Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de julho de 2010



Salazar: 40 anos

O ventilador que salvou a vida de Salazar
Salazar ficou internado no quarto nº 68, protegido por uma brigada da PIDE, enquanto o Governo decretou censura total. Quando entrou em coma, o hospital comprou um ventilador sueco, bem como uma cama especial. Clique para aceder ao dossiê Salazar morreu há 40 anos
 
fonte: Expresso

terça-feira, 27 de julho de 2010

Salazar morreu há 40 anos, mas os discípulos ainda andam por cá

São uma minoria, mas asseguram que, nos tempos de crise, os defensores do ditador estão em todo o lado


Salazar, o cardeal Cerejeira e o então presidente, Óscar carmona, na inaguração da exposição Mundo Português

Faz hoje 40 anos que António de Oliveira Salazar morreu, ficando para a história como o homem que liderou a ditadura mais longa da Europa. Depois da sua morte veio a revolução de Abril, a democracia, a Comunidade Económica Europeia, o rock dos anos 80, o multibanco e o cartão de crédito. E o ditador foi ficando para trás, "vagamente presente" na memória dos que hoje "têm menos de 40 anos", explica António Costa Pinto, investigador do Instituto de Ciências Sociais. Apesar de tudo isso, Salazar sobrevive. Ainda há quem o defenda na praça pública sem qualquer embaraço. São "uma minoria", esclarece o especialista em ciência política, mas o certo é que fazem barulho suficiente para, à primeira oportunidade, ressuscitar a figura do ditador e transformá-lo numa vedeta pop capaz de vencer com larga maioria os concursos televisivos como o "Grande Português" do século XX.

João Gomes, empresário de Lisboa, Filipe Ferreira, historiador e ex-militar da Força Aérea emigrado em Bruxelas, ou Vítor Luís Rodrigues, designer e publicitário a viver na capital, pertencem a esta espécie de gueto que se organiza em circuito quase fechado para relembrar os velhos tempos do Estado Novo. Defendem Salazar contra todos, nas ruas, à mesa dos restaurantes, nos cafés, na blogosfera, mas recusam ser encarados como homens a tresandar a naftalina ou como habitantes de uma ilha suspensa no tempo. O elogio ao ditador é acima de tudo um queixume amargurado sobre a "decadência da democracia" ou um descontentamento permanente porque os valores como a "ética, a integridade e o patriotismo estarem em vias de extinção", desabafa Vítor Luís Rodrigues.

Os admiradores de Salazar martelam quase sempre na mesma tecla. Gostavam de viver num Portugal sossegado. Sem crime, sem ameaças exteriores, sem corrupção e com políticos de liderança forte. Isso não significa que queiram Salazar de volta. "Não defendo o regresso do Estado Novo nem tenho qualquer réstia de saudosismo", esclarece Filipe Ferreira, membro do Núcleo de Estudos Oliveira Salazar, sediado em Lisboa. Salazar é apenas o modelo que qualquer político deveria seguir nos seus actos e princípios: "Pedia aos outros o mesmo que pediu a si próprio", explica o emigrante de 48 anos. Ou dito de outra forma para dizer o mesmo: "Foi o governante que menos se apropriou dos bens públicos, que morreu sem um tostão e que governou tendo sempre como objectivo os interesses do país", acrescenta João Gomes, autor e administrador do blogue "Obreiro da Pátria".

É o trunfo de Salazar. Gastou pouco e, mesmo após a sua morte, a modéstia perdurou: deixou uma conta bancária na Caixa Geral de Depósitos de 274 892 escudos, terras avaliadas em 100 contos e foi sepultado numa das campas mais simples do cemitério do Vimieiro. E é esse "sentido de poupança" que é preciso recuperar, defende Vítor Luís Rodrigues. Sobretudo agora que a "dívida pública engorda aos milhões a cada semestre, que a taxas de juro sobem, que as famílias endividadas se multiplicam, que o desemprego bate recordes", avisa o designer de 54 anos.

Vítor Luís Rodrigues, Felipe Ferreira e João Gomes "prezam e respeitam" a figura de Salazar, mas não são "salazaristas". Há uma distância grande entre uma coisa e outra, esclarecem todos eles. "Não se pode fazer a transposição directa das suas políticas que tiveram um contexto próprio", explica o publicitário. "Cada homem tem o seu tempo", mas é sempre possível olhar para os princípios que Salazar defendeu e adaptá-los à democracia de hoje, diz o bloguer de 55 anos: "Trabalhar para o bem comum sem se render aos interesses de clãs e de grupos poderosos", remata João Gomes.

Defender Salazar pode ser hoje uma teimosia rara, mas está longe de ser uma cruzada, asseguram os admiradores do ditador. João Gomes criou o blogue "Obreiro da Pátria" há quatro anos e diz que são cada vez mais os curiosos que visitam o site "à procura dos verdadeiros factos sobre a sua vida". Felipe assume que "evoca" Salazar na rua ou nos cafés e nunca sentiu qualquer hostilidade: "Nem sou eu que puxo pelo tema; é o tema que vem ter comigo." E nos últimos anos, cada vez mais: "Salazar tem o mesmo efeito que a religião - as pessoas lembram-se dele quando a vida não corre bem." Vítor Luís Rodrigues "não tem pejo" em dizer que Salazar foi o "maior português do século XX" e não é por isso que o insultam nas ruas: "Ao contrário, o povo é ainda mais radical."

Um pouco por todo o lado, diz o publicitário, há gente a defender o ditador. Saber ao certo quantos são é que é mais difícil. Não há estudos e o único inquérito que avaliou o que pensam os portugueses sobre a democracia foi realizado em 2004 por ocasião das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril (ver entrevista). "Seria muito importante ter mais indicadores para as elites políticas e económicas conseguirem um retrato mais fiel sobre a nossa sociedade", defende o investigador António Costa Pinto.

fonte: Jornal i

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Salazar poderia ter sido recordado como o maior investidor de Portugal


A agência Bloomberg escreve hoje que o antigo ditador António de Oliveira Salazar poderia ser recordado como o melhor investidor que Portugal já teve, caso o banco central português autorizasse o país a beneficiar das suas reservas de ouro.

Em proporção com o tamanho da economia, Portugal armazena mais ouro que qualquer outro país na Europa, a maioria do qual acumulada durante os 36 anos da ditadura de Salazar com poupanças e o dinheiro das exportações portuguesas, incluindo volfrâmio (tungsténio) e da indústria conserveira.

Segundo a Bloomberg, a valorização de 26 por cento do ouro nos últimos anos faz com que Portugal detenha um ativo cada vez mais valioso, ainda que seja um recurso ao qual um governo endividado como o português não pode recorrer, devido às leis que regem o banco de Portugal.

"Com o aumento do preço do ouro, fica-se com ganhos acumulados, mas não se pode transformá-lo em dinheiro", declarou à Bloomberg David Schnautz, do Commerzbank AG em Londres. "É um colchão para um cenário extremo".

O défice orçamental de Portugal está três vezes acima do limite aplicável aos membros do euro e a sua dívida externa vai chegar aos 84 por cento do PIB este ano. A agência de notação Standard & Poor’s deu a Portugal o segundo pior rating dos 16 países da Zona Euro, apenas precedido da Grécia.

As 382,5 toneladas de ouro que Portugal tem estão avaliadas em 14,7 mil milhões de dólares, cerca de 6,8 por cento do PIB português após conversão para euros, indicam os cálculos da Bloomberg e os dados do FMI. O ouro das reservas de Itália corresponde a 4,8 por cento da sua economia, seguida da Alemanha com 4,2 por cento. Já as reservas da Grécia valem 1,4 por cento do seu PIB.

A agência de notação Moody’s, que cortou o rating de Portugal em dois níveis a 13 de julho, apenas olha para as reservas de ouro nos casos em que os governos precisam de gerar dinheiro em divisas fortes como o dólar e o euro. E isso não se aplica a Portugal, declarou Anthony Thomas, analista de dívida soberana da Moody’s citado pela Bloomberg.

O ouro de Portugal é gerido pelo Banco de Portugal, cuja regulamentação indica que os ganhos procedentes das vendas de ouro têm de ser colocadas numa conta e não podem ser transferidas para o tesouro público. O Banco de Portugal paga um dividendo todos os anos ao governo por ganhos com juros e com os títulos de valor mobiliário. O dividendo pago em 2009 foi de 203 milhões de euros, indicou o BdP à Bloomberg a 2 de julho.

Um responsável do Banco de Portugal escusou-se a prestar declarações à Bloomberg sobre a gestão das reservas de ouro, tal como a porta-voz do ministério das Finanças.

fonte: Jornal i

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian