está na embalagem (ver texto ao lado).

O Ministério da Saúde explica que "o cidadão pode perguntar o preço do medicamento ao farmacêutico, que lhe dará informação do preço efectivamente a pagar".

fonte: DN

sábado, 25 de setembro de 2010

Médicos contestam que doentes escolham remédios


 Secretário de Estado da Saúde faz anúncio de manhã, Ministério esclarece à tarde. Ordem dos clínicos alerta para riscos

O secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, anunciou que a partir de Março do próximo ano os doentes vão poder escolher a marca do medicamento que comprarem desde que a substância seja a mesma que o médico receitou. O bastonário dos médicos alerta para os riscos para a saúde dos doentes desta medida polémica. Mais tarde, questionado pelo DN, o Ministério acabou por dizer que as mudanças serão feitas no consultório e não na farmácia.

Segundo Óscar Gaspar, "a ideia é atribuir ao cidadão a capacidade de escolher os medicamentos mais baratos dentro da terapêutica que o médico prescreveu".

O responsável garante que não será posta em causa a decisão do médico e que haverá a possibilidade de os clínicos "trancarem em absoluto" o medicamento de marca na receita. Se for essa a decisão, então o clínico terá de a justificar. E o doente terá de pagar mais. "Não ficará com a comparticipação de acordo com aquele medicamento específico. Ficará com a comparticipação de acordo com o preço de referência dos medicamentos daquele grupo terapêutico", esclareceu o secretário de Estado da Saúde.

Alterações logo contestadas pelos clínicos. "Nego peremptoriamente que a Ordem dos Médicos alguma vez tenha colaborado com o Ministério da Saúde para a elaboração de uma medida que permita aos doentes mudar o que está numa receita", disse ao DN o bastonário Pedro Nunes, em resposta às declarações da tutela de que as duas entidades trabalhariam em conjunto para a elaboração de uma listagem dos medicamentos que podem ser escolhidos pelo doente.

As razões são simples: "A Ordem não poderá colaborar com a transferência de responsabilidade para o doente. O médico deixa de ter a noção do que este está a tomar, porque não sabe qual a marca do medicamento que levou para casa". E se houver algum problema com um lote de um remédio, o clínico não pode avisar o doente por desconhecer o medicamento que acabou por comprar, ressalva Pedro Nunes.

A lista de perigos não termina por aí. "Muitos doentes não sabem ler e mesmo os que sabem têm dificuldades em dizer os nomes complicados. A forma de identificarem o medicamento é pela cor e pelo formato", afirmou, salientando que "são estes sistemas que levam às vendas por internet e contrafacção".

Em causa está também a segurança. "Se alguma coisa acontecer, ninguém pode responsabilizado porque o doente aceitou a mudança", salientou, defendendo que o médico estará sempre disponível para "encontrar com o doente a melhor solução para ele, mas dentro do consultório".

Horas mais tarde o Ministério da Saúde, questionado pelo DN, rectificou as palavras ditas por Óscar Gaspar.

"Quando o secretário de Estado da Saúde fala em escolha é em conjunto com o médico, em diálogo com o médico ainda no consultório. Em linha total com a campanha do medicamento que lançámos", esclareceu a assessoria do gabinete de Ana Jorge, sem explicar a razão por que seria necessário "trancar" a receita para evitar mudanças.

fonte: DN

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Óvulos valem 850 euros. Até onde vai a (i)legalidade?

"Não há garantias de que os motivos sejam altruístas", diz presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida


"Queria ganhar dinheiro extra e uma amiga sugeriu-me doar óvulos. A ideia era boa: ajudava pessoas e recebia por isso." Renata Baptista, brasileira a viver em Portugal, deslocou-se à clínica espanhola IVI, no centro de Lisboa, para fazer a doação de ovócitos. Se ficasse concluída "receberia 850 euros", conta ao i.

Este é exactamente um dos buracos da lei portuguesa - que não permite a venda de óvulos mas permite a compensação à doadora - que Miguel Oliveira da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), condena. "Não há garantias de que os motivos [de doação de óvulos] sejam altruístas", afirmou ontem, em entrevista à agência Lusa, acrescentando: "Há quem eufemisticamente lhe chame compensação."

Antes do tratamento, Renata passou por uma série de entrevistas, testes psicológicos e avaliações: "Querem perceber por que razão estamos a fazê-lo, mas sabem que as pessoas vão lá pelo dinheiro."

