sábado, 31 de julho de 2010

Baden-Powell, de militar a líder juvenil

A 31 de Julho de 1907, Baden-Powell reuniu um grupo de 20 jovens na ilha britânica de Brownsea. Assim nasceu o escutismo à escala mundial.


A mais divulgada pintura de Baden-Powell

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, o fundador do movimento escutista a nível mundial, nasceu a 22 de fevereiro de 1857, em Londres. Passou algumas dificuldades quando, depois da morte do pai, quando tinha apenas três anos, ficou sozinho com a mãe e seis irmãos ainda pequenos.

Baden-Powell sempre se interessou por atividades que o ajudassem a explorar a natureza. Acampava frequentemente com os irmãos e, na escola, "escapava-se" muitas vezes para a mata circundante. Aí, observava os animais, construía abrigos e armadilhas, explorando e aprendendo as regras da vida ao ar livre.

Quando completou os seus estudos, e não conseguindo entrar na Universidade de Oxford, Baden-Powell concorreu ao lugar de aspirante do Exército. Entrou em 2.º lugar, numa seleção de cerca de 700 candidatos. A sua boa prestação levou-o a subir de patente rapidamente. Aos 19 anos foi para a Índia, como alferes de um regimento na carga da Brigada Ligeira, na Guerra da Crimeia, e aos 26 anos já era capitão.

Quando foi para África, em serviço, combateu os zulos. Sempre com um espírito explorador, Baden-Powell acabou por infiltrar-se para descobrir mais sobre essa e outras tribos.

Mais jovem general inglês

Ao longo da sua carreira militar o inglês fundador do movimento escutista foi tendo desafios, nomeadamente em terrenos difíceis que o ajudaram a desenvolver ainda mais as suas habilidades de explorador.

Aos 42 anos Baden-Powell já era coronel. Nessa condição, voltou a África para enfrentar os colonos ingleses de Mafeking, vulgarmente conhecidos por boers, que tinham cercado a cidade. Conseguiu resistir ao cerco durante 217 dias, até chegarem reforços que ajudassem a combater o exército inimigo. A vitória fez com que se tornasse o mais jovem major general do Exército britânico, com apenas 43 anos.

Escreveu, em 1899, "Aids for Scouting", um guia para recrutas do Exército. Este manual fez tanto sucesso como livro de texto em várias escolas masculinas e referência para tantos jovens rapazes que experimentavam algumas das atividades nele indicadas, que Baden-Powell começou a pensar num projeto direcionado para os jovens.

Início do escutismo

Esse projeto era o escutismo, nascido em 1907 quando reuniu 20 jovens em quatro patrulhas e acampou com eles na ilha britânica de Brownsea.

Ainda nesse ano reúne e organiza os seus apontamentos e publica, em 1908, "Escutismo para Rapazes", primeiro em seis fascículos quinzenais, ilustrados também por ele, e, só mais tarde numa edição única.

O projeto desenvolve-se, cresce e expande-se e, anos depois, Baden-Powell lança a ideia de um encontro mundial de escuteiros, a que dá o nome de Jamboree. O primeiro aconteceu em Londres, em 1920, e estiveram presentes cerca de 12.000 escuteiros. No final da atividade, Baden-Powell foi nomeado chefe mundial dos escuteiros.

Ao longo dos anos seguintes, Baden-Powell viajou pelo mundo incentivando o movimento e conversando com chefes escutistas de vários países. Nessas viagens foi sempre acompanhado pela mulher, Olave Baden-Powell, grande incentivadora e criadora das guias, movimento escutista para raparigas.

Primeira visita a Portugal em 1929

Escreveu outros livros e artigos com base no escutismo. Em 1929 foi-lhe atribuído, pelo rei Jorge V, o título de Lord, pela sua dedicação aos jovens. Nesse ano visita Portugal pela primeira vez. Nessa altura já existia no nosso país a Associação de Escoteiros de Portugal (AEP) e o Corpo Nacional de Escutas (CNE). E voltou uma segunda vez a Portugal, cinco anos mais tarde.

Já no final da vida, com cerca de 80 anos, Baden-Powell regressou a África para não mais voltar. Morreria três anos depois, no Quénia, a 8 de janeiro de 1941.

fonte: Expresso

Argentinos criam plantas resistentes ao frio e à seca


Um grupo de analistas argentinos criou plantas transgénicas capazes de suportar o frio, a seca e a salinidade excessiva dos solos com o objectivo de aplicar esta tecnologia à agricultura. A capacidade de suportar condições meteorológicas extremas e a salinidade está presente em um gene do girassol isolado por especialistas do Instituto de Agrobiotecnologia do Litoral (IAL) e implantado depois em plantas experimentais.

Segundo informaram os especialistas ao jornal La Nación, o resultado foi uma planta com estrutura genética modificada capaz de suportar as piores condições que podem atacar as lavouras. O projecto é realizado junto com o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet) dentro do programa de desenvolvimento de um girassol transgénico. O instituto de biotecnologia, ligado à Universidade Nacional do Litoral argentino, já havia isolado e patenteado o gene de girassol denominado HaHB4 que confere às plantas tolerância à seca, a salinidade e ao ataque de insectos. Agora, isolou e implantou em cultivos experimentais outro gene, denominado HaFT, que acrescenta características de protecção ao congelamento.

"Conseguimos benefícios importantes como melhorar o comportamento das plantas frente às condições de seca e salinidade", indicou Raquel Chan, directora do projecto. "Os estudos básicos comprovaram que este gene interfere nas vias de resposta das temperaturas de congelamento e, ao introduzi-lo como transgénicos em outra planta, gerava uma tolerância a estas temperaturas abaixo de zero", acrescentou. O gene foi introduzido em espécimes de Arabidopsis, planta cuja estrutura genética pouco complexa a torna ideal para a experimentação em biotecnologia.

Os exemplares modificados "sobrevivem ao tratamento (de condições extremas) numa percentagem muito maior do que as não modificadas", apontou Chan ao detalhar que as experiências foram feitas a temperaturas de 4 graus e 8 graus. "Não são plantas que possam ser mantidas congeladas, mas que são capazes de tolerar o congelamento por algumas horas, algo similar ao que ocorre nos campos durante as madrugadas no inverno", esclareceu.

A investigadora disse que agora enfrenta o desafio de levar essa modificação biotecnológica para o trigo, soja e o milho, cujas estruturas genéticas são muito diferentes as do modelo experimental. "Sabemos que muitos dos mecanismos moleculares estão conservados entre as plantas, como os da resposta ao estresse, que é o que nós estudamos", afirmou Chan.

A Universidade do Litoral e o Conicet assinaram um convénio com a empresa inglesa Plant Bioscience Limited (PBL), que actua como intermediária para obter financiamento para o desenvolvimento de projectos em biotecnologia.

fonte: terra

Tecidos feitos com garrafas PET são solução para moda sustentável


Uma alternativa para quem quer comprar roupas, bolsas e outros produtos feitos com materiais mais sustentáveis é o tecido de garrafa PET. Ele é feito a partir da reciclagem do plástico e pode evitar que novas matérias-primas sejam produzidas, além de reaproveitar o material que iria para o lixo.

Apesar de parecer novidade, os tecidos produzidos a partir das embalagens PET são os mesmos das roupas comuns de poliéster. A grande diferença é que em vez de utilizar o Tereftalato de Etileno virgem, a indústria recicla o plástico das garrafas e o transforma em fibras de poliéster.

Posteriormente, essa fibra poderá ser tecida junto com algodão e virar matéria-prima para roupas, bolsas, travesseiros, roupas de cama, tapetes e outra infinidade de produtos, ou ainda ser utilizada em sua forma bruta na confecção de banners, sacolas, embalagens etc.

Basta olhar a etiqueta de algumas roupas para ver que a composição do produto é feita com 50% de algodão e 50% de poliéster. As roupas feitas a partir dessa mistura ainda são mais resistentes, correm menor risco de desbotar ou formar "bolinhas", além de amassam menos que aquelas feitas com 100% de algodão.

Benefícios ambientais

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de PET (ABIPET), em 2008 foram recicladas no Brasil 253 mil toneladas de embalagens, sendo que 38% foram encaminhadas para a área têxtil. Destes, 44% foram usados na indústria de vestuário, 35% para a produção de cordas, cerdas e monofilamentos e 21% para não-tecidos.

Além de incentivar os investimentos em cooperativas e catadores de lixo, a reciclagem pode trazer diversos ganhos ambientais. Para produzir um quilo de malha PET são recicladas 11 garrafas de dois litros de refrigerante.

Além disso, ao reutilizar o material a indústria deixa de produzir novas unidades de Tereftalato de Etileno, economizando água, energia e matérias-primas, como o petróleo. Por fim, a reciclagem evita o acúmulo do material em lixões e aterros e prolonga sua vida útil.

fonte: terra

Wikileaks. Talibãs abrem caça aos informadores

Pentágono diz que Julian Assange tem as "mãos manchadas de sangue" e não sabe, para já, como lidar com o Wikileaks


Kandahar: bastião de rebeldes e pesadelo das tropas da coligação

Nos 92 mil documentos divulgados esta semana pelo Wikileaks, na série "Relatórios de Guerra", encontram-se notícias para todos os gostos. Com maior ou menor grau de novidade noticiosa, apura-se o papel duplo do Paquistão, revelam- -se erros operacionais das tropas americanas e descobrem--se novos arsenais dos talibãs.

Mas também lá estão os nomes e as moradas dos afegãos que cooperam com a NATO na guerra. E como num país como o Afeganistão os mapas podem não ser grande ajuda, acrescentam-se as coordenadas GPS dos colaboradores. Ao contrário das primeiras, os jornais não publicaram estas informações, mas elas estão disponíveis online e fazem as delícias dos talibãs. "Vamos estudar os documentos", disse ontem o porta-voz do grupo Zabihullah Mujahid, que acrescentou: "Se há espiões americanos, agora sabemos como puni-los."

No meio da maior fuga de informação da história americana recente, confirma-se uma das piores perspectivas dos decisores militares de Washington no que diz respeito à segurança dos contactos afegãos dos aliados. "Passei parte da minha vida nos serviços de informações e um dos princípios sacrossantos é proteger as fontes", admitiu na noite de quinta-feira Robert Gates, o homem que liderou a CIA antes de passar para os comandos do Departamento de Defesa.

Num teatro de operações extraordinariamente difícil, onde a conquista dos "corações e almas" afegãs é uma peça central, a fuga de informação anuncia um dano irreparável para as forças americanas. Se a cooperação com os aliados já era missão arriscada para os afegãos - sobretudo baseado no elemento confiança - agora ainda mais. "Se eu fosse afegão trabalharia para os militares americanos arriscando a que me cortassem as orelhas ou a cabeça?", interroga-se o antigo operacional de campo da CIA Robert Baer ao "Politico".

Ontem o homem que juntamente com Julian Assange gere o Wikileaks, o berlinense Daniel Schmitt, mostrou--se orgulhoso do trabalho do site que deixa empresas e governos com ataques de nervos: "Estamos a mudar o jogo", disse o especialista em tecnologias de informação de 32 anos.

Opinião bem diferente tem o chefe do Estado Maior conjunto norte-americano, Mike Mullen. "O senhor Assange pode dizer aquilo que quiser sobre o bem maior que ele e a sua fonte dizem fazer. A verdade é que a esta hora já deve ter as mãos manchadas do sangue de algum soldado ou de uma família afegã."

No Pentágono a ideia é levar a investigação sobre as fugas de informações até às últimas consequências - o FBI juntou-se às diligências que têm como único suspeito o soldado Bradley Manning -, mas fica claro que ninguém sabe ao certo se o Wikileaks pode ser alvo de uma investigação criminal. E porquê? Steve Myers explica no "Poynter". "Assange descobriu que ser sem-abrigo na internet significa poder ir a jogo sem estar sujeito às regras de quem quer que seja."

fonte: Jornal i

Militar que forneceu documentos à Wikileaks transferido para os EUA


Marines em Marjah, na província de Helmand, Afeganistão

Um militar norte-americano suspeito de fornecer documentos militares secretos norte-americanos ao ‘site’ WikiLeaks foi transferido do Kuwait para uma prisão militar no estado da Virgínia (leste dos Estados Unidos), informou hoje o Pentágono.

O soldado Bradley Manning chegou à base militar de Quantico, na Virgínia, quinta feira à noite, na sequência da transferência do seu processo de uma prisão militar norte-americana na base Camp Arifjan no Kuwait, segundo um comunicado do Departamento de Defesa.

Manning, 22 anos, foi formalmente acusado no início de junho de violação do regulamento militar por ter passado ao WikiLeaks um vídeo, divulgado pelo ‘site’ em abril, mostrando um ataque de um helicóptero militar norte-americano no Iraque em que morreu um grupo de civis, entre os quais dois jornalistas das Reuters.

O soldado é também acusado de ter transmitido ilegalmente 150 000 telegramas diplomáticos, 50 dos quais nocivos à segurança nacional dos Estados Unidos.

Badley Manning é agora também suspeito da fuga de milhares de documentos sobre a guerra no Afeganistão divulgados domingo no ‘site’ WikiLeaks.

O Wall Street Journal noticiou quinta feira que as autoridades dispõem de provas que ligam Manning à difusão de 92 000 documentos secretos.

A transferência do suspeito para os Estados Unidos justifica-se, segundo o Pentágono, por se tratar de “uma detenção potencialmente longa até ao julgamento dada a complexidade das acusações e do inquérito em curso”.

fonte: Jornal i

WikiLeaks falha big bang mediático


Soldados americanos no terreno, na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão

A guerra não precisa das "revelações" do WikiLeaks para ser o pesadelo da NATO e de Obama. Se o site pôs em risco a vida de informadores afegãos, diz o seu fundador, a culpa é da Casa Branca, que não respondeu ao seu pedido de ajuda. A "maior fuga de informação da história militar" está a redundar em fiasco. Ao fim de dois dias saiu das primeiras páginas. Por Jorge Almeida Fernandes.

A operação do site WikiLeaks foi inédita pela sua escala - uma fuga de informação de mais de 90 mil documentos militares - e demonstra que a Internet pode mudar as regras do jogo da guerra, agravando a vulnerabilidade do "segredo militar". Foi um sucesso de propaganda para Julian Assange, fundador do WikiLeaks. Era o esboço de uma revolução nos media, em que um site participativo ditava a sua lei de "transparência" a três jornais históricos. Mas, ao terceiro dia, o tema desapareceu das primeiras páginas. Terá sido um flop?

O WikiLeaks é uma organização peculiar. Especializada na divulgação de documentos confidenciais, é uma máquina "blindada" em termos de segurança informática e, refugiada em "paraísos informativos", não está sujeita a nenhum sistema legal. "É a primeira organização informativa do mundo sem Estado", anotou Jay Rosen, professor de Jornalismo em Nova Iorque. "Isto é novo. Tal como a Internet, o WikiLeaks não tem endereço territorial nem sede central."

A operação foi cuidadosamente montada. A informação foi antecipadamente passada a três "jornais de papel" - The New York Times, The Guardian e o semanário Der Spiegel. Por que não colocaram a documentação em linha para que os media de todo o mundo a ela pudessem ter acesso?

Assange explicou há meses que a "transparência" passa pelas leis do mercado: "Acredita-se que quanto mais importante é um documento mais divulgado ele será. É absolutamente falso. Tem a ver com a oferta e a procura. Uma oferta fraca arrasta uma procura forte e é isto que tem valor. Quando difundimos uma coisa em todo o mundo, a oferta é infinita e, portanto, o valor aproxima-se do zero."

Os três jornais de referência serviram para caucionar a fuga e maximizar o seu impacto. E prestaram um serviço: reuniram especialistas para descodificar a linguagem, as siglas e o calão das comunicações militares. Em bruto, este tipo de documentação é ilegível.

Jornalismos

Cada jornal explorou a informação segundo a sua óptica. O NY Times sublinhou a duplicidade do Paquistão; o Guardian focou os relatórios sobre vítimas civis; o Spiegel realçou o encobrimento da difícil situação das tropas alemãs pelo Governo de Berlim. São três ópticas em consonância com as sensibilidades nacionais.

O título de primeira página do NY Times - Paquistão ajuda a insurreição no Afeganistão - mereceu uma ironia de Anne Applebaum, no (concorrente) Washington Post: será isto "notícia", quando o NY Times reportou e analisou, dezenas e dezenas de vezes, a cumplicidade entre os serviços secretos militares paquistaneses e os taliban?

Esta ironia liga-se ao paradoxo da fuga: os documentos não têm praticamente novidade. Mostram, disse um jornalista, que a guerra é um inferno e é suja, que as operações provocam mais vítimas civis do que a estatística oficial reconhece, que o Paquistão é dúplice, que o Governo de Cabul é corrupto, que há incompetência e desorientação entre os militares da força internacional. A fuga pretendia explorar o "efeito de massa" e os imensos detalhes inseridos em milhares de documentos.

Assange assume-se como um justiceiro, que "adora esmagar patifes", e qualifica a actividade do seu site como "bom jornalismo" e "um serviço de informação do povo". Quanto ao objectivo da operação, diz: "Há uma tendência para acabar com a guerra no Afeganistão. Esta informação não é isolada e provocará uma viragem política significativa."

O repórter italiano Gian Micalessin, que tem coberto a guerra afegã, denuncia o "bom jornalismo" do WikiLeaks. Na conferência de imprensa em Londres, na segunda-feira, Assange colocou a diferença entre boa e má informação "na autenticidade das fontes, capazes de transmitir uma indiscutível verdade". Ora, os 92 mil documentos são "informações" recolhidas no campo, ao mais baixo nível de intelligence. O equivalente a um relatório de polícia "no local do crime".

Resume Micalessin: "A procura da verdade - tanto no campo da intelligence como no do jornalismo - não se baseia apenas no acesso às fontes e aos documentos, mas também na capacidade de os analisar e construir uma trama capaz de fazer compreender o encadeamento dos acontecimentos e da estratégia." Fontes em bruto são matéria-prima, não informação.

O jornalismo, dizia-se outrora, é o primeiro rascunho da História.

A arte da fuga

As fugas de informação são o nervo do jornalismo político desde que a liberdade de imprensa se afirmou. Há pequenas e grandes fugas, as de revolta moral, as de ressentimento e as de intoxicação. E há fugas que marcam a História. Dois exemplos americanos clássicos são os "Pentagon Papers" e as revelações do "Garganta Funda" no caso Watergate.

Ao contrário dos documentos do Afeganistão, os "Pentagon Papers" eram um conjunto de análises e relatórios das mais elevadas fontes - Casa Branca, Pentágono, CIA... - que cobriam, em 7000 páginas, a intervenção americana na Indochina ao longo de 22 anos (1945-67). Os papéis foram laboriosamente fotocopiados por Daniel Ellsberg, um analista da Rand Corporation que participou na sua elaboração. Crítico da guerra no Vietname, Ellsberg passou-os ao NY Times, em 1971.

Eles permitiam dizer categoricamente que a "Administração Johnson mentiu sistematicamente não só ao público como ao Congresso sobre um assunto de transcendente interesse nacional". Teve grande impacto, porque o sentimento antiguerra já estava maduro. E o efeito foi reforçado quando Nixon tentou impedir a sua publicação, que feria a nova estratégia de alargar o conflito ao Laos e ao Camboja para negociar em posição de força.

Radical foi a eficácia do "Garganta Funda", que hoje se sabe ter sido Mark Felt, subdirector do FBI: gota a gota, foi desfiando informações que culminaram na demissão de Nixon, em 1974.

Ellsberg, que admira Assange, fez um paralelo entre os seus casos. Declarou numa entrevista que esta fuga de informação é a mais importante desde os "Pentagon Papers". Com uma diferença: "Tem uma escala muito mais larga e, graças à Internet, deu a volta ao mundo muito mais rapidamente."

Ellsberg pôde fazer a fuga, porque tinha sido inventada a fotocópia. Assange não só beneficia da Internet, como da vulnerabilidade da informação electrónica. É uma das razões de alarme do Pentágono, que fez da identificação do informador ou informadores do WikiLeaks "um objectivo estratégico". O problema é que todos os militares mobilizados no Afeganistão, os analistas do Pentágono e seus parceiros privados podem aceder, via Intranet, a este tipo de informação.

"A Web tornou-se uma ameaça para as nações em guerra, porque a informação secreta é decisiva para o sucesso ou o fracasso no conflito. Quem revele um segredo e o difunda numa escala gigantesca pode influenciar a guerra", anota o diário alemão Süddeutsche Zeitung.

A guerra

A operação teve efeitos políticos. Na Europa, os sectores críticos da guerra subiram a pressão sobre os governos, exigindo a retirada do Afeganistão. Poderá ser este o efeito mais imediato. Em Washington, Obama enfrenta a pressão dos "pacifistas" democratas. Um ponto crítico é a nova quebra de confiança entre os EUA e o Paquistão. As revelações confirmam a ideia de atolamento e inutilidade da guerra, mas, ao contrário da previsão inicial de alguns analistas, não produziram um sobressalto dramático na opinião pública americana.

O fundamental está noutro plano: a guerra do Afeganistão não precisa do WikiLeaks para ser um pesadelo da NATO e dos americanos. Em Agosto de 2009, uma fuga de informação filtrada pelo Washington Post atribuía ao general Stanley McChrystal a afirmação de que os EUA só tinham 12 meses para inverter o curso da guerra. Que se passa um ano depois?

Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations e que foi conselheiro de Colin Powell na era Bush, assina na Newsweek um artigo intitulado: Não estamos a vencer. E não vale a pena. A estratégia da contra-insurreição não está a resultar, diz. E nenhuma das opções que Obama tem à disposição é agradável. Restará ao general Petraeus reduzir as operações e poupar a vida de soldados, aguardando uma aproximação aos taliban. "Quanto mais depressa aceitarmos que o Afeganistão não é um problema a resolver mas uma situação a gerir, tanto melhor."

Flop?

Na quinta-feira, Assange defendia-se de ter divulgado, na versão bruta colocada em linha, documentos com nomes de informadores afegãos, denúncia feita pelo jornal britânico The Times após investigação. Argumentou que tinha pedido à Casa Branca, na semana passada, que colaborasse com o site de modo "a minimizar a possibilidade de nomes de informadores serem divulgados". Não teve resposta!

O magazine Slate chama a atenção para o facto de, após dois dias de estrondo, o assunto ter desaparecido da primeira página do NY Times. "A rapidez com que a imprensa e os políticos normalizaram o material como "não notícia" indicia que Julian Assange, líder do WikiLeaks, se poderá ter equivocado no desejo de produzir o grande bang mediático." O segredo da gestão das fugas é administrá-las gota a gota. "Mas a estratégia gota a gota requer determinar o que é mais importante na história." A falta de novidade torna essa escolha problemática.

No seu blogue na Foreign Policy, Tom Ricks ironizou: "Os milhares de documentos lembram-me o que é ser repórter: imensas pessoas diferentes a contar coisas diferentes. Leva algum tempo a distinguir o lixo do ouro."

O antigo hacker Julian Assange diz ter outras munições na manga. Aguardemos a próxima "bomba".

fonte: Público

Freeport: processo pode ser reaberto, diz Cândida Almeida


Os procuradores queixaram-se do prazo limite para o enecrramento e apontaram diligências que ficaram por fazer

O processo Freeport, apesar de concluído pelo Ministério Público, pode ser reaberto, admite a directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida.

