Condenada 'confessa' crime na TV
Entrevista em programa televisivo pode ser estratégia para legalizar execução de Ashtiani a qualquer momento.
O aparecimento de Sakineh Moh-ammadi Ashtiani num programa da televisão estatal iraniana, durante o qual confessa ter sido cúmplice na morte do marido e ter mantido relações extramatrimoniais, faz recear, como sublinham grupos de defesa de direitos humanos, que a sua execução esteja para breve. Ashtiani, de 43 anos e mãe de dois filhos, foi condenada em 2006 por "relações ilícitas" e está detida na prisão de Tabriz, no Noroeste do Irão.
O programa, que vai para o ar às 20.30 de quarta-feira, é de cariz político e, no caso do último, tinha como objectivo denunciar a "propaganda dos media ocidentais". Foi precisamente nesse programa que uma mulher - cujo chador negro cobria não só o corpo mas também o rosto, deixando apenas visível o nariz e um olho - foi apresentada como sendo Ashtiani. Durante a entrevista, as suas declarações foram feitas em turco e traduzidas em simultâneo para persa, tornando assim difícil confirmar a identificação da sua voz.
Durante o programa, a mulher que foi condenada à morte por lapidação - ou na forca, como alguns responsáveis iranianos afirmaram recentemente - por ter cometido adultério [acusação que Ashtiani negou no passado] assume que um homem que conhecera se ofereceu para matar o marido e que ela não o impediu de cometer o crime.
Para além destas declarações foi ainda lido, por uma voz feminina, um comunicado no qual Ashtiani se insurge contra o seu advogado Mohammad Mostafai, a quem culpa de ter tornado o caso conhecido a nível internacional.
O programa televisivo - ou melhor, a entrevista de Ashtiani - está a levantar sérias questões na imprensa internacional e nos grupos de defesa de direitos humanos. Os próprios advogados da iraniana sublinham o momento escolhido para a sua transmissão: quando se aguarda a resposta a um pedido de revisão do processo. E não escondem o receio de que se trate de uma estratagema das autoridades para avançar com a sua execução.
"Propaganda tóxica" foi como o Comité Internacional contra a Lapidação classificou a entrevista transmitida pela televisão iraniana, alertando que se trata de uma prática algo corrente no Irão para justificar as execuções.
Entretanto, o Brasil - pela voz de Celso Amorim, o ministro dos Negócios Estrangeiros - voltou a insistir com Teerão para que faça um gesto humanitário em relação ao caso de Sakineh Ashtiani, o que seria "positivo para a imagem do Irão no mundo", sublinha o chefe da diplomacia de Lula da Silva.
fonte: DN

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