A lei portuguesa de Procriação Medicamente Assistida (PMA) permite que se façam doações de óvulos, mas não define uma retribuição monetária fixa para quem faz a dádiva. Prevê apenas que exista uma "compensação", de forma a cobrir despesas de deslocações, eventuais faltas ao trabalho ou medicação. "Há de facto algo que está em falta", afirma Eurico Reis, juiz e presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA). "O que está a dificultar é a lei que diz que não é possível remunerar os dadores. Dizer que há compensação é hipócrita. É uma retribuição. Não é ilegal, mas deve ser feita uma tabela para essas compensações", defende o juiz, mostrando-se de acordo com o presidente do CNECV.
Miguel Oliveira da Silva, manifestou-se ainda sobre a importação de ovócitos: "Há clínicas que importam óvulos do estrangeiro para mulheres que não os têm. Tudo a troco de dinheiro." Neste ponto, Eurico Reis não está de acordo. "A importação acontece porque está devidamente definida. Há regras minuciosas e estabelecidas. É profundamente injurioso, para os centros, fazer uma acusação destas sem factos." O presidente do CNPMA revela que não tem conhecimento de nenhuma irregularidade e que quando o produto chega a Portugal, cumpre os parâmetros do Conselho Regulador. "Mas seremos impiedosos se soubermos de alguma situação. E os centros sabem disso", esclarece.

Em Lisboa, existem três clínicas que fazem este tipo de intervenção - IVI, AVA e Cemeare -, no Porto, a Clínica Genética Alberto Barros e em Coimbra, a Ferticentro. Segundo os últimos dados disponíveis, da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução, o número de doações de óvulos aumentou, entre 2006 e 2007, de 42 para 101. Eurico Reis revela que a importação de óvulos de países estrangeiros está igualmente a "aumentar", facto que pode ser justificado pelo também "crescimento da doença da infertilidade".

Aprovada nos testes exigidos pela clínica, Renata iniciou o tratamento, que começa pela toma da pílula anticoncepcional sem intervalo. Depois dessa fase, e para estimular o crescimento dos óvulos, dão-se "injecções na barriga durante 14 dias". "Têm de ser sempre à mesma hora e arranjei quem as fizesse, por isso não tinha de me deslocar à clínica." No passo seguinte, são aplicadas outras injecções - três doses - com uma espécie de caneta, para acelerar o crescimento: "Os meus óvulos não estavam a crescer e apliquei três canetas. Não concluí o tratamento porque os óvulos nunca atingiram o tamanho necessário. Recebi uma compensação de 135 euros em vez dos 850 iniciais", explica ao i.

O Ministério da Saúde já foi informado da disponibilidade do CNPMA para criar uma tabela para as compensações, mas até à data "não foi pedida qualquer informação", explica Eurico Reis. Sobre o mesmo assunto, Renata revela: "É tudo legal, mas o contrato que assinamos não fala em valores porque o governo português não aceita que seja pago. Eu fiz mais pelo dinheiro."

fonte: Jornal i

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

375 farmácias com fornecimentos suspensos


 Há 375 farmácias com os fornecimentos suspensos pelos grossistas e 168 estão a enfrentar processos judiciais por dívidas, mas ainda nenhuma encerrou, revelou hoje a associação do sector.

Em conferência de imprensa, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) sublinhou a "profunda" crise económica e financeira que se vive no sector, responsabilizando as reduções de preço dos medicamentos decididas pelo Governo.

Segundo o presidente da ANF, João Cordeiro, há já 375 estabelecimentos com fornecimentos suspensos, um crescimento de quase 50 por cento nos últimos seis meses.

O número de processos judiciais por regularização de dívidas de farmácias aos grossistas aumentou perto de 40 por cento, bem como o número de estabelecimentos com pagamentos em atraso.

A ANF diz que o valor dos processos judiciais e dos acordos para regularizar as dívidas ultrapassa os 150 milhões de euros.

Apesar da "situação de emergência" e "devastadora" denunciada pela associação, João Cordeiro admitiu que ainda não houve encerramentos.

"As farmácias não fecham. Ficam a dever, tentam resistir, até chegar à altura limite de fechar. Algumas conseguem transferir-se para outros locais. Nos últimos anos mais de 300 farmácias tiveram que abandonar o interior do país. A situação do encerramento é a situação limite à qual se tenta resistir", justificou João Cordeiro.

Com fortes críticas à política socialista na área da saúde, o presidente da ANF responsabilizou o Governo pela "crise económica e financeira nas farmácias" e pelo crescimento da despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Segundo as contas da associação, 96 por cento do crescimento da despesa do SNS em 2010 deveu-se a quatro medidas políticas.

A não actualização dos preços de referência dos remédios terá custado 12,3 milhões de euros, as novas comparticipações de medicamentos terão ficado em 20,7 milhões de euros, a comparticipação a 100 por cento dos genérico implicou um custo de 26,8 milhões de euros e a nova comparticipação de doenças especiais terá ficado em 5,9 milhões de euros.

A ANF referiu ainda que apesar do mercado do medicamento em ambulatório ter diminuído entre Janeiro e Julho deste ano, a despesa do SNS subiu 8,4 por cento.

"Nenhum sector de actividade consegue viver nesta anarquia", lamentou João Cordeiro

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian