quarta-feira, 28 de julho de 2010

BP manipulou fotografias para que o mar ficasse azul e límpido

Maré negra custou à petrolífera mais de 25 mil milhões de euros e uma demissão: Hayward deixa a BP em Outubro
 

Como numa operação antes e depois, a BP revelou ontem imagens que foram manipuladas e alteradas pelos fotógrafos oficiais da petrolífera, numa operação de charme da companhia justificando a "transparência" para o exterior. As imagens foram divulgadas na página que a empresa tem na rede Flickr.

Numa das fotografias, o fotógrafo fez com que nos ecrãs do centro de controlo e observação aparecessem imagens do local da maré negra: no entanto, na fotografia original são menos os ecrãs a funcionar. A BP admitiu que o fotógrafo usou o processo de "cut-and-paste" (corta e cola) e que apenas a imagem alterada foi posta no site oficial da BP, na internet. Noutra fotografia, a BP alterou a saturação da cor, para que o mar, mais escuro, parecesse azul e límpido.

A petrolífera avançou em comunicado que deu "instruções ao fotógrafo que alterou as imagens que deixe de proceder ao 'corte-e-cole' no futuro e que adira às melhores práticas do tratamento de imagem jornalística", para tentar evitar situações semelhantes, erro de alto custo Em apenas três meses, a situação financeira da gigante petrolífera passou para números vermelhos: desde Abril, a BP já perdeu 13,3 milhões de euros e as acções caíram 40% nesse período. Os resultados reflectem a maior perda da história dos Estados Unidos.

"Os custos pela resposta ao derrame no golfo do México são muito significativos nestas perdas", anunciou a BP em comunicado, depois da apresentação dos resultados anuais da petrolífera. Dos 25 mil milhões de euros gastos pela empresa em indemnizações e trabalhos de limpeza, destacam-se os 2,2 milhões de euros na resposta contra o desastre ambiental e ainda os 15 mil milhões aplicados no fundo de garantia já anunciado pela petrolífera.

Para fazer frente à reparação dos danos provocados pela maré negra - a plataforma Deepwater Horizon explodiu a 20 de Abril -, a petrolífera britânica anunciou aos analistas que vai vender até 23 mil milhões de euros em activos durante o próximo ano e meio, o que tornará a empresa "mais pequena, mas com um negócio de exploração e de produção de maior qualidade". Entretanto, a BP vendeu já os campos de prospecção no Alasca, por 5,3 mil milhões de euros de urgência Depois de várias semanas de especulação - e de Barack Obama ter recomendado o afastamento do responsável -, o conselheiro delegado da BP anunciou ontem a demissão, através de um comunicado entregue à Bolsa de Valores de Londres.

A 1 de Outubro, Tony Hayward, 53 anos, vai abandonar o cargo na petrolífera e será substituído pelo norte-americano Bob Dudley. Hayward começou a carreira na petrolífera há 28 anos, sucedendo ao antigo responsável - Lord Browne - em 2007. O conselheiro delegado demissionário sai da petrolífera com uma pensão de 715 mil euros e já se fala em novo cargo, no conselho-executivo da petrolífera TNK-BP, participada em 50% pela BP. Hayward esteve no Congresso norte-americano em Junho, para falar sobre o derrame de petróleo da companhia: nessa ocasião, assumiu as responsabilidades na explosão da plataforma petrolífera que protagonizou o maior desastre ambiental de sempre na história dos Estados Unidos.

fonte: Jornal i

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