quarta-feira, 28 de julho de 2010

Viver isolado faz tão mal como fumar 15 cigarros por dia

Análise a mais de 300 mil pessoas pesou o papel das relações sociais na saúde: se são fortes, o risco de mortalidade reduz 50%


É mais fácil saber quantos amigos tem em média um utilizador do Facebook (130, já agora) do que perceber quantas amizades tem um português, ou mesmo qual o estado das relações sociais na Europa - a última análise do Eurostat sobre o perfil do homem e da mulher, de 2008, não diz nada sobre relações sociais, apenas sobre temas como ser obeso ou fumar, trabalho e lazer, ou como uns e outros utilizam o computador.

A tarefa vã é parte do problema, mas isto é começar pelo fim. Investigadores da Universidade Brigham Young, em Provo, Utah, publicam esta semana na revista científica "PLoS Medicine" uma análise a mais de 148 investigações sobre o impacto da vida social na mortalidade. Os resultados lançam uma nova campanha para introduzir amigos e família nas preocupações das políticas de saúde pública: descobriram que uma fraca interacção social reduz 50% a taxa de sobrevivência, o equivalente a fumar 15 cigarros por dia. Viver mais isolado é ainda duas vezes mais prejudicial que ser obeso, e o mesmo que ser alcoólico ou não fazer exercício.

Cada idade tem uma taxa de mortalidade associada. O que os investigadores fizeram neste novo estudo foi cruzar os dados para tentar chegar a uma associação entre o grau de relacionamento social de 308 849 pessoas e a idade com que morreram, excluindo à partida situações de suicídio ou acidente.

Na base do trabalho, explicam no artigo científico, está o facto de há duas décadas se saber que as relações sociais influenciam a mortalidade, mas não haver ainda um reconhecimento desta dimensão como factor de risco, mas também a percepção de que a interacção social nas sociedades industrializadas tem diminuído, com menos interacções intergeracionais e a primazia dada à carreira.

Julianne Holt-Lunstad, uma das autoras, explica ao i que foi possível concluir que as probabilidades de sobrevivência são influenciadas - independentemente de idade, sexo, estado civil ou de saúde - pela magnitude das relações sociais, e que viver isolado representa um risco de 50%. Entendem por isso que, perante estes resultados, este factor não pode continuar a ser ignorado nas investigações populacionais e nas iniciativas de saúde pública. Uma boa rede social, afirmam, é comparável a comportamentos como deixar de fumar, e uma má rede excede os riscos de inimigos conhecidos como a obesidade ou o sedentarismo.

Definir o que é uma interacção social forte foi uma das partes mais difíceis. Numa análise segmentada dos vários estudos, perceberam que aqueles que contemplavam mais indicadores sociais como o número de amigos próximos, a força dos laços familiares ou o envolvimento em grupos comunitários anteviam um peso ainda maior desta dimensão: até 91% de acréscimo na probabilidade de sobrevivência. Também não é possível concluir se as interacções virtuais contam tanto como as tradicionais. "Os investigadores não perguntaram directamente por elas, mas é provável que alguns participantes as tenham incluído. Essa noção só se tornou mais comum nos últimos dez anos", diz Holt-Lunstad.

fonte: Jornal i

Barco feito de garrafas plásticas completa viagem de 13 mil km


Plastiki foi criado para chamar a atenção sobre o lixo plástico que há nos oceanos

O Plastiki, uma embarcação de 18 metros cuja sustentação na água vem de 12 mil garrafas plásticas de dois litros, chegou ao Porto de Sydney nesta segunda, completando sua viagem de 130 dias e 13 mil km, tendo partido de San Francisco, nos Estados Unidos.

O barco, que zarpou justamente para promover a conscientização sobre a quantidade de lixo plástico boiando no oceano, foi comandado pelo ambientalista e aventureiro britânico David de Rothschild.

Clique aqui para ler a notícia completa e ver mais fotos no Gizmodo.

fonte: terra

Américo Amorim é o mais rico de Portugal


Património de Américo Amorim aumentou 9,1%

A revista ‘Exame’ publica na quinta-feira a lista dos 25 mais ricos em Portugal. Américo Amorim mantém a liderança, pelo terceiro ano consecutivo, com um património de 2188,4 milhões de euros. Num ano em que os ricos ficaram menos ricos, com as fortunas a cairem em média seis por cento, Amorim contraria a tendência geral, com uma subida de 9,1 por cento face ao ano anterior.

Ao patrão do Grupo Amorim segue-se o dono da Sonae, Belmiro de Azevedo, que perdeu a liderança há dois anos. O empresário tem agora uma fortuna avaliada em 1,3 mil milhões, o que se traduz numa queda de 10,8 por cento face ao ano anterior.

A ‘Exame’ relaciona as perdas do empresário nortenho com “as cotações dos seus negócios, que têm sido penalizadas pelo contexto de crise económica, afectando sobretudo as performances da Sonae Indústria e da Sonae Imobiliária”. Em 2007, Belmiro de Azevedo tinha uma fortuna avaliada em três mil milhões de euros, segundo a revista.

O terceiro lugar da tabela é ocupado por uma família. A família Guimarães de Mello, detentora da José de Mello SGPS, além de participações na EDP e Brisa, possui uma fortuna avaliada em 1017 milhões de euros, apesar da queda de 18,3 por cento face ao ano anterior. Detém a José de Mello SGPS, além de participações na EDP e Brisa, entre outras.

Mas o grande destaque da listagem da ‘Exame’ vai para Alexandre Soares dos Santos. O patrão da Jerónimo Martins foi o português que mais viu o seu património aumentar em 2010, com a sua fortuna a crescer 52 por cento no espaço de um ano, passando de 665 milhões de euros em 2009 para 1015 milhões em 2010, o que lhe garante o quarto lugar da tabela. De acordo com a revista, “as acções do Grupo Jerónimo Martins foram dos raros valores a ter uma performance exuberante”, permitindo aumentar um património que em 2004 era de 330 milhões de euros.

A MULHER MAIS RICA

Entre as mulheres portuguesas mais ricas, a liderança pertence a Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva. Com 670 milhões de euros, menos 8,4 por cento face ao ano anterior, passa da quarta para a quinta posição do ranking geral da revista.

O estudo da ‘Exame’ revela que apenas seis milionários conseguiram em 2010 aumentar as suas fortunas. Além de Soares dos Santos e Américo Amorim, também Rui Nabeiro, homem forte da Delta Cafés, conseguiu fazer prosperar o seu património na ordem dos 5,7 por cento.

E se uns sobem outros caem. Foi o que aconteceu a 18 das 25 fortunas. As maiores quedas pertencem à família Rocha dos Santos (menos 28,6 por cento), à família Mota (menos 25,8 por cento), e a João Pereira Coutinho (menos 19,7 por cento).

Na lista, apenas um novo nome entra: Ilídio Pinho aparece no lugar deixado por Manuel Fino. De referir também alguns milionários por herança, como de Maria Angelina Caetano, José Ramos e Salvador Acácio Caetano (440 milhões), as irmãs Roque e os irmãos Costa Leite.

No total, as 25 maiores fortunas em Portugal rondam os 14,7 mil milhões de euros, ou seja, regista-se uma queda de 6 por cento, quando comparado com o ano anterior. O total das mesmas equivale agora a 9 por cento do PIB, o que se traduz numa descida face ao ano passado, quando valiam 10,7 por cento do PIB.

OS 10 MAIS RICOS

1 - Américo Amorim: 2188,4 milhões de euros

2 - Belmiro de Azevedo: 1283 milhões

3 - Família Guimarães de Mello: 1017 milhões

4 - Alexandre Soares dos Santos: 1015 milhões

5 - Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva: 670 milhões

6 - Luís Silva e Perpétua Bordallo Silva: 646,4 milhões de euros

7 - Manuel Soares Violas e Rita Celeste Soares Violas e Sá: 611,5 milhões

8 - Família Cunha José de Mello: 605 milhões

9 - Joe Berardo: 589 milhões

10 - Teresa Roque Dal Fabbro e Paula Roque: 532,7 milhões de euros


Greenpeace pressiona e BP tenta resistir na América


Ambientalistas fecham estações da BP em Londres e companhia tem prejuízo trimestral de 13 mil milhões de euros.

A British Petroleum (BP) anunciou uma série de medidas para tentar manter-se no mercado americano, numa altura em que crescem as críticas por causa do devastador derrame de petróleo no golfo do México, que é já a maior catástrofe ambiental do género.

A companhia britânica afastou o director-geral executivo, Tony Hayward, substituído pelo americano Bob Dudley, e anunciou perdas catastróficas no segundo trimestre. Entre Abril e Junho, a companhia perdeu 17 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros). Para piorar o cenário, a Greenpeace conseguiu encerrar durante horas dezenas de estações de abastecimento da BP na zona de Londres.

O protesto da Greenpeace foi mal recebido pela companhia, que acusou a acção de "irresponsável e infantil". A BP também alertou para os problemas de segurança. Os ambientalistas querem pressionar a empresa a actuar de forma mais "verde", nomeadamente abandonando a perfuração a grande profundidade.

A imagem da companhia está destroçada. Políticos em Washington já alertaram para os "pára- -quedas dourados", numa referência aos 18 milhões de dólares de compensação que Hayward pode receber, com o seu afastamento. A BP, no mercado dos EUA desde os anos 50, enfrentará novas críticas, pois o derrame está na agenda política de vários estados americanos, em ano de eleições.

A companhia afectou 32 mil milhões de dólares, incluindo o fundo de compensação negociado com a Casa Branca, para pagar a factura do controlo do derrame, custos da limpeza e multas. Os atrasos nos processos também jogam a favor da BP, pois permitirão diluir a despesa em vários anos.

Para obter a verba, a empresa vai vender 30 mil milhões em activos (no Egipto e Argentina já há negócios realizados) e reduzir a dívida, dos actuais 23 mil milhões de dólares para um intervalo entre 10 e 15 mil milhões. Os activos vendidos equivalem a 10% do total.

O novo director-geral executivo, Bob Dudley, já explicou, numa entrevista à ABC, que a petrolífera "será mais pequena" e "terá de aprender com o acidente". Segundo Dudley, "há duas maneiras de reagir, uma é esconder a cabeça e a segunda é enfrentar [a questão] e mudar verdadeiramente a cultura da companhia, garantindo que existem controlos adequados e que o problema não se repete".

O pesadelo da BP começou a 20 de Abril, com a explosão de uma plataforma de perfuração a grande profundidade, a Deepwater Horizon, na qual morreram 11 trabalhadores. Só nas últimas semanas foi possível colocar uma tampa sobre o poço descontrolado, mas a fuga só estará resolvida em meados de Agosto, quando forem concluídos dois poços de alívio.

As estimativas sobre quanto petróleo foi lançado para o golfo do México variam. Os pessimistas dizem que o ritmo terá sido de 25 mil barris diários, próximo de um Exxon Valdez por semana. Este acidente de 1989, que era o pior até agora, lançou nas costas do Alasca 260 mil barris de petróleo.

O actual derrame já terá ultrapassado quatro milhões de barris, mas a maior parte do petróleo não atingiu as costas e uma fatia está a ser consumida por bactérias e pelos incêndios controlados. Muito do petróleo pode ficar submerso durante meses ou anos, mas o acidente não tem a dimensão que se esperava, mesmo tendo já atingido mais de mil quilómetros da costa sul dos EUA.

fonte: DN

Pentágono já tem suspeito de fugas sobre a guerra


Obama diz que relatórios publicados na Wikileak apenas justificam a sua nova estratégia em relação ao conflito afegão.

O Pentágano abriu ontem um in quérito criminal às fugas de informação que colocaram à distância de um click aproximadamente 92 mil relatórios secretos norte-americanos sobre a guerra que os aliados travam contra os talibãs e a Al-Qaeda no Afeganistão. Estes mostram as contradições de um conflito que já leva nove anos e para o qual estão mobilizados 266 militares portugueses.

Bradely Manning, um militar norte-americano especializado em análise de informações, é para já o principal suspeito daquela que é maior fuga de informação da história militar dos EUA. "É uma personagem chave" no caso das fugas que foram publicadas no domingo pelo site Wikileaks, confirmou ontem o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, em declarações ao canal MSNBC.

O responsável recusou no entanto dar mais pormenores sobre o envolvimento de Manning na fuga para o Wikileak, um site que se dedica a revelar de forma anónima documentos que as autoridades dos países querem esconder da opinião pública. Foi criado há três anos por Julian Assage. Manning encontra-se detido numa prisão norte-americana no Koweit e foi acusado de violação do regulamento militar. Foi ele quem passou à Wikileak o vídeo que mostra um raide de um helicóptero dos Estados Unidos contra dois funcionários da Reuters em Bagdad em 2007. E como é que acabou por ser descoberto? Adrian Lamo, pirata informático, denunciou que ele tinha descarregado 260 mil documentos secretos e a seguir os enviara ao site.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que segundo os media já estava a par das filtrações para a imprensa há dias, afirmou ontem que as mesmas "não trazem nada de muito novo" e justificam a revisão de estratégia em relação ao conflito afegão que ele fez em Dezembro. Os relatórios agora divulgados dizem que os talibãs têm mísseis terra-ar e são apoiados por Irão e Paquistão, que os polícias afegãos extorquem dinheiro nos checkpoints para deixar passar camiões da NATO e desertam para o lado dos talibãs com material dado pelos aliados e que os aviões não tripulados americanos já mataram centena e meia de civis em bombardeamentos.

fonte: DN

A garganta funda do ciberespaço


Australiano de nascimento, Julian Assange, de 39 anos, é o homem que, desde há algum tempo, mais dores de cabeça tem criado ao Pentágono. Licenciado em matemática pura e em física e um apaixonado pela internet, Assange fundou em 2007 a organização (não lucrativa) WikiLeaks, uma espécie de "garganta funda" do ciberespaço que revela documentos secretos de acções menos correctas dos militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Para muitos, a WikiLeaks - que já revelou mais de 90 mil documentos secretos - é um elogio ao jornalismo de investigação; para outros representa um risco. Mas para o seu fundador, a quem os pais, que se conheceram numa manifestação contra a guerra do Vietname, alimentaram o espírito de rebeldia, trata-se apenas de forçar os governos a "agir de acordo com a lei". Assange (na foto) protege de forma muito rigorosa os seus colaboradores a tempo inteiro - a quem pondera pagar um ordenado - e as fontes; ele próprio não parece muito.

fonte: DN

Português é o condutor mais ecológico da Europa


O português António Gonçalves venceu a final da competição europeia promovida pela Opel para o condutor mais ecológico da Europa, anunciou hoje a empresa.

A competição, que se realizou no passado fim-de-semana em Malmö, na Suécia, pretendia que condutores de toda a Europa conseguissem poupar o máximo de combustível com os modelos Ecoflex da Opel - Corsa, Meriva, Astra e Insignia - num conjunto de quatro etapas independentes.

António Gonçalves superou os outros 19 concorrentes representantes de outros tantos países e foi o único a conseguir realizar uma média final de consumo dentro da faixa de 3 litros/100 km.

'Queria muito ganhar esta competição porque admiro muito o Ampera', afirmou António Gonçalves mostrando a chave simbólica do seu novo automóvel eléctrico, o prémio por ter ganho a competição.

Em comunicado, a Opel disse que iniciou há cerca de dois meses uma competição a nível europeu destinada a promover a condução ecológica e a 'provar que, com boas práticas e automóveis adequados, é possível ir mais longe na redução de emissões de CO2'.

A marca alemã recebeu mais de 70 mil inscritos, tendo posteriormente sido apurado um finalista por país através de processos de selecção nacionais realizados em 20 países. Os 20 finalistas encontraram-se na pista de Sturup, em Malmö, na Suécia, no final da semana passada.

fonte: DN

terça-feira, 27 de julho de 2010

Salazar morreu há 40 anos, mas os discípulos ainda andam por cá

São uma minoria, mas asseguram que, nos tempos de crise, os defensores do ditador estão em todo o lado


Salazar, o cardeal Cerejeira e o então presidente, Óscar carmona, na inaguração da exposição Mundo Português

Faz hoje 40 anos que António de Oliveira Salazar morreu, ficando para a história como o homem que liderou a ditadura mais longa da Europa. Depois da sua morte veio a revolução de Abril, a democracia, a Comunidade Económica Europeia, o rock dos anos 80, o multibanco e o cartão de crédito. E o ditador foi ficando para trás, "vagamente presente" na memória dos que hoje "têm menos de 40 anos", explica António Costa Pinto, investigador do Instituto de Ciências Sociais. Apesar de tudo isso, Salazar sobrevive. Ainda há quem o defenda na praça pública sem qualquer embaraço. São "uma minoria", esclarece o especialista em ciência política, mas o certo é que fazem barulho suficiente para, à primeira oportunidade, ressuscitar a figura do ditador e transformá-lo numa vedeta pop capaz de vencer com larga maioria os concursos televisivos como o "Grande Português" do século XX.

João Gomes, empresário de Lisboa, Filipe Ferreira, historiador e ex-militar da Força Aérea emigrado em Bruxelas, ou Vítor Luís Rodrigues, designer e publicitário a viver na capital, pertencem a esta espécie de gueto que se organiza em circuito quase fechado para relembrar os velhos tempos do Estado Novo. Defendem Salazar contra todos, nas ruas, à mesa dos restaurantes, nos cafés, na blogosfera, mas recusam ser encarados como homens a tresandar a naftalina ou como habitantes de uma ilha suspensa no tempo. O elogio ao ditador é acima de tudo um queixume amargurado sobre a "decadência da democracia" ou um descontentamento permanente porque os valores como a "ética, a integridade e o patriotismo estarem em vias de extinção", desabafa Vítor Luís Rodrigues.

Os admiradores de Salazar martelam quase sempre na mesma tecla. Gostavam de viver num Portugal sossegado. Sem crime, sem ameaças exteriores, sem corrupção e com políticos de liderança forte. Isso não significa que queiram Salazar de volta. "Não defendo o regresso do Estado Novo nem tenho qualquer réstia de saudosismo", esclarece Filipe Ferreira, membro do Núcleo de Estudos Oliveira Salazar, sediado em Lisboa. Salazar é apenas o modelo que qualquer político deveria seguir nos seus actos e princípios: "Pedia aos outros o mesmo que pediu a si próprio", explica o emigrante de 48 anos. Ou dito de outra forma para dizer o mesmo: "Foi o governante que menos se apropriou dos bens públicos, que morreu sem um tostão e que governou tendo sempre como objectivo os interesses do país", acrescenta João Gomes, autor e administrador do blogue "Obreiro da Pátria".

É o trunfo de Salazar. Gastou pouco e, mesmo após a sua morte, a modéstia perdurou: deixou uma conta bancária na Caixa Geral de Depósitos de 274 892 escudos, terras avaliadas em 100 contos e foi sepultado numa das campas mais simples do cemitério do Vimieiro. E é esse "sentido de poupança" que é preciso recuperar, defende Vítor Luís Rodrigues. Sobretudo agora que a "dívida pública engorda aos milhões a cada semestre, que a taxas de juro sobem, que as famílias endividadas se multiplicam, que o desemprego bate recordes", avisa o designer de 54 anos.

Vítor Luís Rodrigues, Felipe Ferreira e João Gomes "prezam e respeitam" a figura de Salazar, mas não são "salazaristas". Há uma distância grande entre uma coisa e outra, esclarecem todos eles. "Não se pode fazer a transposição directa das suas políticas que tiveram um contexto próprio", explica o publicitário. "Cada homem tem o seu tempo", mas é sempre possível olhar para os princípios que Salazar defendeu e adaptá-los à democracia de hoje, diz o bloguer de 55 anos: "Trabalhar para o bem comum sem se render aos interesses de clãs e de grupos poderosos", remata João Gomes.

Defender Salazar pode ser hoje uma teimosia rara, mas está longe de ser uma cruzada, asseguram os admiradores do ditador. João Gomes criou o blogue "Obreiro da Pátria" há quatro anos e diz que são cada vez mais os curiosos que visitam o site "à procura dos verdadeiros factos sobre a sua vida". Felipe assume que "evoca" Salazar na rua ou nos cafés e nunca sentiu qualquer hostilidade: "Nem sou eu que puxo pelo tema; é o tema que vem ter comigo." E nos últimos anos, cada vez mais: "Salazar tem o mesmo efeito que a religião - as pessoas lembram-se dele quando a vida não corre bem." Vítor Luís Rodrigues "não tem pejo" em dizer que Salazar foi o "maior português do século XX" e não é por isso que o insultam nas ruas: "Ao contrário, o povo é ainda mais radical."

Um pouco por todo o lado, diz o publicitário, há gente a defender o ditador. Saber ao certo quantos são é que é mais difícil. Não há estudos e o único inquérito que avaliou o que pensam os portugueses sobre a democracia foi realizado em 2004 por ocasião das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril (ver entrevista). "Seria muito importante ter mais indicadores para as elites políticas e económicas conseguirem um retrato mais fiel sobre a nossa sociedade", defende o investigador António Costa Pinto.

fonte: Jornal i

Despesas da BP com a maré negra avaliadas de momento em 32.200 milhões de dólares


Tirando as despesas com a maré negra, a BP teve no segundo trimestre do ano um lucro de 5.000 milhões de dólares

A BP afirma ter colocado de lado 32.200 milhões de dólares (24.818 milhões de euros) para cobrir as despesas relacionadas com a maré negra no Golfo do México.

Aquela empresa britânica disse que a acusação feita contra ela pela Administração norte-americana devido a este desastre ambiental a levou a perder 17.000 milhões de dólares (13.103 milhões de euros) nos três meses compreendidos entre Abril e Junho, o que constitui um recorde para o Reino Unido.

A multinacional petrolífera também confirmou que o seu principal executivo, o britânico Tony Hayward, que lá trabalha há 28 anos, deixa o cargo, por acordo mútuo, no próximo mês de Outubro.

Será substituído por um colega na administração, Robert Dudley, actualmente encarregado da operação de limpeza no Golfo do México.

No entanto, Hayward deverá continuar a ter um papel dentro da companhia, tencionando a BP nomeá-lo director não executivo da joint venture que tem na Rússia, a TNK-BP, informa hoje a BBC.

Também foi anunciado que a companhia vai aumentar as suas vendas de bens durante os próximos 18 meses, até aos 30.000 milhões de dólares (23.104 milhões de euros), um total que inclui a previsão de 7.000 milhões de dólares (5.392 de euros) já anunciada a semana passada.

Estes anúncios foram bem recebidos pela maior parte dos investidores, pela forma clara como enfrentam uma situação melindrosa.

Peter Hitchens, da empresa de corretores Panmure Gordon, comentou que a administração da BP está a querer “colocar tudo em pratos limpos”, ultrapassando esta fase má porque tem estado a passar desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon.

Hayward afirmou que, tendo o petróleo deixado de ser derramado do poço Macondo, é uma boa altura para, aos 53 anos, deixar de ser o director executivo da BP. Mas não sai de mãos a abanar: de imediato, fica com um salário anual, mais algumas regalias, totalizando para cima de um milhão de libras (1,194 milhões de euros). E, a partir dos 55 anos, leva uma pensão de reforma equivalente a 715.000 euros anuais.

Numa entrevista ao editor de economia da BBC, Robert Peston, o presidente do conselho de administração da BP, Carl-Henric Svanberg, adiantou não haver ainda a certeza de que a conta final do desastre não venha a ser ainda superior a tudo aquilo o que nesta altura está a ser anunciado.

Tirando as despesas com a maré negra, esta multinacional teve no segundo trimestre do ano um lucro de 5.000 milhões de dólares (3.849 milhões de euros), o que ainda assim é bem superior ao lucro que teve no segundo semestre do ano passado.

Acontece que, para equilibrar as contas, a empresa não paga dividendos, pelo segundo trimestre consecutivo, nem sequer o devendo fazer no próximo trimestre. Quanto aos futuros lucros a pagar aos accionistas, só os determinará em Fevereiro de 2011, quando souber os resultados do último trimestre de 2010.

fonte: Público

Uma "bomba" de 91.731 documentos contra a guerra no Afeganistão


Documentos foram revelados por antecipação

Os ficheiros divulgados pouco ou nada dizem que já não se soubesse. Mas poderão ter um efeito explosivo sobre as opiniões públicas ocidentais.

O site da Internet WikiLeaks colocou ontem em linha 91.731 documentos classificados sobre a guerra no Afeganistão relativos ao período que vai de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2009. É a maior fuga de informação militar nos Estados Unidos. Não trazem grande novidade. Não são relatórios top secret. São uma massa de informação de rotina que traça um quadro devastador da guerra e aponta as contradições dos EUA, visando produzir um impacto imediato nas opiniões públicas ocidentais.

Na era da informação electrónica, os segredos de guerra não são como dantes. As fugas de informação podem ser maciças e instantaneamente divulgadas. Os documentos foram passados a três jornais, o americano The New York Times, o britânico The Guardian e o magazine alemão Der Spiegel, que ontem publicaram as passagens mais relevantes. Receberam antecipadamente a informação para poderem avaliar a sua autenticidade.

A descrição detalhada da guerra, fornecida por militares e funcionários americanos, muitas vezes fundada em fontes afegãs, traça um retrato muito "mais sinistro" do que o propagado pelos Governos envolvidos, anota o diário britânico. Resume o New York Times: "Os documentos ilustram, com abundância de detalhes, o modo como os Estados Unidos gastaram quase 300 mil milhões de dólares na guerra no Afeganistão para os taliban se encontrarem hoje mais fortes do que em qualquer outro momento desde 2001."

Numa entrevista à Spiegel, o fundador do site, o australiano Julian Assange, foi explícito quanto ao seu objectivo: "Estes ficheiros são a mais global descrição de uma guerra no decurso de uma guerra. (...) Mudarão a nossa perspectiva, não apenas sobre a guerra no Afeganistão, mas sobre todas as guerras modernas." Defendeu a legitimidade de publicitação dos documentos e observou: "Adoro esmagar patifes."

fonte: Público

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian