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sábado, 3 de dezembro de 2011

WikiLeaks revela “indústria de vigilância” em grande escala























Assange está em Inglaterra, onde luta contra um pedido de extradição para a Suécia

A WikiLeaks publicou nesta quinta-feira 287 documentos que indicam que dezenas de empresas vendem a Governos tecnologia para vigilância de pessoas, naquilo que a organização classifica como uma “indústria de vigilância” em larga escala.

O material publicado, a que a WikiLeaks chamou Spy Files, inclui, entre outros, catálogos e brochuras, apresentações, manuais de utilização, vídeos promocionais e um contrato (entre a Líbia e a empresa francesa Amesys).

“Publicámos 287 ficheiros a documentar a realidade da indústria internacional de vigilância em massa”, declarou aos jornalistas, em Londres, o fundador da WikiLeaks, Julian Assange. Citado pela agência AFP, Assange afirmou que esta indústria “vende equipamentos tanto a ditadores como democracias, para interceptar [as comunicações] de populações inteiras”.

Segundo o site criado pela WikiLeaks para apresentar os documentos, há empresas a vender equipamentos para “registar a localização de todos os telemóveis numa cidade, com uma precisão de 50 metros”, e software para “infectar todos os utilizadores de Facebook ou utilizadores de smartphone de um sector inteiro da população”. Para além disto, há quem venda vírus informáticos e outro software malicioso para ser instalado em computadores específicos, tecnologia de rastreamento por GPS e material para interceptar ligações de Internet.

Na lista de empresas a vender este género de tecnologia, estão alguns nomes conhecidos, como a HP, a Alcatel-Lucent e a Siemens, cada uma com uma apresentação de sistemas de vigilância. Por exemplo, na apresentação da Siemens – a um produto chamado Siemens Intelligence Platform e feita no Dubai em 2007 – a empresa pergunta: “Já alguma vez se questionou se a pessoa que viaja, para o seu país todos os meses no mesmo dia está a visitar a sede da empresa dela? Mas às vezes a data é um fim-de-semana...”

Entre os clientes estão países como a Líbia e o Egipto, mas também autoridades de países ocidentais, como a americana CIA. “Os Spy Files da WikiLeaks mostram mais do que os ‘países ocidentais bons’ a exportar para os ‘países maus em desenvolvimento’”, afirma a organização.

Esta fuga de informação é a primeira a desde que a WikiLeaks anunciou, no final do mês passado, estar a ter dificuldades de financiamento.

Os documentos surgem duas semanas após o americano Wall Street Journal ter publicado um trabalho de investigação que revelava “um novo mercado global para tecnologia de vigilância pronta a usar”, que, de acordo com o jornal, tem vindo a crescer desde os ataques do 11 de Setembro.

Tal como fez com o caso dos telegramas das embaixadas dos EUA, Assange actuou em parceria com outras organizações. Os SpyFiles são uma colaboração com a organização Privacy International, com o Bureau of Investigative Journalism (ambos com sede em Londres) e com a OWNY (uma organização francesa especializada em jornalismo baseado em análises de dados).

Há também três jornais envolvidos: os italianos La Repubblica e L’Espresso, o americano Washington Post e o indiano The Indu. Nenhum dos anteriores parceiros de Assange (o NY Times, o Guardian e a Spiegel) participaram no projecto.

A WikiLeaks diz ter mais informação, que será divulgada a partir da próxima semana.

fonte: Público

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Julian Assange: A Internet é uma máquina de espionagem



Assange afirmou, perante os alunos de Cambridge, que a Internet é a maior máquina de vigilância - e espionagem - de sempre.

Julian Assange, fundador do Wikileaks, quebrou o silêncio depois de ter sido acusado de abuso sexual e violação, e falou sobre as vantagens e as desvantagens da Internet numa conferência em Cambridge.

Segundo o The Guardian, o fundador do Wikileaks afirmou que a Internet permite uma maior transparência governamental e uma melhor cooperação entre ativistas mas adverte que a Internet é utilizada também pelas autoridades para vigiar e apanhar dissidentes.

Assange referiu que tanto o Facebook como o Twitter não tiveram um papel tão importante nas recentes revoluções que ocorreram no Egito ou na Tunísia, como tem vindo a ser divulgado pelos media. O fundador da organização Wikileaks recordou ainda que o Facebook tinha originado uma revolta no Egito mas acabou por ser utilizado para capturar os participantes.

Assange não deixou de referir que os documentos revelados pelo Wikileaks desempenharam um papel fundamental ao forçarem o governo norte-americano a não apoiar o regime do anterior presidente do Egito Hosni Mubarak. Entre as revelações, destacavam-se os documentos que mostravam que Suleiman, vice-presidente do governo de Mubarak, apoiava métodos de tortura.

Durante a conferência dada na Universidade de Cambridge, que contou com a presença de 700 estudantes, Assange acusou ainda o jornal New York Times de ter suprimido notícias relativas a atividade norte-americana militar no Afeganistão.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Guantánamo: Amado admitiu "necessidade logística do uso da base das Lajes"


Portugal só exigiu garantias sobre voos da CIA em 2009. E só para detidos que vieram para Portugal.

Era suposto o assunto não constar da agenda, mas um pequeno incidente tornou-o obrigatório. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, estava de viagem marcada daí a 15 dias para a primeira reunião com Hillary Clinton, a nova secretária de Estado da recém-eleita Administração Obama, e o encontro com o embaixador Thomas Stephenson em Lisboa servia de preparação para a ida à Casa Branca.

O incidente ocupa poucas linhas no telegrama confidencial que Stephenson escreveu a 21 de maio de 2009, no dia a seguir a ter estado com Amado. A 14 de maio, uma semana antes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha negado autorização para um avião da força aérea americana aterrar na base militar das Lajes, onde os Estados Unidos operam desde a II Guerra Mundial.


Cara a cara com o embaixador americano, o ministro explicou-se: a recusa de aterragem do avião, "depois de ter entregue um detido argelino (de Guantánamo) a França, foi recomendada pelo diretor-geral de política externa, Nuno Brito, que, segundo Amado, estava preocupado com as consequências políticas da escala. Amado disse que assinou por baixo a recomendação de Brito, mas que entendia perfeitamente a necessidade logística de usar a base aérea das Lajes para fechar o centro de detenção de Guantánamo e prometeu total cooperação em voos futuros". No final do telegrama, o embaixador comentava: "Amado tem sido extraordinariamente prestável para com o Governo dos Estados Unidos durante todo o seu mandato, o que faz com que a recusa de 'clearance' da semana passada seja ainda mais surpreendente".

O argelino que ia a bordo, Lakhdar Boumediene, era o segundo suspeito de terrorismo detido na prisão americana em Cuba a ser repatriado na Europa já com Obama como presidente. Era uma "boa transferência", diferente de muitas outras que tinham acontecido antes, para Guantánamo e de Guantánamo.

A conversa entre o ministro e o diplomata americano levanta, no entanto, uma questão: se a "necessidade logística do uso da base das Lajes" existe para as "boas transferências", não existe também para as "más", as que dizem respeito ao rapto de cidadãos em países europeus e noutros lados do mundo depois do 11 de setembro de 2001? E se houve um processo individual de autorização diplomática para aquele voo, porque não houve para os outros anteriores?

A dúvida persiste, à porta fechada, nas conversas entre os diplomatas portugueses e americanos, em detalhes que vão saltando da correspondência enviada para Washington.

A 22 de fevereiro de 2008 (telegrama de 11 de março), um alto elemento do Departamento de Estado americano, Kurt Volker, informou o então diretor de política externa do MNE que o Governo de Londres ia anunciar nesse próprio dia que a Casa Branca admitia o trânsito de dois detidos por território britânico, contrariando desmentidos anteriores. "Os aliados dão informação quando a têm. Não questionamos os vossos pedidos", replicou o diplomata português.

Garantias colaterais

Em nenhum dos 722 telegramas da embaixada - que vão de 2006 a 2010 - há qualquer menção a pedidos de esclarecimento por parte do Governo português sobre a passagem dos voos da CIA pelo nosso território, apesar de a correspondência diplomática abranger o período em que havia uma intensa investigação a correr pelo Parlamento Europeu (entre 2006 e 2007): e apesar de haver relatórios sobre tudo e mais alguma coisa.

Apenas mais para o fim, num telegrama de 11 de janeiro de 2009, já com Obama no poder e com Portugal a discutir as condições para o repatriamento de detidos de Guantánamo, é que surge um pedido de garantias. Muito circunscrito. "Não aceitamos nenhum detido que 'tenha estado em Portugal'", diz à embaixada o diretor-adjunto da política externa do MNE. "Rui Macieira explicou que isso significava que o Governo português ia procurar garantias de que o detido não transitou por Portugal a caminho de Guantánamo".

E aqui outra questão se coloca: a Casa Branca já não tinha dado garantias a Portugal que não tinham passados presos por cá? Amado não tinha discutido isso com Condoleezza Rice, a secretária de Estado de Bush? Uma fonte não oficial do Palácio das Necessidades justifica: "As garantias nunca são demasiadas".

Por meias palavras, o tom dos telegramas sugere onde pode estar a verdade. "A não ser que a informação partilhada (por Ana Gomes e o jornalista Rui Costa Pinto) em privado com os procuradores seja significativamente mais substancial do que os acusadores têm dito publicamente, é difícil acreditar que esta fase preliminar levará a uma acusação", escrevia o embaixador Hoffman a 7 de fevereiro de 2007.

De acordo com uma lista detalhada que a NAV chegou a entregar à comissão do Parlamento Europeu que investigou os voos da CIA, num total de 94 voos civis e militares de e para Guantánamo ocorridos entre janeiro de 2002 e junho de 2006 com passagem pelo espaço aéreo dos Açores, houve 11 que envolveram escalas na base aérea das Lajes. Desses 11, cinco tinham como destino o centro de detenção em Cuba (enquanto os outros seis faziam o caminho inverso, com origem em Guantánamo).

Um desses voos, realizado a 20 de setembro de 2004 num avião militar C17, é apontado pela organização não-governamental Reprieve como tendo transportado 10 detidos para aquela prisão de alta segurança, incluindo o etíope Mohammed Binyam, que teria parado também no Porto em 2002, numa escala entre Rabat e Cabul.

Binyam, através da Reprieve, escreveu a José Sócrates em 2008 a pedir ajuda para o seu caso. O primeiro-ministro respondeu-lhe e remeteu o assunto para a Procuradoria-Geral da República (que chegou a enviar documentação para a defesa do detido). O etíope seria, depois disso, o primeiro repatriado da era Obama, antes do argelino que deu azo ao incidente com Amado. E seria um de 11 ex-presos a ser indemnizado pelo Reino Unido, para onde foi viver (e onde vivia antes), em quase um milhão de euros, para não levarem o caso a tribunal (os repatriados alegavam que os serviços secretos britânicos teriam participado na operação).

Confrontado pelo Expresso, o gabinete de Luís Amado não quis comentar os telegramas. "O ministro já disse tudo o que havia a dizer sobre o assunto", justificou uma fonte oficial do MNE. Para a eurodeputada socialista Ana Gomes, no entanto, devia ser exatamente ao contrário. "A Procuradoria-Geral da República devia ir agora consultar os arquivos do MNE e procurar as autorizações dadas aos voos para Guantánamo, o que não foi feito no processo-crime que foi arquivado". Para o rosto mais conhecido da investigação do Parlamento Europeu aos voos da CIA, está ainda tudo por dizer.

fonte: Expresso

segunda-feira, 14 de março de 2011

Portugal conta tudo antes das reuniões na Europa



Há 30 telegramas entre 2006 e 2009 que mostram como, antes de cada Conselho Europeu de ministros dos Negócios Estrangeiros, Portugal informa os EUA sobre o que lá se vai passar. (Aceda aos telegramas na íntegra através deste texto)

Durante três anos seguidos, entre 2006 e 2009, os Estados Unidos obtiveram regular e sistematicamente informações sobre a política externa portuguesa e europeia, seguindo de perto alguns dossiês e pressionando os que consideravam mais "sensíveis". É isto que se conclui da análise dos telegramas oriundos da embaixada americana em Lisboa durante aquele vasto período (e, ao que se sabe, depois disso) que relatam, mês a mês e ponto por ponto, as reuniões dos seus diplomatas com homólogos portugueses.

Aos americanos interessa-lhes tudo, das questões europeias em geral a questões da política externa em particular. Uma obsessão, todavia: o Kosovo e a sua independência, declarada unilateralmente a 17 de fevereiro de 2008 e só reconhecida por Portugal em outubro desse ano. E um interesse especial: a cimeira UE-África, realizada em dezembro de 2007, no âmbito da presidência portuguesa da União, em cuja unidade de missão esteve previsto participar um diplomata americano, ao abrigo de um programa de intercâmbio.

Em ambos os temas, os EUA fizeram sentir a sua "forte oposição" em relação às atitudes portuguesas, não coincidentes com as suas, como refere o embaixador Alfred Hoffman, ao relatar, num telegrama de 24/10/2007, um encontro sobre o Kosovo com as diplomatas portuguesas Liliana Araújo e Rita Laranjinho. "Respondemos veementemente que as discussões da troika não podiam ser inconclusivas e que adiamentos sucessivos só contribuiriam para a instabilidade", diz, a propósito da informação de que o relatório sobre a situação naquele território, que seria entregue posteriormente, não seria considerado "o fim" do processo.


O tom é semelhante num outro documento, de 18/7/2007, desta feita sobre o Zimbabwe, quando o diplomata americano Daniel Fried se reúne em Lisboa com os diretores políticos dos 27 Estados da UE. Narrando a reunião, escreve Hoffman: "O embaixador Fried elogiou os esforços portugueses para realizar uma cimeira UE-África, mas expressou a sua esperança de que Portugal enviaria um forte sinal de apoio à boa governação, não convidando o Presidente do Zimbabwe Robert Mugabe". A resposta portuguesa foi lapidar: "Portugal encontrará uma solução". Como se sabe, Mugabe veio à cimeira, mas o convite foi assinado por José Sócrates, "apenas" como primeiro-ministro do país anfitrião, não de presidente em exercício da UE.

Os americanos, reconhecem, aliás, que "os portugueses estão determinados em realizar com êxito uma cimeira UE-África" (telegrama de 28/3/2007) e que Portugal "aguenta firme" quanto a Mugabe. "Não controlamos quem representa África, isso é com a União Africana", responde o assessor diplomático do primeiro-ministro ao embaixador Hoffman, quando este lhe "expressa a profunda preocupação" com a eventual presença do líder africano, num telegrama de 5/11/2007.

Curiosamente, o Tratado de Lisboa, a maior 'conquista' da presidência portuguesa, nem sequer é referido nos telegramas a que o Expresso teve acesso.

Porém, muitos outros temas são abordados, ao ponto de nos indagarmos se os próprios deputados portugueses seguem com tanta atenção os passos da política externa portuguesa.

Small fish

Os americanos querem saber tudo e de tudo dão conta para Washington. Desde os Balcãs ao Médio Oriente (com realce para o Irão), passando pela Rússia e Geórgia, a propósito de cuja guerra o embaixador Stephenson acha "interessante que Portugal ainda confie nas promessas de Medvedev". Abordam África, mas também a Ásia, onde conta a China, a Coreia do Norte ou até a Birmânia. Frequentemente, comentam as posições portuguesas, ou fazem a distinção entre o que lhes parece ser a posição oficial e a pessoal do seu interlocutor.

Sobre a cimeira UE-Rússia, por exemplo, que Portugal organizou em outubro de 2007 e que mereceu grande atenção à parte americana, diz Hoffman: "Os portugueses estão atentos em marcar os mesmos pontos que nós, embora não tão assertivamente como gostaríamos". E comenta: "Sócrates e outros funcionários governamentais caracterizaram a cimeira como um sucesso... mas parece-nos a nós de pequena monta (small fish)".

Mais tarde, num texto sobre um encontro com Jorge Rosa de Oliveira (ex-assessor diplomático do PM), o embaixador anota que este lhe afirmou que o "objetivo de Portugal era garantir que as relações com a Rússia fossem melhores no fim do que no princípio da cimeira". "Não me surpreende" - escreve - "a satisfação de Portugal em ter cumprido objetivos tão pouco ambiciosos". Sobre o próprio Rosa de Oliveira, é mordaz: "Apesar de amigável e acessível, tende às vezes a inclinar-se para uma inútil retórica socialista".

Nestes telegramas não se estranha que tantos e variados assuntos da política portuguesa e europeia sejam referenciados. Os encontros onde tais assuntos são conversados fazem parte da rotina diplomática. O que surpreende é a sua regularidade e intensidade. Praticamente todos os meses, sempre antes das reuniões do antigo Conselho de Assuntos Gerais e Relações Externas (CAGRE) e, muitas vezes, das reuniões informais dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, há um encontro... e um relatório para Washington sobre as opiniões portuguesas e as posições europeias.

"Fora do quadro da União, falamos com vários países amigos, a seu pedido, mas os americanos praticamente institucionalizaram estes encontros e aparecem sempre. Os outros só de vez em quando". comentou ao Expresso fonte diplomática portuguesa. Os americanos não brincam em serviço.

Porque Portugal não reconhece o Kosovo?

Portugal tardou a reconhecer o Kosovo - em outubro de 2008, oito meses após a sua declaração unilateral de independência - por uma tripla conjunção: porque Cavaco Silva punha reticências; porque o Governo temia que "os partidos à esquerda e à direita se unissem contra o PS e o PSD" (PC, BE e CDS eram contra); e para preservar o entendimento com a Sérvia e evitar que esta cortasse relações com Portugal. Quanto ao ministro Luís Amado, queria, primeiro, evitar a declaração unilateral, depois conseguir o consenso na EU e, finalmente, reconhecer o Kosovo logo "na primeira leva". É assim que o embaixador Thomas Stephenson vai comentando, em sucessivos telegramas, o "incompreensível" atraso de Portugal no reconhecimento. Só em julho o diplomata obtém a garantia de que o processo é "uma questão política, mais do que legal", uma afirmação que lhe é feita pelo então diretor de política externa, Nuno Brito. O tema é objeto de uma atenção obsessiva, ao ponto de o embaixador questionar o próprio Presidente sobre o assunto até admitir, ironicamente no próprio dia do reconhecimento (7/10), que "só acreditará quando o vir".

fonte: Expresso

domingo, 26 de dezembro de 2010

1,5 milhões de dólares por autobiografia de Assange


O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou hoje num jornal britânico que assinou um contrato de cerca de um milhão de libras (1,2 milhões de euros, 1,5 milhões de dólares) pela sua autobiografia.

Numa entrevista hoje publicada pelo Sunday Times, Julian Assange explicou que esta soma o ajudará a defender-se contra as acusações de agressões sexuais apresentadas por duas mulheres na Suécia.

«Não quero escrever este livro mas devo fazê-lo», afirmou.

fonte: Sol

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Assange adianta que portal vai publicar 3700 documentos "sensíveis e polémicos" sobre Israel


Julian Assange

O fundador do WikiLeaks anunciou, numa entrevista difundida pela cadeia de televisão árabe Al Jazeera, que o seu portal irá publicar 3700 documentos "sensíveis e polémicos" sobre Israel dentro de quatro a seis meses.

"Ainda estamos a espera de publicar documentos sobre Israel, a grande maioria ainda não foi publicada e são polémicos", afirmou Julian Assange, precisando que até ao momento apenas foram divulgados 1 a 2 por cento dos telegramas relacionados com Israel.

De acordo com Assange, tratam-se de documentos "sensíveis e polémicos" sobre a guerra entre Israel e o Líbano em 2006 ou que abordam o homicídio do alto quadro do Hamas Mahmud al-Mabuh, em janeiro no Dubai, que foi atribuído aos serviços secretos israelitas (Mossad).

O fundador do Wikileaks, portal que em finais de novembro começou a divulgar 250 mil telegramas diplomáticos norte-americanos, precisou que os documentos confidenciais a divulgar "têm Israel como origem".

"Temos dependido até agora dos cinco grandes jornais mundiais (que tiveram acesso antecipado a todos os documentos do WikiLeaks). O que tem sido publicado reflete os interesses desses diários, mas não o que nós consideramos importante", salientou Assange.

É por isso que "vamos publicar todos os documentos à disposição do Wikileaks, o que deverá demorar quatro a seis meses", acrescentou.

O fundador do WikiLeaks negou a existência de qualquer acordo com Israel para não publicar os documentos secretos sobre o Estado judaico, bem como as alegações de que teria mantido contacto com os serviços de informações israelitas.

"Não temos tido nenhum contacto direto ou indireto, mas supomos que os serviços secretos israelitas observem de perto o que fazemos", afirmou Julian Assange, explicando que apesar de estes serviços não terem feito nenhuma tentativa para se aproximar de atuais colaboradores, o tentaram fazer "com antigos membros da organização".

De acordo com telegramas diplomáticos norte-americanos divulgados esta semana pelo Wikileaks, membros do Fatah, do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, terão pedido a Israel para atacar o movimento rival Hamas em 2007.

Estes documentos confidenciais também apontam para uma colaboração estreita entre Israel e forças leais a Abbas, quando militantes do Hamas invadiram a Faixa de Gaza há três anos.

O Fatah desmentiu de imediato estas alegações, que considerou uma "conspiração" do Shin Bet (serviços secretos internos israelitas) para dividir o partido.

fonte: Jornal i

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

WikiLeaks: As campanhas de marketing

Enquanto uns olham para o WikiLeaks como um ato de traição e outros como um exemplo da transparência governamental, há quem veja uma oportunidade de vender canecas, preservativos e pensos higiénicos.


O site WikiLeaks tem divulgado milhares de documentos de fontes diplomáticas norte-americanas, mas nos últimos dias tanto o site, como o seu próprio fundador, Julian Assange, têm sido associados a diversos produtos.

O primeiro a surgir terá sido a clássica, mas repetitiva, caneca decorativa.

Este produto exibe a cara do fundador do WikiLeaks e a mensagem "Julian Assange, por favor casa comigo", mas não está apenas disponível numa caneca normal.

Existem vários tamanhos de copos e cores, assim como a possibilidade de adquirir termos (para manter os líquidos quentes) e copos, que dão a sensação de estarem congelados. Tudo isto pode ser encontrado com a cara de Assange e o pedido de casamento, à venda neste site , com preços que vão dos 16,75 dólares (12,50€) às canecas mais caras que custam 26,50 (19,80€), todas com 30% de desconto.

Uma fuga de informação no quarto


Passando de um produto que serve a miúdos e graúdos, para outro que apenas deverá ser utilizado pelos adultos, chegam-nos os preservativos DickiLeaks . Este produto não só usa o nome do site para um trocadilho com o órgão sexual masculino, como também aproveita a fama gerada à volta de Julian Assange.

A empresa Comdomania, que se dedica à personalização de preservativos, lançou o seu mais recente profilático. Este conta com a cara do australiano Assange na embalagem e o slogan: "We leak more than the truth" (que numa tradução livre se lê "Nós vazamos mais do que a verdade").

Para um preservativo, que se exige que retenha e não "vaze", talvez uma frase diferente teria sido a melhor opção. Fora isso os DickiLeaks são "uma ótima forma de apimentar a próxima festa de divulgação de novas informações do WikiLeaks, especialmente na Suécia", como se lê no site da Comdomania.

Como é sabido, Julian Assange é acusado de crimes sexuais na Suécia contra duas mulheres. É aqui que estes produtos pecam em chegar a um maior público, principalmente o feminino.

Leaks extra-absorventes


Para as mulheres que forem fãs do WikiLeaks, mas não querem ver a cara de quem tem queixas de agressões sexuais, o Paquistão encontrou a solução de publicitar produtos de higiene.

A agência de publicidade paquistanesa RG Blue Communications espalhou na cidade de Karachi a imagem dos pensos higiénicos Butterfly, sob o slogan "WikiLeaks... Butterfly doesn't", realçando a qualidade que se procura num penso higiénico (na imagem descrito como um "sanitary napkin"): O seu produto é extra-absorvente.

A informação dos milhares de documentos que o WikiLeaks já divulgou tem sido propagada por todo o mundo e, segundo o próprio fundador recém-libertado da prisão em Inglaterra após nove dias, os documentos vão continuar a ser divulgados.

Pode-se esperar assim que enquanto o site divulgar nova informação, a publicidade deverá conhecer momentos felizes.

fonte: Expresso

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bancos são próximo alvo da WikiLeaks


Bank of America suspendeu as transacções para a organização. Assange denuncia "macarthismo financeiro"

"Pedimos a todas as pessoas que amam a liberdade que fechem as suas contas no Bank of America." A WikiLeaks reagia assim, através do microblogue Twitter, à decisão do banco norte-americano de suspender todas as transacções que tenham como destino a organização responsável pela divulgação de milhares de documentos secretos dos EUA. É o início de uma guerra que promete agravar-se no próximo mês, quando o site tem previsto divulgar "práticas pouco éticas" deste banco.

"O Bank of America junta-se às medidas anteriormente anunciadas pela MasterCard, PayPal, Visa Europa e outros e não efectuará mais transacções de qualquer tipo se tiver razões para acreditar que estas podem ter como destino a WikiLeaks", indicou o banco em comunicado. "Esta decisão é baseada no facto de termos razões para pensar que a WikiLeaks poderá estar envolvida em actividades que são, entre outras coisas, contrárias à nossa política interna de pagamentos", acrescentou.

O fundador da organização, Julian Assange, denunciou um novo "macartismo financeiro nos EUA", numa referência ao período, entre 1950 e 1956, de intensa perseguição anticomunista, liderada pelo senador Joseph McCarthy. "É uma nova forma de macartismo financeiro, que priva a nossa organização dos fundos que necessita para sobreviver, que me priva pessoalmente dos fundos que os meus advogados precisam para me proteger de uma extradição para os EUA ou a Suécia", disse.

O australiano de 39 anos encontra-se em liberdade condicional na mansão do amigo e jornalista Vaughan Smith, à espera da audiência de extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Os defensores de Assange acreditam que ele pode ser entregue depois aos EUA, que estarão a preparar uma acusação de espionagem ou conspiração contra o fundador da WikiLeaks.

Enquanto continua a revelação da correspondência diplomática norte-americana, a organização prepara-se para, no próximo mês, atacar o seu próximo alvo: os bancos. Em Novembro, Assange prometeu que a informação revelada seria capaz de acabar "com um banco ou dois". Os documentos serão comprometedores para a direcção de um "grande banco americano", com o australiano a revelar ter dados do disco rígido do computador de um responsável do Bank of America. "A vossa empresa tem negócios com o Bank of America? Aconselhamos que coloquem os vossos fundos num sítio seguro", dizia outra mensagem de Twitter da WikiLeaks.

fonte: DN

McCann: telegramas do WikiLeaks são 'alegações infundadas'


Os pais de Madeleine McCann lamentaram este domingo o que chamaram de "alegações infundadas" sobre o seu envolvimento no desaparecimento da criança motivadas pelas informações divulgadas pela Wikileaks.

Em comunicado divulgado, Kate e Gerry McCann afirmaram que a revelação do Wikileaks levou "à repetição de muitas alegações infundadas tanto no Reino Unido como particularmente em Portugal".

A notícia sobre o telegrama do diplomata britânico serviu também para "dificultar" os esforços do casal para encontrar a filha, afirmam. "Aqueles que poderiam ajudar a Madeleine mas escolhem não fazer nada são também cúmplices desta injustiça", acrescentam.

Os McCann lembram que continua a valer uma petição apelando às autoridades britânicas e portuguesas para fazerem uma "revisão transparente e independente" do caso do desaparecimento de Madeleine McCann.

Segundo um telegrama diplomático confidencial divulgado esta semana pela organização Wikileaks, o embaixador inglês em Lisboa em 2007 admitiu ao seu homólogo norte-americano que tinha sido a polícia inglesa a encontrar provas contra Kate e Gerry McCann.

A polícia inglesa não comentou e o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, afirmou que só com "factos novos, relevantes e credíveis", que "indiquem indícios criminais", é que as autoridades portuguesas admitiriam reabrir o caso da menina desaparecida da Praia da Luz, no Algarve, em maio de 2007.

fonte: DN

sábado, 18 de dezembro de 2010

Assange passa o Natal na mansão de amigo jornalista


Tribunal confirmou a liberdade condicional do fundador da organização que tem divulgado a correspondência diplomática dos EUA. Próxima audiência é a 11 de Janeiro.

Uma mansão de dez quartos com 160 hectares de terreno e não uma cela de isolamento na prisão de Wandsworth. Será aí que Julian Assange passará o Natal, após um juiz britânico confirmar a decisão de o deixar em liberdade mediante o pagamento de uma fiança de 240 mil libras (cerca de 280 mil euros). Acusado de crimes sexuais na Suécia, o fundador da WikiLeaks regressa ao tribunal a 11 de Janeiro para a audiência da extradição.

"É bom sentir de novo o ar fresco de Londres", afirmou o australiano de 39 anos à saída do tribunal. "Espero continuar o meu trabalho e continuar a defender a minha inocência." Na mensagem, lembrou ainda o seu tempo na cela de isolamento - aparentemente a mesma onde esteve detido o escritor irlandês Oscar Wilde - "no fundo de uma prisão vitoriana", dizendo ter pensado nas pessoas que estão detidas em condições ainda piores que as suas. "Essas pessoas também precisam da nossa atenção e apoio", disse.

Houve ainda tempo para agradecimentos. Primeiro, a todos os que mantiveram a fé nele e ajudaram a sua equipa nos nove dias que esteve preso. Depois aos advogados "que travaram uma luta corajosa e bem-sucedida" e àqueles que contribuíram para pagar a fiança, "diante de grandes dificuldades". Finalmente aos jornalistas e ao sistema judiciário: "Se o resultado não é sempre a justiça, pelo menos ela ainda não está morta."

Assange terá de se apresentar diariamente entre as 14.00 e as 17.00 na esquadra de Beccles, a mais próxima da mansão do jornalista e amigo Vaughan Smith, excepto nos feriados, quando um agente se deslocará à propriedade, a 200 km de Londres. Além de ter entregado o passaporte, Assange tem de usar sempre a pulseira electrónica, para evitar uma fuga.

A decisão do tribunal foi conhecida às 13.00, mas Assange só saiu cinco horas depois. Durante este tempo, os advogados tiveram de encontrar mais cinco fiadores, além dos dois iniciais. Estes tiveram de se deslocar ao tribunal, ou a uma esquadra da polícia, para preencher a documentação necessária e serem aprovados. Um deles foi recusado, o jornalista australiano John Pilger, descrito pelo juiz como "outro australiano ambulante", como o próprio Assange.

Além de Smith, o ex-coronel e jornalista de guerra que fundou o Frontline Club e na casa de quem Assange está hospedado, a fiadora inicial era Sarah Saunders, designer de restaurantes e sua amiga pessoal. A estes juntaram-se o biólogo e Nobel da Medicina John Sulston; o editor da revista Week, -Felix Dennis; o jornalista Philip Knightley; o ex-ministro do Labour Matthew Evans; e a professora universitária Patricia David.

Os defensores do australiano temem que esteja a ser vítima de um processo político e que seja entregue pela Suécia aos EUA. Segundo o New York Times, Washington tenta encontrar provas de que Assange conspirou com o ex-analista militar Bradley Manning, acusado de dar os dados à WikiLeaks.

fonte: DN

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Julian Assange está já em liberdade


O fundador do WikiLeaks foi libertado ao fim da tarde desta quinta-feira, após ter pago 280 mil euros de fiança.

"Acredito que a Justiça não está morta", afirmou Assange, em conferência de imprensa improvisada à saída do Supreno Tribunal britânico. "Vou continuar o meu trabalho e protestar a minha inocência", afirmou.

O fundador do WikiLeaks manifestou ainda gratidão "às autoridades e pessoas que deram dinheiro perante grandes dificuldades e hostilidade", nomeadamente na angariação de dinheiro para a caução necessária para a sua libertação, e à imprensa pelo apoio.

Assange fez ainda questão de afirmar que a sua defesa não teve ainda acesso às provas que levam à acusação de dois crimes de abuso sexual.

Antes, o advogado Mark Stephens declarara estar "profundamente encantado e entusiasmado" com a decisão tomada hoje pelo juiz Duncan Ouseley.

fonte: DN

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Moore dá 20 mil euros a Assange para pagar caução


O realizador norte-americano Michael Moore disse ontem que ofereceu 20 mil euros ao fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, para ajudá-lo a pagar uma caução em tribunal

O cineasta anunciou ainda que coloca o seu próprio "site" e o seu servidor à disposição para ajudar o WikiLeaks a continuar a difundir informações secretas.

O fundador do WikiLeaks está detido em Londres, onde um tribunal decidirá se atende o pedido de extradição apresentado pela Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. A caução reclamada a Assange para poder estar em liberdade condicional ascende a 200 mil libras (cerca de 238 mil euros).

"Embarcámos na guerra no Iraque com base em mentiras. Centenas de milhares de pessoas morreram. Imaginem apenas o que teria ocorrido se os homens que planearam este crime de guerra em 2002 tivessem que lidar com o WikiLeaks", escreve Michael Moore em comunicado.

fonte: DN

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Investigador cria mapa com os espelhos do WikiLeaks


Um investigador de Harvard resolveu criar um mapa, recorrendo ao Google Earth, onde apresenta a localização geográfica de todos os sites espelho do WikiLeaks. Veja o vídeo

A iniciativa partiu da curiosidade de Laurence Muller, um investigador de Harvard que quis identificar a localização geográfica dos mais de mil sites que resolveram ser espelhos do WikiLeaks original, desde que este começou a ser atacado para evitar a publicação de mais documentos.

De acordo com o investigador, o projecto foi feito a partir de um script PHP onde conseguiu reunir os primeiros 1334 URLs utilizados para espelhar o WikiLeaks.

Com este script Laurence Muller utilizou o programa GeoLite City, uma base de dados gratuita com informação de geolocalização, para ligar os URLs à sua localização geográfica.

Juntando esta informação, o investigador converteu-a em KML, um formato utilizado para criar modelos geográficos para incluir no Google Earth.

O resultado foi um mapa interactivo onde é possível encontrar a localização de todos os sites espelho do WikiLeaks.

No site de Laurence Muller é também possível encontrar um vídeo com as imagens do mapa.


fonte: Sol

Polícia britânica suspeitou de Gerry e Kate McCann


O embaixador britânico em Lisboa disse ao americano que a polícia inglesa tinha descoberto provas contra os McCann.

Existe apenas um telegrama dos obtidos pelo WikiLeaks que fala sobre o caso Madeleine McCann e, tal como revela o El País, resulta de uma conversa entre os embaixadores do Reino Unido e dos EUA em Lisboa, em Setembro de 2007. O primeiro conta ao segundo que foram os polícias britânicos que se deslocaram ao Algarve que descobriram as provas que incriminavam Kate e Gerry McCann pelo desaparecimento da filha Madeleine, a 3 de Maio desse mesmo ano, na Praia da Luz.

Uma revelação que é totalmente contraditória com aquilo que foi noticiado na altura, nomeadamente pela imprensa britânica, que chegou muitas vezes a pôr em causa o trabalho de investigação da Polícia Judiciária. Recorde-se que os pais de Maddie foram constituídos arguidos pela justiça portuguesa, decisão que provocou grande celeuma entre os dois países. Afinal, segundo o telegrama, é o próprio embaixador britânico que confidencia que foram as autoridades inglesas quem encontrou as provas que faziam dos denunciantes os principais suspeitos.

Richard Ellis, que acabava de chegar a Lisboa, visita o seu colega norte-americano, e os dois abordam o assunto que corria, na altura, o mundo inteiro. Ao contrário do que transparecia para a opinião pública, o diplomata britânico revela que as polícias de Portugal e do Reino Unido estavam coordenadas e que tudo era tratado com o máximo de sigilo.

O telegrama é confidencial e tem a data de 29 de Setembro de 2007, vinte dias depois de os pais de Maddie terem abandonado inesperadamente o Algarve após o interrogatório, em Portimão, no qual foram constituídos arguidos.

O embaixador britânico, que estava em contacto com o Governo português sobre as investigações, pede ao seu homólogo americano que mantenha esta conversa em "sigilo absoluto".

Segundo o diário El País, aquilo que esta mensagem confirma é o que vários meios de comunicação social revelaram na altura e que nunca as autoridades britânicas e os familiares dos McCann quiseram admitir em público. Ou seja, que foram os detectives britânicos, com a ajuda de cães especializados vindos de Inglaterra, quem achou as provas que evidenciavam a possível morte de Maddie (cheiro a cadáver, sangue e restos de fluídos corporais), tanto na parede do apartamento do Ocean Club, como no mala do carro que Kate e Gerry McCann tinham alugado.

VEJA AQUI O TELEGRAMA

fonte: DN

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sites portugueses apoiam WikiLeaks


O WikiLeaks fez um apelo mundial à criação de sites espelho para ajudar a divulgar a informação que detém. Pelo menos dois sites portugueses já aderiram à causa

O pioneiro foi Rui Cruz que afirma ser «o primeiro a alojar o Wikileaks no meu domínio .pt».

O administrador do primeiro site português a alojar o projecto criado por Julian Assange justifica o seu apoio numa mensagem publicada no seu site pessoal, onde sublinha que «fi-lo porque acredito na força da expressão na Internet. Fi-lo porque acho que a Internet é livre. Fi-lo porque sou convicto do que me rodeia e acredito que a Wikileaks é uma fonte que deve ser preservada livre a todo o custo, pelo bem do jornalismo, da liberdade de imprensa, e dos new media».

No mesmo texto Rui Cruz critica a posição da Fundação para a Computação Científica Nacional, responsável pela gestão dos domínios .pt, por ter «removido indevidamente» o domínio wikileaks.org.pt.

Além do site de Rui Cruz (http://www.tugaleaks.com/) há também pelo menos mais uma página portuguesa que resolveu ser espelho do WikiLeaks: http://wikileaks.partidopiratapt.eu/, aparentemente pertencente ao Partido Pirata Português.

fonte: Sol

Servidores do WikiLeaks estão guardados em antigo abrigo nuclear


Os servidores usados pelo site WikiLeaks estão em Estocolmo, na Suécia, num antigo abrigo nuclear escavado numa montanha da capital sueca

A WikiLeaks guarda os ficheiros secretos da sua organização num antigo abrigo nuclear do tempo da Guerra Fria, situado a mais de 30 metros de profundidade, sob o Vita Berg Park, em Estocolmo. O abrigo pertence a uma empresa sueca de serviços na Internet, a Bahnhof, e alberga cerca de 8 mil servidores de várias empresas. O site WikiLeaks tem apenas dois servidores.

Segundo a BBC Brasil, Jon Karlung, fundador da Banhof, afirma que o WikiLeaks pode ter escolhido a sua empresa pelo histórico de transparência e liberdade de expressão da Suécia, mas deixa claro que o site tem um contrato normal e é tratado como os outros clientes.

Acompanhe a visita guiada por Jon Karlung, CEO da Bahnof


fonte: DN

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Faça um passeio virtual pelo bunker que abriga o WikiLeaks

Com exclusividade, VEJA mostra - através de fotos em 360º - como é o local de trabalho do site que divulga os documentos sigilosos da diplomacia americana

O bunker sueco foi escavado numa montanha e possui uma só entrada, protegida por uma porta metálica - que tem meio metro de espessura

Parece o cenário de um filme de James Bond - e, pelo que se ouviu sobre o WikiLeaks nas últimas semanas, isso não é coincidência. O site que provocou um terremoto nas relações internacionais ao revelar milhares de documentos sigilosos da diplomacia americana está abrigado num bunker construído nos tempos da Guerra Fria. Tudo para proteger os arquivos de conteúdo explosivo obtidos pela equipe do polêmico Julian Assange. Nas imagens abaixo - que o site de VEJA revela com exclusividade - é possível fazer um passeio virtual pelo local onde estão os servidores do WikiLeaks (na primeira foto) e pela sala onde os responsáveis pelo site trabalham (a foto seguinte). O bunker, capaz de resistir até a um ataque com bomba nuclear, fica 30 metros abaixo da cidade de Estocolmo, na Suécia. Foi escavado numa montanha e possui uma só entrada, protegida por uma porta metálica de meio metro de espessura. Pertencente a uma empresa chamada Bahnhof, o bunker tem geradores de energia retirados de antigos submarinos alemães. A seguir, as fotos em 360º do esconderijo:

O salão que abriga os servidores


O local de trabalho da equipe do site


fonte: Veja

Fundador do Wikileaks detido pela polícia britânica


O fundador do site Wikileaks Julian Assange, foi detido esta manhã no Reino Unido, no âmbito de uma investigação da polícia sueca. Assange entregou-se voluntariamente e será presente em tribunal às 14.00 horas.

O jornal britânico "The Guardian" noticiou que o Assange foi detido esta manhã, no Reino Unido, às 09.30 horas, na sequência de um mandado de captura da polícia sueca, e deverá ser ainda hoje ouvido em tribunal. A polícia metropolitana de Londres disse ao jornal que Assange se entregou voluntariamente. O fundador do site Wikileaks será presente hoje ao tribunal de magistrados de Westminster pelas 14.00 horas.

Assange encontrava-se no Reino Unido, mas num local desconhecido, desde que o Wikileaks começou a divulgar centenas de telegramas diplomáticos dos Estados Unidos na semana passada. O australiano de 39 anos, é acusado de violação e agressão sexual num caso e de agressão sexual e coerção noutro, de acordo com a polícia sueca.

O fundador do Wikileaks negou as acusações, que o seu advogado afirmou derivarem de um "conflito relativo a sexo consentido mas desprotegido". O advogado acrescentou que as duas mulheres só apresentaram as queixas depois de tomarem conhecimento das relações que ambas mantiveram com Assange.

fonte: DN

Revelada lista de locais estratégicos para os EUA


A WikiLeaks divulgou hoje uma lista secreta de infraestruturas em todo o mundo cuja perda ou ataques perpetrados por terroristas podem ter um "impacto crítico" na segurança dos Estados Unidos.

O Departamento de Estado tinha solicitado em 2009 às missões americanas no mundo para identificarem locais e recursos no planeta cuja perda poderiam colocar em causa a saúde, segurança económica e/ou segurança nacional dos Estados Unidos.

A lista contém infraestruturas como cabos submarinos, centros chave de comunicação, portos, recursos minerais e empresas estratégicas de países como a Áustria e a Nova Zelândia.

Alguns locais recebem uma qualificação especial na lista, como os oleodutos de Nadym, no oeste da Sibéria, descrito como "a instalação de gás mais importante do mundo". O local é um importante ponto de trânsito do gás russo exportado para a Europa Ocidental.

fonte: DN

domingo, 5 de dezembro de 2010

É um sonho para os historiadores, mas não vai revolucionar a história


Os Pentagon Papers revelaram que os EUA mentiram sobre a guerra

O historiador britânico Timothy Garton Ash chamou-lhe "um sonho para um historiador". Documentação oficial e classificada que leva entre 20 e 30 anos a estar acessível ao público, é revelada de um momento para o outro, em massa. "Um banquete de história do presente", qualifica Garton Ash num artigo no Guardian.

O "presente" dificilmente seria mais recente. Alguns dos documentos revelados pela WikiLeaks através de cinco publicações foram recolhidos em Fevereiro deste ano. Outros recuam a 1966. São mais de 251 mil documentos com informações confidenciais trocadas entre 274 embaixadas e o Departamento de Estado norte-americano.

"Que historiador não gostaria de ter acesso a este género de informação que governos e diplomatas trocam entre si?", lança Pedro Oliveira, especialista em história diplomática.

Mas há uma razão para a historiografia não se construir em cima do momento e ser preciso esperar duas ou três décadas para haver acesso aos arquivos. "Há assuntos cujo impacto se prolonga bem para além do período em que foram tratados", comenta o historiador, que considera "o recuo e o distanciamento temporal importantes". E também porque "os informadores podem ainda estar no activo".

De resto, salienta Pedro Oliveira, estas fugas "não vão revolucionar a história das relações internacionais".

O historiador Rui Tavares também está de acordo com a expressão de Garton Ash de que a fuga da WikiLeaks é "um sonho". Mas é a política, mais do que a História, que mais tem a ganhar com as revelações. "A influência historiográfica é grande, mas a influência política é enorme", diz ao PÚBLICO. "A relevância política ultrapassa a relevância histórica."

Entre as principais revelações já conhecidas, Tavares destaca o facto de diplomatas terem recebido instruções para recolherem dados sobre códigos de comunicação - que tem "dúvidas de que sejam legais" - sobre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Se isto foi feito por diplomatas, o que não andarão a fazer os espiões?... Pergunto-me se não há limites para o que os diplomatas recolhem e enviam."

Esta fuga sem precedentes poderá não ser o suficiente para construir a "história do presente", de que fala Garton Ash, mas os historiadores têm aqui um papel. Pedro Oliveira explica: "Há a possibilidade de se analisar assuntos políticos contemporâneos de forma mais balizada", aproveitando o facto de os historiadores terem "mais informação acumulada".

"Os historiadores trabalhavam com as mesmas ferramentas de que todas as outras pessoas dispunham", adianta. "Isto não vai substituir o recurso aos arquivos daqui a 30 anos quando se escrever a história da guerra no Iraque. Estes documentos dão um vislumbre dos centros de decisão do Governo americano", mas não contam a história toda. "O perigo desta divulgação é ser unilateral. Parece vir de uma pessoa com a mira apontada para um dos lados, com uma agenda", adianta Oliveira, referindo-se a Julian Assange, fundador da WikiLeaks.

Rui Tavares também é da opinião de que o trabalho historiográfico "não mudará assim tanto como isso". Com os WikiLeaks, dá-se "uma reverberação do nível secreto sobre o nível público" no trabalho dos historiadores. "Geram-se novos documentos. Estudam-se os dois níveis."

Controlar a quantidade

Este caso não será absolutamente inédito e não chega recuar aos Pentagon Papers - as revelações feitas em 1971 por Daniel Ellsberg sobre o planeamento da guerra no Vietname, que incluíam, por exemplo, o facto de as previsões de baixas serem superiores às que foram tornadas públicas. "Não é novidade. No século XVIII havia muito isso, como "as memórias secretíssimas" da condessa Du Barry, amante de Luís XV", exemplifica Rui Tavares. "Algumas eram plausíveis, com todas as fofocas das cortes e de diplomatas de vários países, França, Áustria, Inglaterra."

Mas o que a WikiLeaks traz de novo é a quantidade e isso provoca um poderoso efeito. Trata-se de uma enorme massa de informação desclassificada ou publicada (já que "apenas" 15.652 entre eles tinham o carimbo "secret") de um segundo para o outro. Aos 250 mil documentos enviados para os jornais juntam-se os mais de 391 mil revelados em Outubro sobre a guerra e ocupação do Iraque, e outros 92 mil referentes ao Afeganistão, em Julho.Todos estes documentos existem porque foram reunidos. "A massa de informação deveria diminuir. Grande parte é irrelevante [mas há uma enorme quantidade], o que implica muita gente a trabalhar, o que significa que os dados estão menos seguros", denuncia Tavares. "Os serviços de espionagem estão a recolher tanta coisa e a crescer tanto que ninguém faz sentido disto."

Os EUA ficaram no centro da tempestade e, no mínimo, serão obrigado a repensar metodologias. Também pode ser uma oportunidade para reavaliarem as informações que têm pedido aos aliados da UE, realça Rui Tavares. "Temos tido muitas questões sobre a obtenção de dados" através do SWIFT (acordo para fornecer informações de instituições financeiras sobre europeus) e do PNR (Passanger Name Record, base de dados com o itinerário aéreo dos passageiros). "Tem que se discutir que dados se podem dar. Morada, telefone, email, preferências alimentares. Têm acesso a tudo... Eu sou historiador e se me perguntarem que dados quero sobre o período que estudo, eu digo "quero todos". Para um historiador, como para um investigador, tudo interessa."

fonte: Público

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
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