“Foi levada a cabo uma cuidada e profunda análise da prova produzida e de diligências encetadas ainda sem resposta, por dependeram da cooperação internacional em matéria penal. Uma vez recebidas e caso determinem a alteração da decisão ora tomada, reabrir-se-ão os autos”, escreve a procuradora geral adjunta Cândida Almeida no despacho final do processo Freeport, a que a Agência Lusa teve hoje acesso.

Por outro lado, embora reconhecendo o “interesse na inquirição” do primeiro ministro, José Sócrates, e do ministro de Estado e da Presidência, Pedro Silva Pereira, a diretora do DCIAP considera que as respostas não alterariam o sentido do despacho dos procuradores titulares do processo, Vítor Magalhães e Paes Faria.

Das “respostas eventualmente obtidas não resultariam alterações de fundo aos juizos indiciários, próprios desta fase, que subjazem ao despacho de arquivamento e de acusação deduzidos”, lê-se também no documento.

À data dos factos, em 2002, José Sócrates era ministro do Ambiente e Pedro Silva Pereira secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza.

Ao dar na terça-feira o processo por concluído, o Ministério Público (MP) acusou os empresários Charles Smith e Manuel Pedro por tentativa de extorsão e ilibou os restantes cinco arguidos do processo Freeport, ao mesmo tempo que determinou o arquivamento dos crimes de corrupção (activa e passiva), tráfico de influência, branqueamento de capitais e financiamento ilegal de partidos políticos.

Foi ainda determinada a extracção de certidões para a continuação da investigação quanto à prática de crime de fraude fiscal.

Entretanto, na sexta-feira o procurador geral da República (PGR) anunciou a realização de um inquérito “para o integral esclarecimento de todas as questões de índole processual ou deontológica” que o processo Freeport possa suscitar.

A abertura deste inquérito visa também apurar “eventuais anomalias registadas na concretização de atos processuais”, adianta uma nota da Procuradoria então divulgada.

O processo Freeport teve na sua origem suspeitas de corrupção e tráfico de influências na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e licenciamento do espaço comercial em Alcochete quando era ministro do Ambiente José Sócrates, actual primeiro-ministro.

Entre os arguidos figuram os empresários Charles Smith e Manuel Pedro, João Cabral, funcionário da empresa Smith&Pedro, o arquiteto Capinha Lopes, o antigo presidente do Instituto de Conservação da Natureza Carlos Guerra e o então vice-presidente deste organismo José Manuel Marques e o ex-autarca de Alcochete José Dias Inocêncio.

fonte: Público

Decisão sobre Scut em 'stand by'


Só depois de Cavaco Silva promulgar a lei dos 'chips', o Governo dirá o que vai fazer às portagens. Processo pára por semanas

O ministro da Presidência reiterou ontem, no final da reunião do Conselho de Ministros, que só quando estiver concluído o processo legislativo sobre os métodos de cobrança de portagens nas Scut é que o Governo definirá - e tornará público - o calendário definitivo para o início dos pagamentos.

Pedro Silva Pereira, questionado sobre a data em que o Executivo tenciona começar a cobrar portagens nas auto-estradas sem custos para o utilizador (Scut), lembrou que "o procedimento de cobrança das portagens foi alterado por legislação do Parlamento", numa alusão ao acordo alcançado entre PS e PSD em torno dos mecanismos disponíveis para o pagamento de portagens, ainda antes de terem sido inviabilizadas as negociações sobre o que falta ao processo - precisamente quando se passarão a cobrar portagens, quais e com que descontos ou isenções.

Ontem, Pedro Silva Pereira garantiu que esse processo legislativo aprovado na Assembleia da República "está ainda em curso, o que impossibilita que a cobrança das portagens se realize". Os factos confirmam-no: nesta altura, o diploma sobre os chips estará já no Palácio de Belém, aguardando decisão do Presidente da República e, em caso de promulgação, a publicação em Diário da República. O processo demorará, tudo o indica, algumas semanas mais.

"No momento em que o processo legislativo se concluir, o Governo dará informações e esclarecimentos sobre o modo como essa cobrança se vai processar e a partir de quando", acrescentou Silva Pereira. Depois disso, a opção mais rápida seria a de implementar portagens nas três Scut a norte, que já têm legislação aprovada (permitindo que a decisão fosse imediata). Mas essa solução é improvável: o Governo quer portagens em todas as Scut, devendo optar por aprovar um novo decreto em Conselho de Ministros.

fonte: DN

Guerra aos talibãs custou cinco vezes PIB português


Congresso americano está cada vez mais dividido sobre o financiamento do esforço militar e a estratégia para o conflito.

A explosão de uma bomba artesanal, ontem, numa estrada da região de Delaram, província de Nimroz, sudoeste do Afeganistão, matou 25 pessoas e feriu com gravidade mais 20. Este ataque dos rebeldes ocorreu horas depois de o Congresso americano ter aprovado um reforço de 59 mil milhões de dólares (45 mil milhões de euros) para financiar o conflito, após uma discussão que mostrou crescentes divisões políticas.

O incidente de ontem em Delaram foi atribuído aos talibãs e, segundo o governador da província, Ghulam Azad, a bomba visava uma coluna de tropas internacionais. Os soldados da NATO ajudaram depois a retirar os feridos. Os talibãs, citados pela AFP, negaram envolvimento e culparam a NATO. Nimroz é uma região desértica a sul de Herat, onde se regista forte infiltração de rebeldes.

O conflito já tem nove anos e alguns políticos dos EUA começam a mostrar dúvidas sobre a estratégia. Com o reforço financeiro aprovado na terça-feira à noite em Washington, os custos desta guerra ultrapassaram pela primeira vez a marca de um bilião de dólares (mil milhões), o equivalente a cinco anos de PIB português ou a quase totalidade do défice orçamental americano deste ano.

A discussão do Congresso mostrou fortes divisões e chegou a ser votada uma resolução a favor da retirada de tropas americanas do Paquistão, proposta pelo representante democrata Dennis Kucinich (da ala esquerda do partido) e o libertário republicano Ron Paul. O documento teve apenas 38 votos a favor, mas o reforço financeiro teve 114 votos contra, sendo aprovado por 308 congressistas.

O debate foi marcado pelo caso Wikileaks, a divulgação de 90 mil documentos militares, e os dirigentes esforçaram-se por tranquilizar a opinião pública. O Presidente Obama afirmou estar preocupado com a publicação de "informação sensível" e que esta podia pôr em perigo pessoas no terreno, mas lembrou que não havia nos documentos nenhum assunto que não tivesse já sido discutido. O chefe do Estado-Maior, almirante Mike Mullen, explicou em Bagdad que os documentos "cobrem o período entre 2004 e 2009, e muito mudou" desde o ano passado.

fonte: DN

Pentágono não sabe onde gastou verba da reconstrução


Um relatório oficial aponta para irregularidades em larga escala na utilização das verbas geridas pelo departamento da Defesa americano no Iraque. Segundo estimativa do inspector-geral para a Reconstrução do Iraque, o Pentágono não consegue explicar em que foram gastos 95% dos 9,1 mil milhões de dólares (mais de oito mil milhões de euros), entre 2004 e 2007.

"O colapso dos controlos deixou os fundos vulneráveis a usos impróprios ou perdas indetectáveis", estima o relatório. O facto é que sete anos depois da invasão do Iraque, a infra-estrutura do país continua em péssimo estado, incluindo a petrolífera, da qual dependem as receitas do Estado. A queda dos preços de petróleo, a partir de 2008, afectou ainda mais o ritmo da reconstrução.

O grosso do dinheiro mal gasto provinha do fundo criado pela ONU em 2003, constituído por receitas petrolíferas. Foi o Governo iraquiano a dar autorização aos EUA para gerir o fundo. As dúvidas sobre a reconstrução do Iraque não são novas, a começar pelo vandalismo generalizado que ocorreu logo a seguir à queda do regime de Saddam Hussein.

fonte: DN

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian