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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O programa e-escolas já chegou à Wikileaks

Sítio apresenta cópia de licença da Microsoft que, garante, acompanha os computadores distribuídos no âmbito desta iniciativa

O programa e-escolas e as suspeitas de um eventual favorecimento do Governo português à Microsoft já chegaram à Wikileaks, o sítio de Internet que tem denunciado alguns dos documentos mais polémicos a nível mundial. Em relação ao programa português, é apresentada no sítio uma cópia da Licença Microsoft Student que, segundo a Wikileaks, acompanha todos os computadores distribuídos no âmbito desta iniciativa governamental.

A divulgação foi feita a 21 de Dezembro de 2009 e o texto assegura que o documento anexado, uma licença da Microsoft, "vem com todos os computadores distribuídos no programa e-escolas (e possivelmente no programa e-escolinhas também)", lê-se na página da Wikileaks em causa [http://wikileaks.org/wiki/Microsoft_Office_Student_License_key_for_Portuguese_MOPTC,_2009].

Segundo a Wikileaks, este documento prova que "o Governo português efectuou gastos a favor da Microsoft". Embora realce que, segundo fontes do sítio, "o ministério garante nada ter adquirido".

A licença em causa começa por agradecer a aquisição do produ- to "através da sua instituição e de um dos nossos programas para estudantes", apresentando de seguida a chave do produto para ins- talação do software Office 2007.

A folha é encabeçada com a referência ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) de Portugal e assinada pela Microsoft. Ao DN fonte do MOPTC garante que a referência surgiu só no início e não obrigava os utilizadores a uma vinculação aos programas da Microsoft. "A licença surge ao abrigo de um protocolo de cooperação [ao abrigo do Programa Academic Select] com a Microsoft e só é válida para os utilizadores que optem por este software", frisa fonte do gabinete de António Mendonça, negando qualquer favorecimento.

"O facto de o MOPTC proporcionar, através deste protocolo, que os beneficiários obtenham software bastante mais barato, não significa que a atribuição seja exclusiva à Microsoft", afiança a fonte. Acrescentando que "a opção por software livre foi sempre uma possibilidade dada aos beneficiários, sendo até uma oferta obrigatória no e-escolinhas".

Recorde-se que o e-escolas foi alvo de várias polémicas e de uma Comissão Parlamentar de inquérito ao computador Magalhães.

fonte: DN

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

WikiLeaks divulga nova nota interna da CIA


O site WikiLeaks divulgou hoje um memorando interno da CIA, de Fevereiro, em que a agência norte-americana de inteligência alerta para o impacto de os Estados Unidos serem vistos no exterior como um país "exportador de terrorismo".

Funcionários norte-americanos admitiram que o documento, em que se trata do fenómeno dos terroristas com cidadania norte-americana que atacam no exterior, é apenas um memorando da CIA, considerando que não se trata de "uma bomba informativa", noticiou hoje a NBC.

O memorando, que foi redigido pela Célula Vermelha da CIA, que está a cargo do director da agência, Leon Panetta, analisa as implicações para os Estados Unidos se passassem a ser vistos como um país "incubador e exportador de terrorismo".

O WikiLeaks publicou hoje o memorando apesar das duras e constantes críticas da Casa Branca e do Pentágono à forma como o site procedeu com a divulgação de cerca de 76 mil documentos confidenciais, em finais de Julho, sobre a guerra do Afeganistão.

No documento hoje revelado, a CIA afirma que, no passado, se prestou muita atenção a casos de terroristas islâmicos com nacionalidade norte-americana que efectuam atentados contra alvos norte-americanos, sobretudo em território dos Estados Unidos.

Por outro lado, prossegue a CIA, analisou-se menos o terrorismo de cidadãos norte-americanos, não necessariamente muçulmanos, que efectuam atentados no estrangeiro.

A CIA refere que, ao contrário do que se pensa, "a exportação de terrorismo e de terroristas não é um fenómeno recente nem está associada apenas aos radicais islâmicos ou a pessoas de etnias do Médio Oriente, de África ou do Sul da Ásia".

De acordo com a agência, não se pode crer que a sociedade multicultural, livre e aberta dos Estados Unidos reduza o risco de radicalismo e terrorismo dos cidadãos norte-americanos.

A CIA cita o caso de "cinco muçulmanos norte-americanos que viajaram no ano passado da Virgínia para o Paquistão, para alegadamente se juntarem aos talibãs e à jihad [guerra santa]", além do caso do "norte-americano de origem paquistanesa David Headley, que, em Novembro de 2008, participou no atentado terrorista de Bombaim".

Na sua análise, a CIA afirma que as liberdades que existem no país facilitam o recrutamento de membros e a realização de operações terroristas, sublinhando que a sua "principal preocupação" tem sido que a Al-Qaeda infiltre operacionais nos Estados Unidos.

No entanto, prossegue, esta organização terrorista "podia buscar cada vez mais norte-americanos para que operem no exterior", porque levam passaportes norte-americanos, não se ajustam ao típico perfil árabe-muçulmano e podem comunicar facilmente com líderes radicais através do seu acesso sem restrições à Internet e a outros meios de comunicação.

A agência de inteligência considera que, caso os Estados Unidos fossem vistos pelo exterior como "exportadores de terroristas", os parceiros estrangeiros podiam estar menos dispostos a colaborar com esta nação em "actividades extrajudiciais", como detenções, transferências e interrogatórios de suspeitos em países terceiros.

Além disso, os Estados Unidos, como vítimas de importantes atentados perpetrados a partir do exterior, podiam pressionar os governos estrangeiros a aceitarem os seus pedidos de extradição, o que poderia deixar de acontecer e afectar a soberania norte-americana.

fonte: DN

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Fundador do WikiLeaks poderá enfrentar processo por assédio sexual


O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, deverá enfrentar um processo por assédio sexual na Suécia, depois de o Ministério Público sueco ter hoje, quarta-feira, decretado o arranque de uma investigação preliminar.

Assange, que está de férias no Norte da Suécia, em casa de um amigo, terá de se submeter a um interrogatório, de acordo com informações oficiais.

A procuradora geral sueca, Eva Finné, ordenou que se arquivasse uma das duas denúncias por assédio sexual apresentadas há quatro dias por duas mulheres. Na queixa, Assange era acusado de violação, o que fez com que fosse emitida, na sexta-feira, uma ordem de captura contra o fundador do site WikiLeaks - que tem gerado polémica pela divulgação de documentos confidenciais sobre a guerra no Afeganistão.

Essa ordem e a suspeita de violação foram revogadas 24 horas depois por Eva Finné, referindo que detinha mais informações do que a juíza de primeira instância, sem as especificar, e que, por isso, assumia o comando da investigação.

Em comunicado hoje, quarta-feira, difundido pelo Ministério Público sueco, Eva Finné reiterou que não há fundamento para o caso de violação e concluiu também que não há indícios de nenhum outro acto punível.

A legislação sueca define o delito de aproximação indevida ou assédio quando alguém, de forma inoportuna ou com um comportamento inadequado, molesta uma pessoa. Este acto é punível com uma pena máxima de um ano de prisão, mas o mais comum é ser determinada uma multa.

O advogado das duas queixosas, Claes Borgström, mostrou-se muito crítico em relação ao Ministério Público sueco e anunciou que vai apresentar um recurso contra a decisão.

Por outro lado, o advogado de Assange, Leif Silbersky, considerou a acusação um "escândalo" e atacou Maria Häljebo Kjellstrand, a juíza de primeira instância que emitiu a ordem de captura.

O procedimento do Ministério Público da Suécia no caso Assange atraiu a atenção internacional e desencadeou duras críticas de juristas suecos pela falta de explicações sobre os motivos para retirar, em apenas um dia, uma ordem de captura por alegada violação.

fonte: JN

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A rede de fundos da WikiLeaks

'Site' de Julian Assange tem nos EUA duas organizações de caridade isentas de impostos que são suas 'testas-de-ferro'.

Julian Assange, o australiano de 39 anos que fundou o WikiLeaks, é tão cioso da sua vida privada quanto o é da rede de financiamento do seu site, que celebrizou ao publicar, em Julho, documentos secretos militares dos EUA sobre a Guerra no Afeganistão e no Iraque. Para manter esse secretismo, revelou ontem o diário Wall Street Journal com base em declarações de Assange, este estabeleceu um complexo sistema para recolher e desembolsar os donativos de forma a "esconder" as suas origens e os seus gastos.

O criador do WikiLeaks não esconde que a grande âncora do sistema de financiamento é uma fundação na Alemanha - a Wau Holland -, criada em memória de um pirata informático que morreu em 2001 e que, de acordo com a lei alemã, não pode revelar o nome dos seus doadores. Talvez por isso, Assange insista junto do grande público para contribuir com fundos para a Wau Holland.

"Dá muito trabalho gerir uma organização, e ainda mais quando ela está constantemente a ser espiada e processada. As decisões judiciais podem prejudicar a actuação de uma organização (...). Não podemos ter o nosso activo totalmente congelado", afirmou Assange, adiantando que o seu grupo conseguiu angariar um milhão de dólares desde o início do ano em curso.

O homem que irritou o Pentágono ao publicar os documentos secretos e que foi objecto de um recente mandado de captura sueco por violação e agressão, assume que o WikiLeaks controla um autêntico "arquipélago" de unidades operacionais em todo o mundo: está registado como uma biblioteca na Austrália, como uma fundação na França e como um jornal na Suécia.

Mais curioso ainda: nos EUA, o WikiLeaks tem duas organizações de caridade isentas de impostos, as 501C3s, que actuam como "testas-de-ferro" do site. Com toda esta rede, tem sido impossível às autoridades de vários países perceber quem dá e quanto recebe o WikiLeaks.

Até agora, a maior doação que chegou à conta da Wau Holland ascende a dez mil euros e foi feita por uma única pessoa - um cidadão alemão - após a publicação dos documentos secretos sobre a Guerra no Afeganistão.

fonte: DN

Líder do WikiLeaks diz-se vítima de "armadilha sexual"

 Ministério Público mantém o processo por agressão contra Julian Assange. Este insinua que o Pentágono tenta destrui-lo.

"Não sei quem se esconde por detrás dessas acusações. Mas avisaram-me que, por exemplo, o Pentágono nos faria passar por vilões para nos destruir." É assim que Julian Assange explica o facto de ter sido acusado de violação e de agressão por duas mulheres na Suécia. No sábado, a justiça de Estocolmo retirou a acusação de violação mas sublinhou que mantém a de agressão.

Em entrevista ao tablóide sueco Aftonbladet, que a publicou na sua edição de ontem, o fundador do WikiLeaks explicou que o tinham "alertado para as armadilhas sexuais", sem precisar se pensava ter caído nesse tipo de maquinação. Perante a insistência do jornalista, limitou-se a responder: "Talvez sim , talvez não".

Assange, que se tornou célebre por ter publicado no seu site mais de 70 mil documentos militares secretos dos EUA, precisou que o caso está a provocar "grandes danos" ao WikiLeaks apesar da justiça ter anulado o mandado de captura por violação. "A imprensa de todo o mundo afirmou, em título, que eu era suspeito de violação. E sei por experiência que os inimigos do WikiLeaks continuam a distorcer as coisas mesmo depois de serem desmentidas", disse.

Este australiano de 39 anos, que irritou o Pentágono ao publicar os documentos sobre a guerra do Afeganistão e do Iraque, afirma que nunca violou ninguém, ao mesmo tempo que recusa avançar qualquer pormenor sobre a relação que manteve com as duas mulheres que estão na origem das acusações. Assange explicou que ainda não teve tempo de dar oficialmente às autoridades a sua versão dos factos.

fonte: DN

domingo, 22 de agosto de 2010

Suécia anula detenção

O australiano Julian Assange

As autoridades suecas anularam ontem dois mandados de prisão, um deles por violação, que tinham emitido contra o australiano Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, que saltou para ribalta ao pu-blicar documentos secretos dos EUA sobre a guerra do Afeganistão.

Assange, de 39 anos, encontrava-se em Estocolomo para uma série de conferências quando foram emitidas as ordens de prisão, após duas mulheres de 20 e 30 anos terem apresentado queixas contra ele. Este desapareceu e fez saber que se tratava de uma conspiração ‘inspirada’ pelo Pentágono.


sábado, 21 de agosto de 2010

Wikileaks finta bloqueio na Tailândia


Wikileaks lança versão do site dedicado à Tailândia

Os responsáveis do site Wikileaks, especializado na publicação de documentos secretos, afirmam que a página continua acessível na Tailândia, apesar de o governo local ter anunciado o seu bloqueio no país.

Segundo o Wikileaks, a tentativa de censurar o site por parte das autoridades da Tailândia caiu por terra, pois já se encontra disponível um novo link, denominado ThaiLeaks.

Os responsáveis pelo site criticaram esta censura que consideram ser «inaceitável em qualquer parte do mundo», daí terem disponibilizado uma nova ligação ao site onde está toda a informação do Wikileaks dedicada à Tailândia.

fonte: Sol

Criador do Wikileaks acusado na Suécia por violação e agressão sexual

fonte: Público

Assange num seminário em Estocolmo a 14 de Agosto

As autoridades suecas revelaram hoje ter emitido um mandado de captura, ainda ontem à noite, contra o criador do website Wikileaks, Julian Assange, suspeito dos crimes de violação e agressão sexual.

A emissão da ordem de detenção foi confirmada pelo gabinete da Procuradoria Geral sueca, cujo director de comunicações, Karin Rosander, confirmou apenas a natureza de uma das acusações – a violação – e não precisou se o mandado é ou não internacional.

Rosander avançou tão só que a polícia sueca tem estado a tentar entrar em contacto com o suspeito, mas sem qualquer sucesso.

O diário sueco "Expressen", sustenta que Assange, de 39 anos, é também suspeito por agressão sexual a uma mulher.

Assange esteve na semana passada na Suécia para participar em conferências e seminários tendo, nessa altura, anunciado numa conferência de imprensa que o website que opera iria publicar – como assim o fez – mais de 15 mil documentos secretos sobre a guerra no Afeganistão.

O Wikileaks ganhou vasta popularidade no último ano, divulgando informações e imagens, muitas delas confidenciais, sobre os conflitos no Afeganistão e Iraque.

Na conta de Twitter do Wikileaks é esta manhã referido que as acusações visando Assange são “truques sujos”. “Ninguém aqui foi contactado pela polícia sueca. É desnecessário dizer que isto revelar-se-á apenas uma distracção”, é referido num dos posts feitos no serviço de microblogging.

fonte: Público

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Partido Pirata vai ajudar a WikiLeaks


O Partido Pirata, que se bate pela liberdade na Internet, anunciou hoje, quarta-feira, que vai alojar servidores da WikiLeaks para que este portal «on-line» possa continuar com a sua "missão política" e a publicar novos documentos confidenciais.

"O Partido Pirata vai acolher novos servidores do WikiLeaks", anunciou o partido sueco que defende a abolição dos direitos de autor e a liberdade na Internet e que foi uma das grandes surpresas das últimas eleições europeias, ao conquistar 7,1% dos votos e um assento parlamentar.

Em comunicado, o Partido Pirata precisa que "vai fornecer banda larga gratuita e alojamento [aos servidores do] WikiLeaks" para que o portal, que ficou famoso por ter revelado milhares de documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão, possa continuar com a sua "missão política".

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, anunciou esta semana que planeia divulgar pelo menos metade dos 15 mil documentos que ainda tem em seu poder.

Em comunicado, Assange manifestou a sua "satisfação" com o apoio oferecido pelo Partido Pirata e lembrou que as duas organizações "partilham muitos valores" e lutam pelo mesmo objectivo.

"Estou ansioso para encontrar novas formas de nos ajudarem a melhorar o mundo", afirmou o fundador do WikiLeaks, portal que já dispõe de vários servidores na Suécia e na Bélgica, onde existe legislação mais favorável à protecção de dados.

Julian Assange destacou a importância da cooperação com o Partido Pirata, fundado em 2006, salientando que esta vai permitir reforçar a segurança em torno da informação que se encontra em wikiLeaks.org, que já foi alvo de várias tentativas de sabotagem.

fonte: JN

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Wikileaks. Ordens do Pentágono ignoradas e novos documentos na calha

Fundador do portal publicou entretanto um ficheiro encriptado que poderá conter novos dossiês sobre Iraque

fonte: Jornal i

Julian Assange, fundador do Wikileaks, diz que restantes documentos podem chegar dentro de
dias

Os 15 mil documentos ainda não publicados do dossiê sobre a guerra no Afeganistão têm sido mantidos no segredo dos deuses pelo Wikileaks. Depois da publicação de 77 mil há um mês (de um total de 92 mil), uma onda de protestos por parte de ONG e dos Repórteres sem Fronteiras pôs em causa a revelação, já que nenhum dos informadores afegãos a trabalhar com os EUA foi protegido - pondo as suas cabeças a prémio para os talibãs. O descuido por parte do portal liderado por Christian Assange está a ser corrigido e a publicação dos restantes 15 mil documentos pode acontecer em breve. Questionado sobre o assunto numa conferência em Estocolmo, o fundador explicou: "Analisámos 8 mil dos 15 mil documentos [para proteger as identidades dos informadores]. Se continuarmos ao ritmo actual, devemos levar duas semanas a publicá-los." A data surge dias depois de o Pentágono ter ordenado que a totalidade dos documentos seja entregue aos EUA e retirada da internet.

Ciberguerra lançada? A publicação é uma provocação directa ao coração da defesa dos EUA. A semana passada, o porta-voz do Pentágono deixou uma ameaça clara ao grupo Wikieaks. "Se agir com correcção não é suficiente para eles, vamos arranjar alternativas para os obrigar a fazê-lo", disse Geoff Morrell.

A possível intervenção da administração Obama no caso é apoiada por vários analistas. Marc Thlessen, comentador político do "The Washington Post", dedicou a sua coluna de sexta-feira ao tema: "Os EUA têm capacidades cibernéticas para prevenir o Wikileaks de disseminar esses materiais. Irá o presidente Obama dar ordens ao exército para que use essas capacidades? Se Assange continuar à solta e os documentos que possui forem revelados, Obama não tem mais ninguém que não ele próprio a quem atribuir a culpa", escreveu Thlessen.

No entanto, muitos questionam o poder real do círculo político face à fuga cibernética. A força instituída dos EUA é o grande alvo da publicação dos documentos. E com a maior fuga de informação do sector de defesa do país o site sueco tornou-se a enxaqueca da maior potência mundial - sem mostras de tréguas.

Há duas semanas, o Wikileaks criou a sua própria apólice de seguro online: um ficheiro de 1,4 GB publicado num único tweet por Assange, disponível no The Pirate Bay com a mensagem: "Mantenham-no protegido." Em comparação com os documentos já publicados - que revelaram uma guerra de erros, ataques indiscriminados a civis afegãos e o apoio do Paquistão e do Irão aos talibãs - o ficheiro encriptado tem 19 vezes o seu tamanho. O conteúdo é, para já, uma incógnita, mas os palpites já inundaram a internet. A revista "Wired" refere que o ficheiro "é suficientemente grande para conter toda a base de dados do Afeganistão, bem como outras bases, que já estarão na posse do Wikileaks" - já que Bradley Manning, o soldado americano suspeito de ter entregue os documentos a Assange, teria também em sua posse 500 mil documentos sobre o Iraque e uma base de dados ainda maior do Departamento de Estado norte-americano.

Assange está a jogar com a nova fonte de dados e, na quinta-feira, voltou a provocar o Pentágono. "Tudo o que temos a fazer é publicar a password para o material e ele fica disponível de imediato."

fonte: Jornal i

domingo, 15 de agosto de 2010

WikiLeaks vai revelar mais 15 mil documentos secretos

fonte: DN

Fundador do 'site' diz que estão a ser analisados linha a linha para garantir que nenhum inocente é identificado

O fundador da WikiLeaks revelou que dentro de duas semanas deverá estar terminada a verificação de cerca de 15 mil novos documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão. Apesar das críticas do Pentágono e dos Repórteres sem Fronteiras, para mencionar apenas alguns, Julian Assange não desiste de publicar a informação no site da Internet que criou.

"Todos os documentos serão publicados", afirmou em Estocolmo, onde foi convidado para participar no seminário "A primeira vítima da guerra é a verdade". Assange garantiu contudo que serão apresentados de forma a proteger "os nomes das partes inocentes que enfrentam uma grande ameaça". É esse trabalho, de leitura de todos os documentos linha a linha para apagar qualquer informação de identificação pessoal, que está actualmente a ser feito.

"Estamos em oito mil de 15 mil documentos analisados. Se continuarmos a este ritmo, o trabalho deverá durar duas semanas", indicou aos jornalistas. Vários organismos apelaram à não divulgação dos arquivos secretos sobre a guerra do Afeganistão, incluindo o Pentágono, mas Assange não cede à pressão. A WikiLeaks "não será ameaçada nem pelo Pentágono nem por qualquer outro grupo."

O Pentágono indicou na sexta-feira que a divulgação de novos documentos será "ainda mais prejudicial" que a publicação inicial de 76 mil documentos. "Acreditamos que os documentos extra que eles dizem ter na sua posse colocam riscos ainda maiores que os que já foram publicados" e que são "potencialmente ainda mais prejudiciais" para a segurança nacional, disse o coronel David Lapan.

Esta semana, outra crítica. Numa carta aberta a Assange, o secretário-geral dos Repórteres sem Fronteiras, Jean-François Julliard, lembrou a importância da informação divulgada no passado pelo site, considerando contudo "irresponsáveis" os dados relativos ao Afeganistão. "Revelar a identidade de centenas de pessoas que colaboraram com a coligação é altamente perigoso", escreveu, indicando que não é difícil aos talibãs escolherem agora os seus alvos.

fonte: DN

sábado, 14 de agosto de 2010

WikiLeaks anuncia publicação de mais documentos secretos

fonte: DN

A WikiLeaks prepara-se para publicar mais documentos sobre a guerra no Afeganistão, afirmou hoje o seu fundador, Julian Assange, com o Pentágono a avisar que podem ter efeitos piores aos que resultaram da divulgação anterior, de 76 mil textos.

A revelação inicial de documentos classificados sobre a guerra no Afeganistão, cobrindo o período entre 2004 e 2010, irritou os dirigentes norte-americanos, chamou a atenção dos talibã e reforçou as críticas à campanha conduzida pela NATO.

Os militares dos Estados Unidos acusaram a WikiLeaks de ameaçar a vida de soldados e informadores no terreno e exigiram que não publicasse mais documentos secretos.

Assange, que falou através de vídeo para o London's Frontline Club, disse que não tinha qualquer intenção de obedecer.

Não pormenorizou a data da nova publicação, mas disse que a organização estava a meio caminho no seu tratamento de cerca de 15 mil novos documentos ainda não publicados.

"Estamos em torno dos sete mil", disse Assange, descrevendo o processo de tratamento dos arquivos, de forma a garantir que nenhum afegão é prejudicado pela exposição da informação, como "muito caro e meticuloso".

Apesar disto, garantiu que os iria publicar, sem revelar se os anteciparia a alguns órgão de comunicação, como fez da primeira vez -- quando os divulgou ao The New York Times, The Guardian e Der Spiegel --, ou se simplesmente os colocaria no seu site da Internet.

Assange está sob pressão das autoridades norte-americanas, que estão a investigar a fonte das suas informações.

O Ministério da Defesa dos EUA tem uma equipa de 100 pessoas a ler a informação já divulgada para medir a dimensão do prejuízo causado e alertar os afegãos que podem ser identificados e que estão, assim, em perigo.

O porta-voz dos talibã já disse que vão usar o material para caçar as pessoas que estão a cooperar com quem consideram ser um invasor estrangeiro.

O observatório Repórteres Sem Fronteiras (RSF), baseado em Paris, também já se pronunciou sobre o assunto, classificando o WikiLeaks como "incrivelmente irresponsável".

fonte: DN

domingo, 8 de agosto de 2010

Pentágono pressiona WikiLeaks


O Pentágono exigiu que o site de internet WikiLeaks devolva "imediatamente" todos os 15 mil documentos militares sobre o Afeganistão que ainda não foram publicados e que retire os 70 mil que podem ser consultados pelo público. A ordem diz respeito a toda a informação "extraída directa ou indirectamente das bases de dados do departamento de defesa" americano.

Na realidade, o Pentágono não tem grande esperança na devolução dos documentos, mas o FBI e o Departamento de Justiça, os dois organismos que investigam a fuga de informação, estão autorizados a usar todos os meios legais necessários. Um soldado americano destacado no Koweit, Bradley Manning, já foi detido no âmbito de um caso de divulgação de informação militar pela WikiLeaks e está preso nos EUA.

Mas o site ameaça publicar mais 15 mil documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Afeganistão e, desta vez, a argumentação americana tem uma parte legal e outra política. Washington afirma que a divulgação colocará em risco soldados americanos e cidadãos afegãos que trabalham com as forças ocidentais.

Referindo-se à documentação já publicada, o chefe do Estado-Maior americano, almirante Michael Mullen, afirmou sobre Julian Assange, fundador da WikiLeaks, que este pode mencionar as vantagens do que ele e as suas fontes estão a fazer , "mas o facto é que já podem ter nas mãos sangue de um jovem soldado ou de uma família afegã". Assange é australiano e o seu site foi fundado em 2006.

fonte: DN

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

BE pergunta ao Governo se vai manter tropas no Afeganistão

Depois de o site wikileaks.org ter divulgado milhares de documentos militares secretos sobre a guerra no Afeganistão, incluindo a existência de uma equipa especial que realiza operações para assassinar líderes taliban, o Bloco de Esquerda quer saber se o Governo português tenciona manter militares em missões naquele país, integradas na ISAF.


Numa pergunta dirigida ao ministro dos Negócios Estrangeiros, o deputado José Manuel Pureza diz que a realidade agora mostrada por aqueles documentos torna claro "que esta guerra é cada vez mais injustificável do ponto de vista político". Os documentos provam que "as forças taliban estão hoje mais fortes, mais organizadas e melhor armadas".

Em declarações ao PÚBLICO, o deputado bloquista salienta que "a actuação das tropas, à revelia das normas do direito internacional e violando os direitos humanos, tem posto em causa a natureza humanitária das missões", lembrando o assassinato de líderes taliban em vez de os julgar.

Por isso, Pureza quer saber o que o Governo português pensa sobre as informações divulgadas no Wikileaks, se tinha conhecimento da unidade de operações secretas Task Force 373 - incluindo os 144 incidentes envolvendo civis não reportados e que terão feito 195 vítimas.

O deputado tem dirigido com frequência questões ao Governo sobre as missões no Afeganistão e que têm sido sempre justificadas com os compromissos do Estado português no âmbito da NATO e das Nações Unidas. "Mas para além dos compromissos internacionais há outros critérios que devem ser tidos em conta, como o comportamento das forças no terreno e o cumprimento de regras básicas em qualquer conflito armado", contrapõe.

Portugal tem actualmente 254 militares em missão de paz no Afeganistão, mas os comandos irão sair em Setembro, sendo substituídos por uma equipa de formadores com 191 militares.

fonte: Público

Pentágono quer documentos publicados no Wikileaks de volta


Wikileaks afirma estar a analisar o pedido do Pentágono

O Pentágono fez um apelo ao site Wikileaks para devolver e retirar da Internet os cerca de 90 mil documentos secretos que publicou, relativos à Guerra no Afeganistão

O pedido foi feito por um porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA durante uma conferência de imprensa.

De acordo com Geoff Morell a publicação destes documentos por parte do site, que é já considerada a maior fuga de informação secreta de sempre na história nos EUA, está a pôr em risco a segurança das forças norte-americanos e dos seus aliados e de cidadãos afegãos.

Citado pelo portal V3 o porta-voz do Pentágono defendeu que «o único passo aceitável para o Wikileaks é devolver todas as versões de todos estes documentos ao Governo dos EUA, e apagá-los permanentemente do site, computadores e arquivos».

A reacção dos responsáveis do polémico site surgiu numa mensagem publicada no Twitter, onde afirmam que «o que não ouvimos do Pentágono na semana passada: ‘matar todos aqueles inocentes é mau. Desculpem. Vamos acabar com isso».

Os criadores do site adiantam ainda que estão a analisar o pedido das autoridades norte-americanas e vão publicar um comunicado «na devida altura».

fonte: Sol

sábado, 31 de julho de 2010

Wikileaks. Talibãs abrem caça aos informadores

Pentágono diz que Julian Assange tem as "mãos manchadas de sangue" e não sabe, para já, como lidar com o Wikileaks


Kandahar: bastião de rebeldes e pesadelo das tropas da coligação

Nos 92 mil documentos divulgados esta semana pelo Wikileaks, na série "Relatórios de Guerra", encontram-se notícias para todos os gostos. Com maior ou menor grau de novidade noticiosa, apura-se o papel duplo do Paquistão, revelam- -se erros operacionais das tropas americanas e descobrem--se novos arsenais dos talibãs.

Mas também lá estão os nomes e as moradas dos afegãos que cooperam com a NATO na guerra. E como num país como o Afeganistão os mapas podem não ser grande ajuda, acrescentam-se as coordenadas GPS dos colaboradores. Ao contrário das primeiras, os jornais não publicaram estas informações, mas elas estão disponíveis online e fazem as delícias dos talibãs. "Vamos estudar os documentos", disse ontem o porta-voz do grupo Zabihullah Mujahid, que acrescentou: "Se há espiões americanos, agora sabemos como puni-los."

No meio da maior fuga de informação da história americana recente, confirma-se uma das piores perspectivas dos decisores militares de Washington no que diz respeito à segurança dos contactos afegãos dos aliados. "Passei parte da minha vida nos serviços de informações e um dos princípios sacrossantos é proteger as fontes", admitiu na noite de quinta-feira Robert Gates, o homem que liderou a CIA antes de passar para os comandos do Departamento de Defesa.

Num teatro de operações extraordinariamente difícil, onde a conquista dos "corações e almas" afegãs é uma peça central, a fuga de informação anuncia um dano irreparável para as forças americanas. Se a cooperação com os aliados já era missão arriscada para os afegãos - sobretudo baseado no elemento confiança - agora ainda mais. "Se eu fosse afegão trabalharia para os militares americanos arriscando a que me cortassem as orelhas ou a cabeça?", interroga-se o antigo operacional de campo da CIA Robert Baer ao "Politico".

Ontem o homem que juntamente com Julian Assange gere o Wikileaks, o berlinense Daniel Schmitt, mostrou--se orgulhoso do trabalho do site que deixa empresas e governos com ataques de nervos: "Estamos a mudar o jogo", disse o especialista em tecnologias de informação de 32 anos.

Opinião bem diferente tem o chefe do Estado Maior conjunto norte-americano, Mike Mullen. "O senhor Assange pode dizer aquilo que quiser sobre o bem maior que ele e a sua fonte dizem fazer. A verdade é que a esta hora já deve ter as mãos manchadas do sangue de algum soldado ou de uma família afegã."

No Pentágono a ideia é levar a investigação sobre as fugas de informações até às últimas consequências - o FBI juntou-se às diligências que têm como único suspeito o soldado Bradley Manning -, mas fica claro que ninguém sabe ao certo se o Wikileaks pode ser alvo de uma investigação criminal. E porquê? Steve Myers explica no "Poynter". "Assange descobriu que ser sem-abrigo na internet significa poder ir a jogo sem estar sujeito às regras de quem quer que seja."

fonte: Jornal i

Militar que forneceu documentos à Wikileaks transferido para os EUA


Marines em Marjah, na província de Helmand, Afeganistão

Um militar norte-americano suspeito de fornecer documentos militares secretos norte-americanos ao ‘site’ WikiLeaks foi transferido do Kuwait para uma prisão militar no estado da Virgínia (leste dos Estados Unidos), informou hoje o Pentágono.

O soldado Bradley Manning chegou à base militar de Quantico, na Virgínia, quinta feira à noite, na sequência da transferência do seu processo de uma prisão militar norte-americana na base Camp Arifjan no Kuwait, segundo um comunicado do Departamento de Defesa.

Manning, 22 anos, foi formalmente acusado no início de junho de violação do regulamento militar por ter passado ao WikiLeaks um vídeo, divulgado pelo ‘site’ em abril, mostrando um ataque de um helicóptero militar norte-americano no Iraque em que morreu um grupo de civis, entre os quais dois jornalistas das Reuters.

O soldado é também acusado de ter transmitido ilegalmente 150 000 telegramas diplomáticos, 50 dos quais nocivos à segurança nacional dos Estados Unidos.

Badley Manning é agora também suspeito da fuga de milhares de documentos sobre a guerra no Afeganistão divulgados domingo no ‘site’ WikiLeaks.

O Wall Street Journal noticiou quinta feira que as autoridades dispõem de provas que ligam Manning à difusão de 92 000 documentos secretos.

A transferência do suspeito para os Estados Unidos justifica-se, segundo o Pentágono, por se tratar de “uma detenção potencialmente longa até ao julgamento dada a complexidade das acusações e do inquérito em curso”.

fonte: Jornal i

WikiLeaks falha big bang mediático


Soldados americanos no terreno, na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão

A guerra não precisa das "revelações" do WikiLeaks para ser o pesadelo da NATO e de Obama. Se o site pôs em risco a vida de informadores afegãos, diz o seu fundador, a culpa é da Casa Branca, que não respondeu ao seu pedido de ajuda. A "maior fuga de informação da história militar" está a redundar em fiasco. Ao fim de dois dias saiu das primeiras páginas. Por Jorge Almeida Fernandes.

A operação do site WikiLeaks foi inédita pela sua escala - uma fuga de informação de mais de 90 mil documentos militares - e demonstra que a Internet pode mudar as regras do jogo da guerra, agravando a vulnerabilidade do "segredo militar". Foi um sucesso de propaganda para Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Era o esboço de uma revolução nos media, em que um site participativo ditava a sua lei de "transparência" a três jornais históricos. Mas, ao terceiro dia, o tema desapareceu das primeiras páginas. Terá sido um flop?

O WikiLeaks é uma organização peculiar. Especializada na divulgação de documentos confidenciais, é uma máquina "blindada" em termos de segurança informática e, refugiada em "paraísos informativos", não está sujeita a nenhum sistema legal. "É a primeira organização informativa do mundo sem Estado", anotou Jay Rosen, professor de Jornalismo em Nova Iorque. "Isto é novo. Tal como a Internet, o WikiLeaks não tem endereço territorial nem sede central."

A operação foi cuidadosamente montada. A informação foi antecipadamente passada a três "jornais de papel" - The New York Times, The Guardian e o semanário Der Spiegel. Por que não colocaram a documentação em linha para que os media de todo o mundo a ela pudessem ter acesso?

Assange explicou há meses que a "transparência" passa pelas leis do mercado: "Acredita-se que quanto mais importante é um documento mais divulgado ele será. É absolutamente falso. Tem a ver com a oferta e a procura. Uma oferta fraca arrasta uma procura forte e é isto que tem valor. Quando difundimos uma coisa em todo o mundo, a oferta é infinita e, portanto, o valor aproxima-se do zero."

Os três jornais de referência serviram para caucionar a fuga e maximizar o seu impacto. E prestaram um serviço: reuniram especialistas para descodificar a linguagem, as siglas e o calão das comunicações militares. Em bruto, este tipo de documentação é ilegível.

Jornalismos

Cada jornal explorou a informação segundo a sua óptica. O NY Times sublinhou a duplicidade do Paquistão; o Guardian focou os relatórios sobre vítimas civis; o Spiegel realçou o encobrimento da difícil situação das tropas alemãs pelo Governo de Berlim. São três ópticas em consonância com as sensibilidades nacionais.

O título de primeira página do NY Times - Paquistão ajuda a insurreição no Afeganistão - mereceu uma ironia de Anne Applebaum, no (concorrente) Washington Post: será isto "notícia", quando o NY Times reportou e analisou, dezenas e dezenas de vezes, a cumplicidade entre os serviços secretos militares paquistaneses e os taliban?

Esta ironia liga-se ao paradoxo da fuga: os documentos não têm praticamente novidade. Mostram, disse um jornalista, que a guerra é um inferno e é suja, que as operações provocam mais vítimas civis do que a estatística oficial reconhece, que o Paquistão é dúplice, que o Governo de Cabul é corrupto, que há incompetência e desorientação entre os militares da força internacional. A fuga pretendia explorar o "efeito de massa" e os imensos detalhes inseridos em milhares de documentos.

Assange assume-se como um justiceiro, que "adora esmagar patifes", e qualifica a actividade do seu site como "bom jornalismo" e "um serviço de informação do povo". Quanto ao objectivo da operação, diz: "Há uma tendência para acabar com a guerra no Afeganistão. Esta informação não é isolada e provocará uma viragem política significativa."

O repórter italiano Gian Micalessin, que tem coberto a guerra afegã, denuncia o "bom jornalismo" do WikiLeaks. Na conferência de imprensa em Londres, na segunda-feira, Assange colocou a diferença entre boa e má informação "na autenticidade das fontes, capazes de transmitir uma indiscutível verdade". Ora, os 92 mil documentos são "informações" recolhidas no campo, ao mais baixo nível de intelligence. O equivalente a um relatório de polícia "no local do crime".

Resume Micalessin: "A procura da verdade - tanto no campo da intelligence como no do jornalismo - não se baseia apenas no acesso às fontes e aos documentos, mas também na capacidade de os analisar e construir uma trama capaz de fazer compreender o encadeamento dos acontecimentos e da estratégia." Fontes em bruto são matéria-prima, não informação.

O jornalismo, dizia-se outrora, é o primeiro rascunho da História.

A arte da fuga

As fugas de informação são o nervo do jornalismo político desde que a liberdade de imprensa se afirmou. Há pequenas e grandes fugas, as de revolta moral, as de ressentimento e as de intoxicação. E há fugas que marcam a História. Dois exemplos americanos clássicos são os "Pentagon Papers" e as revelações do "Garganta Funda" no caso Watergate.

Ao contrário dos documentos do Afeganistão, os "Pentagon Papers" eram um conjunto de análises e relatórios das mais elevadas fontes - Casa Branca, Pentágono, CIA... - que cobriam, em 7000 páginas, a intervenção americana na Indochina ao longo de 22 anos (1945-67). Os papéis foram laboriosamente fotocopiados por Daniel Ellsberg, um analista da Rand Corporation que participou na sua elaboração. Crítico da guerra no Vietname, Ellsberg passou-os ao NY Times, em 1971.

Eles permitiam dizer categoricamente que a "Administração Johnson mentiu sistematicamente não só ao público como ao Congresso sobre um assunto de transcendente interesse nacional". Teve grande impacto, porque o sentimento antiguerra já estava maduro. E o efeito foi reforçado quando Nixon tentou impedir a sua publicação, que feria a nova estratégia de alargar o conflito ao Laos e ao Camboja para negociar em posição de força.

Radical foi a eficácia do "Garganta Funda", que hoje se sabe ter sido Mark Felt, subdirector do FBI: gota a gota, foi desfiando informações que culminaram na demissão de Nixon, em 1974.

Ellsberg, que admira Assange, fez um paralelo entre os seus casos. Declarou numa entrevista que esta fuga de informação é a mais importante desde os "Pentagon Papers". Com uma diferença: "Tem uma escala muito mais larga e, graças à Internet, deu a volta ao mundo muito mais rapidamente."

Ellsberg pôde fazer a fuga, porque tinha sido inventada a fotocópia. Assange não só beneficia da Internet, como da vulnerabilidade da informação electrónica. É uma das razões de alarme do Pentágono, que fez da identificação do informador ou informadores do WikiLeaks "um objectivo estratégico". O problema é que todos os militares mobilizados no Afeganistão, os analistas do Pentágono e seus parceiros privados podem aceder, via Intranet, a este tipo de informação.

"A Web tornou-se uma ameaça para as nações em guerra, porque a informação secreta é decisiva para o sucesso ou o fracasso no conflito. Quem revele um segredo e o difunda numa escala gigantesca pode influenciar a guerra", anota o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

A guerra

A operação teve efeitos políticos. Na Europa, os sectores críticos da guerra subiram a pressão sobre os governos, exigindo a retirada do Afeganistão. Poderá ser este o efeito mais imediato. Em Washington, Obama enfrenta a pressão dos "pacifistas" democratas. Um ponto crítico é a nova quebra de confiança entre os EUA e o Paquistão. As revelações confirmam a ideia de atolamento e inutilidade da guerra, mas, ao contrário da previsão inicial de alguns analistas, não produziram um sobressalto dramático na opinião pública americana.

O fundamental está noutro plano: a guerra do Afeganistão não precisa do WikiLeaks para ser um pesadelo da NATO e dos americanos. Em Agosto de 2009, uma fuga de informação filtrada pelo Washington Post atribuía ao general Stanley McChrystal a afirmação de que os EUA só tinham 12 meses para inverter o curso da guerra. Que se passa um ano depois?

Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations e que foi conselheiro de Colin Powell na era Bush, assina na Newsweek um artigo intitulado: Não estamos a vencer. E não vale a pena. A estratégia da contra-insurreição não está a resultar, diz. E nenhuma das opções que Obama tem à disposição é agradável. Restará ao general Petraeus reduzir as operações e poupar a vida de soldados, aguardando uma aproximação aos taliban. "Quanto mais depressa aceitarmos que o Afeganistão não é um problema a resolver mas uma situação a gerir, tanto melhor."

Flop?

Na quinta-feira, Assange defendia-se de ter divulgado, na versão bruta colocada em linha, documentos com nomes de informadores afegãos, denúncia feita pelo jornal britânico The Times após investigação. Argumentou que tinha pedido à Casa Branca, na semana passada, que colaborasse com o site de modo "a minimizar a possibilidade de nomes de informadores serem divulgados". Não teve resposta!

O magazine Slate chama a atenção para o facto de, após dois dias de estrondo, o assunto ter desaparecido da primeira página do NY Times. "A rapidez com que a imprensa e os políticos normalizaram o material como "não notícia" indicia que Julian Assange, líder do WikiLeaks, se poderá ter equivocado no desejo de produzir o grande bang mediático." O segredo da gestão das fugas é administrá-las gota a gota. "Mas a estratégia gota a gota requer determinar o que é mais importante na história." A falta de novidade torna essa escolha problemática.

No seu blogue na Foreign Policy, Tom Ricks ironizou: "Os milhares de documentos lembram-me o que é ser repórter: imensas pessoas diferentes a contar coisas diferentes. Leva algum tempo a distinguir o lixo do ouro."

O antigo hacker Julian Assange diz ter outras munições na manga. Aguardemos a próxima "bomba".

fonte: Público

Guerra aos talibãs custou cinco vezes PIB português


Congresso americano está cada vez mais dividido sobre o financiamento do esforço militar e a estratégia para o conflito.

A explosão de uma bomba artesanal, ontem, numa estrada da região de Delaram, província de Nimroz, sudoeste do Afeganistão, matou 25 pessoas e feriu com gravidade mais 20. Este ataque dos rebeldes ocorreu horas depois de o Congresso americano ter aprovado um reforço de 59 mil milhões de dólares (45 mil milhões de euros) para financiar o conflito, após uma discussão que mostrou crescentes divisões políticas.

O incidente de ontem em Delaram foi atribuído aos talibãs e, segundo o governador da província, Ghulam Azad, a bomba visava uma coluna de tropas internacionais. Os soldados da NATO ajudaram depois a retirar os feridos. Os talibãs, citados pela AFP, negaram envolvimento e culparam a NATO. Nimroz é uma região desértica a sul de Herat, onde se regista forte infiltração de rebeldes.

O conflito já tem nove anos e alguns políticos dos EUA começam a mostrar dúvidas sobre a estratégia. Com o reforço financeiro aprovado na terça-feira à noite em Washington, os custos desta guerra ultrapassaram pela primeira vez a marca de um bilião de dólares (mil milhões), o equivalente a cinco anos de PIB português ou a quase totalidade do défice orçamental americano deste ano.

A discussão do Congresso mostrou fortes divisões e chegou a ser votada uma resolução a favor da retirada de tropas americanas do Paquistão, proposta pelo representante democrata Dennis Kucinich (da ala esquerda do partido) e o libertário republicano Ron Paul. O documento teve apenas 38 votos a favor, mas o reforço financeiro teve 114 votos contra, sendo aprovado por 308 congressistas.

O debate foi marcado pelo caso Wikileaks, a divulgação de 90 mil documentos militares, e os dirigentes esforçaram-se por tranquilizar a opinião pública. O Presidente Obama afirmou estar preocupado com a publicação de "informação sensível" e que esta podia pôr em perigo pessoas no terreno, mas lembrou que não havia nos documentos nenhum assunto que não tivesse já sido discutido. O chefe do Estado-Maior, almirante Mike Mullen, explicou em Bagdad que os documentos "cobrem o período entre 2004 e 2009, e muito mudou" desde o ano passado.

fonte: DN

Talibãs ameaçam matar colaboradores dos EUA


O soldado Bradley Manning, que em Junho já passara informação para o WikiLeaks, foi transferido para uma prisão na Virgínia.

A divulgação dos documentos sobre a guerra no Afeganistão feita no WikiLeaks pode ter consequências fatais para todos aqueles que colaboram com as forças americanas e internacionais. Os talibãs ameaçaram ontem matar os seus compatriotas cujos nomes surgem citados nos mais de 90 mil relatórios e outras informações referentes ao conflito de 2004 a 2009.

A WikiLeaks tentou defender-se das acusações de que a divulgação comprometia a vida de "inocentes", afirmando ter retido mais de 15 mil outros contendo detalhes comprometedores para a segurança de todos no terreno.

O principal suspeito desta fuga de informação, o soldado Bradley Manning, foi entretanto transferido de uma prisão militar americana no Koweit para a prisão da base dos marines em Quântico, no estado da Virgínia. Manning é acusado, para já, de ter copiado ilegalmente mais de 150 mil documentos e da divulgação de 50 relatórios diplomáticos.

Em Junho, Manning fora acusado de ter passado um vídeo para a WikiLeaks, em que se regista a morte de um fotógrafo da Reuters durante um ataque de forças americanas no Iraque.

A WikiLeaks garante que a maioria dos documentos não são provenientes das cópias feitas por Manning.

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
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