quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Maior infiltração nos sistemas militares dos EUA provocada por pen

O pior caso de infiltração nos sistemas informáticos militares dos EUA foi causado por um dispositivo de memória portátil, as vulgares pen disks, revelou um responsável do Pentágono


Ataque teve lugar em 2008 mas só agora foi divulgado

A revelação foi feita por William Lynn, subsecretário da Defesa dos EUA, num artigo publicado na revista Foreign Affairs.

De acordo com o responsável do Pentágono, a maior infiltração nos sistemas de informação militares dos EUA foi causada por uma pen ligada a um portátil do Exército norte-americano no Médio Oriente, que serviu para infectar o computador e dar acesso aos sistemas norte-americanos.

William Lynn adianta que esse dispositivo foi utilizado para instalar «um código malicioso, colocado por uma agência de inteligência estrangeira, que descarregou um programa para uma rede administrada pelo Comando Central Militar dos EUA», que é responsável por supervisionar as operações dos EUA no Médio Oriente e Sul da Ásia.

O subsecretário da Defesa norte-americano afirma ainda que o programa malicioso se espalhou pela rede, acedendo a sistemas secretos e não secretos sem ser detectado, e estabeleceu uma ligação com servidores localizados no estrangeiro, para onde enviava a informação recolhida.

Para William Lynn este ataque foi «o pior pesadelo de um administrador de redes», pois consistiu num «programa que opera em silêncio e dedica-se a entregar os planos das operações a um adversário desconhecido».

O artigo do responsável do Pentágono é a primeira vez que o caso é oficialmente admitido pelas autoridades norte-americanas, pois já no início do ano o Los Angeles Times tinha noticiado esta infiltração.

Na altura o diário, citando fontes do Pentágono anónimos, tinha avançado que a origem do ataque tinha sido a Rússia.

fonte: Sol

Urânio no valor de 9 milhões de euros apreendido na Moldávia

Dois quilos de urânio avaliados em 9 milhões de euros foram apreendidos pela polícia moldava na capital Chisinau, revelou o Ministério do Interior. O material poderia ser usado tanto para fins civis como para produzir «armas de destruição em massa»
 
 
O anúncio foi feito esta terça-feira por um responsável do Ministério moldavo do Interior, Oleg Putintica, que revelou que a apreensão foi realizada na capital Chisinau. Sete pessoas foram detidas. Alguns dos suspeitos eram procurados na Roménia e na Rússia por tráfico de substâncias radioactivas.

Os dois quilos de urânio-238 «tanto poderiam ser utilizados na indústria nuclear civil como para fins militares, com a produção de armas de destruição em massa», disse o investigador.

O grupo criminoso estaria a tentar vender a substância no mercado negro por 9 milhões de euros. O urânio estava depositado num contentor especial e era mantido numa garagem da cidade, guardada por homens armados.

fonte: Sol

Bancos portugueses ganham 7,7 milhões por dia em comissões

No primeiro semestre do ano, os cinco maiores da banca nacional arrecadaram 1,38 mil milhões de euros em comissões. O valor representa uma subida de 12,6%


As comissões continuam a ser uma rubrica importante nos resultados da banca e o primeiro semestre deste ano não foi excepção. As comissões líquidas dos cinco maiores bancos portugueses - CGD, BCP, BES, Santander Totta e BPI - totalizaram 1,38 mil milhões de euros, o que representa uma subida homóloga de 12,6%. Por outras palavras, ganharam 7,7 milhões de euros por dia só em comissões.

O BCP lidera, com as comissões a ascenderem a 405 milhões de euros no período entre Janeiro e Junho, mais 16,8%. O BES surge na segunda posição com uma subida de 12,5%, para 389,6 milhões de euros. Na terceira posição ficou a Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 248,3 milhões de euros de comissões líquidas (+10,5%), seguida pelo Santander Totta com 182,6 milhões de euros (+9,6%) e pelo BPI com 158,3 milhões de euros (+9,1%).

Nos primeiros seis meses deste ano todos os bancos conseguiram fazer crescer a rubrica de comissões, uma situação que não se verificou nos últimos três primeiros semestres, em termos homólogos. Exemplo disso é que, na primeira metade do ano passado, só a Caixa e o BES conseguiram obter uma subida das comissões líquidas, com os restantes bancos a registarem uma quebra. Situação semelhante verificou-se nos seis primeiros meses de 2008 - período em que a banca foi bastante fustigada pela crise financeira mundial. No primeiro semestre desse ano, os cinco arrecadaram no total quase menos 2% em comissões face ao mesmo período do ano anterior.

Comissões de crédito Apesar de, habitualmente, a banca de investimento e a gestão de activos representarem a fatia mais importante dos resultados obtidos nas comissões, na banca comercial as comissões relativas a crédito são, por norma, as mais expressivas.

No entanto, não será o crédito ou, especificamente a habitação, a suportar as subidas das comissões líquidas, garantem fontes do sector. "A recuperação dos mercados poderá justificar isso, mas de certeza que essa subida não é provocada pelo crédito à habitação", adiantou uma fonte do sector bancário, em declarações ao i, que pediu para não ser identificada.

Nos últimos três anos, o governo aplicou um conjunto de leis no sector financeiro com vista a proteger o consumidores. Algumas resultaram na limitação de comissionamento dos bancos. Um exemplo é a lei aprovada há dois anos que veio proibir a cobrança de comissões na renegociação dos empréstimos da casa. Apesar destas limitações, e perante o contínuo crescimento das receitas de comissões, o i questionou alguns bancos sobre se houve alguma compensação. Mas os bancos contactados garantem que não fizeram nenhuma alteração para compensar, por exemplo, a proibição de cobrar comissões na renegociação de crédito à habitação. "Agora praticamente ninguém renegoceia. As condições para os particulares eram muito melhores antes de 2008", afirmou o economista Paulo Soares Pinho.

Ainda assim, nada deve impedir os consumidores de procurarem as melhores condições. "Apesar de, neste momento, poder não ser a melhor altura para renegociar contratos, no futuro os clientes deverão querer fazer mais renegociações, uma vez que essa proibição permitiu que sempre que queira renegociar o spread do seu crédito, o banco não lhe pode cobrar comissões", conclui João Fernandes, economista da Deco.

fonte: Jornal i

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Electricidade mais cara para o ano


Novo subsídio atribuído às empresas do sector aumenta factura.

A factura da electricidade vai aumentar no próximo ano. Trata-se de uma subida adicional, que desta vez não está relacionada com a inflação ou os custos de produção.

Este agravamento explica-se com o dinheiro que o Estado vai passar a pagar às eléctricas a operarem no nosso país, para compensar os períodos de paragem, impostos pela produção de energia pelas renováveis. Uma produção inconstante, mas que é sempre descarregada no sistema.

Segundo dados avançados hoje pelo “Diário Económico”, esta espécie de subsídio estatal representa uma factura de 60 milhões de euros por ano ao Estado. Na factura da luz, representa mais um ponto percentual.

Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, admite que serão os consumidores a pagar este custo, mas garante que o valor irá variar, de ano para ano: “Se for um ano em que há menos vento e menos água, as térmicas vão ter que trabalhar mais tempo e portanto não existe pagamento dessa paragem dessas centrais”.

Este apoio para compensar os períodos de paragem, que já é atribuído aqui em Espanha, vai beneficiar a Endesa, a EDP e a Galp e será apenas mais um dos custos que vai pesar na factura eléctrica, que já soma várias parcelas que não estão directamente relacionados com a produção de luz, como o défice tarifário.


Mesquita inflama Nova Iorque

Apoiantes e opositores trocam argumentos em manifestações de rua. 56% dos nova-iorquinos estão contra

A polémica em Nova Iorque passou das colunas dos jornais para as ruas. Dois grupos antagónicos enfrentaram-se na Baixa da cidade - muito próximo da zona de impacto, em Manhattan, onde estiveram implantadas as Torres Gémeas até 2001 - para entoarem palavras de ordem muito diferentes. Uns a favor, outros contra a prevista edificação de um centro islâmico de 13 andares a escassos dois quarteirões do local onde há nove anos ocorreu o brutal atentado do 11 de Setembro que provocou a morte de quase três mil pessoas.

"Não ao racismo", gritavam ao fim da tarde de sábado aqueles que apoiam o projecto em nome da liberdade religiosa garantida na Constituição norte-americana e reiterada há dias pelo Presidente Barack Obama, o que lhe valeu algumas críticas.

Um dos apoiantes, Ali Akram, de 39 anos, lembrou que o atentado da Al-Qaeda também matou vários muçulmanos em Nova Iorque. "Quem se opõe à mesquita opõe-se aos Estados Unidos", disse este médico, citado pela AP.

Opinião bem diversa foi expressa por Jim Riches, um bombeiro reformado que viu o filho morrer no dramático combate às labaredas nas Torres Gémeas: "Defendo a liberdade religiosa, mas a mesquita deve ser construída mais longe."

Não chegou a haver confrontos físicos: os manifestantes estavam à distância de algumas dezenas de metros, separados por barreiras policiais. Registaram-se apenas acesas trocas de palavras - prova evidente de que o tema suscita paixões acaloradas.

As mais recentes sondagens indicam que 56% dos habitantes de Nova Iorque se opõem à construção do centro islâmico - que, além de mesquita, contará com auditório, piscina e várias salas de reuniões - em nome do respeito pelas vítimas do terrorismo islâmico e dos seus familiares.

A nível nacional, a percentagem aumenta para 68%. E mesmo personalidades do Partido Democrata, nada suspeitas de islamofobia, já expressaram sérias dúvidas sobre a localização do projecto. É o caso do governador de Nova Iorque, David Paterson, que defende a implantação da mesquita num espaço que suscite "menos emoções". Já ontem, avançou com a proposta de aquisição pelo Estado de toda a área adjacente à zona de impacto num raio de três quilómetros - medida que vem ao encontro dos críticos. Também o presidente do Senado, Harry Reid, já apelou à mudança de planos em nome do bom senso.

Os mais destacados promotores do projecto - como o imã Feisal Abdul Rauf, antigo colaborador da Administração republicana de George W. Bush - garantem, no entanto, que este irá mesmo por diante, contra ventos e marés. Em nome da liberdade religiosa e da iniciativa privada - dois princípios basilares da vida americana.

fonte: DN

A rede de fundos da WikiLeaks

'Site' de Julian Assange tem nos EUA duas organizações de caridade isentas de impostos que são suas 'testas-de-ferro'.

Julian Assange, o australiano de 39 anos que fundou o WikiLeaks, é tão cioso da sua vida privada quanto o é da rede de financiamento do seu site, que celebrizou ao publicar, em Julho, documentos secretos militares dos EUA sobre a Guerra no Afeganistão e no Iraque. Para manter esse secretismo, revelou ontem o diário Wall Street Journal com base em declarações de Assange, este estabeleceu um complexo sistema para recolher e desembolsar os donativos de forma a "esconder" as suas origens e os seus gastos.

O criador do WikiLeaks não esconde que a grande âncora do sistema de financiamento é uma fundação na Alemanha - a Wau Holland -, criada em memória de um pirata informático que morreu em 2001 e que, de acordo com a lei alemã, não pode revelar o nome dos seus doadores. Talvez por isso, Assange insista junto do grande público para contribuir com fundos para a Wau Holland.

"Dá muito trabalho gerir uma organização, e ainda mais quando ela está constantemente a ser espiada e processada. As decisões judiciais podem prejudicar a actuação de uma organização (...). Não podemos ter o nosso activo totalmente congelado", afirmou Assange, adiantando que o seu grupo conseguiu angariar um milhão de dólares desde o início do ano em curso.

O homem que irritou o Pentágono ao publicar os documentos secretos e que foi objecto de um recente mandado de captura sueco por violação e agressão, assume que o WikiLeaks controla um autêntico "arquipélago" de unidades operacionais em todo o mundo: está registado como uma biblioteca na Austrália, como uma fundação na França e como um jornal na Suécia.

Mais curioso ainda: nos EUA, o WikiLeaks tem duas organizações de caridade isentas de impostos, as 501C3s, que actuam como "testas-de-ferro" do site. Com toda esta rede, tem sido impossível às autoridades de vários países perceber quem dá e quanto recebe o WikiLeaks.

Até agora, a maior doação que chegou à conta da Wau Holland ascende a dez mil euros e foi feita por uma única pessoa - um cidadão alemão - após a publicação dos documentos secretos sobre a Guerra no Afeganistão.

fonte: DN

Líder do WikiLeaks diz-se vítima de "armadilha sexual"

 Ministério Público mantém o processo por agressão contra Julian Assange. Este insinua que o Pentágono tenta destrui-lo.

"Não sei quem se esconde por detrás dessas acusações. Mas avisaram-me que, por exemplo, o Pentágono nos faria passar por vilões para nos destruir." É assim que Julian Assange explica o facto de ter sido acusado de violação e de agressão por duas mulheres na Suécia. No sábado, a justiça de Estocolmo retirou a acusação de violação mas sublinhou que mantém a de agressão.

Em entrevista ao tablóide sueco Aftonbladet, que a publicou na sua edição de ontem, o fundador do WikiLeaks explicou que o tinham "alertado para as armadilhas sexuais", sem precisar se pensava ter caído nesse tipo de maquinação. Perante a insistência do jornalista, limitou-se a responder: "Talvez sim , talvez não".

Assange, que se tornou célebre por ter publicado no seu site mais de 70 mil documentos militares secretos dos EUA, precisou que o caso está a provocar "grandes danos" ao WikiLeaks apesar da justiça ter anulado o mandado de captura por violação. "A imprensa de todo o mundo afirmou, em título, que eu era suspeito de violação. E sei por experiência que os inimigos do WikiLeaks continuam a distorcer as coisas mesmo depois de serem desmentidas", disse.

Este australiano de 39 anos, que irritou o Pentágono ao publicar os documentos sobre a guerra do Afeganistão e do Iraque, afirma que nunca violou ninguém, ao mesmo tempo que recusa avançar qualquer pormenor sobre a relação que manteve com as duas mulheres que estão na origem das acusações. Assange explicou que ainda não teve tempo de dar oficialmente às autoridades a sua versão dos factos.

fonte: DN

Moody''s diz que economia portuguesa vai sofrer

Agência estima que o PIB português cresça 0,5% este ano, abaixo das previsões do governo


Culpas na crise. Aqui Warren Buffett e à direita Raymond McDaniel, presidente da Moody?s

É o dilema da pescadinha de rabo na boca. É preciso mais austeridade, mas a austeridade prejudica a economia e, por arrastamento, estraga o esforço de redução do défice público. E tudo recomeça.

A Moody''s, uma das três maiores agências de notação financeira mundiais, reconhece que Portugal (e países como Espanha e Itália) "anunciaram medidas adicionais significativas [de redução do défice] para 2010 e 2011". Infelizmente, este "aperto fiscal simultâneo vai afectar negativamente as perspectivas de crescimento da zona euro", o que enfraquece a capacidade dos governos de reduzirem o défice.

O mês passado, quando a Moody''s cortou o rating [opinião da empresa sobre a capacidade do governo e da república de pagarem as suas dívidas], o Ministério das Finanças reagiu. "Creio que é uma decisão um pouco mais tardia que a de outras agências de rating, mas que no fundo veio constatar aquilo que essas outras agências já tinham constatado e por isso não tem nada de surpreendente", disse o ministro Teixeira dos Santos.

Agora, perante um diagnóstico que continua a ser negativo, o Ministério das Finanças preferiu não reagir.

O documento que actualiza a avaliação da agência de rating norte-americana relativamente à qualidade das dívidas soberanas e das economias europeias refere que "a força financeira do governo português continuará a enfraquecer a médio prazo", e que "as perspectivas de crescimento económico deverão permanecer relativamente fracas a não ser que as recentes reformas estruturais dêem frutos a médio e longo prazo". Por isso estes factores "deverão conduzir a níveis de dívida pública substancialmente altos nos próximos anos". Para a Moody''s, são razões suficientes para que o oulook do rating português esteja estável, mas no nível "A" (em vez de "Aa", onde esteve durante 12 anos). Neste grau "A" estão países como Israel, a Polónia, Malta ou a Estónia.

A agência considera que em 2011 vai faltar austeridade no combate: o défice deve cair de 7,5% para 6,8% do PIB entre este ano e o próximo. Já o governo diz que consegue 7,3% e 4,6%, respectivamente. Na dívida, as expectativas também são menos ambiciosas: a Moody''s diz que o peso será de 84,8% do PIB em 2010, disparando para 89,2% em 2011. O governo aponta 83,5% e 85,9%, respectivamente.

Segundo a empresa, o crescimento será de 0,5% este ano e 0,7% em 2011; o governo diz que é ao contrário. Em todo o caso, os economistas referem que se trata de uma expansão muito baixa, próxima da estagnação.

Durante décadas os portugueses (particulares e empresas) gastaram acima das suas capacidades (produtivas), preenchendo esse vazio com crédito bancário. A fonte do financiamento secou com esta crise e as despesas que permitiram manter o nível de vida mais elevado terão de ser reequacionadas. O sector público, com o peso que tem na economia, dará o exemplo e forçará uma redução de gastos que arrastará o sector privado. O aumento de impostos e o corte nos apoios sociais são alguns exemplos.

Segundo o Banco de Portugal (BdP), "a antecipação de medidas previstas no PEC e a eliminação de medidas de estímulo orçamental, o congelamento das admissões de pessoal, a diminuição da despesa em bens e serviços da administração central e a redução das transferências para as administrações regional e local e para o sector empresarial do Estado" são factores que "tenderão a afectar negativamente o crescimento da economia portuguesa a curto prazo".

O quadro é, de facto, inquietante, mostra o banco central: o país pode estar à beira de uma nova recessão (a probabilidade é superior a 50%, diz a instituição) e o emprego deve continuar a afundar em 2011, pelo terceiro ano consecutivo.

As medidas de austeridade do governo sobre as contas públicas vão começar a ferir a sério a economia; a escassez de crédito, a perda de força da procura externa e o fardo do endividamento acumulado ao longo de décadas explicam o resto das dificuldades que os portugueses terão de sentir pelo menos até 2013, fim do período de grande austeridade que Lisboa prometeu a Bruxelas para reduzir o défice para menos de 3%.

O BdP observa ainda que a "eventual necessidade de medidas adicionais de consolidação em diversos países que são importantes mercados de destino das exportações nacionais" também justifica o pessimismo face à procura externa dirigida a Portugal.

fonte: Jornal i

DECO contraria Banco de Portugal e garante que fez queixa sobre cláusulas abusivas


Banco de Portugal

A Associação da Defesa do Consumidor - DECO desmente o Banco de Portugal e garante que enviou uma carta ao governador daquela entidade apelando ao regulador para que investigasse cláusulas consideradas abusivas em contratos de crédito à habitação.

Em declarações esta tarde à agência Lusa, o secretário geral da DECO, Jorge Morgado, disse que a associação enviou uma carta por fax ao Banco de Portugal (BdP), a 25 de junho, na qual relatava a situação e apelava a uma intervenção do regulador.

"De facto, a DECO, a 25 de junho, enviou uma carta que eu próprio assinei dirigida ao governador, em que falávamos desta situação, ou seja, cláusulas claramente abusivas nos contratos de hipoteca. Isto foi participado e recebido pelo BdP às 19:03 do mesmo dia", contou à Lusa Jorge Morgado.

"A DECO quando diz que envia e informa, é evidente que o faz", sublinhou o mesmo responsável.

Na sexta feira, o Banco de Portugal disse que não recebeu queixas da DECO ou de particulares contra bancos relativas a cláusulas que prevejam a possibilidade de alteração das taxas de juro de créditos à habitação.

Em resposta escritas a questões pela Lusa, o Banco de Portugal assegurou que não foi "identificada qualquer reclamação relativamente à atuação das instituições na matéria de crédito à habitação" referida.

Na carta, recordou Jorge Morgado, a DECO pedia ao BdP que analisasse a cláusula transcrita e, por outro lado, que acionasse os mecanismos legais ao seu dispôr com vista a eliminá-la de contratos futuros.

A DECO adiantou que, além do contrato mencionado ao BdP - que era do BES - tem conhecimento de que outros bancos estão a utilizar cláusulas semelhantes ou com os mesmos objetivos.

As cláusulas em questão permitem aos bancos alterar os juros acordados com os clientes em caso de alterações ocorridas nos mercados financeiros.

"Pedíamos ao BdP que fizesse a investigação fundamental à defesa da parte mais fraca, os consumidores", disse Jorge Morgado.

O mesmo responsável apelou ainda aos consumidores que tenham notado o mesmo tipo de cláusulas nos seus contratos de crédito à habitação para que entrem em contato com a DECO.

"Não temos dúvida que o BdP, depois de encontrar a nossa carta enviada em junho, vai ter a atuação devida", reforçou Jorge Morgado.

A Lusa tentou obter esclarecimentos do Banco de Portugal sobre a receção da carta/queixa da DECO, mas a instituição remeteu uma resposta para mais tarde.

fonte: Jornal i

Espiões militares. PCP e CDS criticam declarações de Santos Silva

Ministro mostrou-se favorável ao envio de células de informações para o Líbano. PSD dá o benefício da dúvida


A crítica a Santos Silva foi unânime da esquerda à direita

A possibilidade de Portugal enviar espiões militares para o Líbano anunciada pelo ministro da Defesa Augusto Santos Silva em entrevista na edição de ontem do i, provocou reacções duras da oposição nos extremos parlamentares.

Para o PCP, o ministro da Defesa foi protagonista de uma gafe comparável à de Veiga Simão em 1999 [caso de divulgação de uma lista de agentes do antigo Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares] e que levou à demissão do então ministro socialista. "Consideramos de uma grande insensatez o anuncio da natureza da missão, foi no mínimo uma precipitação que faz lembrar a gafe do ministro Veiga Simão" dispara Rui Fernandes da Comissão Política comunista, acrescentando que a missão deveria ser cancelada.

A confirmação de que Portugal vai ter uma célula de informações no Afeganistão já na próxima rotação do contingente em Outubro também mereceu críticas dos comunistas, que pedem o cancelamento da participação portuguesa, onde as forças nacionais destacadas se integram na ISAF (Força Internacional de Assistência e Segurança da NATO).

À direita, o CDS-PP acredita que o anuncio do ministro da Defesa coloca os objectivos da missão portuguesa em causa. "Em matéria de recolha de informação estratégica e militar, uma atitude de prudência, reserva e discrição, é essencial para garantir o bom sucesso dessa missão. São declarações infelizes" sustenta João Rebelo, deputado popular e vice-presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional. "Obviamente que isto dificulta e muito o trabalho dos nossos militares no local mas sobretudo os serviços de informações", sublinha.

Mais moderado que o CDS, o PSD - partido que com populares e socialistas pertence ao "grande consenso português em matéria de Defesa" nas palavras de Santos Silva -, afirma que as opções do titular da Defesa "poderão ter razão de ser" embora exija explicações "mais cabais" do ministro num tema delicado. Em declarações ao i, o deputado Luís Campos Ferreira, ataca uma esquerda que "considera gafe dos países democráticos tudo o que seja combate ao terrorismo" e não coloca entraves à missão se esta estiver "coordenada com as forças internacionais para evitar ataques terroristas." E acrescenta: "o senhor ministro não quer com certeza brincar aos espiões nem ir para sítios em que não seja preciso estar."

Na entrevista ao i, Santos Silva chamou a atenção para a necessidade de combater o terrorismo "fundamentalista islamita" num arco que vai do "norte de África ao Paquistão." E, "sem querer ser precipitado", mostrou-se favorável ao envio de células de informações militares para o Líbano, teatro onde as forças nacionais estão presentes desde 2006. Até à hora de fecho da edição não foi possível conseguir uma reacção do BE, nem do Ministério da Defesa às críticas da oposição

fonte: Jornal i

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian

Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian
Veja aqui os telegramas publicados por The Guardian