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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Portugal reforça colaboração com 'secretas' europeias


As autoridades portuguesas foram avisadas sobre a possibilidade de suspeitos terroristas, pressionados pelas detenções em França e Espanha, tentarem procurar abrigo nas mesquitas nacionais.

O Serviço de Informações e Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) intensificaram na última semana a troca de informações e colaboração com os serviços congéneres europeus e norte-americanos.

Apesar de Portugal não ter sido referenciado como alvo de atentado terrorista, as recentes ameaças de ataques por parte da Al-Qaeda, ou de grupos com ligações à organização de Bin Laden, a vários países da Europa, levaram as autoridades portuguesas a reforçar os contactos para detectar suspeitos que possam passar pelo nosso País.

Ainda ontem a França alertou para a forte possibilidade de um atentado na Inglaterra. Esta semana, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Suécia divulgaram alertas sobre possíveis ataques terroristas da Al-Qaeda e de grupos aliados contra cidadãos viajando pela Europa.

Oficialmente, o Governo português não assume qualquer alteração do nível de alerta em Portugal. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, assegura que "não há informação específica" da existência de alvos em Portugal, acrescentando, porém, que "as ameaças são difusas" e que "sabemos que vamos ter de viver com elas nas próximas décadas".

No entanto, ao que o DN apurou, quer os serviços de informações na dependência do gabinete do primeiro-ministro, quer a Polícia Judiciária deram ori- entações aos seus operacionais para redobrarem atenção às movimentações junto às comunidades muçulmanas no País.

Com as detenções na última semana de vários terroristas islâmicos que se preparavam para atacar alvos na Europa, Portugal torna-se um caminho natural para suspeitos em fuga.

Por isso mesmo a acção das autoridades portuguesas vai centrar-se em duas frentes. Uma é o reforço no controlo de passageiros nos aeroportos e nas entradas pelas fronteiras terrestres, em acções conjuntas com a polícia espanhola. Outra é o reforço da vigilância nas mesquitas (existem mais de 30 em todo o País) principalmente as mais radicais, como é o caso da do Laranjeiro, frequentada pelos fundamentalistas não violentos Tablit Jamaat (mas com proximidade aos grupos salafistas e 'wahabi' violentos).

O SIS tem feito um trabalho contínuo de prevenção da radicalização junto às comunidades muçulmanas e acredita que, caso alguma 'cara estranha' apareça que serão informados. As 'secretas' têm nomes de alguns suspeitos que foi enviada pelos serviços europeus e algumas fotos foram entregues aos informadores.

Alguns peritos internacionais em contraterrorismo consideram que é uma questão de tempo até que Portugal seja também um alvo de ataque ou ameaça, como acontece em praticamente todos os países europeus. "Só o facto de o presidente da Comissão Europeia ser um português (Durão Barroso) é mais que razão suficiente para que estes terroristas entendam que Portugal deve ser atacado", lembra Shabtai Shavit, ex-director da Mossad.

Boaz Ganor, presidente do Instituto Internacional de Contraterrorismo, um estabelecimento de ensino superior de Israel especializado na investigação desta matéria, não duvida de que o terrorismo "vai atingir Portugal como já atingiu países próximos dele". Para este académico, consultor de vários países europeus, "o terrorismo é um fenómeno em expansão. Há 15, 20 anos, as pessoas diziam que isto eram um problema do Médio Oriente, da Ásia central... mas depois passou para África, depois para os EUA, para a Europa, Inglaterra, Espanha… está a expandir-se… E se houver alguma pessoa no mundo que diga que é um problema que não lhe diz respeito, vai descobrir, infelizmente, que lhe diz respeito. Ou no seu próprio país ou quando viajar para o estrangeiro".

fonte: DN

domingo, 8 de agosto de 2010

Polícia compra blindados de guerra para a Cimeira da Nato


Lei especial para proibir manifestações e expulsar desordeiros e a reposição das fronteiras estão em discussão. Autoridades preocupadas com segurança da cimeira de Novembro.

A polícia quer "blindar" o Parque das Nações durante a realização da Cimeira da NATO, agendada para os dias 19 e 20 de Novembro. A segurança máxima que exige o evento - vão estar presentes os principais líderes mundiais, entre os quais Barack Obama - levou a concluir pela necessidade de, não só limitar a circulação em toda a área, com vários perímetros de segurança e check-points, como também de aprovar um regime legislativo de excepção, temporário, que permita proibir manifestações que possam resultar em violência urbana, como tem sucedido em anteriores encontros de alto nível.

O espaço Schengen também pode ser suspenso e as fronteiras voltarem a ter controlo apertado. À semelhança do que aconteceu durante a realização do campeonato europeu de futebol, em 2004, durante o qual também vigorou um regime especial, os processos de expulsão de quem perturbe a ordem pública serão quase imediatos.

A lei de excepção vai ainda permitir a colocação em locais públicos de uma vasta rede de câmaras de videovigilância para recolher e gravar imagens.

Os serviços de informações estão a trabalhar com os congéneres dos vários países participantes para listar os elementos de organizações radicais, já referenciados em anteriores tumultos.

O DN soube que a principal preocupação é o movimento Black Block (ver caixa) que provocou o caos em Toronto na última reunião do G20. Apesar dos 20 mil polícias destacados para a segurança do encontro e dos mil milhões de dólares investidos na segurança, cerca de 3000 activistas vandalizaram e incendiaram edifícios e viaturas.

Neste momento existem três grupos de trabalho designados no âmbito do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS): um de Coordenação Geral e Planeamento; outro do Informações; outro para avaliar a necessidade de aprovação de legislação especial temporária. PSP, GNR, PJ, SIS são as entidades com mais participação. Cada uma das forças intervenientes está a fazer o seu levantamento para apresentar nas próximas reuniões.

A PSP, entidade responsável pelo policiamento do evento, já entregou ao GCS uma extensa lista de equipamento de ordem pública, desde barreiras de protecção, a gás lacrimogéneo, que entende ser necessário adquirir.

Na lista estão ainda carros blindados (ver foto) para transporte de pessoal para zonas 'quentes' de grandes distúrbios e colocar homens equipados no local. Tem capacidade para seis pessoas. Anti-bomba, antifogo e antiminas, são utilizados pelos militares bri- tanicos e norte-americanos no Iraque, mas o seu uso urbano, anti-motim, é também conhecido.

O DN soube que, entretanto, a Unidade Especial de Polícia, da PSP, também conseguiu ver aprovado um recrutamento de emergência de 60 elementos para reforçar o Corpo de Intervenção.

Na avaliação de ameaça à cimeira, há três factores principais que estão em cima da mesa: o primeiro é a importância política da própria cimeira, onde será aprovado o novo conceito estratégico da NATO; o segundo é o facto de virem todos os grandes líderes mundias, que vão estar concentrados numa capital dois dias, no mesmo local; e em terceiro a presença de militares portugueses no Afeganistão.

Estes pressupostos tornam inevitavelmente esta cimeira um possível alvo de um ataque terrorista, mas principalmente de violência urbana, por parte de grupos extremistas que contestam a NATO e que normalmente aproveitam estes encontros para protestos mais violentos.

Em Portugal existe a Plataforma Anti-Nato (PAGAN) que faz parte de uma rede internacional de organizações. A cimeira de Lisboa está na agenda e nos sites estrangeiros já estão apelos aos "protestos" e à "desobediência civil".

O movimento 'Black Bloc' são a maior dor de cabeça para a segurança de encontros de alto nível, como vai ser a Cimeira da NATO, em Lisboa. O SIS entende-os como um grupo, sem hierarquias definidas, mas com várias células organizadas e com lideranças assumidas e uma grande capacidade de actuar inesperadamente. Há quem não os defina como um grupo, mas sim como uma 'táctica' operacional.

Num momento são manifestantes pacíficos e, de repente, vestidos de negro, caras tapadas com lenços, máscaras de ski ou capacetes de moto, agem com grande violência. O vestuário é escolhido para evitar a identificação e por isso na legislação especial que a polícia quer ver aprovada deve ser proibido o uso de qualquer peça que oculte a identidade. Quanto actuam, em bloco, o negro das roupas faz aparentar uma grande massa, 'solidária' e cria a ilusão de um grupo maior.

Os alvos dos 'Black Bloc' são normalmente símbolos da 'globalização capitalista', como lojas de grandes marcas (que abundam no Parque das Nações), bancos, postos de gasolina, estruturas militares e... a polícia. Apesar da preocupação em impedir a sua acção junto à Cimeira, as 'secretas' já alertaram para a possibilidade de outras zonas da cidade, com policiamento menor, poderem ser alvos.

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
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