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sábado, 25 de setembro de 2010

Instabilidade de preços dos cerais ameaça segurança alimentar


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que a recente volatilidade dos preços dos cereais representa uma «ameaça maior» contra a segurança alimentar, embora afaste o cenário de crise.

Peritos de mais de 75 países reuniram-se, na sexta feira, na sede da FAO, em Roma (Itália), para discutir a recente a subida dos preços alimentares, depois de a Rússia ter proibido as suas exportações de cereais, na sequência da seca e dos incêndios que destruíram, no verão, um quarto das suas colheitas.

Apesar de o preço do trigo no mercado internacional ter aumentado 60 a 80 por cento em Julho e o do milho cerca de 40 por cento, a FAO considera que «não há indícios de uma crise mundial próxima».

A organização entende mesmo que a colheita cerealífera, este ano será a terceira mais importante alguma vez registada.

Como verdadeiros responsáveis da recente alta de preços, os peritos apontam os «comportamentos especulativos», as «políticas nacionais» e as «inesperadas fracas colheitas».

Nesse sentido, recomendam a exploração de «novos mecanismos para melhorar a transparência e a gestão dos riscos associados às novas causas da volatilidade dos mercados», como a falta de informação e as compras especulativas.

No início de Setembro, a subida do preço do pão em Moçambique causou motins, que mataram 13 pessoas e feriram outras 400.

fonte: Sol

domingo, 5 de setembro de 2010

ONU teme crise alimentar

Nos últimos dois meses os preços dos bens alimentares subiram 5% em todo o mundo. A ONU teme que tal possa gerar uma onda de protestos à escala global e que isso possa originar mais conflitos sociais.


O fantasma da crise alimentar de 2008, que gerou conflitos em vários países, paira de novo sobre a população de todo o mundo.

A quebra na produção de de cereais na Rússia (nomeadamente devido aos incêndios que duram há mais de um mês), assim como na Ucrânia, que são dois dos principais abastecedores do mercado mundial, está a desencadear uma onda de receios quanto à eventual ruptura de stocks em alguns países, com consequências para as populações com menos posses.

O aumento dos preços dos bens alimentares já começou (5% no espaço de dois meses, à escala global) e a FAO, organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação está preocupada com as consequências. Por isso mesmo acaba de marcar uma reunião de emergência para 24 de Setembro, em Roma, para debater o assunto e tentar encontrar soluções.

Conflitos sociais em vários países

Teme-se uma nova crise alimentar semelhante à de 2008, altura em que a grande procura de cereais para a produção de biocombustíveis originou subidas de preços e ruptura de stocks em vários países. Nesse ano, e pela primeira vez desde a 2ª guerra mundial, a Europa ficou sem cereais em stock.

Segundo a ONU, os preços estão nos níveis mais altos desde há dois anos precisamente. Esta escalada de preços já desencadeou protestos em Moçambique nos últimos dois dias e também no Egipto e na Sérvia. No Paquistão, onde as cheias das últimas semanas destruíram um quinto das colheitas do país, o preço dos produtos alimentares subiu 15%.

Em portugal, este foi um dos piores anos de sempre na produção de cereais, tendo apenas sido asseguradas 20% das necessidades do país. Isto significa que Portugal está cada vez mais dependente do exterior para se alimentar. O problema, segundo alguns analistas, é que os cereais começam a escassear em alguns dos principais mercados internacionais onde Portugal se costuma abastecer.

Dos quatro milhões de toneladas de cereais que o país consome anualmente, na actual campanha as colheitas não foram além das 800 mil toneladas.

Os produtores de cereais, que contam sobretudo com activos na casa dos 50/60 anos, garantem que se não se incentivar a adesão de jovens aos campos e ao trabalho agrícola, dentro de poucos anos (talvez uma década) Portugal poderá ter ainda menos produção que a que tem hoje, ou praticamente nada.

fonte: Expresso

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Produção de cereais foi das “mais baixas das últimas décadas


 A colheita deste ano "está praticamente concluída"

A produção nacional de cereais de Outono-Inverno foi das “mais baixas das últimas décadas”. Dados do INE revelam que, face a 2009, houve um decréscimo de um quinto na produção, quando no conjunto do ano passado a produção já tinha caído 39,3 por cento.

As previsões agrícolas de Julho, divulgadas hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), estimam que a campanha cerealífera em curso seja das mais baixas dos últimos tempos, consequência da “diminuição das áreas semeadas e das quebras de produtividades”. A contribuir para a diminuição das áreas plantadas estiveram as condições climatéricas, as fortes chuvas de Inverno foram as principais responsáveis.

Estas previsões de Julho podem já ser vistas como uma antevisão quanto a uma possível quebra na produção cerealífera nacional em 2010, que poderá ser um dos piores anos das duas últimas décadas.

No final do ano passado, os dados referentes à agricultura revelaram que 2009 foi também um ano mau, com uma queda de 39,3 por cento na produção, face ao ano anterior. As condições do estado do tempo foram, também no ano passado, um dos principais motivos para as quebras registadas na produtividade.

A colheita deste ano “está praticamente concluída”, pelo que é já possível adiantar que vários foram os cereais a registar quebras na produtividade. O milho de regadio foi um deles, a superfície plantada este ano rondou os 88 mil hectares, extensão semelhante à de 2009, mas a mais baixa dos últimos 20 anos. A produção de batata de regadio deverá ter uma quebra de cinco por cento face a 2009, resultado do encharcamento observado em alguns terrenos. Cinco por cento é também o valor previsto para a descida na produção de tomate para a indústria, a ser colhido entre Setembro e Outubro.

O INE prevê ainda que a produção de árvores de fruto também venha a ser afectada. “As perspectivas para a fruticultura também não são animadoras, prevendo-se quebras de 30 por cento nos pomares de macieiras e pereiras e 15 por cento nos pessegueiros” revela o documento.

Apesar das quebras verificadas no período Outono-Inverno, as culturas de Primavera-Verão têm apresentado um “desenvolvimento vegetativo relativamente normal para época”, concluiu o INE.

fonte: Publico

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Médio Oriente teme efeito do embargo russo de trigo


Carência de cereais pode aumentar o preço do pão, o que provoca tensões sociais

As consequências nefastas dos fogos que assolaram a região de Moscovo vão muito para além das fronteiras russas: alcançam o Médio Oriente e o mercado internacional. Em causa, a decisão do primeiro-ministro Vladimir Putin de proibir a exportação de cereais até ao fim do ano, uma medida que entrou ontem em vigor e poderá prolongar-se até 2011, caso Moscovo o ache necessário.

Terceiro exportador mundial de trigo, cevada e centeio - entre outros cereiais - a Rússia é praticamente o "celeiro" do Médio Oriente, sendo o Egipto o seu principal comprador. Faltando os cereiais russos, o Cairo - como outras capitais da região - terá de se voltar para outros mercados, provavelmente os dos países da União Europeia, para dar resposta às necessidades das suas populações.

Analistas revelam que a decisão russa se prende com o desejo de evitar qualquer risco de conflitos sociais que ocorreriam caso se verificasse um aumento brutal do preço dos alimentos. Aliás, Putin não o escondeu quando, ao anunciar a medida, afirmou: "É preciso impedir a inflação dos preços e salvar também o gado russo" que teria de ser abatido em consequência do aumento do preço dos cereais no mercado interno.

Mas se Putin resolve os seus problemas internos com a proibição temporária das exportações, outros há que veem nela a ameaça de crise dentro das suas fronteiras. Tanto mais que a medida russa já provocou o aumento do preço dos cereais nos mercados internacionais, em especial no americano.

Uma das consequências desta "especulação" será o aumento do preço do pão, medida explosiva em países do Médio Oriente onde grande parte da população subsiste apenas com esse alimento.

O Egipto é um exemplo acabado dessa situação. Aumentar o preço do pão, quando um quinto dos seus 83 milhões de habitantes vive com menos de um dólar por dia - segundo dados das Nações Unidas -, é uma receita certa para o fantasma da fome e a eclosão de violentos conflitos sociais, uma situação que o Cairo quer evitar. Em 2007, quando o preço dos cereais triplicou nos mercados internacionais, o Egipto viu-se forçado a reduzir a quantidade do pão subsidiado. Em consequência, milhares de pessoas entraram em confronto enquanto esperavam junto às padarias públicas para conseguirem pão, várias pessoas morreram e o Presidente Hosni Mubarak utilizou os militares para acabar com o conflito.

"Não temos qualquer intenção de aumentar os preços dos artigos subsidiados", afirmou, há dias, o ministro da Solidariedade Social egípcio, Ali Moseilhi. Tendo em conta que 2011 é ano de eleições presidenciais, é de crer que o Governo tudo fará para não alterar o preço do pão ou arrisca-se a que o candidato do poder - Hosni Mubarak ou o seu filho Gamal - seja derrotado pelo homem forte da oposição, o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohammed elBaradei.

Entretanto, a Comissão Europeia revelou estar a seguir "atentamente" a evolução da situação dos mercados de cereais e garante estar pronta para, "se necessário", intervir com medidas apropriadas.

"Exportadora líquida" da ordem dos 12 a 20 milhões de toneladas de trigo, a UE, que apenas importava da Rússia uma ínfima parte (entre 0,3 e 0,8 milhões de toneladas), poderá ser um dos mercados privilegiados para os países afectados pela decisão de Moscovo.

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

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